O prémio Nobel da infamia vem a Portugal

(In Resistir, 28/05/2024)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

O sr. Zelensky chega 3ª feira a Lisboa (hoje) – vem mendigar mais dinheiro para os seus bolsos fundos. O supracitado indivíduo é um dos corruptos mais asquerosos da história universal. Já é um multimilionário e a sua riqueza é feita às custas do sangue do seu próprio povo.

Na Ucrânia morrem mais de 1000 soldados por dia, mas ele não tem pejo em prolongar uma guerra que sabe perdida nem de entregar o seu país à pilhagem de transnacionais como a Blackwater e muitas outras. Tudo para aumentar a sua fortuna pessoal e a da sua entourage. 

Zelenski acaba de comprar um palácio em Londres que pertencia ao rei Charles, que se acrescenta ao património imobiliário já possuído em Israel, na Itália e na Florida. É claro que sempre sobram uns trocos para Mme. Zelenska, quando vai a Nova York, comprar joias de centenas de milhares de dólares no Cartier. Tudo isso é cuidadosamente omitido pelos media corporativos que nos desinformam.

É com tal indivíduo que o governo português quer assinar um acordo de assistência militar e financeira. Será para um período de 10 (dez) anos diz o seu deslumbrado ministro dos Negócios Estrangeiros – mas o governo não informou os portugueses qual será o valor das prestações anuais.

Fica por esclarecer se nesta nova punção ao Orçamento do Estado português já estão incluídos os 250 milhões de euros que o ex-primeiro-ministro António Costa prometera quando foi ao beija-mão de Zelenski em Kiev.

Europa ou impostura

(Giorgio Agamben, in Resistir, 27/05/2024)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

É provável que muito poucos dos que vão votar nas eleições europeias se tenham interrogado sobre o significado político do seu gesto. Uma vez que são chamados a eleger um “parlamento europeu” indefinido, podem acreditar, mais ou menos de boa fé, que estão a fazer algo que corresponde à eleição dos parlamentos dos países de que são cidadãos.

Ler artigo completo aqui.

Como é que para falar do 25 de Abril eu vou para 24?

(Pacheco Pereira, in Público, 25/05/2024)

Presos Políticos, gravura de José Dias Coelho

Uso um artifício, mais ou menos cénico, mas tão verdadeiro que se percebe pelo silêncio que resulta.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Eu tenho andado de escola em escola em escola, por todo o país, a falar do 25 de Abril, por iniciativa do Arquivo Ephemera. Nas escolas secundárias encontra-se talvez o público mais difícil que se pode ter nestes dias de 2024, adolescentes muito mais interessados no telemóvel ou em troca de gracinhas com o outro/a adolescente ao lado. Uns são de turmas mais novas, dos primeiros anos, outros são do 11.º e 12 .º ano, mais velhos, mas ainda completa e absolutamente adolescentes, estado em que, tudo indica, hoje se fica muitos anos.

Nestes públicos a grande diferença vem dos locais e das escolas, e é a óbvia diferença social. Não é a mesma coisa falar numa escola da Moita ou num colégio católico de Lisboa, basta olhar ou fazer uma pergunta qualquer. A que costumo fazer é quem leu a Alice no País das Maravilhas. Nos subúrbios de Lisboa, a norte ou a sul do Tejo, um ou dois ou leram ou sabem o que é, num colégio “fino”, dez ou 12. Estamos a falar de assistências entre 80 e 300 alunos, mas a percentagem de respostas não tem a ver com o número de presentes, mas com as condições sociais e já testei esta questão a milhares. Pode não ser a melhor pergunta, mas resulta. A pergunta é, aliás, desnecessária, porque basta olhar para as salas cheias e ver a sua composição, roupa, postura e compostura, fala ou silêncio, maneira de sentar, os que estão à frente e os que querem ir para trás e o estado geral de sonolência ou de interesse à partida.

Assine já

Salvo raras excepções, os alunos estão lá por obrigação, não têm outro remédio senão ir como se fossem para uma aula. As escolas estão cheias de desenhos, instalações, frases, cartazes sobre o 25 de Abril e percebe-se o esforço dos professores para dar sentido a uma data em que muitos deles ainda não eram nascidos, mas apanharam o “vento” da revolução nos seus primeiros anos. Os alunos nem “vento” nem brisa, para eles cabe bem a frase “o passado é um país estrangeiro”. A minha função é completar a frase de L. P. Hartley, explicando-lhes que “lá as coisas faziam-se de forma diferente”.

O “lá” é o 24 de Abril de 1974 e não o 25, porque falar da força e valor da liberdade a quem sempre a teve não é fácil. Para eles, a liberdade é como o ar que se respira e, como não têm falta de ar, não dão por ela.

Uso então um artifício, mais ou menos cénico, mas tão verdadeiro que se percebe pelo silêncio que resulta. Peço um voluntário “para ser torturado” e, passado o espanto inicial e ultrapassada a diferença entre estar com gracinhas e levantar-se e dizer “vou eu”, lá aparece um mais afoito empurrado pelos colegas do lado, aquele a que a riqueza vocabular do português, em risco nos dias de hoje, chama “reguila”.

Coloco-o ao meu lado e mando-o encostar os pés, como se fosse uma “estátua”, o nome técnico da tortura a que o vou sujeitar. Explico-lhe que à frente tem uma secretária e um inspector que o interroga e atrás dois agentes da PIDE um de cada lado. Nem sempre era esta a configuração, mas não se afasta do essencial. As faces à minha frente perguntam em silêncio, mas como é que isso é tortura? E eu respondo: “Aqui o Rafael (o meu último torturado de há dois dias) vai ficar assim uma hora, duas horas, seis, um dia, dois dias, quatro dias, até ‘falar’ ou a PIDE desistir.”

Não é preciso explicar muito mais, nem ir aos detalhes, nem falar de grandes espancamentos, eles percebem muito bem o que acontece, nem querem saber se o homem ou a mulher estava algemado. Percebem também muito bem o que faziam os agentes atrás, sabem que eles se revezam e que o preso que estava ao lado seria espancado se se tentasse sentar. Sabem também que esses “pides” vão voltar para suas casas, comer a comida que as mulheres lhes fizeram, brincar com os filhos, ver o jogo na televisão e, se regressarem ao serviço na manhã seguinte, podem perguntar: “Então o tipo já falou ou vou ter que ir lá para cima pô-lo na ordem?…”

Não é preciso dizer mais nada, o 24 de Abril está explicado e o 25 de Abril também.

Quando mando voltar ao seu lugar, o Rafael (o meu último torturado) e todos os outros param de ser “reguilas”, há uma certa gravidade que se instala e tenho a presunção de que o grau de adolescência natural diminui para incluir um maior respeito pela coragem, uma maior atenção à liberdade, um repúdio pela violência da ditadura, um asco ao inspector e aos agentes na sala que só faz bem ter. Ontem e hoje.

O autor é colunista do PÚBLICO