O LIVRO

(José Gabriel, in Facebook, 16/02/2017)

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O livro de Cavaco Silva, além de não ter qualquer garantia de verdade dos seus conteúdos – dado o autor, muito pelo contrário – é um golpe na fiabilidade da própria instituição presidência da República. A própria proclamação de Cavaco segundo a qual este livro é “uma prestação de contas aos portugueses” é – pela incapacidade do autor admitir o risco de subjectividade, considerando o texto completamente “objectivo” – a primeira e mais óbvia prova do pechisbeque político-literário que nos é oferecido. Mas os efeitos situam-se a outro nível. Quem estará disposto, agora, a ser completamente franco nas conversas reservadas com o presidente? Não que uma tal incomunicação – chamemos-lhe assim – impeça mistificações futuras, já que quem escreve este tipo de memórias mente quando e no que quer – sem ter, sequer, no caso presente, o mérito da qualidade literária. Mas, pelo menos, não será fornecido combustível para putativos incendiários políticos. Dir-se-á que Cavaco não tem credibilidade para provocar grandes prejuízos com as suas inconfidências e a parcialidade da sua narrativa. Mas o mal está feito e haverá sempre quem vá espojar-se neste material.


O sistema semi-presidencialista português tem os seus inegáveis méritos. Mas nem ele resistirá a muitos mais Cavacos e respectivas cavacadas.

E se Cavaco Silva quer mesmo prestar contas ao país, todos temos imensas perguntas a fazer-lhe que nada têm a ver com este desleal e sujo exercício de quadrilhice institucional.

A NORMAL ANORMALIDADE!

(Joaquim Vassalo Abreu, 16/02/2017)

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Eu vou escrever, estou a escrever aliás, este texto sem rede, isto é, sem qualquer preparação anterior e apenas porque me deu um impulso. Acreditem ou não, é a pura verdade.

E vem a propósito do caso dos já mais que fedorentos SMS,s do Ministro das Finanças para o anterior e autoexcluído presidente da CGD , e que um emissário chamado Lobo Xavier, distinto fiscalista, famoso advogado e digno zelote do bem e da moral públicos, foi levar ao Presidente.

Eu já diversas vezes no meu BLOG, neste Blog, falei deste tema- da anormalidade tornada coisa normal- e lembrei-me que, há muitas anos atrás, numa empresa onde trabalhei, recebi um telemóvel que era um “upgrade” de um superior, como era normal, e fui confrontado com o facto de ele não se ter dado ao cuidado de limpar as mensagens, SMS.s, que tinha guardadas.

Que é que eu fiz? O NORMAL! Ao ler a primeira palavra da primeira mensagem apaguei-as logo todas! O que qualquer pessoa NORMAL faria! E, como pessoa NORMAL, foi o que fiz. Não me diziam respeito, não me interessavam, não me acrescentavam nada (segredos tenho eu muitos e que guardarei para toda a vida, tal como fui ensinado) e, portanto, nunca me passando pela cabeça alguma vez as utilizar como “arma” fosse para o que fosse, apaguei tudo.

Fiz um exercício de natureza da normalidade, mas que agora, nos tempos que correm, não é nada normal. Isto é, quanto mais soubermos dos outros, supondo serem semelhantes a nós, mais nos defendemos, mais nos protegemos e, assim, mais os podemos atacar. É a nova normalidade, mas que eu continuo a considerar ANORMAL.

Logo às vinte e três vou ouvir a Quadratura do Círculo e constatar a explicação que terá Lobo Xavier para o facto de, substituindo o interessado, António Domingues, ter sido ele, qual emissário, a ter levado a “carta a Garcia”, em vez do próprio, único e dono senhor do seu telemóvel e respectivos SMS,s. Normal? Não, e de todo! Um frete e um desprezível frete. E digo-o antes de o ouvir pois, como sempre se diz, a primeira impressão é a que conta.

Atitude desprezível, não tenho dúvidas mas, pelo que se tem vindo a constatar, do âmbito da nova NORMALIDADE! Mas ANORMAL, repito.

A gente na vida e por força das circunstâncias, tais como o dever de obediência a superiores ou a regras, como o dever de solidariedade em causas comuns, como o dever da integridade ou mesmo como dever da lealdade perante interesses que são de todos (numa empresa, numa família, em qualquer organização e mesmo no Estado), temos a exigência máxima da sobriedade e do sigilo. E do recato também. E, mesmo, às vezes, não globalmente concordando, acatamos e cumprimos o nosso dever.

Mas nada disso desculpa o conúbio, o saber privilegiado e o exercício desse conhecimento pessoal, em prol de algo que, à partida, não lhe diz respeito. Ignóbil é a palavra que me surge.

Como ignóbil, não falando já do desejado aproveitamento da nossa Direita deste lamentável caso, é mais esta tentativa de tornar NORMAL tudo aquilo que, sendo da esfera pessoal, passa a ANORMALIDADE, em todos os sentidos que os queiramos definir, seja do ramo da moral, da ética, do respeito pelo outro, pela sua intimidade, pela sua reserva e pela sua integridade, a fazer parte da NORMALIDADE.

E aqui reside a minha maior tristeza…

O Rangel range e demite toda a gente

(Por Estátua de Sal, 16/02/2017)

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Estive a ver o inenarrável Rangel na Prova dos Nove, da TVI24. O maior trauliteiro do ano, pese a gravata.

Rangel, surge de varapau em riste armado em campeão da verdade e da democracia. O ministro Centeno, mentiu e pronto. Deve demitir-se. O secretário das finanças, Marinho Félix, já há muito que se devia ter demitido. O Galamba disse que o Marcelo errou tanto quanto o Centeno, deve demitir-se. O Costa não se deve demitir, apenas, por enquanto. 

Entretanto o Domingues já se demitiu, uma injustiça, ele que tão bons ofícios iria aportar à coisa pública. O Matos Correia, esse, já se demitiu, vítima de um gravíssimo atentado contra a democracia perpetrado pelos partidos de esquerda.

Ou seja, por vontade da direita o governo, com tanta demissão, qual doente de pernas amputadas, iria a seguir para consumar a chusma de demissões.

Tão democratas que se babam ser e parece que querem chegar a poder a todo o custo, recorrendo a telenovelas de mau gosto, a golpes baixos de intriga, à iniquidade da trafulhice, em vez de discutirem o país, as necessidades dos portugueses e o futuro dos cidadãos.

Estamos cansados, ó Rangel. Queremos discutir coisas sérias. Estamos fartos dos teus uivos. O último deles, que me deu vontade de rir em grandes gargalhadas, é que o Bloco de Esquerda está muito próximo do Trump, esta mais uma pérola do Rangel, porque votou contra o requerimento da direita para levar os SMS do Centeno à Comissão de Inquérito à CGD!

O Trump é aquilo que se sabe. Mas olha que tu, ó Rangel, quando vociferas também levantas muito o dedinho, como se vê na imagem.. E nesse aspecto não ficas a dever nada ao personagem Trump.