(Maria Manuela, in Facebook, 26/12/2023)

Caros ucranianos
Após ter concordado em ser o testa de ferro dos ianques na sucessão do presidente por vós eleito e vilmente deposto, aproveitando a vossa desilusão com os políticos da nação mais corrupta da Europa, e usando o dinheiro de uns dos maiores oligarcas da comunicação social, passei de tocador de piano com a pila para candidato presidencial.
Fui lesto e diligente, conforme me foi pela NATO solicitado, em romper com todos os acordos feitos com a Federação Russa para defesa da população do Donbass, assim como em garantir que lhe facultava a maior dose de porrada, descriminação e humilhação possíveis.
Tive também o primor de tornar a adesão à NATO num ponto da constituição ucra, assim como aceitar e dar formação a cidadãos de todas as latitudes que tendo inspiração nazi, quisessem juntar-se aos batalhões nazis ucranianos, agora por mim integrados nas forças militares regulares.
Ora, com tudo isto, e com a tão proclamada invencibilidade da NATO, era absolutamente certo que, assim o Putin se decidisse a dizer BASTA e a tentar defender as populações russófilas enviando tropas para a Ucrânia, eu o venceria numa penada.
Concederia desta forma, aos meus sponsors ianques, a por si tão desejada Crimeia, assim como daria a Bruxelas um motivo para continuar a existir, numa Europa fracassada e ridiculamente dependente.
Durante perto de dois anos consegui arrecadar dinheiro suficiente para construir três Ucrânias, enquanto destruía a maior parte da existente.
O mesmo em relação ao material militar que, pela reposição feita pelos “partners”, já perfaz o necessário para equipar um 4.º exército.
Tudo com a preciosa ajuda das televisões arregimentadas pelo amigo Bidé e fiéis à amiga Ursa, assim como com dezenas de idiotas que, quotidianamente, iam debitando para o público ignaro vitórias onde, de facto, existiam derrotas ou incapacidades.
Mas, como a Realidade é uma peste que não vai lá com omissões e logro, preparo-me agora, enquanto vos desejo festas felizes, para tornar real a promessa do troglodita negro dos ianques de que “lutaremos até ao último ucraniano” e, para tal, já decretei que todos os ucranianos que se refugiaram no estrangeiro, têm obrigatoriamente que vir morrer na guerra.
Em simultâneo, ordenei a arrebanha de todos os ucranianos aqui residentes que tenham duas mãos para empunhar uma canhota, usando os meios mais vis de camuflagem como, por exemplo, ambulâncias que esses mesmos ucranianos pagaram com os seus impostos.
Tudo é válido em nome dos milhares de dólares que possuo e aumento nas minhas contas offshore, de que já ninguém se lembra terem constado nos Pandora Papers, assim como em nome dos mimos da Cartier que ofereço à Zézinha lêndeas.
O futuro será risonho caros ucranianos. Pelo menos o meu.
Viva a Ucrânia.
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