Ouçam o Luís, pela vossa saúde

(Tiago Franco, in Facebook, 20/05/2026, Revisão da Estátua)

Montenegro apela aos jovens para não “esbanjarem” o seu potencial fora de Portugal e elogia a competividade de Monção… 🙂 (Ver aqui).

O país está melhor, os portugueses é que estão pior… 🙂


Estudem, metam esses cérebros a produzir, arrebanhem aqueles 1000 euros por inteiro e rezem aos santinhos por uma carinha que vos permita casar e arranjar alguém para dividir a despesa do T1 antes dos 35.

Paguem impostos até rebentar enquanto vão assistindo à destruição do SNS e da escola pública. Passem o dia parados nas filas de acesso aos grandes centros enquanto queimam gasolina ao preço da Alemanha.

Peçam aos vossos país que tomem conta do miúdo ou desembolsem mais umas centenas para a creche. Vão construindo o currículo, sem real progressão de carreira, enquanto semi-analfabetos chegam a deputados da Nação e legislam em teu nome.

Aceitem que o subúrbio é o vosso local de excelência porque o centro urbano está direcionado para turistas e investidores estrangeiros. Esqueçam os transportes públicos e assumam o carro, tributado duas vezes, como hipótese única.

Orem por genes bons que vos protegem das filas de espera por um médico e compreendam que a classe média, que vos dizem ser aceitável ao fim de 40 anos na UE, é aquilo a que o resto da Europa chama pobreza.

Sim, juventude. Não esbanjem o vosso talento para lá de Monção. Ainda se arriscam a ter uma vida como a do Luís, sem precisarem de avenças, e isso seria uma chatice.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

A “denúncia” é uma Palavra Fascista

(Raquel Varela, in Blog raquelcardeiravarela.wordpress.com, 13/09/2025)


Uma vez, como aluna, na Faculdade, contra um professor que nos olhava de forma excessiva, estou a ser bondosa, combinámos, um grupo de amigas, ir entregar o trabalho, em fila indiana, com o maior decote que tínhamos no armário. O assunto morreu ali, debaixo de intensos suores do nosso professor, risos contidos da turma, e desbragados cá fora. O tipo era um insuportável pós-moderno, que, se fosse acusado de assédio, eu estaria na linha da frente a defendê-lo. Não pode valer tudo. O nosso professor compreendeu que admirar é bom, há um limite vermelho que incomoda. A vida seguiu.

Vivemos tempos de vigiar e punir, desde o Metoo, e do wookismo, que começou, para quem tem boa memória, não na esquerda, que lhe foi dando cobro, mas no Observador e neocons, um projecto de extrema direita, cuja director agora apresenta livros contra o wookismo, ao lado de neofascistas.

Num país onde há milhares de casos de assédio contra trabalhadores, torturados colocados em gaiolas de vidro à frente de colegas, deixados abandonados num edifício sem função alguma, ameaçados de despedimento, processo disciplinares aos milhares – e isto como método de gestão corrente de sub chefias e chefias-, muitos deles provados em tribunal, os únicos casos médiáticos são os de alegado, não provado, assédio que denunciam professores e artistas, e por norma de esquerda. Uma guerra contra a cultura e a Universidade, um ambiente totalitário de extrema direita, que infantiliza alunos e mulheres, como se fossem crianças. E faz dos jornais, onde assédio de editores contra jornalistas já foi amplamente revelado, folhas de mal dizer e campanhas negras – a verdade que se lixe, à segunda “noticiam” o assédio sem provas, há terça combatem a “desinformação”.

Cresci como aluna com vários casos – vários -de alunas que casaram com professores, eles e elas eram adultas, muitos deles figuras públicas, casamentos felizes, alguns com filhos. Quando estava na Universidade eu era aluna, não era cliente, nunca assinei folhas anónimas de “avaliação” de professores. Também havia gestão democrática e nós, alunos, participávamos dos órgãos de gestão onde assuntos delicados foram resolvidos, com debate democrático, sem queimar vivos os colegas. Não há nenhum combate, como alegam com estas campanhas ao corporativismo, pelo contrário, estes denúncias são o super poder que os directores e gestores querem, à frente das escolas e Universidades, sobretudo agora que a carreira se faz de pontos nos lugares de gestão. Nunca ninguém chegava a director por outra carreira que não fosse cientifica, hoje chega-se lá pelos lugares de gestão, cada vez mais, e esses lugares querem o poder de ter na mão, como os padres tinham na aldeia, na confissão, a caixa de denúncias.

Os meus melhores colegas estão a deixar de conviver com alunos, recebem-nos na cantina, não se aproximam, não olham, nem admirando a beleza, ou de forma exagerada. O ambiente de medo tomou conta das Universidades, e das instituições de cultura, com as guerras pelo poder a usarem o ressentimento de alunos e colegas para fazer valer tudo. Tal como na Inquisição importa semear a desconfiança. E assim mandar mais e melhor.

Conheci de perto um único caso de assédio sexual, e ela perdia o emprego se denunciasse o gestor. Vivia aterrorizada. Foi há 30 anos, podia até ser crime público, não era, que ela, sem dinheiro, não o ia denunciar – porque seria despedida e pagava as contas dela e da mãe doente com esse emprego. Teria que haver uma greve democrática, com assembleia, de todos os trabalhadores por ela, nada mais a podia salvar.

A palavra “denúncia” dá-me náuseas, não suporto bufos e participantes de pelourinhos, fazedores de minis processos de Moscovo, ontem para salvar o Partido, a Nação, as mulheres, Israel (sim, nos EUA a denúncia é o centro da luta contra quem luta contra o genocídio). E claro estes salvadores são o exemplo da decência de uma vida sem olhares, sem decotes, sem gente real, só bons e maus. A mulher olhada é uma vítima, com gordas de jornais. A violada à noite a sair do turno, com horários que não pode recusar, em direcção a uma bairro periférico, expulsa pela especulação imobiliária, essa mulher nem existe, embora seja a maioria dos casos de violação, um dos mais hediondos crimes, em Portugal. Essas mulheres só vêm no Correio da Manhã, em nota de rodapé.

A denúncia é uma palavra fascista. As ditaduras adoram-na. As palavras de luta são assembleia, gestão democrática, e greve. E socialismo, entre iguais, livres.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Uma certa pedofilia eleitoral

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 02/09/2024)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Este governo pendurado por arames luta como pode para se manter de pé. É o seu papel e está no seu direito. Sendo o seu papel, podia recorrer a truques novos. Mas não. Utiliza velhas taras. E o extraordinário é que, de tão entontecida, a sociedade ziguezagueie e tome estes truques de velhos engatatões decadentes como propostas de negócio sério.

Quando um governo anda aos Z o mais certo é andar ao engate de jovens. A pedofilia deste tipo de governos tem história. Assim de repente lembro-me dos jovens agricultores, que foram engatados com os jipes a que foi dado o cognome de IFADAP, dos jovens empresários de elevado potencial, os JEEP, o Crédito Jovem, a Habitação Jovem, e agora chegámos ao IRS jovem! IRS, segundo a definição do Ministério das Finanças, é uma sigla que significa Imposto Sobre os Rendimentos das Pessoas Singulares. Para este governo a Pessoa Singular com plenos direitos e deveres só existe depois dos 36 anos. Jesus Cristo que morreu aos 32 por esta ordem de Montenegro e do seu ensimesmado ministro das Finanças estaria ao abrigo do IRS jovem.

Segundo percebi, e sou um especialista em impostos, como a maioria dos portugueses que não têm um conselheiro gabarito do doutor Ventura, o atual governo pretende engatar jovens até aos 36 anos com uma tabela de favor sobre os seus rendimentos e apresenta esta oferta com o sorriso de chico esperto à esquina de uma rua de trottoir que o doutor Montenegro exibe a imitar algumas capas da Bomba H, ou do Cara Alegre, revistas do grande Vilhena.

Os 36 anos são um dado sem qualquer base. 36 anos porquê? No tempo da tração animal a definição da idade dos animais a engatar era feita pela observação dos dentes, presumindo-se que os mais novos eram mais aptos para o trabalho. À falta de uma tabela de IRS construída tendo por base a curvatura da dentadura e o número de dentes, a nova justificação para marca definidora de benefícios fiscais é a de que até aos 36 anos a nova geração de portugueses precisa de carinho.

A lógica da proposta do IRS jovem do governo conduz a conclusões como as seguintes: um comandante de linha aérea, que aufere mais de 10 mil euros mensais, ou um cirurgião que opera entre publico e privado, um CEO de uma multinacional, um futebolista ou atleta profissional, um consultor financeiro de um banco de investimentos, desde que tenham menos de 36 anos têm direito a uma tabela bonificada em igualdade de condições com um mestre de uma pequena embarcação de pesca, um camionista de TIR, um capitão piloto de um helicóptero, um professor, um operador de grua, um faroleiro, um pasteleiro.

A título de exemplo, Bill Gates fundou a Microsoft com 19 anos, pelo que, segundo a proposta de Montenegro, teria direito a dezassete anos de IRS jovem para poder iniciar a sua vida!

Como para este governo, os 36 anos são a idade da razão, seria então lógico que a maioridade fosse aos 36 anos. Também a idade do primeiro voto. Da saída de casa. Da responsabilidade civil por acidentes. A idade de tirar a carta de condução, de poder beber álcool, de responder por crimes. A idade em que os pais diriam: então filho estás um homem, ou, filha estás uma mulher. Toma lá as chaves de casa!

O mais extraordinário nesta extraordinária proposta é que a sociedade não se desmonta a rir e pelas TVs passam enxames de louva-a-deus a discutir o mérito desta nova burla de engate. Também tenho apreciado a aparvalhada aceitação dos meninos e das meninas de 36 anos que frequentam as universidades jovens dos partidos. Muito concordantes.

O próximo passo, será, presumo, o de instaurar o IRS jovem para os frequentadores dos lares, para aquisição de cadeiras de rodas, andarilhos e algálias, objetos típicos da juventude.