Tanta verdade junta mereceu publicação – take XV

(Carlos Marques, 27/08/2022)


(Este texto resulta da resposta a um comentário a um artigo que publicámos de Eamon McKinney ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

O comentário, de Paulo Marques, era o seguinte:

“Eu gosto muito que me digam que há um lado onde os capitalistas não são abutres nem oligarcas, mas são muito preocupados com famílias e empresas. É bonito ter fé no capitalismo, uma vez que, ao contrário da pandemia, é um fenómeno natural inevitável.
Não sei o que os convence que há aliados, e não parceiros de conveniência, mas deve alimentar bem não só a convicção, mas a barriga. Afinal, estão preocupados quando é a deles, não é verdade?”

Estátua de Sal, 28/08/2022)


A propaganda começa logo nas palavras. Cá são “empresários”, lá são “oligarcas”. Cá são “democracias liberais” (mesmo quando matam tanta gente, como o apartheid de Israel), lá são pelo menos “regimes” ou “brutais ditaduras” (mesmo que garantam dos melhores níveis de desenvolvimento humano na região comparável, como Cuba). etc.

Ao entrar no debate, em que o “moderador” colocou a questão nestes termos, e o 1º interveniente os repetiu, quando chega a vez do comentador ligeiramente discordante (porque na TV comunista não entra, e quem não repetir a propaganda do regime é “populista” ou “putinista”), já não consegue usar outras palavras, é forçado a jogar no campo adversário com as chuteiras sem pitons.

Já não há trabalhadores, há “colaboradores”. Já não há patrões, há “CEO”. Os lucros são uma “virtude”, os salários (de quem fabricou o produto e criou a riqueza) são um “custo”. A soberania é “má” porque *ai ai o Orbán*, a violação da nossa Constituição e obediência a NÃO eleitos é “boa” porque *ai que bom vem de Bruxelas ou de Frankfurt*.

O gás Russo é uma “dependência”, o petróleo saudita é “verde”, bastando para isso ter uma tachinha extra ou entrar num qualquer “mercado de carbono”, que é um eufemismo para: quem acredita nisto é estúpido que nem uma porta, e se a maioria continuar a acreditar, o NeoLiberalismo continuará rei e senhor, como se tivesse sido já o fim da história.

Não é que a Rússia ou a China não sejam Capitalistas, mas há diferentes formas e níveis de Capitalismo. Há o de Capitalismo de Estado, o mais industrializado, o regulado e soberano, o (re)produtivo. Pode-se ter um SNS, uma Escola Pública, um sistema de pensões asseguradas. O Estado pode planear isto e aquilo até certo ponto. Ou pelo menos definir objectivos e promover certas áreas.

Ou então há aquilo que o Ocidente tem para impor à força, via troikas, austeridades, TINAs, sanções, e guerras. Não há plano, há cada vez menos Direitos, não há soberania nem regulação, o especulador decide, o “governador” obedece, e o povinho baixa a bolinha. Estou a descrever o Portugal de agora, ou o Portugal pré-1974? Já nem dá para distinguir bem…

Igualdade? Desenvolvimento Humano? Distribuição e redistribuição? O que é isso?! Não está no dicionário do lobby da Uber, Google, Santander, Raytheon e companhia. E se certos partidos “irresponsáveis” se atreverem a fazer frente ao estado a que isto chegou outra vez, toda a activar a maior máquina de propaganda e manipulação da história, e dar “maioria” de 41% àqueles que sabem bem obedecer à “iniciativa” certa.

Queres melhor saúde? Toma lá um sub-financiamento crónico propositado.
Queres uma carreira? Toma lá uma cativação, e 500 horas extra, e não te queixes.
Queres investimento? Toma lá um ajuste directo para a negociata do amigo/conhecido.
Queres menos impostos? Toma lá um seguro que é para pagares o dobro.
Estás com pressa? Toma lá uma lista de espera.
A coisa está preta? Toma lá uma urgência fechada.
O quê? a Esquerda tem soluções baseadas nas ideias de Arnaut? Isso é “irresponsável”! Vamos antes para eleições!

E nas eleições, o que é que o povinho faz? Junta-se em rebanho para votar no lobo com a falinha mais mansa. E não é só cá. Nunca é só cá. A ignorância em massa, e a necessidade de pertencer (votar no que pode ganhar em vez de arriscar ser diferente), falam mais alto em todo o lado. O colectivo é histérico, estúpido, e suas emoções facilmente manipuláveis. Está cansado demais depois do trabalho. Vai comer tudo o que a Manipulação Social lhe der a comer no “noticiário” das 20h.

Se for preciso, até se consegue convencer a maioria que uma invasão dos EUA é “democracia” e que uma suástica tatuada é símbolo de “liberdade”. Que um adolescente na Palestina é um “terrorista”, e que os cereais em Odessa são para “matar a fome em África”. Que entregar refugiados a quem os persegue são “valores europeus”, e que o Putin está em simultâneo a ocupar com tropas e a bombardear a mesma central nuclear.

Vejam só que até convenceram a maioria de que o €euro é uma coisa boa. Realmente, quando a palha é boa e há tanto burro, tudo é possível. Portugal não aumenta o seu PIB/capita em valor real (descontando o deflator) desde 2007. Não converge com a média da Europa desde 2000. Está endividado até ao pescoço em todas as dívidas: privada, pública, e externa. Desde os anos 80 que não havia tantos pobres: 4.4 milhões (antes de apoios sociais **). Podia ser pior, diz um propagandista rosa, olhando para os 4.9 milhões em 2013… Trabalha-se para ser pobre. Vai tudo corrido pelo valor do salário mínimo. E ainda há o descaramento de dar uma ajuda aos empresários devido ao “aumento” anual. Poder negocial? Sindicalismo? Contratos colectivos? Nem vê-los! Isso são coisas da Esquerda “sectária” e “extremista”.

**
https://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+risco+de+pobreza+antes+e+após+transferências+sociais-2399

E agora temos de empobrecer ainda mais. Dizia uma agente do Pentágono… quer dizer, uma comentadora na CIA… quer dizer, na CNN: “temos que perceber que é preciso este esforço”.
É preciso? Para quem? Para quê? É só records de lucros por todo o lado! Armas, armas, e mais armas. “Temos” que passar frio e fome, austeridade e desigualdade, tudo para que mais um tatuado com uma suástica receba o seu HIMARS que *ai ai tão bom que é, todos temos de saber que é tão bom* – sponsored by Lockeed Martin. Made in USA.

Os países inteiros são “ditaduras”. Os países destruídos são “democracias”. A resistência dos invadidos é “terrorismo”. Os crimes de guerra dos invasores são… não são nada. E ai de quem sequer falar neles. Será silenciado com dólares, ou com cassetetes. Quem faz um Assange, faz dois ou três. E se andarem onde não devem, ops, lá vai uma “bala perdida” para a cabeça da Shireen Abu Akleh.

E lá continuam eles com a propaganda que começa nas palavras: não é apartheid, é “única democracia liberal do Médio Oriente”. Não é terrorismo económico que mata crianças à fome, são “sanções para castigar os Talibã. Não é roubo colonial, é “operação militar especial de tropas da defensiva NATO para garantir o petróleo e os cereais da malvada Síria”. Não é racismo sistémico, são “forças da ordem que têm de nos salvar de terríveis criminosos colocando um joelho no seu pescoço”. Não é invasão NAZI em violação de acordos de PAZ contra civis do Donbass 9 dias antes da Rússia ter de intervir, é “defesa da democracia Ucraniana contra os separatistas pró-Russos”. E não é massacre de refugiados escuros na fronteira de Espanha, é “um sucesso do aliado Marrocos”.

Eles bem tentam, e infelizmente com elevadas taxas de sucesso, mas não é possível enganar toda a gente o tempo todo. Depois, eles comem tudo e não deixam nada, e mandam-nos comer brioches caso nos falte o pão. Se tentarmos a revolução pacífica, eles vão chamar-lhe “poder caído na rua”.

Se nos sentarmos no chão e a polícia disparar balas de borracha e nos tentar atropelar, vão-lhes chamar “forças da ordem” a nós nos chamarão “violentos arruaceiros” (aqui estou a citar a RTP em relação à Catalunha). Vão querer ainda mais para os ricos e ainda menos para os pobres, e chamar-lhe “a new era of sacrifices and the end of abundance” (agora cito Macron, o tira-olhos dos coletes amarelos). Já não dá para aguentar mais. Queriam um Great Reset, mas acho que vão é ter uma Great Guillotine. Totalmente provocada e justificada. Tal como a intervenção Russa.


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Tanta verdade junta mereceu publicação – take XIV

(Por José André Campos Ferreira, 23/08/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um discurso que publicámos de Vladimir Putin ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 24/08/2022)


Será que uma terceira guerra mundial poderia acontecer sem ninguém a querer? Será que os governantes e conselheiros militares poderiam subestimar as consequências de suas ações, causando a perda de milhões de vidas? Não sei. Mas se acontecesse, isso não seria a primeira vez.

108 anos atrás, líderes europeus levaram suas nações à Grande Guerra, mais tarde chamada de Primeira Guerra Mundial, sem se dar conta da dimensão dos horrores que estavam por vir. “A confusão os levou à guerra”, confessou David Lloyd George, primeiro-ministro britânico de 1916-1922.
“Nenhum dos governantes queria uma guerra dessa proporção”, escreveu o historiador A. J. P. Taylor, mas tudo que “queriam era ameaçar e ganhar”. O czar da Rússia achava que a paz devia ser mantida a qualquer custo. Ele não queria ser o responsável por nenhuma carnificina. Mas dois tiros disparados às 11h15 da manhã do dia 28 de junho de 1914, fizeram com que tudo fugisse ao controle.

Quando chegou 1914, rivalidades antigas entre países europeus criaram uma tensa situaçao, resultando em duas alianças opostas: A Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia). Estes países também tinham acordos políticos e econômicos com outras nações, incluindo as da região dos Balcãs.

Nessa época, os Balcãs eram uma zona de instabilidade política que sofria sob a soberania de países mais fortes, e havia ali muitas sociedades secretas que tramavam conseguir independência. Um pequeno grupo de jovens planeou assassinar o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando em 28 de junho durante a visita a Sarajevo. A falta de proteção adequada facilitou o trabalho deles. Mas os jovens conspiradores não estavam bem preparados. Um deles jogou uma bomba pequena, mas errou o alvo, e os outros não conseguiram agir na hora certa.

Gavrilo Princip foi o conspirador que cumpriu a missão, mas por mero acaso. Como assim?
Quando Princip viu o arquiduque a passar de carro ainda ileso, ele tentou chegar perto, mas não conseguiu. Frustrado, atravessou a rua e entrou num café. Nesse meio-tempo, Ferdinando, irritado com o atentado, decidiu mudar o trajeto. No entanto, o motorista, sem saber dessa mudança, entrou pelo caminho errado e precisou dar meia-volta. Nesse momento, Principe saiu do café e viu-se literalmente de frente com seu alvo — o arquiduque no seu carro aberto a menos de 3 metros de distância. Ele se aproximou do carro e deu dois tiros, matando o arquiduque e sua esposa. O assassino, um ingênuo sérvio nacionalista, provavelmente não tinha idéia da repercussão que isso teria. Mas não cabe a ele toda a culpa pelos horrores que se seguiriam.

O cenário estava montado.
Antes de 1914, a maioria dos europeus tinha um conceito ilusório da guerra. Para eles a guerra era benéfica, nobre e gloriosa — isso apesar de se dizerem cristãos. Alguns governantes chegaram a acreditar que a guerra promoveria a união nacional e fortaleceria o povo. Além disso, alguns generais garantiram aos seus governantes que poderiam vencer a guerra com facilidade, num só golpe. “Derrotaremos a França em duas semanas”, gabou-se um general alemão. Ninguém imaginou que milhões de homens ficariam confinados em trincheiras por anos.
Além do mais, nos anos anteriores à guerra, “uma grande onda de nacionalismo se espalhou pela Europa”, diz o livro Cooperation Under Anarchy (Cooperação sob Anarquia). “Escolas, universidades, políticos e a imprensa uniram-se para incentivar o nacionalismo exagerado e a glória.”
Os líderes religiosos pouco fizeram para controlar esta febre destrutiva. O historiador Paul Johnson disse: “De um lado enfileiravam-se a Alemanha protestante, a Áustria católica, a Bulgária ortodoxa e a Turquia muçulmana. Do outro, a Inglaterra protestante, a Itália e a França católicas e a Rússia ortodoxa.” Ele acrescentou que a maioria dos clérigos “estabeleceu uma equivalência entre cristianismo e patriotismo. Soldados cristãos de todas as denominações foram exortados a matar uns aos outros em nome de seu Salvador”. Até mesmo freiras e padres foram mobilizados, e milhares destes morreram mais tarde em combate.

As alianças européias, que deveriam evitar uma grande guerra, talvez tenham contribuído para que ela ocorresse. De que modo? “A segurança das potências européias era interdependentes”, diz Cooperation Under Anarchy. “Cada potência sabia que a sua própria segurança estava ligada à segurança dos seus aliados, e assim se sentia compelida a agir rapidamente para defendê-los, mesmo que fossem eles os instigadores.”
Outro fator de perigo foi o plano Schlieffen da Alemanha, chamado assim por causa do ex-chefe do estado-maior alemão General Alfred von Schlieffen. O plano, envolvia um ataque inicial rápido, foi preparado na suposição de que a Alemanha teria de lutar contra a França e a Rússia. Assim, o objetivo era uma vitória rápida sobre a França e daí um ataque contra a Rússia, que ainda não teria tido tempo de se mobilizar. “Uma vez que o plano [Schlieffen] entrou em ação, o sistema de alianças militares praticamente forçou a Europa a entrar numa guerra geral”, diz a World Book Encyclopedia.

Antes da guerra, o cenário mundial era dominado por impérios, a maioria deles desenvolvidos por poderosas potências européias. A guerra causou o colapso destes impérios, e hoje a estabilidade do mundo não mais é mantida por alguns poderosos países europeus. Em vez disso, vemos algo que ameaça até mesmo a sobrevivência da humanidade: a incessante luta pela superioridade entre duas superpotências, a Rússia e os Estados Unidos capitalista. Isto também tem suas raízes na Primeira Guerra Mundial.
Antes da guerra, a Rússia era um país enorme e atrasado, dominado pela Igreja Ortodoxa Russa e governado pelo czar. Os Estados Unidos, embora fortes, de modo algum eram encarados como rivais das potências européias. A Primeira Guerra Mundial alterou tudo isso.O poder dos Estados Unidos no fim da guerra, em todos os sentidos, ultrapassava em muito ao de todos os outros. A vasta riqueza dos Estados Unidos, comparada com o esgotamento econômico das potências européias, proporcionou-lhes seu atual domínio mundial.

Na Rússia, antes da guerra já havia prenúncios de rebelião. Durante a guerra, a Rússia tomou posição contra a Alemanha, de modo que a Alemanha soltou do exílio na Suíça o revolucionário russo Lênine e o enviou de volta à sua terra natal, na esperança de aumentar problemas internos ali. A estratégia teve sucesso e a Rússia saiu da guerra. O partido de Lênine, os bolcheviques, assumiram o controle da revolução russa, e o resultado direto desse acontecimento é a Rússia que vemos hoje.

Independente da rivalidade existente entre as superpotências, há hoje agitação e instabilidade sem precedentes entre as nações e dentro delas. Como parte dessa herança ele alistou “a ascensão de Hitler, a Segunda Guerra Mundial, os levantes e as revoluções que grassam num mundo sem disciplina política”. Ainda se lê nos jornais a respeito de derramamento de sangue e sofrimento. E lembrem-se de que a Segunda Guerra Mundial incitou o desenvolvimento das bombas nucleares, que ameaçam a própria existência da vida na terra.

Antes de 1914, a maioria das nações eram governadas por uma aristocracia privilegiada e hereditária. As estruturas de classes eram rígidas. A Primeira Guerra Mundial acelerou o colapso desse sistema. Foi a Primeira Guerra Mundial que rompeu com a estrutura social do século 19; as reivindicações de reconhecimento do Homem Comum não mais podiam ser negadas. Hoje é difícil imaginar o poder que as antigas classes dominantes possuíam.

A SEGUNDA Guerra Mundial rebentou em setembro de 1939. 2 anos depois, os exércitos de Hitler invadiram a Polônia ocidental, a França e vários outros países europeus e grande parte dos Balcãs. Daí, em 1941, os vitoriosos nazistas voltaram a atenção para o leste.

Em junho daquele ano, os exércitos alemães invadiram a União Soviética. Por volta de dezembro, já haviam tomado toda a parte ocidental do país e tinham chegado aos arredores de Moscovo. A sobrevivência daquela nação pendia na balança.
No entanto, o rigoroso inverno e a resistência determinada das tropas e dos guerrilheiros soviéticos estancaram a onda alemã no fim do ano. Mas, era óbvio que, na primavera setentrional seguinte, mais ataques seriam efetuados. O governo soviético sabia que seu povo tinha de ser estimulado para o que estava à frente. Era necessário um esforço máximo.

Algo que tornou mais fácil esta tarefa foi a perversidade dos invasores alemães. A devastação que causaram, a matança de milhões de pessoas, suas pretensões de superioridade racial e sua clara intenção de exterminar muitos dos eslavos, enfureceu os soviéticos.

Muitos países foram tão massacrados pela Segunda Guerra Mundial que a sua principal prioridade tinha de ser a recuperação económica. A falta de alimentos perdurou na Europa por vários anos depois da guerra. A Espanha, embora oficialmente neutra na Segunda Guerra Mundial, havia sido profundamente afetada pela sua própria guerra civil (1936-39) e por embargos comerciais — cupons de racionamento de alimentos ainda eram usados em junho de 1952.
No Extremo Oriente, a lembrança das atrocidades dos japoneses ainda estava viva na memória de vítimas na Birmânia, China, Filipinas e outros países orientais. Os Estados Unidos, embora se saíssem como nação vitoriosa, sofreram a perda de uns 300.000 militares, cerca da metade destes nas zonas de guerra do Pacífico. No Japão, a pobreza, a tuberculose e longas filas de distribuição de alimento racionado foi o que restou para a população civil.

Embora a Alemanha e a União Soviética tivessem assinado um Tratado de Amizade, de Cooperação , Hitler invadiu território soviético em 22 de junho de 1941. Essa ação levou a União Soviética para o lado da Grã-Bretanha. O exército soviético ofereceu forte resistência, apesar dos espetaculares avanços iniciais das forças alemãs. A 6 de dezembro de 1941, o exército alemão foi realmente derrotado em Moscovo. No dia seguinte, o aliado da Alemanha, o Japão, bombardeou Pearl Harbor, no Havaí. Sabendo disso, Hitler disse aos seus ajudantes: “Agora é impossível que percamos a guerra.” A 11 de dezembro, ele declarou guerra aos Estados Unidos. Mas subestimou a força da União Soviética .

Por fim, em 1945, os exércitos alemães recuaram. As tropas soviéticas invadiram a Alemanha.

A Rússia, chamada oficialmente “Federação Russa”, não é um país de uma só nação ou de um só povo. Como o nome indica, é uma federação de nações, um mosaico de tribos, línguas e povos, cada um com sua própria cultura.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Ucrânia foi dividida entre quatro países vizinhos. Os territórios do centro e do leste da Ucrânia foram tomados pela Rússia comunista e incorporados à União Soviética. A Ucrânia ocidental foi dividida entre três outros países. As regiões da Galícia e da Volínia foram anexadas à Polônia; a Bucovina, à Romênia e a Transcarpática, à Checoslováquia.

No fim de 1917, a Revolução Russa acabou com os 370 anos de domínio dos czares. Os novos governantes da Rússia, os bolcheviques, tinham planos ambiciosos: estabelecer um novo tipo de governo humano, diferente de todos os anteriores. Assim, em poucos anos foi formada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou URSS. Com o tempo, ela abrangeria um sexto da superfície terrestre.


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Tanta verdade junta mereceu publicação – take XIII

(Por José Neto, 22/08/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Foicebook ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 22/08/2022)


No final da II Guerra Mundial, os militares alemães que defendiam Berlim também esperaram até ao fim a chegada de reforços para uma contra-ofensiva destinada a expulsar os aliados do território alemão, como lhes tinha sido prometido pelos seus líderes. Esperaram em vão, claro. Por essa altura já grande parte das tropas nazis era constituída por crianças.

Há coisas que nunca mudam. As tropas que foram na sua maior parte aniquiladas no Donbass eram a elite do exército ucraniano, cerca de 200 000 homens que a NATO treinou intensivamente nos últimos 8 anos, e que estavam entrincheirados em fortificações laboriosamente construídas especialmente para esta guerra. Foi tudo destruído.

O site americano de Hal Turner divulgou dias atrás um relatório das Forças Armadas da Ucrânia onde se relata a perda confirmada de 191 000 soldados, entre mortos e feridos com gravidade. Mas esse relatório está apenas a menos de 50% completo. E a maior parte das perdas na frente de batalha não são contabilizáveis neste momento. (1)

O próprio relatório refere que ninguém sabe quantos militares estão desaparecidos e ninguém quer saber. Então o número real de baixas será muito superior, talvez duas vezes o número apresentado. Recorde-se que a Ucrânia tinha um exército de cerca de 600 000 homens no começo da guerra, dos quais 200 000 eram tropas especiais dos batalhões neonazis especialmente treinados pela NATO, que já estão praticamente todos mortos,

Recorde-se que a Rússia iniciou esta Operação Especial com 200 000 soldados, dos quais 40 000 permaneceram de reserva em território da Bielorrússia. Provavelmente já estarão em igualdade com os efetivos inimigos ou até mesmo em maioria. É sintomático o frenezim de recrutamento que o Governo ucraniano está a levar a cabo entre a população civil indiscriminada. Se a pessoa tem duas pernas e dois braços completos, serve perfeitamente.

Neste momento, as forças russas em ofensiva são quase só a Guarda Nacional e as milícias das RPD. O grosso das tropas nesta fase está estacionado nos territórios conquistados, consolidando posições e concentrando armamento pesado para eliminar uma contra-ofensiva. Mas ela não faz sentido, simplesmente.

A Ucrânia pode juntar, como eles dizem, um milhão de “soldados”, recrutados à força, mas esses não terão o treino militar nem as capacidades físicas e cognitivas dos que morreram. Se avançarem contra as linhas russas fortificadas, serão como gado a caminhar para a matança. E como a Rússia domina completamente o espaço aéreo, como é que eles vão evitar serem chacinados no percurso pela aviação? Um milhão de idiotas a marchar numa planície aberta não passam despercebidos. O que faz a diferença numa guerra atual é o poder de fogo, não é o número de candidatos a cadáveres que um exército pode juntar.

Além disso, como muito bem referiu o analista militar Andrei “The Saker” num dos seus artigos recentes, para avançarem sobre Kherson as tropas ucranianas qualificadas, que iriam liderar a anunciada ofensiva, teriam de sair dos locais onde se encontram agora, o que significaria a Ucrânia perder definitivamente essas posições, que por acaso são as últimas que lhe restam nos territórios do Donbass.

E Zelensky vem para a Imprensa dizer que vai ordenar uma ofensiva em força?! Mas realmente, não faz sentido. Se essa ofensiva estivesse eminente, ela estaria a ser preparada em segredo para surpreender o inimigo, não seria anunciada na TV. Por outro lado, já todos percebemos que aquela gente é louca, pelo que não é obrigada a agir com racionalidade.

Acredito perfeitamente que a escumalha nazi dirigente e os seus patrocinadores ocidentais não se importassem nada de enviar um milhão de rapazes, velhos, mulheres e aleijados para a morte. Depois Hollywood podia até fazer um filme giro sobre isso. Mas já tenho muitas dúvidas de que os comandantes militares no terreno vão na conversa.

A Rússia venceu claramente a guerra nas primeiras duas semanas da operação militar, limitando-se desde então a trabalho de limpeza dos assentamentos ucranianos ativos dispersos no vasto território. Basicamente, os militares russos estão entretidos a praticar tiro ao alvo com armas pesadas contra tudo o que tem duas pernas e uma farda, esteja onde estiver. Pacientemente, vão também destruindo todo o armamento que os países ocidentais para lá mandam, a maior parte do qual não chega nem perto da linha da frente.

No entanto, os novos desenvolvimentos desencadeados pelos líderes ucranianos e seus mentores ocidentais, com recurso a métodos puramente terroristas praticados em território russo, parecem ter deixado os russos um bocadinho aborrecidos. O site Geopolítica Atual divulgou imagens de um bombardeamento realizado em 10 do corrente na região de Peski, entretanto libertada, no qual foram usados, creio que pela primeira vez nesta operação, vários mísseis TOS-1A “scorching sun” termobáricos, sobre um assentamento de militares ucranianos que provavelmente estavam a chatear demais, os quais obviamente “viraram” pernil assado num instante. (2)

Se a Rússia começar a sentir alguma pressa de terminar o assunto, o nível de dor poderá aumentar exponencialmente. De facto, esses ridículos imbecis como a figurinha Luís Delgado, que vêm para as TVs torcer pela Ucrânia neonazi como se aquilo fosse um jogo de futebol, deviam ser enviados para a frente de combate para verem como as coisas ali realmente são.

Claro que Luís Delgado, face à inqualificável situação atual da nossa “Imprensa”, poderá até sentir-se injustiçado por estas minhas palavras e dizer indignado, como fazia o outro primata, no velho programa do impagável Jô Soares: “Mas sou só eu?! “Cadê” os outros???”

Realmente, eu nem quero pensar no que seria a minha vida se não existissem outras fontes de informação para além das que nos querem impingir, ou se os bloqueios estatais a sites “inconvenientes” fossem minimamente eficazes, exceto para os totós. Uma noite destas sonhei com isso e acordei com suores frios…

(1) https://geopoliticaatual.wordpress.com/2022/08/15/relatorios-do-exercito-ucraniao-vazados-191-000-tropas-mortas-ou-feridos/

(2) https://geopoliticaatual.wordpress.com/2022/08/21/imagens-surreais-tos-1a-da-russia-tambem-conhecido-como-foguetes-termobaricos-scorching-sun-dizimando-posicoes-militares-ucranianas-em-peski-em-10-de-agostovideo/


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