A retirada de Trump, a guerra da Europa

(A l e x a n d r e D u g i n, in ArktosJournal, 31/03/2025, Trad. Estátua)

Alexander Dugin afirma que Trump, ciente de que a guerra na Ucrânia foi iniciada pelas elites globalistas dentro dos Estados Unidos e incapaz de resolver o conflito nos seus próprios termos, está gradualmente a retirar o envolvimento dos EUA e a entregar as rédeas à União Europeia, enquanto a Rússia se empenha na vitória total.


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Relatos de que Trump estaria supostamente zangado com Putin surgiram ao mesmo tempo que outras declarações completamente diferentes do presidente dos EUA. Foi, assim, também divulgado um vídeo no qual Trump, num tom bastante agressivo, promete pessoalmente negociar com Zelensky — ameaçando-o caso ele desista do acordo sobre os metais das terras raras e outros minerais valiosos, que, de acordo com Trump, devem ficar sob controle americano. Não como pagamento por futuros envios de ajuda militar dos EUA, mas por envios já realizados.

Enquanto isso, a alegação de que Trump supostamente disse que estava muito bravo com Putin por este criticar Zelensky e que estava pronto para dobrar as sanções punitivas ao comércio de petróleo russo não foi feita pelo próprio Trump. Foi transmitida por um pivot da NBC — dificilmente um trumpista, mas um representante da grande mídia liberal. O pivot alegou que Trump tinha acabado de ligar para ele e lhe disse que estava muito bravo com Putin, devido às críticas deste a Zelensky.

Pode dizer-se que há alguma inconsistência aqui. Com quem é que, afinal, Trump está realmente furioso — com Zelensky ou com Putin? No primeiro caso, estamos perante as suas palavras em direto mas, no segundo, apenas perante uma recontagem indireta de um apresentador de notícias. Consequentemente, uma vez que a crítica a Putin não foi feita diretamente, pode alegar-se de qualquer forma, que Trump foi mal compreendido — ou que ele nunca disse nada disso.

Muito mais importante é perguntar: o que está realmente por detrás das vacilações de Trump? O facto é que, nos últimos dias, ficou definitivamente claro que o plano de paz de Trump falhou completamente. Ele havia prometido levar Putin e Zelensky à mesa das negociações e resolver o conflito rapidamente. Mas tanto os esforços iniciais de Trump quanto a sua segunda tentativa de “lidar com a situação” na Ucrânia mostraram-se completamente irrealistas. Na verdade, Trump simplesmente falhou por não entender a essência do conflito e ainda não entende completamente quem está lutando, porquê e pelo quê.

Ao mesmo tempo, Trump certamente está bem ciente de que essa guerra foi iniciada pelos seus próprios opositores ideológicos dentro dos Estados Unidos. Ele também entende que a guerra deve ser encerrada — não tem utilidade para ele e não se coaduna com os objetivos de sua agenda MAGA (Make America Great Again). Mas simplesmente ele não sabe o que fazer a seguir, e assim as suas primeiras tentativas de resolver o conflito estavam completamente em dessintonia com a realidade.

Essas tentativas só poderiam ter tido sucesso à custa do suicídio político de ambos os regimes — o nosso, da Rússia, e o da Ucrânia — ou pelo menos um deles. Até agora, Trump não está pronto para sacrificar a Ucrânia como tal. Mas não aceitaremos nada menos que isso. Claro que, se Trump concordar com o cumprimento dos nossos objetivos na Operação Militar Especial (SMO), ficaremos muito satisfeitos. Mas essa será a nossa vitória, não uma “generosa concessão de um mestre magnânimo“. Portanto, a razão para a raiva e frustração de Trump é óbvia: ele simplesmente não sabe como resolver este conflito.

Enquanto isso, Zelensky já estava preparado para recuar e aceitar quaisquer condições americanas — contanto que a ajuda militar continuasse. Mas, mais uma vez, a Grã-Bretanha, a União Europeia e os globalistas da América intervieram, convencendo Zelensky a cortar os laços com Trump e prometendo-lhe o apoio da UE na guerra.

Exatamente o mesmo aconteceu durante as primeiras negociações de Istambul no início da SMO — esses mesmos atores convenceram Zelensky a rasgar todos os acordos assinados anteriormente. Agora, persuadiram-no a romper os acordos com Trump sobre os direitos aos recursos minerais da Ucrânia, embora ele já estivesse pronto para entregar esses direitos aos britânicos, que lhe prometeram apoio.

Putin deixou claro em Murmansk que não iremos meramente pressionar o inimigo — iremos acabar com ele. Isso significa que a guerra continua e nada está a mudar. E mesmo se começarmos a construir melhores relações com os EUA, isso não afetará direta ou imediatamente o curso da SMO.

A guerra continua. Isso é evidente pela irritação de Trump, pela política agressiva da UE e pelas táticas terroristas de Zelensky. Também é claro pelas palavras do nosso presidente, que apela ao povo e à sociedade para não relaxarem. A guerra não acabou porque ela só pode acabar com a nossa vitória — e para isso, há ainda muito trabalho pela frente.

E, para concluir — a lição mais importante: Trump e os EUA estão gradualmente a retirar-se do conflito. Como não é a sua guerra, e não conseguiu acabar com ela, Trump entregará a iniciativa à União Europeia. Deixará a condução desta guerra para a Europa e para o próprio Zelensky. É um gesto de Pôncio Pilatos: Trump está a lavar as mãos. Claro, ele está a fazer isso gradualmente, para que a frente não entre em colapso imediatamente devido à retirada do apoio americano.

Isso sinaliza um certo nível de desescalada. Mas, como a União Europeia agora está a assumir a responsabilidade de travar uma guerra contra nós, podemos esperar que a ditadura liberal na Europa se intensifique drasticamente. Já estamos agora a ver isso: a líder da Frente Nacional da França, Marine Le Pen — a principal rival política de Macron — foi condenada por acusações totalmente infundadas. Acontece que Soros comprou todos os juízes nos regimes democráticos — todo o sistema judicial agora está ideologicamente ativado e corrompido pelas redes globalistas.

Praticamente não há mais justiça — nem na América nem na Europa. Ela só pode existir em regimes soberanos. Onde quer que a democracia liberal esteja instalada, todo o sistema judicial está completamente nas mãos dos globalistas. Portanto, esperar por qualquer tipo de resolução legal não é mais possível. Agora, todos estão por conta própria.

Para repetir: a UE, como o centro e a sede da ditadura liberal, está agora a entrar num estado de guerra direta connosco na Ucrânia, enquanto os EUA estão a recuar e a retirarem-se do conflito. E esta é uma boa notícia. O campo de operações para a mendicância terrorista de Zelensky está a estreitar-se — mas sabemos o quão eficaz esse palhaço encharcado de sangue tem sido a desencantar fundos e apoio militar.

Portanto, a guerra continua — e devemos estar preparados para travá-la até à vitória final. Neste ponto, não consigo antever se pararemos nas fronteiras ocidentais da Ucrânia ou não. Nem os europeus sabem — pois eles mesmos estão fazendo tudo o que podem para garantir que, nesta guerra, não paremos na Ucrânia

Fonte aqui.


12 pensamentos sobre “A retirada de Trump, a guerra da Europa

  1. Recursos para dar e vender.
    Sem dividas.
    Raio de corrector.
    E, já agora, graças a Ieltsin, sem armas nucleares ou, com a loucura que vai lá e cá, isto já tinha ido tudo raso.
    Acho engraçado acharmos normal que os herdeiros dos nazis tenham armas nucleares mas acharmos normal que o Tiranossauro queira bombardear o Irão para o impedir de as ter.
    O Irão nunca invadiu ninguém mas enfrentou também oito anos de guerra por procuração. Tudo por ter corrido de lá um fantoche dos norte americanos passado dos cornos.
    Motivos para estar passado também os tinha graças aos ingleses que fizeram o seu pai morrer exilado atrás do sol posto e só por medo a revoltas devolveram o cadáver no competente fato de madeira reforçado.
    O povo que levava com aquilo e que estava farto.
    Tem um vizinho messiânico, perigoso, homicida, para quem a vida dos gentios em geral e dos muçulmanos em particular não vale nada.
    Esse vizinho está montado num arsenal clandestino de 200 armas nucleares que se lhes der na bolha até lançam sobre a Europa pois segundo a sua religião ainda vao a tempo de se vingar das perseguições que sofreram na Europa. E a sua religião não ensina o perdão, não ensina a seguir em frente, mas a matar os seus inimigos, ou que os seus cornos avariados acham que são, sem do nem piedade.
    Por mim sentia me em mais segurança se algum vizinho de tal gente tivesse armas nucleares.
    Mas isso e uma verdadeira blasfémia para a cambada de psicopatas na realidade não eleitos, porque como vimos na entrevista do Rodrigues dos Prantos, há partidos que começam o jogo a perder por 10 a 0, que vai mandando nisto tudo.

  2. A Ucrânia obteve a sua independência em 1991 sem qualquer dúvida externa, com recursos para dar e vencer e umd industria capaz.
    Poderia ter se tornado um país próspero e dado uma vida decente ao seu povo.
    Em vez disso embarcou numa deriva de corrupção e de nazismo, procurando vingança contra agravos reais ou imaginarios e sendo incapaz de seguir em frente.
    Aceitando combater uma guerra por procuração visando a destruição de quem os deixou sem dúvidas e com capacidade de seguir na senda da prosperidade, fizeram a cama em que agora se deitam.
    E graças a eles não desistirem, tal como os nazis não desistiram até mandarem para a frente crianças de 12 anos, estamos metidos nuns alhada sem tamanho porque uma Europa que também não foi capaz de seguir em frente está disposta a apanhar a boleia.
    Isto tem tudo para correr mal.

  3. E temos o Nuno Melo a pedir via verde para contratar soldadesca. Num pais que precisa contratar médicos, enfermeiros, professores e até gente para cobrar impostos porque sem isso também não alimentam soldadesca nenhuma quer o sujeito contratar soldadesca.
    Esta gente da cada vez mais vontade de vomitar e cabe perguntar que raio e que andam a meter para a veia.

  4. Qualquer um que tivesse visto a filha morrer a sua frente com a bomba que era para si não precisava de beber porra nenhuma para estar avariado dos cornos.
    Pelo que não duvido que Dugin o esteja porque só isso explica a crença nas boas intenções de uma besta como Trump que se prepara agora para iniciar uma guerra contra o Irão que nos pode pôr todos a andar de burro porque o preço do petróleo vai de certeza disparar.
    Para cenários apocalípticos já temos a nossa Comissão Europeia a mandar nos juntar comida para três dias.
    Uma coisa tenho a certeza quanto a Dugin, enquanto Herr Zelensky continuar neste mundo sempre faltará alguma coisa para a sua felicidade neste mundo.
    O mesmo bom sentimento que eu tenho em relação ao Ceo da Pfizer.
    De resto ca andamos todos ao ritmo da música destes psicopatas da treta.
    Onde e que isto acaba não sei, mas que tem tudo para não acabar bem, tem.

  5. Compreendo a amargura de Dugin pelo assassinato da filha através de um atentado bombista que a si era dirigido.
    Mas cansa ler as loas que escreve sobre Trump, muitas vezes com base em suposições, porque além de tudo ser incerto nas negociações sobre o conflito, Trump é ele próprio volátil e capaz de mudar de opinião rapidamente.
    Para já, ontem viu-se nos noticiários Trump a dizer precisamente o que Dugin dúvida que ele disse sobre Putin. Não que tenha grande conteúdo ou importância, mas evitava perder tempo a navegar na mayonaise e a criar falsas expectativas sobre Trump, a iludir-se.
    O fascínio de Dugin com Trump é de base ideológica, mas ele ainda não deve ter compreendido bem que a América que lançou o golpe de Maidan e financiou e forneceu o regime distópico ucraniano, assim como sancionou e perseguiu a Rússia, não desapareceu, é a mesma, simplesmente tendo alterado a sua estratégia e adoptado uma posição menos conflituosa, mas ainda assim não totalmente favorável aos interesses russos.
    Não sei se Dugin escreve estes textos meio fantasiosos meio apocalípticos depois de beber umas quantas coisas, mas parecem ser mais emocionais que racionais, e as conclusões são sempre um tanto ou quanto virulentas, com evocações ao Armageddon que tanto fascina também certos “grandes líderes e pensadores europeus”.

  6. Embora o Dugin não seja de fiar, basta ver a org que publicou o artigo, neo fachos, ele tem acesso ao poder de Moscovo e entre linhas lá vai lançando umas dicas.
    Não é displicente a hipótese de Trump largar a Ucrânia a semelhança do que fez com o Afeganistão mas, perderia o eixo de contato com o leste e, para quem quer tomar posição no Ártico não faz sentido,
    No ínterim Putin vai avançando até tomar Odessa, com escreveu Medvedev recentemente no Telegram, que é o objetivo final, tornar o país 404 perfeitamente inviável.
    Até lá, muita água vai passar sob as pontes.

  7. Claro que o Putin não quer confrontar esta gente directamente.
    E isso só mostra que o homem só tem a prudência e a humanidade que esta gente não tem.
    Por muito canhestros que sejam os militares europeus, por muito que as suas armas maravilhosas tenham ardido a bom arder nos campos da Ucrânia, são quatro vezes mais que os russos.
    A derrota do poder militar europeu numa guerra directa implicaria o uso de avelãs com fartura, Sarmat, Khinzals, tudo o que tivessem e uma mortandade sem tamanho tanto na Rússia como na Europa.
    E se o homem quisesse fazer uma mortandade sem tamanho teria avançado mais depressa na Ucrânia.
    Mas digam estes porcos o que disserem a Rússia sempre tentou poupar civis, preocupação que o palhaço encharcado em sangue e os seus asseclas nunca tiveram.
    Basta ver os ataques a mercados de Natal que mataram dezenas de pessoas em Donetsk e em Briansk ou o lançamento de seis ATACM numa praia apinhada de gente num domingo de Pentecostes na Crimeia.
    E e o saber que esta gente despreza não só as vidas russas como as nossas que faz Putin ir com calma.
    Apesar de, claro, não poder deixar de visar infra estruturas que são usadas pelos militares como as instalações eléctricas.
    Agora tendo em conta a raiva desta gente até que ponto se pode o homem dar só luxo de manter a calma? Não sei nem sabe ninguém.
    Com uns vizinhos dispostos a manter uma guerra até a destruição do seu país, que já falam em nos roubar as poupanças para gastar em armas, que nos querem preparar para a guerra mandando nos comprar latas para três dias, que só escarram ódio dia após dia, não sei que pais aceitaria eternamente uma situação destas.
    Porque isto continuará com Putin ou com outro, ate que consigam a pilhagem dos recursos da Rússia. Com a sua destruição ou um novo vendido como Ieltsin. Que teve pelo menos o bom sendo de puxar para a Rússia as armas nucleares que estavam na Ucrânia ou isto já tinha ido tudo raso.
    E acham que em pondo as maos nessas recursos todos os sacrifícios impostos a população terão valido a pena e todo o investimento em morte que fizeram sera devolvido 10 vezes mais.
    E a ganância que move e cega esta gente.
    Ate que ponto se poderá a Rússia dar ao luxo de não nos cair em cima com tudo não arrisco prognósticos.
    Mas que estes psicopatas mudem de rumo ou que esta gente acorde e esperança va.
    E para ver o bem que estamos preparados. Quatro soldados americanos morreram na Lituânia por terem afundado num pântano o jipe em que seguiam. Grande bebedeira deviam levar no corpo.
    Não e de certeza assim que marcharao nas ruas de Moscovo. Podem escrever.
    E se não queremos sair deste pântano também não sei porque carga de água haveria o Tiranossauro de nos querer tirar dele.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  8. E se o Trump estiver apenas a ser orientado (porque não é ele quem pensa)a recuar apenas para apanhar a Rússia desprevenida?
    Para a América não perder a imagem de força, combina-se com os europeus uma retirada estratégica, finge-se uma zanga -aquela “fuga” de informação através do chat (?) parece confirmar a palhaçada- a ver se Putin cai na esparrela. E quem fez a divulgação, já pensaram?
    Não esquecer que Trump é uma marioneta de Israel que respira Sionismo por todos os poros: A sua relação de negócios de longa data com a família do escudo encarnado, o genro amicíssimo do porco assassino Bibi, a sua atitude asquerosa com respeito à causa palestiniana e ao genocídio que se está a desenrolar…
    Se tivermos em consideração o mote da moçada que ocupa aquela zona do mediterrâneo: “By the way of deception…”, pela via do engano, da mentira, da dissimulação, creio que nos dá uma indicação do que estas criaturas são capazes para alcançar os seus objetivos de domínio global.

    O problema é que Putim, mesmo sabendo o que se passa, hesita em enfrentar esses filhos da puta, pelo menos abertamente. Percebe-se, por exemplo, a doçura, com que o RT trata as notícias relacionadas com esses porcos.

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