UE: novidades do hospício de Bruxelas

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 09/06/2026, Revisão da Estátua)


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Em Bruxelas, o fracasso não existe. Simplesmente perpetua-se por meio de uma votação qualificada por maioria. A União Europeia acaba de aprovar o seu 21º pacote de sanções contra a Rússia. Vinte e um. Um feito notável: poucas políticas públicas conseguem falhar vinte vezes seguidas e ainda assim serem apresentadas como um sucesso estrondoso.

A lógica é irrefutável. Se os primeiros vinte pacotes não causaram o colapso previsto da economia russa, então o vigésimo primeiro será certamente o responsável. Afinal, quando um martelo se recusa a apertar um parafuso, basta bater com mais força. Em Bruxelas, isto chama-se estratégia.

A tecnocracia europeia tornou-se uma religião cujo dogma é simples: pensar é perigoso, regular é a salvação. Ninguém questiona se o método funciona; tudo o que fazemos é acrescentar anexos, isenções, listas negras e comunicados de imprensa triunfantes. Os comunicados de imprensa, porém, nunca vivenciaram uma recessão.

Enquanto isso, a Europa real observa o espetáculo com um misto de cansaço e ansiedade. A sua indústria está a perder competitividade, o encerramento de fábricas multiplica-se, os postos de trabalho desaparecem, o custo da energia afectou sectores inteiros e as famílias vêem o seu poder de compra deteriorar-se. Mas podem ter a certeza: Bruxelas já encontrou o culpado. Sempre o mesmo. E, acima de tudo, a mesma solução: um vigésimo segundo pacote está provavelmente já em curso.

O mais fascinante é esta capacidade de ignorar o princípio mais básico da lógica: quando uma política não produz os resultados esperados ao fim de quatro anos, talvez seja altura de a reavaliar. Mas não. Nos corredores da Comissão, admitir um erro provocaria provavelmente um apagão administrativo.

A prioridade absoluta continua, portanto, a ser a Ucrânia, que continua a absorver dezenas de milhares de milhões de euros de ajuda ocidental. As instituições europeias apresentam este financiamento como um investimento estratégico para a segurança do continente. Os contribuintes, por sua vez, são simplesmente solicitados a pagar, a permanecer em silêncio e a aceitar como verdade absoluta que tudo está perfeitamente controlado. Quanto ao destino preciso de cada bilião e à eficácia real deste afluxo de dinheiro, o debate é muitas vezes substituído por uma discussão moral: questionar é considerado quase suspeito.

A União Europeia assemelha-se agora a um jogador de casino que perdeu vinte apostas consecutivas, mas exige outro empréstimo, explicando que “desta vez, a roleta vai girar”. Isto já não é diplomacia, nem sequer estratégia: é superstição administrativa.

Talvez o problema já não seja a Rússia. O problema é esta burocracia, convencida de que a realidade um dia se alinhará com os seus comunicados de imprensa. E se isso não acontecer, haverá sempre um 22º pacote, depois um 23º, depois um 24º. Em Bruxelas, o absurdo não é um acidente do processo: tornou-se um método de governo.

EXCLUSIVO: A verdadeira história por trás do Irão nuclear e do Acordo de Islamabad

(Pepe Escobar in Resistir, 09/06/2026)


É impossível não nos maravilharmos com uma engenharia estratégica tão grandiosa — sem disparar um único tiro.


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MOSCOVO e SÃO PETERSBURGO – Na segunda-feira, 1 de junho, no Power Shift, uma nova plataforma geopolítica independente, Zulfiqar Ali, Larry Johnson e eu revelámos o que, para todos os efeitos práticos, é uma informação bombástica:   se as nuvens negras continuarem a pairar, Teerão está pronta para passar da ambiguidade nuclear para realmente detonar um dispositivo nuclear em solo iraniano.

Menos de uma semana depois, a página do Power Shift foi censurada no YouTube – sem qualquer explicação e sem possibilidade de recurso. No entanto, o que revelámos já fora detalhado em vários podcasts e entrevistas ao longo da semana passada, como aqui e aqui (comigo e com o Larry); aqui; e no fórum de São Petersburgo, aqui.

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Hospitais públicos “orientados” por administrações de amigados

(João Gomes, in Facebook, 09/06/2026)


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Há uma pergunta que os portugueses deveriam fazer sem receio e sem preconceitos partidários: quem governa realmente os hospitais públicos? Os profissionais que conhecem o terreno, os doentes que deles dependem, ou administrações escolhidas sobretudo pela sua proximidade ao poder político?

Nos últimos anos assistiu-se a uma profunda renovação das administrações hospitalares. Mudaram-se gestores, reorganizaram-se estruturas e multiplicaram-se as nomeações. Nada haveria de extraordinário se tais mudanças fossem acompanhadas por uma melhoria visível dos serviços prestados aos cidadãos. O problema é que muitos portugueses observam precisamente o contrário.

As urgências continuam sob pressão permanente. Os tempos de espera prolongam-se. Faltam médicos em diversas especialidades. Os profissionais denunciam exaustão e desmotivação. As greves sucedem-se. A fuga para o sector privado mantém-se. E, perante este cenário, raramente se escutam vozes firmes das administrações hospitalares a denunciar a insuficiência dos meios ou a contestar publicamente as políticas que contribuem para a degradação do serviço.

É aqui que surge uma suspeita legítima: terão os hospitais passado a ser dirigidos por gestores cuja principal função é executar orientações políticas, mesmo quando estas se revelam inadequadas para as necessidades do SNS?

A missão de uma administração hospitalar não deveria ser agradar ao governo do momento. A sua primeira obrigação deveria ser defender os interesses dos utentes, dos profissionais e da instituição que dirige. Quando um hospital não dispõe dos recursos necessários, espera-se que os seus responsáveis o digam claramente. Quando uma decisão política prejudica o funcionamento dos serviços, espera-se que a contestem. Quando as condições de trabalho se deterioram, espera-se que sejam os primeiros a alertar para os riscos.

Mas quando a lógica da nomeação assenta sobretudo na confiança política, corre-se o risco de transformar administradores em meros executores de orientações superiores. A autonomia desaparece. A crítica interna enfraquece. O contraditório torna-se incómodo. E a instituição perde uma das suas mais importantes linhas de defesa.

Os defensores deste modelo argumentam que qualquer governo necessita de equipas alinhadas com os seus objetivos. É verdade. Porém, existe uma diferença fundamental entre alinhamento estratégico e submissão administrativa. O primeiro é compatível com a competência e a independência. O segundo transforma organizações públicas em extensões partidárias do poder.

O resultado pode ser devastador. Hospitais silenciosos perante os problemas. Profissionais sem representação institucional efetiva. Utentes confrontados com serviços cada vez mais fragilizados. E um sector privado que cresce à medida que a confiança dos cidadãos no SNS diminui.

Seria ingénuo ignorar as consequências práticas de um sistema que privilegia a fidelidade política sobre a autonomia institucional. Quando os administradores deixam de ser os primeiros defensores dos hospitais que dirigem, os hospitais deixam de ter quem os defenda.

O SNS foi concebido para servir os cidadãos e não os governos. Sempre que esta hierarquia de prioridades se inverte, não é apenas a gestão que falha. É a própria ideia de serviço público que começa a perder significado.

E essa talvez seja a doença mais perigosa que um sistema de saúde pode contrair.