Em mais um sinal do colapso psicológico da Ucrânia, o presidente Vladimir Zelensky voltou a defender, abertamente, a desestabilização política da Rússia. Em discursos recentes, Zelensky afirmou que apenas uma mudança de regime em Moscou pode garantir “segurança” para a Europa e impedir novos conflitos no continente. Trata-se, na prática, de uma tentativa desesperada de manter viva a narrativa da “ameaça russa”, quando já está evidente que o Ocidente perdeu o controle da guerra por procuração travada contra Moscou.
Zelensky propõe um plano em duas frentes: aprofundar o confisco de ativos financeiros russos e intensificar os esforços diplomáticos e políticos para promover a queda do atual governo russo. Sua lógica é simples – e completamente falha: segundo ele, mesmo que o conflito na Ucrânia chegue ao fim, a “ameaça” continuará enquanto Vladimir Putin estiver no poder. A proposta, porém, ignora a realidade política interna da Rússia, onde Putin goza de amplo apoio popular e institucional.
Em outras palavras, o que o Ocidente e Kiev buscam é um golpe de Estado disfarçado de transição democrática. Mas qualquer analista minimamente sério sabe que a estrutura política da Federação Russa é sólida e amplamente respaldada pela população. A recente reeleição de Putin, com ampla maioria e elevada participação popular, confirma isso. Não há base interna para um levante contra o Kremlin – e tampouco há legitimidade internacional para uma operação nesse sentido.
Além disso, os apelos de Zelensky pela utilização de ativos russos congelados em prol do esforço de guerra ucraniano beiram o saque institucionalizado. Trata-se de uma violação flagrante do direito internacional e da soberania econômica. Confiscar bens de cidadãos e empresas com base em nacionalidade, para então redirecionar esses recursos à indústria bélica, revela o nível de degradação moral e jurídica que domina a política ocidental.
Ainda mais preocupante é o fato de que líderes europeus, como Kaja Kallas, vêm defendendo abertamente a fragmentação da Rússia – um discurso perigosamente revanchista, típico da Guerra Fria, e que mina qualquer possibilidade de diálogo multilateral. A ideia de dividir a Federação Russa em dezenas ou centenas de “microestados” reflete uma fantasia imperial que remonta aos piores momentos do colonialismo europeu – além de ecoar os remanescentes da ideologia nazifascista, que pressupõe a existência de etno-Estados.
No entanto, a obsessão por “conter” a Rússia ignora um fato fundamental: não há evidências concretas de que Moscou pretende invadir outros países europeus. A operação militar especial na Ucrânia não nasceu de qualquer expansionismo, mas da necessidade de proteger a população russa no Donbass e conter o avanço da OTAN nas fronteiras russas. Após anos de provocação ocidental e genocídio contra russos étnicos no então leste ucraniano, Moscou optou por agir.
A retórica ocidental de “defesa da Europa” é uma cortina de fumaça para justificar o fortalecimento de sua indústria militar e o prolongamento artificial do conflito. A verdade é que os europeus já estão sentindo os efeitos econômicos e sociais dessa política suicida: inflação, crise energética, erosão das liberdades civis e crescente insatisfação popular (materializada principalmente nos recentes resultados eleitorais favorecendo candidatos e partidos iliberais, que foram vergonhosamente censurados pelos governos europeus).
O mais sensato para a Europa seria afastar-se da loucura pró-guerra de Kiev e adotar uma política externa baseada em estabilidade, soberania e respeito mútuo. Mas, infelizmente, os líderes europeus parecem completamente alinhados à agenda russofóbica – mesmo que isso signifique mergulhar o continente em mais uma década de caos.
Zelensky não fala por si; ele é apenas a face mais ruidosa de um projeto falido que insiste em atacar a Rússia enquanto a própria Ucrânia desmorona econômica, militar e politicamente.
(*) Este texto está em português do Brasil, de acordo com a fonte original, aqui.
(Carlos Fino, in Facebook, 04/06/2021, Revisão da Estátua)
“Quem, ao andar pelo crepúsculo ou ao descrever uma época do seu passado, não sentiu em algum momento que uma coisa infinita se perdera?”– Jorge Luís Borges, in Antologia pessoal – Cia das Letras, 2008.
A minha geração foi a última, antes do 25 de abril, a ter de emigrar por razões políticas. O relato que hoje trago aqui na primeira pessoa é por isso apenas um pequeno fragmento do quadro geral de um destino comum que cada qual percorreu à sua maneira e que só pelo testemunho de muitos poderá completar-se.
No dia 4 de junho de 1971, cumprem-se hoje 50 anos, dava início a uma viagem que iria mudar para sempre a minha vida. Confinado sem sair, havia três meses, numa casa de apoio em Lisboa, para evitar ser preso pela PIDE – na sequência de um movimento de greve às aulas seguido de cargas policiais nas universidades – há muito que ansiava por esse momento.
De início, o “retiro” fora um alívio: pai e filho – da família que me acolhera (depois de outras duas o terem recusado) -, eram simpáticos, esforçando-se por me deixar à-vontade. Mas a verdade é que estava sempre presente um sentimento de inquietação; e à medida que os dias passavam, a ansiedade crescia, quase se tornando paranoica: bastava, num olhar furtivo pela janela, descortinar alguém parado do outro lado da rua, para logo imaginar um cerco à casa seguido de toque na porta e prisão.
Contra essa angústia, já de pouco valia a gentileza dos meus anfitriões nem o espírito de militância com que tentavam fortalecer a minha coragem; por exemplo, colocando, num gira-discos da sala de jantar, enquanto tomávamos as refeições, os coros do exército soviético, canções da resistência francesa ou – repetidamente – o Hasta Siempre, Comandante Che Guevara…
No fim de semana anterior, a minha namorada, a Isabel, viera com toda a cautela clandestina despedir-se, num apaixonado encontro de amor e lágrimas em que partilhámos uma cestinha de morangos que ela trouxera consigo de Vila Franca – afinal, éramos a geração dos Beatles: Strawberry Fields Forever…
Na mesma altura, entregaram-me o passaporte – o meu, original, já vencido, com a data de validade toscamente alterada pelo PCP, a que pertencia desde que entrara para a universidade. Fiquei, naturalmente, apreensivo: contra a minha expectativa e ao arrepio de uma certa aura de competência técnica, via-se claramente que o documento havia sido rasurado, o que só vinha acrescentar perigo ao perigo. Mal sabia eu o que ainda estava pela frente.
Na madrugada da partida, uma sexta-feira, lá estava o carro à minha espera – conduzido pelo economista Lindim Ramos, membro destacado do partido, que conhecia do MDP/CDE, em que eu participara ativamente durante as “eleições” de 1969.
Foi ele que me deu a notícia, mal me sentei ao seu lado: naquela mesma madrugada, horas antes, a ARA fizera ir pelos ares a central de telecomunicações, perturbando a reunião da NATO que decorria no palácio da Ajuda, em Lisboa. Nossa Senhora! – pensei para comigo – que raio de data haviam de escolher para me levarem daqui para fora… O que só prova que o braço civil do Partido nada sabia do que fazia o seu braço armado.
Mas a máquina estava em movimento e não havia lugar para recuo. Embora com cautela redobrada, colocando como disfarce uns óculos ultra graduados que me desfiguravam o rosto, lá fomos, sempre tensos, passando por sucessivas brigadas da GNR, mais numerosas nas estradas do que era habitual, em direção a Viana do Castelo, onde fui entregue, longas horas depois, para passar a noite em casa de um advogado da oposição de quem nunca soube o nome.
Uma bela casa, junto à praia, ao longo da qual, na enevoada madrugada seguinte, me despedi de Portugal num triste e solitário passeio à beira-mar que me trouxe à memória Camões, enquanto no meu espírito ecoavam os versos da Cantiga sua partindo-se, de João Roiz de Castel-Branco, que conhecia na interpretação de Adriano Correia de Oliveira: “partem tão tristes, os tristes…”
A partir daí, o meu destino estava nas mãos dos passadores, a quem os meus pais, por vias travessas, haviam pago dez contos de réis (então uma pequena fortuna) para me ajudarem a passar a fronteira a salto. Foram buscar-me ao fim do dia e rumámos a norte – eu, com 22 anos, ainda imberbe, sentado entre dois matulões no banco de trás e outros dois à frente.
À entrada de Chaves, já noite, novo susto. De repente, o condutor vira-se para trás e diz, alarmado: “Está ali a GNR!”. Para meu grande espanto, um dos passadores a meu lado saca de uma pistola e exclama, imperativo: “Se eles mandarem parar, a gente atira!”
Menino de sua mãe, entalado entre dois homenzarrões, fiz-me ainda mais pequeno e ao mesmo tempo cresci.
Nesse preciso momento, finalmente entendi que toda a movimentação política em que me envolvera não era um simples jogo romântico de juventude. Podia ser e era uma questão de vida ou de morte. Como no exaltante poema de Gabriel Celaya cantado por Paco Ibáñez, “La poesia es una arma cargada de futuro”, compreendi na sua inteireza que também nós estávamos “tocando el fondo”.
Esse foi, para mim, verdadeiramente, um instante de metamorfose. A poucos metros da ponte romana de Trajano, sobre o Tâmega, numa escura noite de verão, naqueles momentos de alta tensão em que o carro passou pela GNR e tudo podia terminar de um momento para o outro numa troca de tiros, morria o adolescente e nascia o adulto.
Já numa aldeia junto à fronteira, sem saber bem onde estava, novo sobressalto devido aos homens fardados de castanho que via por ali. “Não se preocupe” – disse-me um dos meus companheiros de viagem – “São guardas florestais; eles só querem saber quantos é que trazemos porque recebem por cabeça..” Por fim, na morada do camponês que também fazia parte do esquema, esgotado pela viagem e pelas emoções, caí rapidamente no sono, não sem reparar que a filha do dono da casa era bela e tão loira quanto a broa de milho que pouco antes repartira entre nós todos.
Lá pelas quatro da madrugada, o senhor João acordou-me: “Está na hora, meu amigo, vamos lá!” Guiado por ele, respirando o ar fresco da manhã, atravessámos campos e atalhos durante algum tempo e pouco depois estávamos do outro lado da fronteira, onde sobre uma tosca mesa de madeira, me esperava o desayuno: um copo de vinho.
O contacto galego passou-me o bilhete para a camioneta e lá embarquei rumo a Orense, vendo pela janela do assento em que me refugiei, estampada nas paredes dos povoados que íamos atravessando, a velha palavra de ordem do regime franquista: “Arriba España! Viva Franco!”
Embora aliviado por ter conseguido atravessar a fronteira, ainda continuava inseguro, sem saber bem como as coisas iriam terminar. Com um passaporte rasurado e pouco dinheiro no bolso, tudo ainda podia terminar mal, muito mal mesmo. Eis senão quando, numa das paragens, vejo entrar dois guardas-civis de tricórnio preto reluzente. O meu ritmo cardíaco acelerou rapidamente. Pronto – vêm-me buscar! – pensei eu.
E quase tive a certeza quando vi um deles caminhar na minha direção. Tinha o coração na boca, aos saltos… Afinal, o bom do guarda veio apenas sentar-se no lugar vago a meu lado e nem sequer me dirigiu palavra… Se ele soubesse quem tinha ali…
Já em Orense, fui buscar o bilhete de comboio para Paris a uma agência de viagens que também devia fazer parte do esquema; era para lá que convergia o grupo que passara a fronteira a salto – cada um por si, primeiro, mas agora ali todos juntos: jovens operários, mulheres de várias idades que se iam juntar aos maridos em França e alguns – poucos – estudantes como eu, partilhando com o nosso povo o mesmo destino.
Uma imprevidência que dava nas vistas e podia chamar a atenção da polícia – pensei – ao mesmo tempo que no meu cérebro ecoavam os versos e a música de Manuel Freire: Ei-los que partem…
Carteira de identidade de refugiado das Nações Unidas, estatuto que obtive, em Bruxelas, alguns meses depois de ter passado a fronteira a salto
Só quando, finalmente, entrei no comboio para França comecei a acreditar que poderia estar livre de perigo; mas mesmo aí houve momentos de inquietação quando outros portugueses começaram a dizer que sem passaporte em condições, uma vez chegados a Hendaia, das duas uma: ou se atravessava o rio a nado, ou nos submetíamos ao capricho sexual dos guardas…
Afinal, para minha grande sorte, nem uma coisa nem outra – os guardas não viram ou fingiram não ver a rasura do passaporte, apenas perguntando onde iria viver em Paris – as humildes águas furtadas de um operário emigrante membro do PC que se dispusera a ajudar e cuja direção eu levava escrita num papelinho, dentro do passaporte.
Atravessados os Pirenéus, deixando para trás os retrógrados Portugal de Salazar/Caetano e Espanha de Franco, finalmente estava livre: os comboios andavam mais rápido e tinham cheiro a limpo, as mulheres tinham outra elegância e a paisagem era mais verde, menos árida.
Podia, enfim, respirar e sorrir, ainda sem me dar conta que estava apenas no começo de um longo e complicado exílio, faz agora precisamente meio século. Mas tudo era preferível ao sufoco em que se vivia num regime que não tolerava a liberdade e insistia em nos mandar para uma guerra perdida. Non, je ne regrette rien…
(Editorial in Strategic Culture Foundation, 01/08/2025, trad. Estátua de Sal)
Revelar adequadamente o escândalo que resulta do Russiagate destruiria os alicerces do establishment político dos EUA.
Então, a farsa é finalmente reconhecida oficialmente. O “Russiagate” – a narrativa dominante, na verdade – é agora descrito pelos chefes da inteligência americanos como uma invenção criada para anular os resultados das eleições presidenciais de 2016.
Tulsi Gabbard, atual Diretora de Inteligência Nacional (DNI), e o diretor da CIA, John Ratcliffe, acusaram o ex-presidente Barack Obama de se envolver numa “conspiração traiçoeira” para subverter o processo constitucional. Não é apenas Obama que está implicado neste crime hediondo. Outros ex-altos funcionários do seu governo (2013-2017), incluindo o ex-DNI James Clapper, o diretor da CIA John Brennan e o chefe do FBI James Comey, também estão implicados. Se a justiça for permitida, as repercussões políticas serão verdadeiramente devastadoras.
O impacto potencial não se limita apenas à violação das leis americanas e do processo democrático – isso, só por si, já é bastante grave. O escândalo Russiagate, que começou em 2016, teve um efeito duradouro e prejudicial nas relações dos EUA e da Europa com a Rússia. A assustadora e perigosa guerra por procuração da NATO, iniciada na Ucrânia, que ameaça transformar-se numa guerra mundial em larga escala, foi alimentada em grande parte pela hostilidade gerada pelas falsas alegações de interferência russa nas eleições americanas.
As alegações de que o presidente russo Vladimir Putin supervisionou uma campanha de subversão contra as eleições americanas de 2016 e conspirou com Donald Trump para o eleger foram sempre especiosas. O escândalo baseou-se em alegações de inteligência de má qualidade para supostamente explicar como Trump derrotou a sua rival democrata, Hillary Clinton. Posteriormente, o escândalo foi transformado numa narrativa, aparentemente credível, pelos chefes de inteligência dos EUA, sob a orientação do então presidente Barack Obama, como forma de deslegitimar o primeiro mandato presidencial de Trump.
Anos antes das recentes revelações de inteligência, muitos jornalistas independentes, incluindo Aaron Maté , e ex-analistas de inteligência como Ray MacGovern e William Binney, refutaram convincentemente as alegações oficiais do Russiagate. Essas alegações não eram apenas falsas, mas também conscientemente falsas. Ou seja, mentiras e distorções deliberadas. A Rússia não invadiu emails pertencentes ao Comitê Nacional Democrata para desacreditar Clinton. A corrupção de Clinton foi exposta por um vazamento interno do Comitê Nacional Democrata para o site de denúncias Wikileaks, de Julian Assange. Foi em parte por isso que Assange foi perseguido e mantido durante anos na prisão.
Um número suficientemente grande de eleitores simplesmente desprezava Clinton e a sua psicopatia belicista, assim como a sua traição à classe trabalhadora americana em troca da generosidade de Wall Street.
Além disso, Moscovo negou consistentemente qualquer envolvimento em tentativas de influenciar as eleições americanas de 2016 ou em tentativas de favorecer Trump. Putin afirmou mais de uma vez que a Rússia não tem preferência sobre quem se torna Presidente dos EUA, insinuando que são todos iguais e controlados por forças estatais mais profundas. Ridiculamente, também, enquanto Washington acusa Moscovo de interferência eleitoral, o histórico real mostra que os Estados Unidos têm interferido habitualmente em dezenas de eleições no estrangeiro ao longo de muitas décadas, incluindo as da Rússia. Nenhuma outra nação se aproxima dos EUA – o autoproclamado “líder do mundo livre” – na sabotagem de eleições estrangeiras.
De qualquer forma, é instrutivo comparar a farsa do Russiagate com o escândalo de Watergate. Watergate envolveu a espionagem do presidente Richard Nixon contra um rival democrata na eleição de 1972. A crise política que se seguiu levou à renúncia de Nixon em desgraça em 1974. A nação americana ficou chocada com os golpes sujos. Vários altos funcionários da Casa Branca foram posteriormente condenados e cumpriram pena de prisão por crimes relacionados com o caso. Nixon foi posteriormente perdoado pelo seu sucessor, Gerald Ford, e evitou o processo. No entanto, o caso Watergate desonrou indelevelmente a política americana e, na época, foi descrito como “o pior escândalo político do século XX”.
Casos subsequentes de corrupção e má conduta são frequentemente apelidados com o sufixo “gate”, em alusão ao caso Watergate, como dando origem a uma queda política significativa. Daí o nome “Russiagate”.
No entanto, existem diferenças extremamente importantes. Enquanto Watergate foi um escândalo baseado em crimes e irregularidades factuais, Russiagate sempre foi uma farsa de propaganda enganosa. O verdadeiro escândalo por trás do Russiagate não foram os supostos delitos de Trump ou da Rússia, mas a conspiração criminosa de Obama e do seu governo para sabotar a eleição de 2016 e, posteriormente, derrubar a presidência de Trump e a vontade democrática do povo americano. Tulsi Gabbard, a chefe de inteligência mais graduada do país, afirmou que isso equivale a “traição” e pediu o julgamento de Obama e den outros seus ex-assessores.
Pode-se argumentar que o verdadeiro escândalo Russiagate é muito mais criminoso e devastador nas suas implicações políticas do que Watergate. Este último envolveu espionagem ilegal e truques sujos. Já o Russiagate envolveu um Presidente e os seus chefes de inteligência tentando subverter todo o processo democrático. Além disso, os grandes média americanos também estão a ser expostos por perpetrarem um roubo de propaganda contra o público americano. Todos os principais veículos da comunicação social americana amplificaram a inteligência politizada e orquestrada pelo governo Obama, alegando que a Rússia interferiu na eleição e que Trump era um “fantoche do Kremlin”. A farsa tornou-se uma obsessão nos média americanos durante anos e fez acumular graves danos nas relações internacionais, um legado nefasto com o qual convivemos hoje.
O New York Times e o Washington Post, considerados dois dos maiores expoentes do jornalismo americano, ganharam conjuntamente o Prêmio Pulitzer em 2018 pelas suas reportagens sobre o Russiagate, a versão oficial, ou seja, a que deu credibilidade à farsa. À luz do que sabemos agora, esses jornais deveriam estar envergonhados por conduzirem uma campanha de “Grande Mentira” à la Goebbels, não apenas para enganar o público americano, mas também para subverter o processo democrático e envenenar as relações internacionais. As suas reputações estão destruídas, assim como as de outros grandes veículos de comunicação, incluindo ABC, CBS, CNN e NBC.
Ironicamente, o The Washington Post ganhou o Prêmio Pulitzer em 1973 pela sua reportagem sobre o escândalo de Watergate. A história virou um best-seller, “Todos os Homens do Presidente”, e um filme de sucesso de Hollywood estrelado por Robert Redford e Dustin Hoffman, interpretando os papéis dos intrépidos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein. Woodward, Bernstein e o The Washington Post foram aclamados como os melhores do jornalismo americano por exporem Watergate e levarem um Presidente corrupto à justiça.
Quão vergonhoso e absurdo é que um ataque ainda maior à democracia americana e às relações internacionais, na forma do Russiagate, seja ignorado e enterrado pelos “melhores da América”.
Que o escândalo seja ignorado e enterrado não deveria ser surpresa, pois revelá-lo adequadamente destruiria os alicerces do establishment político americano e o papel sinistro do Estado Profundo e do seu sistema de propaganda na comunicação social, mormente nos seus órgãos mais proeminentes.