A tentação fascista das elites europeias

(José Goulão, in AbrilAbril, 30/01/2024)

Os mecanismos que regulam e garantem a gestão política pelas elites ao serviço das oligarquias afinam-se, tornam-se mais manipuladores e autoritários em tempos de crise da ordem internacional dominante.


O comportamento dos governos dos países europeus, entre eles a esmagadora maioria dos que se extinguiram no interior da NATO e da União Europeia, em relação à guerra na Ucrânia e ao extermínio da população palestiniana, em prática há mais de 76 anos pela entidade que materializou o sionismo – Israel –, obriga-nos a reflectir seriamente sobre a relação entre a Europa e o fascismo. Para ser mais correcto: sobre a incorrigível tentação fascista dos Estados europeus, como se o Terceiro Reich e a Segunda Guerra Mundial tivessem ficado definitivamente para trás depois de supostamente aprendidas todas as lições que nos deixaram.

Se observarmos com objectividade, dispensando as teorias manipuladoras e belicistas brotando do tentacular aparelho de comunicação/propaganda e dos historiadores regimentais que fazem da mentira instrumento científico, concluiremos, porém, que esta tentação não é surpreendente. Quando muito, manifesta-se de uma forma mais aberta e descarada do que seria de esperar nesta fase em que se realizam esforços intensos para combater o cepticismo crescente nos povos ocidentais quanto à democracia liberal como mãe de todas as felicidades, de todas as justiças; uma espécie de antecâmara do fim da história e desse prometido paraíso na Terra que seria a instauração do globalismo planetário.

Encontramos assim, pela ordem natural das coisas, uma interligação carnal entre a democracia liberal, a ordem internacional baseada em regras através da qual o imperialismo soterrou o direito internacional, e o sistema económico-financeiro do neoliberalismo, que sem qualquer hesitação poderemos qualificar como fascismo económico.

No Ocidente, um conceito geoestratégico transcontinental que se define a si próprio como «o mundo civilizado», o fascismo económico comanda a gestão política, que tenta manter-se nos parâmetros daquilo a que chamam a «democracia liberal» para que a ideia popularmente repudiada de fascismo não pareça presente na vida das pessoas.

Nenhum dirigente que integre as elites políticas europeias admite que se fale do nazifascismo que governa a Ucrânia e tolera que se compare o comportamento sionista em relação aos palestinianos, e mesmo aos judeus que não cabem no círculo de raça semítica «pura», às práticas nazis.

O envolvimento directo, desde 2014, da NATO e da União Europeia na guerra que o regime racista e de inspiração nazi de Kiev trava contra os povos ucranianos, sejam quais forem as suas origens étnicas uma vez as hordas banderistas no governo e nas forças armadas não poupam sequer as vidas dos ucranianos «puros», significa que o atlantismo e o europeísmo federalista tornam a democracia liberal cúmplice e aliada do fascismo.

O esvaziamento dos arsenais europeus de armas e o empobrecimento das populações como consequência das sanções e do esforço de guerra para sustentar Zelensky e os psicopatas que dele se servem – de forma a criar uma imensa plataforma de agressão aos povos da Federação Russa – significam que a democracia liberal está perante uma incómoda encruzilhada: a componente «democrática» começa a ser posta em causa pelas populações, apesar das operações de lavagem ao cérebro cientificamente praticadas pelo universo mediático corporativo; e a pressão das circunstâncias, isto é, a agonia da ordem internacional baseada em regras perante a afirmação cada vez mais sustentada do conceito de uma nova ordem recuperando a vigência do direito internacional, força-a a desvendar as suas tentações fascistas na medida em que os mecanismos tradicionais de liberalidade são inexoravelmente substituídos por um autoritarismo cada vez mais evidente.

Regresso às origens

A democracia liberal está a fazer, desta maneira, o caminho de regresso às origens. De um ponto de vista simplista, mas que respeita o rigor histórico, pode dizer-se que a estruturação da democracia liberal através das últimas cinco décadas nasceu na sequência do golpe fascista dos Chicago Boys no Chile, através do general Pinochet, que representou simultaneamente a vitória do neoliberalismo, o laissez faire, a anarquia capitalista sobre as tendências keynesianas, no quadro das relações de forças no interior do sistema imperialista. Provou-se que o capitalismo com «face social» é uma contradição aberrante. O capitalismo e o neoliberalismo são uma e a mesma coisa, indissociáveis. Também ele regressou às origens.

O fascismo, com a sua indispensável componente militarista, é o regime de sonho da selvajaria capitalista, o neoliberalismo, como demonstrou o regime terrorista do Chile engendrado e montado em Washington. A democracia liberal, sucedendo à «democracia ocidental», esta como cobertura do capitalismo keynesiano, é a fachada política do fascismo económico, como logo explicou Margaret Thatcher, admiradora confessa de Pinochet, num prólogo à avalanche neoliberal que marcou as telúricas transformações mundiais nos anos oitenta e noventa do século passado; e que pode personificar-se nas figuras de Ronald Reagan, Mikhail Gorbatchov e do golpista político polaco Woytila, mais conhecido pelo heterónimo de papa João Paulo II, além da já citada primeira-ministra britânica.

As oligarquias financeiras e económicas, de âmbito cada vez mais global, tendem a recorrer ao fascismo quando se sentem ameaçadas ou dão largas às pulsões gananciosas que arrasam direitos sociais, políticos e humanos para garantir lucros sem limites. Nessas condições, sendo a política ocidental uma alavanca do poder oligárquico, a democracia liberal cede gradualmente ao fascismo, ainda que sem admiti-lo.

As forças políticas fascistas avançam em todas as nações europeias, não só na Ucrânia, nos Estados bálticos, na República Checa, na Polónia, na Bulgária, Roménia, Moldávia, Hungria, Espanha, Portugal, França, Alemanha, Reino Unido, Áustria, Finlândia. Na Itália, nos Países Baixos e na Suécia ascenderam ao poder por via eleitoral, tal como Hitler na Alemanha: o nazifascismo, como se prova, não se impõe somente através de golpes militares. No entanto, nenhuma dessas organizações ou partidos, nenhum dos seus dirigentes admitem ser fascistas, são sempre qualquer coisa «democrata», «direita conservadora», «direita liberal» e outras. Como os neoconservadores norte-americanos, pais fundadores do fascismo aplicado às circunstâncias actuais, jamais admitiriam ser o que são: fascistas.

Os membros desta constelação transnacional declaram-se perfeitamente integrados no «quadro democrático», beneficiando da complacência dos órgãos de fiscalização das Constituições, mesmo que estas sejam explicitamente antifascistas, como acontece em Itália e em Portugal. Beneficiam dos favores do polvo mediático corporativo, que começa por expô-los como fenómenos «curiosos» e rapidamente evoluem para o tratamento sério e politicamente motivado, instilando nas populações indefesas, vítimas da asfixia do pluralismo informativo e de opinião, a ideia de que organizações desse tipo são peças legítimas do «jogo democrático» e estão aptas a governar. A palavra «fascismo», porém, está sempre ausente, e se alguém a denuncia, como ocorre a propósito da Ucrânia, é trucidado na comunicação social; por outro lado, quando alguém se confessa fascista, como aconteceu recentemente em momento de empolgante sinceridade durante o congresso da maior entidade salazarista portuguesa, o episódio é considerado «uma brincadeira».

A democracia liberal, conceito e prática essenciais na formatação da «civilização ocidental» como única admitida no espaço global, e cuja imposição é frequentemente exportada em forma de guerra, é ao mesmo tempo uma perversão da democracia e um caminho para o fascismo.

Numa democracia liberal quem decide o funcionamento da sociedade é uma elite burocrática, de formação tecnocrática e desumanizada, fiel aos poderes oligárquicos sem fronteiras, servida por um aparelho de comunicação/propaganda que recorre frequentemente a métodos de terrorismo mental para censurar a divergência política e a exposição de outras realidades. Ao banir, de facto, a liberdade de opinião e o pluralismo na informação, a democracia liberal pisa já os terrenos do fascismo.

Democracia, numa definição simples, é o sistema em que a vontade do povo livremente expressa se reflecte depois no funcionamento dos órgãos de poder. Estes têm a obrigação democrática de governar com o povo e não de governar contra o povo. Para identificar a democracia basta uma palavra, um substantivo. A experiência diz-nos que adjectivá-lo não é um bom augúrio. Se a casta política que sequestrou o poder e faz dele o que muito bem entende – desde que respeite as oligarquias económico-financeiras – necessitou de acrescentar «liberal» à democracia, como anteriormente recorreu ao adjectivo «ocidental», é porque, querendo afirmá-la como única, civilizada e distinta de outras formas de poder, adoptou um modelo – e principalmente um funcionamento – que acaba por falsificar o conceito autêntico de democracia. Como sabemos muito bem, pela experiência de todos os dias, a democracia liberal não ecoa a voz do povo, contraria-a, no fundo falta ao respeito ao povo submetendo-o a uma situação de maioria inerte, desprezada e humilhada.

A falsificação eleitoral

Quanto ao pluralismo político, é uma farsa. Os governos e outros órgãos de poder emergem apenas do círculo das classes políticas, cuidadosamente expurgadas de presenças daninhas, repartidas em rótulos partidários que, por muito diferenciados que sejam em matérias programáticas, que não cumprem, convergem ao serviço do essencial – o fascismo económico, o neoliberalismo. Quando os interesses oligárquicos, de vocação global mas tutelando, de facto, uma minoria planetária de 15% que corresponde ao conceito geoestratégico de Ocidente, se sentem ameaçados, a democracia liberal aceita reciclar-se em fascismo, num ápice ou gradualmente, conforme as circunstâncias e as urgências.

Na democracia liberal o povo tem liberdade de voto, sem dúvida. Mas o seu voto pouco ou nada influencia a governação; os eleitores são induzidos a escolher apenas entre os rótulos da classe política, os partidos com «vocação para governar», isto é, neoliberais, adoradores e serviçais da ditadura do mercado.

Como se constitui um rebanho eleitoral? O aparelho mediático é a ferramenta mais poderosa, rejeitando, silenciando, deturpando e caluniando as organizações e dirigentes dissonantes, adversários do capitalismo, sobretudo do neoliberalismo, em primeiro lugar reduzindo a pó as leis eleitorais que estabelecem tratamentos igualitários dos candidatos e a salvaguarda do pluralismo real.

As campanhas eleitorais são vazias de conteúdos políticos, dominadas por fait-divers transformados em acontecimentos magnos, isentas de ética, explorando as reacções mais primárias dos eleitores através da mentira, de calúnias lançadas sobre os verdadeiros adversários e da demagogia. A política transforma-se num espectáculo tacanho propício à alienação e que, de facto, impede a reflexão e o esclarecimento.

Regra geral, o formato escolhido para os debates, estruturados como combates de boxe (como caricaturas dos combates de boxe autênticos, que têm ética) são espaços de exibicionismo, narcisismo e fraude, incitando os eleitores a escolher em função de temas acessórios ou mesmo já previamente contaminados por preconceitos impondo decisões mais ou menos inevitáveis. Mesmo assim, como no caso de Portugal, existem os debates da primeira divisão, que preenchem todo o universo de acesso televisivo, e os de divisões inferiores, só acessíveis em canais de âmbito restrito. Uma violação óbvia do direito eleitoral. A primeira divisão, como se percebe, está reservada apenas aos dirigentes com «vocação para governar», servidores do neoliberalismo, portanto. Só esporadicamente, quando tem do outro lado da mesa os autênticos candidatos a primeiro-ministro, é que uma organização condenada à segunda divisão é autorizada à televisão aberta e de difusão geral.

Estes mecanismos que regulam e garantem a gestão política pelas elites ao serviço das oligarquias afinam-se, tornam-se mais manipuladores e autoritários em tempos de crise da ordem internacional dominante; muito mais ainda em fases de risco existencial, como a presente. A ordem internacional baseada em regras, isto é, a base «legal» do imperialismo e do colonialismo habituados à impunidade e ao poder inquestionável da força e dos proclamados desígnios históricos e divinos, agora também globalistas, da «nossa» civilização, vive o desespero de estar a ser posta em causa pelo resto esmagadoramente maioritário do mundo. Povos, culturas e civilizações condenados à submissão colonialista e imperialista durante centenas e centenas de anos, estão a perder o medo, aprendem a desafiar tabus e regras inimigas dos seus interesses, salteadoras dos seus bens, e começaram a rebelar-se contra a velha ordem.

A maioria dos Estados mundiais perceberam que podem desenvencilhar-se da submissão e associar-se como iguais dentro de um imenso espaço onde vigora o direito internacional, além de existirem condições para viverem e progredirem conservando a independência, a liberdade de defender os seus bens e interesses, beneficiando ainda de uma cooperação mutuamente vantajosa com os seus pares.

Em desespero, o Ocidente pretende, a todo o custo, impedir esta transcendente mudança recorrendo aos únicos métodos que conhece: o poder da força, a guerra, a tentação fascista e em última análise, se lhe for permitido, o extermínio da humanidade.

Quem pratica genocídios em campos de concentração ou em regiões onde vivem populações indefesas e abandonadas como a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, quem multiplica guerras sem fim para que a sua «ordem» e as suas «regras» arbitrárias e casuais sobrevivam, será capaz da «solução final» extrema, não duvidemos.

O fosso entre os povos ocidentais e as suas elites políticas submissas e corruptas, porém, está a alargar-se. O desequilíbrio de meios entre os dois campos parece intransponível mas ainda é possível inverter o jogo, como a história milenar – onde a «civilização ocidental» é apenas mais um episódio entre tantos – nos ensina.

O presente artigo foi originalmente publicado no sítio da Strategic Culture Foundation.


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5 pensamentos sobre “A tentação fascista das elites europeias

  1. Vai ver se o mar dá choco. Já sei que quem te ilumina o caminho é o quarto pastorinho e aquele que disse que o pais estava melhor mesmo que a vida das pessoas não estivesse.
    Se calhar querias que metessem o homem na cadeia como meteram o Assange.
    Ou que fosse censurado. Não te preocupes que lá chegaremos ou não os ouves ladrar contra a desinformação?
    Quanto ao nosso modo de vida, tem dias. Não acho graça que nos vendam como boas precariedade laboral e destruição dos serviços públicos.
    Não gostei nada que me tivessem praticamente obrigado a meter no bucho porcaria experimental nem que queiram combater a inflação deixando nos sem dinheiro para comprar nada.
    O farol que te ilumina é o do quarto pastorinho, proveito te faça.
    Um sistema não tem de ser perfeito mas este tem muitas imperfeições e cada vez tem mais.
    E sim a, aposta no fascismo para calar as vozes de quem não acha graça a tanta imperfeição existe e não é de hoje.
    Por isso passamos o que passamos até 1974. Mas como não aprendemos nada, 50 anos depois vamos voltar a levar fascistas ao poder depois de termos levado uma brasileirada judicial.
    Se achas isto normal proveito te faça.

  2. Também era melhor que calasse malta como o Goulao como calaram a RT. Ou se calhar querias que o metessem na cadeia como meteram o Assange. Ou assobiassem para o lado enquanto jornalistas morrem nas masmorras dos nazis que andamos a apoiar há dois anos. Se calhar entregar o homem ao Zelensky e que era de valor, não seria?
    Ainda não chegamos a tanto mas não te preocupes que com o tempo chegamos lá. Ou não os ouves ladrar contra a desinformação e o raio que os parta.
    Porque a boa informação é aquela que diz que os russos andavam a combater com pás e a desarmar frigoríficos para construir mísseis.
    Quanto ao nosso modo de vida tem dias. Não gosto de precariedade laboral nem que achem normal esmifrar nos com juros para combate a inflação via retracção do consumo. E não gostei nada que praticamente me tivessem obrigado a meter no bucho uma porcaria experimental. Muito menos que censurassem as vozes dissidentes e colassem tudo a extrema direita. Muito menos que continuem a tentar impingir vacinas e até nos impinjam um alemão que alegadamente deu 217 doses sem lhe acontecer mal nenhum. Que bom para ele. Já sei que deste às doses todas e não te fez mal nenhum. Que bom para ti.
    Também não tenho paciência nenhuma para a nossa tentativa de viver as custas dos outros ou de impor o nosso modo de vida a força.
    Já agora, a brasileirada que nos levou a votos antes da hora também foi coisa a que não achei graça nenhuma.
    Porque sim, isto foi uma brasileirada. Alegaçõe mal explicadas da justiça, um presidente que aproveitou a deixa e muitos amantes do nosso modo de vida que se esqueceram do que passámos entre 2011 e 2015.
    Quem te vai mostrar o caminho é o farol do quarto pastorinho e daquele que afirmou que o país estava melhor ainda que a vida de quem lá vive não estivesse. Pode ser que não gostes.
    E podes agarrar na linguagem yanque e ir ver se o mar dá choco.

  3. No entanto o demónio da democracia liberal permite que gente como o Sr goulao escreva e a ataque. Não sendo um confesso adepto da DL sou no entanto adepto do modo de vida que temos. Perfeito? Não, nem nunca será. Agora estarmos a comparar com o fascismo? Ora sr goulao, ou não viu ou viveu o antes de 74 ou anda distraído. Queria o quê? Que o farol do partido nos iluminasse e nos indicasse o caminho para o reino dos céus? Já ultrapassamos essa barreira há long time ago, felizmente, para utilizar linguagem yanque!

  4. E a pouca vontade de acabarem abatidos como caca grossa como um certo Olof Palme também deve ajudar um bocado a tal falta de espinha. Pelo menos no caso dos dirigentes suecos.
    Mas outros estão muito satisfeitos no papel como os dirigentes alemães que sonham com terminar o trabalho de Hitler contra a Rússia já que contra os judeus é impossível ate porque Israel não hesitaria em lhes desejar 20 baratas quentes nucleares em cima.
    Já Stoltemberg e um digno sucessor de Vidkum Quisling.

  5. “A tentação fascista das elites europeias?”

    Atrevo-me a complementar a fórmula do Goulão com mais um cardume delas:

    — A atracção fascista das elites europeias.

    — A tentação fascista das elites europeias.

    — O inconfessável criptofascismo das elites europeias.

    — O fascínio inconfessado do fascismo para as elites europeias.

    — O criptofascismo envergonhado das elites europeias.

    — O criptofascismo cobarde das elites europeias.

    — O charme discreto do fascismo para as elites europeias.

    E proponho uma equivalência de registo obrigatório em futuros dicionários de sinónimos: “elites europeias” = “criadagem sem espinha nem vergonha”. Q.E.D. e, já agora, P.Q.P. Não preciso “traduzir”, pois não?

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