Espremam as notícias nacionais no mês de Agosto e não sai nada

(Pacheco Pereira, in Sábado, 02/09/2018)

JPP

Pacheco Pereira

O mês de Agosto é a habitual “estação-pateta” para as notícias e a comunicação social dedica-se com afã às tolices que duram um dia ou dois. O que é pior é que parece haver continuidade antes e depois, como se os critérios de patetice se tornassem a norma.

Claro que houve duas coisas importantes interligadas em Agosto, mas estão longe de serem de Agosto ou até de serem “notícias”: as alterações climáticas e os fogos, em particular o de Monchique. São aliás, mais do que “notícias”, reflexos de problemas estruturais que estão a vir ao de cima. Mas o fogo de Monchique revelou mudanças significativas no plano táctico, particularmente com a ênfase na defesa a outrance das populações, admito mesmo que com certo exagero. Seja como for, resultou. Há outra mudança que é a acumulação “pesada”, como agora se diz, de meios, mas os resultados ainda não são conclusivos. Porém, por muito “pesados” que fossem os meios, o fogo continuou a arder enquanto teve combustível e meteorologia favorável. E, depois, porque esta acumulação de meios só foi possível porque não houve outros incêndios significativos ao mesmo tempo. Vamos ter um País perigoso em Agosto, mas suspeito que a chuva intensa, filha das mesmas alterações climáticas, vai tornar também o Inverno mais perigoso. O tempo amável e moderado de Portugal é uma coisa do passado.

O partido da estação-pateta é o…
…CDS. É impressionante como o CDS transformou cada fragmento das pseudonotícias de Agosto numa causa política, sempre com a mesma veemência de linguagem, com as mesmas declarações indignadas. Algumas são muito ridículas, como colocar um senhorito como Nuno Melo a andar de comboio, sendo que os dirigentes do CDS precisam de guia para comprar o bilhete, acertar na carruagem, escolher o cais certo para a direcção desejada, e saber abrir as portas quando não são automáticas.

Já é difícil distinguir o que é importante do que é pontual na acção política do CDS, porque ele vai a todas. Serve para marcar presença, mas como as sondagens mostram, não ganham votos.

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O problema com Trump chama-se guerra civil 
O título parece alarmista e é. E há de facto duas frentes para o problema Trump: a externa, com o agravamento dos conflitos internacionais; e a interna. Convém não esquecer que estamos a falar do homem mais poderoso do mundo.

É da interna que vou falar. O problema com Trump está muito para além dos incidentes quotidianos que ele gera como quem respira. Nem tem a ver sequer com os processos múltiplos que estão em curso, dos quais os mais graves começam a anunciar-se nas investigações sobre os dinheiros das suas empresas. Não é por acaso que Trump disse que esta era a linha vermelha nas investigações sobre ele. Também não é a oposição democrática, nem a ameaça pouco provável de impeachment, embora tudo se some para criar o pior cenário.

O pior cenário é que Trump não quer abandonar o poder, nem que seja afastado pelos tribunais, nem pelo Congresso e pelo Senado, nem que perca as eleições. Em todos estes casos, com a veemência e violência necessárias, ele dirá que se trata de uma conspiração dos seus adversários, do deep state, dos votos fraudulentos, seja lá do que for, e apelará àquilo que nos EUA tem sido referido como a sua “base”. A “base” de Trump não é muito grande, mas está mobilizada e ele alimenta-a com mentiras e teorias conspirativas de modo a imunizá-la contra qualquer facto que lhe seja desfavorável. O tribalismo alimentado pelas redes sociais tem aqui uma extensão bem real, a inoculação da realidade é quase total, e seja por ideologia, seja por interesse, ou seja por essa coisa bem mais perigosa que é uma certa forma de identidade perversa dos excluídos, a “base” tornou-se uma massa de manobra de um autocrata populista, perigosamente desarranjado, e com mente de mafioso. E já é violento e será ainda mais violento num país mergulhado numa cultura de armas. Este é o clima de uma guerra civil, com dois campos antagónicos, mas desiguais: um é hard e o outro é soft.

Duas pessoas disseram o que estou a dizer em campos opostos. O antigo director da CIA, Brennan, a quem Trump tirou a autorização de segurança, deu uma entrevista em que disse que o mais grave do que está a ocorrer nos EUA é a “passagem para as ruas” da retórica agressiva de Trump. O outro, foi o inefável Rudy Giuliani que disse, falando de processos judiciais e das revelações do seu ex-advogado, que se alguém tentar depor Trump, o povo americano o impedirá. Está aqui tudo.

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4 pensamentos sobre “Espremam as notícias nacionais no mês de Agosto e não sai nada

  1. Adenda, cinco minutos.

    A pergunta supra era, e é!, totalmente legítima por duas ou três ou quatro razões simplinhas que pretendia elencar brevemente. Presimia eu que seria a mesma pessoa e achava, ainda, que andou a flanar por aqui como escriba residente (com outro nome, porém, originário das Ilhas Britânicas ao que me lembro) e quw posts como estes deveriam ser lidos à luz das suas acções.

    E era isto que queria fazer, de facto. mas o recurso a uma busca online, suplementar, fez-me desistir do intento (costuma dizer-se que a realidade ultrapassa sempre a ficção… ligeiramente adaptado, é este o caso). Ainda assim, sem esquecer as frases do post sobre a necessidade de ocupação da via pública à luz do que aconteceu em Alcochete e em Alvalade, ou, ainda, da inusitada e extensa referência ao MRPP e ao Garcia Pereira (uma bicada familiar pois presumo que a sua filha é uma das figuras da Comissão Disciplinar do Sporting Clube de Portugal?, surpreendei-me esta frase: «Essa Direita falou pela última vez com Sá Carneiro, Barrilaro Ruas (?!) e Gonçalo Ribeiro Telles (?)», é mesmo o ido Henrique Barrilaro Ruas, da oposicionista Comissão Eleitoral Monárquica, que concorreu às eleições de eleições de 1969? Do PPM, …?

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  2. O ‘pensionista’ do “cm” via “sábado” quando lhe falta assunto rebusca no arquivo e lá saltam velhos assuntos sob novas roupagense , como opina pra trás e prá frente, pra cima e pra baixo e prós lados e todos os pontos cardeais nunca falham as contradições oraculares.
    Desta vez repescou os incêndios e sobretudo o de Momchique (Rio foi lá e amizade ‘oblige’) e mais uma vez o Trump. Parece que o pensionista quando não tem cão caça com Trump que está sempre à mão e ao olhar nos jornais em inglês que o Pacheco inspira e depois respira na “sábado”, no “expresso”, no “público” ou onde quer que oracule.
    Com Trump Pacheco é mesmo Pacheco. Calculem que agora o caso está mesmo à beira de uma “guerra civil”, nem mais nem menos. Porque não decretas antes uma guerra com Coreia do Norte ou o Irão ou a Turquia ou a Russia ou a Europa? Porque, certamente, uma guerra lá fora teria mais apoio da Tropa americana do que uma guerra entre eles mesmos. Mas a elite Militar americana para Pacheco não conta e, agora, tudo se decide com a “base” de Trump. A “base”, “ou seja por essa coisa bem mais perigosa que é uma certa forma de identidade perversa dos excluídos”.
    Ora esses tais excluídos serviram para Pacheco, o ‘pensionista’, fazer a apologia de Trump que tivera, explicou, ter a grande inteligência de ir ao encontro das necessidades e dos sentimentos desses excluídos das velhas e obsoletas explorações e produções do Midwest americano.
    Agora, Pacheco vê, esses excluídos que antes vira como alvo da inteligência de Trump, como “coisa bem mais perigosa” e base para uma guerra civil que já vem a caminho.
    Nos tempos arcaicos os oráculos davam pareceres dúbios que precisavam de interpretação do sentido a troco de elevadas prendas e bens, agora, nestes tempos turbomodernos, as pitonisas têm garantida à partida uma “pensão” pré-acordada quer falhem quer não e, por isso, garantida a pensão à peça ou mensal, dão pareceres ao calhar.

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    • roupagense = roupagens
      Momchique = Monchique
      «Desta vez repescou os incêndios e sobretudo o de Momchique (Rio foi lá e amizade ‘oblige’) e mais uma vez o Trump. Parece que o pensionista quando não tem cão caça com Trump que está sempre à mão e ao olhar nos jornais em inglês que o Pacheco inspira e depois respira na “sábado”, no “expresso”, no “público” ou onde quer que oracule.», isto é mais uma bacorice sem vírgulas nem pés nem cabeça.

      Nota. Tentei ler o resto, e desisti. José Neves, copinhos de água fresca.

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