Tanta verdade junta mereceu publicação – take XVI

(Por André Campos Campos, 06/09/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um discurso que publicámos de Carlos Matos Gomes ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 06/09/2022)


Estamos a viver numa época crucial, em que nada voltará a ser o mesmo. A história por vezes desdobra-se lentamente durante décadas, mas pode acelerar de repente. Farei um balanço de 6 meses. Estou certo de que mais tarde, dezenas ou centenas de livros serão publicados para analisar os momentos que estamos a viver, ao vivo, no Outono de 2022.

Na história houve fracturas que provocaram imensas mudanças na nossa civilização ocidental: a do Império Romano, a da Igreja e no século XXI será a da civilização ocidental.

A Rússia está muito mais armada do que a UE nesta crise, mesmo que tenha de sofrer, tem energia que pode vender a outros e, sobretudo, o que menos se fala são os metais preciosos que tem em quantidade. A Europa cometeu um erro ao destruir a sua indústria há 30 anos, e hoje continuamos a acreditar que somos o centro do mundo, o que já não é o caso.

Seria interessante fazer um relatório sobre as decisões irresponsáveis e absurdas dos nossos líderes europeus desde o início deste conflito. No altar de uma russofobia sem sentido e no calor da altura, os líderes europeus tomaram decisões absurdas que estão a destruir a sua própria economia e o seu povo..

Um fecho das relações Rússia-Europa seria uma perda para a Europa e para a Rússia, e a Rússia não quer isso. Por outro lado, os EUA beneficiariam enormemente desta ruptura, que é uma das principais razões pelas quais a Rússia não quer que isso aconteça. O problema é a fidelidade de alguns líderes europeus aos EUA ou, pelo menos, às grandes empresas controladas por alguns indivíduos ou grupos nos EUA.

Penso que este é um ponto crucial e penso que os EUA estão prontos para destruir a Europa ou melhor, para pressionar a Europa a destruir-se a si própria, a fim de manter o controlo. E infelizmente, alguns líderes europeus demonstraram, e por vezes confirmaram verbalmente, que a sua lealdade não é para com o seu povo. Os nossos líderes estão prontos a destruir os nossos países para agradar a alguns grandes grupos. Acrescente-se a isto o facto de os meios de comunicação social europeus (e os meios de comunicação social ocidentais em geral) serem propriedade de um punhado de grupos, e a única questão que realmente se coloca é se uma revolução ainda é possível. Pessoalmente, penso que não é, e mesmo que fosse, as revoluções muitas vezes colocam pessoas extremamente perigosas no poder.

Há uma coisa que o Ocidente perde sempre de vista sobre a Rússia, e que é que, ao contrário do Ocidente, os russos não têm estado habituados a privilégios sociais artificiais adquiridos através da pilhagem de países estrangeiros. Os russos sabem como fazer com o que têm. Os líderes ocidentais habituaram durante demasiado tempo o seu povo a privilégios sociais artificiais. Agora que os países cuja pilhagem permitiu à Europa adquirir estes privilégios estão a acordar com o apoio de novas potências como a Rússia e a China, o Ocidente está em colapso e a dar-se conta de que sempre foi um gigante com pés de barro. Vejam Portugal agarrado desesperadamente a Moçambique e a outros países africanos que há muito saqueou e que agora já não o querem.

O objectivo da Rússia não é absolutamente a Europa, mas sim os EUA. Assim, concentrar uma análise nas estúpidas sanções da UE é realmente perder os BRICS e a guerra contra o dólar que a Rússia está a acelerar com os seus aliados… se a China é a fábrica do mundo, não devemos ignorar que a Rússia é o fornecedor de material do mundo! A dependência da Rússia não se limita apenas ao petróleo ou ao gás, mas também aos metais preciosos… algumas pessoas pensam que podem mesmo privá-la de microprocessadores, esquecendo que a sua gravação é feita por néon, uma matéria prima proveniente principalmente da Rússia… em suma, a Europa se auto-preparou para uma guerra, nem sequer é o alvo!

Todos os países da NATO têm vindo a trabalhar arduamente contra a Rússia há mais de 10 anos. Mesmo no desporto, nos Jogos Olímpicos, etc., etc. V. Putin teve uma paciência que muitas pessoas, inclusive nos EUA, não compreenderam. Foi a alma russa, a paciência, a diplomacia em primeiro lugar, até ao ponto do excesso, que fez com que a Rússia parecesse um bando de brincalhões que poderiam ser esmagados. Mas quando a Rússia começa, é impossível impedi-la, e ninguém conseguirá impedi-la, está-se nas tintas para a UE e a Máfia dos EUA, tem o seu plano e irá em frente com ele, aconteça o que acontecer.

O fim da URSS marca a mão dos oligarcas sobre a riqueza da Rússia, que é imensa e os mesmos oligarcas privatizaram empresas estatais na Rússia e saquearam a enorme riqueza do país em prole do Ocidente…Os acordos de gás de baixo custo que permitiram à Alemanha e à Europa alcançar um enorme crescimento nos anos que se seguiram à queda da URSS e, sobretudo, sem o baixo preço da energia russa fornecida à Europa, será que a Europa teria conseguido esse crescimento? Certamente que não, porque a economia é sobre energia transformada.

O Ocidente, especialmente a Europa, tem muito mais a perder neste conflito. Putin tem clientes potenciais para os seus recursos naturais, especialmente na Ásia, África e certos países europeus.
Não esqueçamos que a Rússia é um país muito grande que tem uma grande autonomia a todos os níveis.
A Europa perderá o curso da história de um mundo multipolar ao aceitar ser um fantoche dos EUA.

As sanções contra a Rússia não funcionaram e o Presidente Putin ainda não começou a sancionar a sério a UE – até agora pediu ao Ocidente que pagasse as suas contas por rublos.

Como português, estou profundamente chocado com a falta de antecipação por parte do nosso governo, bem como por parte da UE. Governar é prever. Não compreendo como se pode estar tanto ao serviço de uma ideologia que é prejudicial para o interesse comum do povo.

Há um lado positivo nisto, é que a Rússia está a permitir à Europa compreender o que significa ter uma descida súbita de energia, o que de qualquer modo é inexorável com a secagem dos combustíveis fósseis.

Putin está apenas a aplicar as estratégias de um dos maiores economistas russos e que é sem dúvida um dos 10 melhores economistas do mundo .. No entanto, toda a estratégia de Putin está lá e o objectivo actual dos russos não é apenas o Dombass, mas criar uma nova potência monetária internacional ..

Um aspecto esquecido mas não anedótico: a Alemanha tinha deixado a gestão de uma grande parte das suas reservas estratégicas de gás à Gasprom (sim, parece irreal, mas é verdade). Gasprom começou a esvaziar estes stocks em meados de 2021, sob o pretexto de algo, e assim o preço do gás já tinha subido significativamente na Europa no Outono de 2021. É apenas um pequeno passo até ver isto como um “plano” executado ao longo de anos.

A questão é: porque é que os políticos europeus não previram isto? Quando se é lituano e representa alguns por cento da economia europeia, é possível obter gás 100% russo, sabendo que o encontrará noutro lugar só por precaução (e especialmente que construiu um terminal de gás liquefeito em Klaipeda só por precaução). Quando se é a Alemanha e se representa 1/3 da economia, e não se tem um plano B, só se pode suspeitar que vai correr mal… Incompetência? Corrupção? Ambos?

A Rússia já exporta – sem os vender – os seus hidrocarbonetos e metais para países terceiros (A.S., Índia, etc.) que são depois reexportados disfarçados, para a Europa, com uma sobretaxa para os intermediários.

Os EUA são os vencedores desta charada: as indústrias dos países europeus estão em colapso (ou irão entrar em colapso) face aos custos adicionais de produção de energia, abrindo assim uma avenida comercial aos americanos & consorts, o que, ironicamente, irá também reforçar ainda mais a competitividade chinesa no mercado europeu.

A Rússia pode ter virado as costas à Europa Ocidental – e mesmo isto não é certo: a Hungria, por exemplo, mantém relações amigáveis com a indústria do gás – mas está a reforçar consideravelmente o seu papel no seio dos BRICS, e mais geralmente a sua imagem como um país “livre” entre os 2/3 da população da Terra que vê a bandeira estrelada com um olhar muito negativo.

Agora com um excedente alimentar, uma riqueza de energia e metais, para não mencionar os seus batalhões de engenheiros e trabalhadores qualificados, as suas indústrias aeroespacial e militar: a Rússia pode facilmente seguir o seu caminho sem o Ocidente. E, tal como a RPC, estão em curso grandes esforços para recuperar o atraso no domínio dos semicondutores.

Abster-me-ei de tirar quaisquer conclusões… o meu presidente e o meu ministro das finanças são deuses gregos.


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Ó Daniel, que sova, aguentas-te?

(Por Carlos Marques, 01/09/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um discurso que publicámos de Daniel Oliveira ver aqui. Pelas questões que levanta e com as quais se debate a esquerda, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 02/09/2022)


«Nunca lidarei bem com o moralismo agressivo dos convertidos».

Diz o fã #1 do Zelensky, que tanto atacou o PCP quando o partido recusou, e muito bem, ouvir o chefe da Nazilândia no Parlamento Português, após já ter ido falar ao Parlamento Grego e mostrar um vídeo de um Nazi de Azov.
De repente era Daniel o moralista, e o PCP o amoral. Já se esqueceu… Mas eu lembro bem demais!

«Nunca significou um apoio a todas as posições do PCP, que incluíram conivência com algumas ditaduras».

Foi escrita do Daniel, ou exigência editorial do irmão Costa, deixar de fora a parte final óbvia deste parágrafo: com exceção do BE/Livre/PAN, os TODOS os restantes partidos do Parlamento Português também têm historial nesta conivência com algumas ditaduras e, pior, com invasões/guerras que destruíram países inteiros.

«Não tinha grandes razões de queixa do tratamento mediático desde a chegada de Jerónimo de Sousa à liderança. Não tem grande espaço no comentário».

Como se os sucessivos comentários com o PCP de fora, e os IL/CDS/Ch em grande destaque não fosse uma coisa má, uma manipulação da perceção, uma caça ao voto não-oficial, e um ataque descarado ao PCP, e acrescento, ao BE, e PAN. Curiosamente, o Livre/Tempo de Avançar teve mais representação sozinho durante vários anos do que estes partidos todos juntos: Daniel Oliveira, Ana Drago, Rui Tavares, só para referir a troika principal.

«Não há um documento oficial ou uma declaração do secretário-geral – que vinculam o partido – que reconheça a invasão. E que a trate como um ato contra a autodeterminação de um povo, sem responsabilizar imediatamente a Ucrânia e os EUA por isso. Só que, no que toca a invasões militares criminosas, ilegais e imorais, o PCP não é um estreante».

Chama-se factos. O Daniel pelos vistos aderiu à pós-verdade do regime da NATO. A invasão foi o que a ditadura ucraniana fez contra o povo do Donbass, por 3 vezes. Acto contra a autodeterminação de um povo, é o que o Ocidente fez à Catalunha, e continua a fazer à Crimeia, neste caso Daniel incluído. E se o Dia D não é uma invasão criminosa, ilegal, e amoral, então a intervenção militar da Rússia para travar a agressão Nazi contra o povo do Donbass, também não é. Antes, o Daniel era um comentador de esquerda interessante. Hoje, não passa de um idiota útil do Pentágono. E este parágrafo prova isso mesmo.

«PSD e CDS não se limitaram a apoiar a criminosa, ilegal e imoral invasão do Iraque. Envolveram Portugal nessa aventura.»

Muito interessante o deixar de fora o PS em relação a todas as outras operações criminosas da NATO em geral, e dos EUA em particular. O PS, quando chegou ao poder, recusou participar com as tropas portuguesas nessas invasões? Pois claro que não!

«Critico Jerónimo como critiquei Barroso e Portas. A sua posição é imoral, porque insensível aos valores da autodeterminação dos povos».

Para despistar os mais desatentos, começa por invalidar a equiparação do PCP com os fachos. Certo. Mas depois chega aqui e equipara a posição dos pró-paz do PCP com a dos NeoCon belicistas. É igualmente incomparável, mas se o reconhecesse, depois como é que o Daniel ia atirar a matar no PCP no mesmo texto que começa com o título que nos tenta enganar no sentido contrário? O Daniel, a mim, enganou durante muito, demasiado, tempo, mas já não me engana mais.

«Incoerente com o que os comunistas defenderam no Iraque».

O PCP defendeu a paz em ambos os casos. Criticou a agressão da NATO em ambos os casos. Condenou o imperialismo porco dos EUA em ambos os casos.

Mas mais uma vez o Daniel precisa da sua própria incoerência para chegar ao seu real objetivo: atirar a matar no PCP no mesmo artigo em que nos tentou convencer que ia defender a liberdade política/festiva do Avante e do partido.

Com que então, para este idiota útil do Pentágono, prestar ajuda ao povo vizinho do Donbass a partir de dia 24-Fevereiro com uma operação limitada na dimensão e território e cirúrgica (em que as 5 mil vítimas civis são devido aos crimes de guerra da ditadura ucraniana), já a ser bombardeado desde dia 16 de Fevereiro pelos NAZIS violadores dos acordos de PAZ de Minsk, é “equiparável” a inventar armas de destruição massiva e invadir um país inteiro no outro lado do Mundo, com bombardeamentos indiscriminados e matando direta e indiretamente um milhão de pessoas… Está tudo dito sobre a capacidade de raciocínio do Daniel. É idiota útil até dizer chega.

«EUA, NATO e a UE estão, excecionalmente, do lado do ocupado.»

Não. Não estão do lado do ocupado. Estão do lado do imperialismo que invadiu a Ucrânia desde 2014, derrubando uma democracia, e substituindo-a por um regime etno-naZionalista. Estão do lado de quem invadiu o Donbass, e ameaçou invadir a Crimeia. Estão do lado dos NAZIS. Estão do lado de quem prometeu que ia destruir a Rússia. Estão do lado do ódio. E nem sequer estão em graus semelhantes, pois os EUA são o Império, a UE é o seu vassalo financiador, e a NATO é o braço armado dos criminosos de guerra.

«Em que outros impérios resistam. Na realidade, o comunismo pró-soviético não combatia o imperialismo, escolhia um imperialismo contra outro.»

Aqui a lição que o Daniel merece já foi dada pelo Pacheco Pereira: só idiotas e ignorantes confundem o programa histórico com o programa atualmente activo. O PCP é anti-imperialista. Escolhe a autodeterminação dos povos contra TODOS os impérios. Oportunidade perdida para falar do imperialismo do €, do português, e de como é totalmente errado falar de imperialismo soviético. Os soviéticos nasceram contra o imperialismo russo. Deram autonomia a outros povos que nunca a tinham tido antes. Ajudaram em várias lutas pela independência e/ou anti-imperialistas em todo o globo. Cuba e o PCP não apoiaram o MPLA em nome de um “imperialismo”. Apoiaram-no em nome da luta contra o imperialismo português.

Se depois o Daniel confunde imperialismo com uma grande potência, se confunde imperialismo com a disseminação de uma ideologia, confunde imperialismo com a união de outros povos contra o imperialismo ocidental, isso só mostra os seus erros de análise logo à partida.

«Automatismo antiamericano, é um espelho fiel do automatismo pró-americano de quem determina a sua agenda política e moral pelos interesses circunstanciais da Casa Branca».

Mais uma frase, mais uma desonestidade intelectual. Como se estar do lado das regras, da paz, do anti-imperialismo, como se ser a favor da independência/autodeterminação, como se ser antiguerra dos EUA, anti invasão dos EUA, antifascismo dos EUA, anti-imperialismo dos EUA, anti interferência dos EUA, anticorrupção dos EUA, anti mentira dos EUA, etc, fosse um “espelho fiel” dos mete-nojo que defendem tudo o que o imperador Darth Sidious na Casa Branca defende.

Esta parte é tão, mas tão estúpida, que seria equivalente a dizer que o automatismo de autodefesa perante um agressor de violência doméstica, é o “espelho fiel” do automatismo do próprio agressor em impor a sua vontade pela violência. E eu que pensava que o Daniel não conseguia descer mais baixo em mais uma das suas “defesas” do PCP…

«Lições sobre a ditadura de Pequim».

É engraçado este termo em relação à China, vindo de um gajo que chama “democracia liberal” quer aos EUA, quer a Israel, quer à União Europeia.

«Nesta autossatisfação tribal, está a afundar estruturas necessárias para os tempos que se avizinham, como a CGTP.»~

Agora condenar a criminosa NATO e os agressores EUA, e os assassinos NAZIS, é ficar num “buraco de autossatisfação tribal”. Enfim…

«Tornou mais difíceis posições ponderadas sobre a guerra, que não se querem confundir com a sua amoralidade».

Imagine-se um gajo com uma posição completamente imponderada sobre esta guerra, como o Daniel, tentar dar lições de moralidade a quem defende a paz e critica os que provocaram a guerra.

E aqui vemos um exemplo claro do real trabalho do Daniel na imprensa mainstream: servir como a opinião “alternativa” que define o tamanho da Janela de Overton no debate político em Portugal. Até chegar ao Daniel, ainda é uma posição moral. À sua esquerda (PCP, BE) passa a ser “amoral”. Na teoria o termo é “unthinkable”. Mas este fica ainda melhor em tempos de guerra com imagens de criancinhas em Kiev a saudar o “heroico” batalhão Azov… depois de 8 anos (e principalmente aqueles dias entre 16 e 24 de Fevereiro de 2022) em que não se mostrou nada do que estes filhos da p*ta todos andaram a fazer no Donbass.

É para os interesses desses, EUA/NATO, NAZIS, ditadura de Kiev/Lviv, que a idiotice do Daniel é tão útil. Vá lá, acertou em cheio em todo o parágrafo sobre Mikhail Gorbachev. O Daniel mostra que até alguém como ele pode ser um relógio avariado… acerta duas vezes ao dia.

«O PCP é nostálgico da URSS (nenhuma novidade nisso)».

Aqui, um exemplo de “com a verdade me enganas”. Sim, o PCP fala muita vez de muitas das coisas boas da URSS. Sabem porque temos SNS, escola pública, pensões, salário mínimo, direitos laborais, etc? É graças à URSS, pelo que fez no seu território, e pelo que obrigou o capitalismo a fazer para não dar “ideias” aos povos nos seus regimes ocidentais.

Mas que eu saiba, e aqui até a direitolas Clara Ferreira Alves consegue ser mais intelectualmente honesta que o Daniel na sua omissão “por descuido”, o PCP é crítico do autoritarismo da URSS já desde o tempo de Álvaro Cunhal.

Isto que o Daniel fez, e este tipo sectário e ultraminoritário da esquerda está sempre a fazê-lo, é uma desonestidade argumentativa equivalente aos que chamam “saudosista de Salazar” a quem ainda hoje fala bem do Padrão dos Descobrimentos. São aquela esquerda muito “progressista” que quer demolir este monumento. Porque para eles, a história não se interpreta, a história demole-se, como se fôssemos o Estado Islâmico, ou pior, os países Bálticos…

«Invasões imperiais de países soberanos que custaram centenas de milhares de vidas».

Um simples erro factual, não foram centenas de milhares, foram milhões, entre mortes diretas e indiretas das consequências da destruição dos países, suas sociedades, e infraestruturas. Já para não falar das sanções ILEGAIS, autêntico terrorismo económico, que provoca miséria, fome, e morte também. Algo que o Daniel defende contra o povo Russo… A um comentador qualquer num blog ou numa rede social, perdoava-se o lapso no número. A um gajo que escreve num “jornal” e fala na TV, e é pago para investigar antes de dizer asneiras, é inaceitável.

«Não querem banir o PCP».

Ai querem, querem! Veja lá as declarações do ultra-NaZionalista ucraniano do Svoboda a dizer que não percebia como o PCP ainda estava legalizado, e a onda de apoio a esse NAZI dada por todos à Direita, e também por tantos Rosas e até alguns mais Livres… Aliás, é assim na ditadura ucraniana, a tal que serve de exemplo do “melhor” que o Ocidente tem para dar a outros povos que também se queiram defender da “agressão” Russa.

«Com tudo o que me separa do PCP».

Ah, isso sim. Esta frase é que não podia faltar. O tal Daniel, um autodenominado radical, a fechar a Janela de Overton. Ele é o Radical. Ouçam-no, para dar a sensação de pluralismo, mas não o sigam, e parem por ali. À sua esquerda está a “imoralidade”, o Unthinkable.

E assim, agora que abri os olhos em relação à real utilidade deste senhor, se desmonta a manipulação por trás do artigo que, pelo título, iria ser uma defesa do Avante, do PCP, e da Liberdade política, de pensamento, e de expressão. Vai enganar outros, Daniel, que a mim não me enganas mais.

O que eu não adorava pagar a este rapaz a viagem para o Donbass, para ele ir lá dizer aos invadidos, bombardeados, e assassinados, que os Russos que os foram salvar é que são os agressores, e que os NAZIS é que estão do lado da moralidade… Isso é que ia ser levar no focinho. Era só o que merecias, Daniel. Mais nada!

PS: e peço desde já desculpa a quem ler, e à Estátua de Sal, mas hoje precisava mesmo de destilar o ódio todo contra esta figura. É incrível as voltas que a vida dá, mas hoje tenho mais simpatia por um Coronel Douglas McGregor dos EUA cuja opinião comecei a ouvir recentemente, do que por um “camarada” que tantas vezes ouvi no passado.

Mas eu sou assim, não escolho as minhas simpatias consoante a ideologia, mas sim com base nos princípios, valores humanos, e respeito pelos factos e honestidade intelectual, que são definidos ainda antes da escolha da ideologia. Sem isso, a ideologia é apenas uma máscara em cima de um monte de esterco.

Hoje não tenho ninguém em quem votar em Portugal. E apesar de ideologicamente estar entre o Socialismo Democrático do BE, e a Social-Democracia demasiado Liberal da ala “esquerda” do PS, só tenho um partido merecedor do meu respeito: os Marxistas-Leninistas do PCP. Uma opinião criada desde que conheço a história do partido em Portugal, lutador pela Liberdade e construtor da Democracia. Uma opinião crescente à medida que fui conhecendo o programa atual ativo do partido. E uma opinião reforçada com as posições do PCP nestes 6 meses, até mesmo nos casos das discordâncias, pois tenho total capacidade para reconhecer que a divergência é apenas na conclusão.

Até a essa opinião chegar, quer eu, quer o PCP regemo-nos pelos mesmos princípios: factos, coerência, honestidade intelectual, contexto histórico. É com esta gente que tenho o prazer de discutir e discordar. Não é com idiotas úteis, ignorantes, mentirosos, mal-intencionados, fachos, e branqueadores de nazis.


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Tanta verdade junta mereceu publicação – take XV

(Carlos Marques, 27/08/2022)


(Este texto resulta da resposta a um comentário a um artigo que publicámos de Eamon McKinney ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

O comentário, de Paulo Marques, era o seguinte:

“Eu gosto muito que me digam que há um lado onde os capitalistas não são abutres nem oligarcas, mas são muito preocupados com famílias e empresas. É bonito ter fé no capitalismo, uma vez que, ao contrário da pandemia, é um fenómeno natural inevitável.
Não sei o que os convence que há aliados, e não parceiros de conveniência, mas deve alimentar bem não só a convicção, mas a barriga. Afinal, estão preocupados quando é a deles, não é verdade?”

Estátua de Sal, 28/08/2022)


A propaganda começa logo nas palavras. Cá são “empresários”, lá são “oligarcas”. Cá são “democracias liberais” (mesmo quando matam tanta gente, como o apartheid de Israel), lá são pelo menos “regimes” ou “brutais ditaduras” (mesmo que garantam dos melhores níveis de desenvolvimento humano na região comparável, como Cuba). etc.

Ao entrar no debate, em que o “moderador” colocou a questão nestes termos, e o 1º interveniente os repetiu, quando chega a vez do comentador ligeiramente discordante (porque na TV comunista não entra, e quem não repetir a propaganda do regime é “populista” ou “putinista”), já não consegue usar outras palavras, é forçado a jogar no campo adversário com as chuteiras sem pitons.

Já não há trabalhadores, há “colaboradores”. Já não há patrões, há “CEO”. Os lucros são uma “virtude”, os salários (de quem fabricou o produto e criou a riqueza) são um “custo”. A soberania é “má” porque *ai ai o Orbán*, a violação da nossa Constituição e obediência a NÃO eleitos é “boa” porque *ai que bom vem de Bruxelas ou de Frankfurt*.

O gás Russo é uma “dependência”, o petróleo saudita é “verde”, bastando para isso ter uma tachinha extra ou entrar num qualquer “mercado de carbono”, que é um eufemismo para: quem acredita nisto é estúpido que nem uma porta, e se a maioria continuar a acreditar, o NeoLiberalismo continuará rei e senhor, como se tivesse sido já o fim da história.

Não é que a Rússia ou a China não sejam Capitalistas, mas há diferentes formas e níveis de Capitalismo. Há o de Capitalismo de Estado, o mais industrializado, o regulado e soberano, o (re)produtivo. Pode-se ter um SNS, uma Escola Pública, um sistema de pensões asseguradas. O Estado pode planear isto e aquilo até certo ponto. Ou pelo menos definir objectivos e promover certas áreas.

Ou então há aquilo que o Ocidente tem para impor à força, via troikas, austeridades, TINAs, sanções, e guerras. Não há plano, há cada vez menos Direitos, não há soberania nem regulação, o especulador decide, o “governador” obedece, e o povinho baixa a bolinha. Estou a descrever o Portugal de agora, ou o Portugal pré-1974? Já nem dá para distinguir bem…

Igualdade? Desenvolvimento Humano? Distribuição e redistribuição? O que é isso?! Não está no dicionário do lobby da Uber, Google, Santander, Raytheon e companhia. E se certos partidos “irresponsáveis” se atreverem a fazer frente ao estado a que isto chegou outra vez, toda a activar a maior máquina de propaganda e manipulação da história, e dar “maioria” de 41% àqueles que sabem bem obedecer à “iniciativa” certa.

Queres melhor saúde? Toma lá um sub-financiamento crónico propositado.
Queres uma carreira? Toma lá uma cativação, e 500 horas extra, e não te queixes.
Queres investimento? Toma lá um ajuste directo para a negociata do amigo/conhecido.
Queres menos impostos? Toma lá um seguro que é para pagares o dobro.
Estás com pressa? Toma lá uma lista de espera.
A coisa está preta? Toma lá uma urgência fechada.
O quê? a Esquerda tem soluções baseadas nas ideias de Arnaut? Isso é “irresponsável”! Vamos antes para eleições!

E nas eleições, o que é que o povinho faz? Junta-se em rebanho para votar no lobo com a falinha mais mansa. E não é só cá. Nunca é só cá. A ignorância em massa, e a necessidade de pertencer (votar no que pode ganhar em vez de arriscar ser diferente), falam mais alto em todo o lado. O colectivo é histérico, estúpido, e suas emoções facilmente manipuláveis. Está cansado demais depois do trabalho. Vai comer tudo o que a Manipulação Social lhe der a comer no “noticiário” das 20h.

Se for preciso, até se consegue convencer a maioria que uma invasão dos EUA é “democracia” e que uma suástica tatuada é símbolo de “liberdade”. Que um adolescente na Palestina é um “terrorista”, e que os cereais em Odessa são para “matar a fome em África”. Que entregar refugiados a quem os persegue são “valores europeus”, e que o Putin está em simultâneo a ocupar com tropas e a bombardear a mesma central nuclear.

Vejam só que até convenceram a maioria de que o €euro é uma coisa boa. Realmente, quando a palha é boa e há tanto burro, tudo é possível. Portugal não aumenta o seu PIB/capita em valor real (descontando o deflator) desde 2007. Não converge com a média da Europa desde 2000. Está endividado até ao pescoço em todas as dívidas: privada, pública, e externa. Desde os anos 80 que não havia tantos pobres: 4.4 milhões (antes de apoios sociais **). Podia ser pior, diz um propagandista rosa, olhando para os 4.9 milhões em 2013… Trabalha-se para ser pobre. Vai tudo corrido pelo valor do salário mínimo. E ainda há o descaramento de dar uma ajuda aos empresários devido ao “aumento” anual. Poder negocial? Sindicalismo? Contratos colectivos? Nem vê-los! Isso são coisas da Esquerda “sectária” e “extremista”.

**
https://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+risco+de+pobreza+antes+e+após+transferências+sociais-2399

E agora temos de empobrecer ainda mais. Dizia uma agente do Pentágono… quer dizer, uma comentadora na CIA… quer dizer, na CNN: “temos que perceber que é preciso este esforço”.
É preciso? Para quem? Para quê? É só records de lucros por todo o lado! Armas, armas, e mais armas. “Temos” que passar frio e fome, austeridade e desigualdade, tudo para que mais um tatuado com uma suástica receba o seu HIMARS que *ai ai tão bom que é, todos temos de saber que é tão bom* – sponsored by Lockeed Martin. Made in USA.

Os países inteiros são “ditaduras”. Os países destruídos são “democracias”. A resistência dos invadidos é “terrorismo”. Os crimes de guerra dos invasores são… não são nada. E ai de quem sequer falar neles. Será silenciado com dólares, ou com cassetetes. Quem faz um Assange, faz dois ou três. E se andarem onde não devem, ops, lá vai uma “bala perdida” para a cabeça da Shireen Abu Akleh.

E lá continuam eles com a propaganda que começa nas palavras: não é apartheid, é “única democracia liberal do Médio Oriente”. Não é terrorismo económico que mata crianças à fome, são “sanções para castigar os Talibã. Não é roubo colonial, é “operação militar especial de tropas da defensiva NATO para garantir o petróleo e os cereais da malvada Síria”. Não é racismo sistémico, são “forças da ordem que têm de nos salvar de terríveis criminosos colocando um joelho no seu pescoço”. Não é invasão NAZI em violação de acordos de PAZ contra civis do Donbass 9 dias antes da Rússia ter de intervir, é “defesa da democracia Ucraniana contra os separatistas pró-Russos”. E não é massacre de refugiados escuros na fronteira de Espanha, é “um sucesso do aliado Marrocos”.

Eles bem tentam, e infelizmente com elevadas taxas de sucesso, mas não é possível enganar toda a gente o tempo todo. Depois, eles comem tudo e não deixam nada, e mandam-nos comer brioches caso nos falte o pão. Se tentarmos a revolução pacífica, eles vão chamar-lhe “poder caído na rua”.

Se nos sentarmos no chão e a polícia disparar balas de borracha e nos tentar atropelar, vão-lhes chamar “forças da ordem” a nós nos chamarão “violentos arruaceiros” (aqui estou a citar a RTP em relação à Catalunha). Vão querer ainda mais para os ricos e ainda menos para os pobres, e chamar-lhe “a new era of sacrifices and the end of abundance” (agora cito Macron, o tira-olhos dos coletes amarelos). Já não dá para aguentar mais. Queriam um Great Reset, mas acho que vão é ter uma Great Guillotine. Totalmente provocada e justificada. Tal como a intervenção Russa.


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