Os sancionalistas

(Mariana Mortágua, in JN, 05/07/2016)

mariana_mortagua

Os sancionalistas usam um pin da bandeira portuguesa na lapela. Quando um governante alemão mente em público para atiçar os especuladores contra Portugal, o sancionalista compreende. Quando um eurocrata ataca a maioria parlamentar portuguesa para desviar as atenções da crise do Deutsche Bank, o sancionalista confirma as suas preocupações e diz, como Maria Luís Albuquerque: “Se eu fosse ministra, não havia sanções”.

Quando um responsável eleito pelo povo se insurge contra a ingerência de Bruxelas em opções da democracia portuguesa, o sancionalista franze as sobrancelhas e, como Passos Coelho, condena quem “usa tese do inimigo externo” contra os nossos protetores de Berlim.

Os sancionalistas adoram as palavras “credibilidade” e “compromisso”. Quando um organismo não eleito e sem existência prevista em qualquer tratado, o Eurogrupo, recusa dados oficiais e pretende ditar alterações de orientação económica de um Governo legítimo, o sancionalista explica que Portugal tem um problema de “credibilidade”. Quando um banqueiro do centro da Europa, depois de salvar mais um grande banco europeu, explica que “regras são regras” e “todos temos de cumprir os nossos compromissos”, o sancionalista sorri e recorda o tempo em que escrevia Orçamentos do Estado violando compromissos constitucionais e contratos sociais (e, ainda assim, sem cumprir as metas do défice).

Os sancionalistas dizem que não atiram as culpas para os outros. Mas não aceitam que as sanções da Comissão Europeia às contas portuguesas entre 2013 e 2015 se baseiam nos anos da sua governação. Para sacudir a água do capote, aliam-se à estratégia europeia para denegrir o país e chantagear o atual Governo.

Os sancionalistas falam sempre em nome do interesse nacional. Só não percebem, ou fingem não perceber, que interesse nacional é um país poder escolher o seu Governo e as suas políticas, sem ter que ser sujeito a pressões, ameaças e humilhações. Aceitar a chantagem, participar nela, não é patriotismo, é colaboracionismo. Assim são os nossos sancionalistas. Mas sempre, é claro, de pin com a bandeira portuguesa na lapela.

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4 pensamentos sobre “Os sancionalistas

  1. Ó Mariana, mas os sancionalistas/pafistas, com ou sem bandeira na lapela, tentam governar a vida deles, não olhando a meios, e agora, porque só lhes resta falar, vão evacuando as mais descabeladas teses a fim de poderem contribuir, com os seus correligionários estranjas, para a degradação da imagem do Portugal actual, na esperança de poderem voltar ao poder e melhor preservar o seu (deles, claro) adorado sistema, o CAPITALISMO, esse hediondo modelo económico-social, essa ideologia, essa política que, nos seus aspectos essenciais e prática têm, ao longo dos mais de 4 séculos da sua existência e por todo o planeta, produzido escravidão, repressão, tortura, violência, roubo de terras e recursos naturais, criação e divisão artificial de países, imposição de ditaduras, embargos económicos, destruição dos modos de vida dos povos e das culturais tradicionais, guerras, devastação ambiental, desastres ecológicos, fome e miséria, enfim, em síntese, injustiça, discriminação, desigualdade e exclusão social, etc., revertendo contra si e cada vez mais, toda uma multidão civil que vem desde aquela multidão deportada da África para as Américas, daqueles sacrificados nas trincheiras de uma guerra absurda, daqueles queimados vivos pelo napalm, torturados até a morte nas celas dos cães de guarda do capitalismo, os fuzilados na Espanha, os fuzilados na Argélia, as centenas de milhares de massacrados na Indonésia, os que foram quase erradicados, como os índios das Américas, os que foram sistematicamente assassinados na China para garantir a livre circulação do ópio; de todos aqueles, que, das mãos dos sobreviventes, receberam a chama da revolta do homem a quem a dignidade foi negada; das crianças do designado Terceiro Mundo que, de mãos quase inertes, diariamente morrem aos milhares vítimas da subnutrição; daqueles que, de mãos trémulas, mendigam ao lado da opulência; dos povos que, de mãos descarnadas, estamos condenados a pagar os juros de uma dívida que tem servido apenas para enriquecer as elites dirigentes. MAS QUE UM DIA UNIR-SE-ÃO, TENHAMOS ESPERANÇA!….

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