Bruno Amaral de Carvalho

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 02/04 de 2025, Revisão da Estátua)


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Na vereda sombria na qual entrámos há três anos e que a todos desde a primeira hora aconselhou mil cuidados no recurso a jogos de habilidade que impedissem aos inquisidores, aos denunciantes e aos perseguidores da liberdade alheia mais impunidade, o nome de Bruno Amaral de Carvalho ocupa um merecido lugar de destaque. Terá sido o único português a arrostar todos os perigos e a deslocar-se para o centro do conflito armado e oferecer aos seus concidadãos o contraditório à carapaça de mentiras que desde 2022 passou a ser lei.

Quando há cerca de um ano a sua obra saiu, a maquineta totalitária pôs-se de imediato em movimento. Sofreu a censura, as ameaças, a perseguição, a difamação e até as tão características esperas em que as polícias políticas informais se especializaram para calar de vez as vozes incómodas. Entretanto, o edifício repressor abriu fendas. Parte da opinião pública foi saindo do estado de embrutecimento, procurou outras fontes e rendeu-se ao trabalho de Bruno Amaral de Carvalho.

No momento em que desaparecem dos escaparates das livrarias as biografias encomiásticas de Zelensky e do seu detestável regime, o Guerra a Leste: 8 meses no Donbass, chega à terceira edição e ascende ao merecidíssimo lugar de destaque. Uma grande vitória para a liberdade e um prémio de valor para o homem que quis contar aos portugueses que aquela guerra era, afinal, a guerra de libertação dos russos da Ucrânia.

Cessar-fogo? Sim, mas com as condições da Rússia

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 13/03 de 2025, Revisão da Estátua)


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Sentado à mesa da sala a trabalhar desde as 8 horas, vou seguindo a frenética ciranda de propagandistas, cada um mais macambúzio que os outros, uns de asa caída, outros ainda agarrados à tábua de salvação que anima os fantasistas. Particular nota para o desespero de Ferro Gouveia que vê o seu mundo de Alice desfazer-se e já nem disfarça.

Esta gente estava à espera que o dia terminaria com a submissão de Putin aos caprichos da delegação norte-americana enviada ao Kremlin, consubstanciada numa insólita cessação das hostilidades que era, obviamente, uma armadilha para a Rússia triunfante.

Elegantemente, disseram-lhes que nem pensar e que não haverá qualquer interrupção das hostilidades até que todos se sentem à volta da mesa onde será firmado o tratado reconhecido internacionalmente, pelo qual a Ucrânia será um Estado neutral, cederá pelo menos quatro oblasts e reconhecerá a soberania russa sobre a Crimeia. Além do mais, a Rússia retirará as suas armas nucleares da Bielorrússia e em contrapartida não haverá na Polónia, nos países bálticos, na Finlândia, na Noruega na Suécia quaisquer vetores nucleares.

Talvez, a firmeza russa resida no conhecimento que a administração americana possuirá do iminente colapso militar ucraniano, da incapacidade de os europeus ocidentais poderem dar seguimento à transferência de armas e de os EUA estarem à beira de uma grave crise de reservas em munições.

Os russos sabem-no, esperaram pacientemente e há dias ofereceram um singelo vislumbre do seu potencial ao derrotarem num movimento imparável e vertiginoso a frente norte ucraniana.

 Com o passar das horas, as fotos a que vamos acedendo mostram a extensão do desastre. Cerca de 700 peças – de artilharia, morteiros pesados, carros blindados, viaturas de transporte de infantaria, carros de combate e veículos de engenharia militar – caíram intactas em mãos russas.

Foi uma debandada tão manifesta que tudo se inclina para a possibilidade de dezenas de milhares terem simplesmente abandonado os seus postos, armas, munições e até reservas de combustível e fugido. Entre essas centenas de troféus passeiam-se despreocupados os jornalistas russos.

Uma lição de democracia

(José Manuel Correia Pinto, in Facebook, 01/03 de 2025, Revisão da Estátua)


O que se passou em Washington – o encontro de Zelensky com Trump e Vance, na sexta-feira -, é um exemplo para todo o mundo. Os hipócritas de todo o mundo estão alarmados. Os acordos nas costas do povo, a invocação de valores que nunca cumprem e que somente servem como arma de propaganda têm os dias contados.

Quando se ouve falar esta nomenclatura europeia, covarde e hipócrita, é preciso fazer um grande esforço para admitir que eles não vivem num mundo irreal. Infelizmente, apesar do que já se está a passar e do que aí seguramente virá – uma crise de proporções catastróficas de que a Alemanha é já um bom prenúncio -, eles continuam a ter a aprovação tácita da maioria dos eleitores, que, também eles, acordam sempre tarde quando um cataclismo se aproxima.

Mas voltemos ao que interessa: doravante acabaram as conclusões inferidas a partir de suposições ou de percepções, as manipulações cuidadosamente preparadas. A realidade está à vista de todos. J. D. Vance já tinha advertido em Munique. Os velhos processos, as trafulhices, o desrespeito pela vontade popular estão a chegar ao fim. Outro tempo está a nascer, outro tempo virá.

Hoje, tivemos oportunidade de ver Zelensky a mentir descaradamente sobre o que se passou em 2014 e o que se passou depois, em 2022. E tivemos também a felicidade de assistir ao vivo – imagens que ficarão para a posteridade – ao resultado do que tem sido a política internacional dos democratas americanos, desde o fim da Guerra Fria e às mudanças que lhe estão sendo introduzidas, deixando completamente desarticulada a cabeça dos seus fiéis apoiantes e servidores.

Posso orgulhar-me de dizer que nada disto é novidade. Assisti, como toda a gente, à política perversa de Clinton em relação à Rússia. Ainda o corpo da extinta URSS não tinha arrefecido e já Clinton, com o auxílio das instituições financeiras internacionais dominadas pelos Estados Unidos (FMI, Banco Mundial devidamente acolitados por experts do Departamento de Estado), estava a pôr em prática um plano que, na pior das hipóteses arrumaria a Rússia por 50 anos, e na melhor levaria à sua inevitável desagregação, com base numa estratégia económica magistralmente descrita por J. Stiglitz, vice-presidente do Banco Mundial, economista-chefe de Clinton e Prémio Nobel da Economia, articulada com uma política militar que passava, como passou, por insuflar vida à NATO, então em articulo mortis, mediante um estruturado plano de cerco à Rússia, disfarçado com a vergonhosa artimanha da “Parceria para a Paz”.

Assisti, como toda a gente, à continuação desta estratégia por George Bush (filho), no que respeita ao avanço da NATO para Leste, então levada a cabo num contexto económico diferente, resultante da chegada ao poder de um governante – Vladimir Putin – que, compreendendo muito bem o que se estava a passar no plano económico e militar, começou por restaurar a economia, pondo ao serviço dos interesses da Rússia os oligarcas criados pelo escandaloso saque do património coletivo e apoiados pelos Estados Unidos e pelas instituições de Bretton-Woods, para “facilitar a transição de um regime coletivista para um regime de mercado livre e de iniciativa privada”. O que, em última instância, levou a que a Rússia fosse gradualmente adquirindo a sua autonomia, e passasse a ter poder para no plano militar tentar impor certas “ linhas vermelhas”, acerca das quais, aliás, havia um larguíssimo consenso político-social, atingindo, inclusive, os protagonistas do capitalismo liberal.

 “Linhas vermelhas” que Bush terá tentado desrespeitar (mas o episódio não é claro) na Geórgia por intermédio de Mikheil Saakashvili. Mas sem êxito. Em cinco dias, com a intermediação de Sarkozy, o assunto ficou arrumado: a Rússia não tomou Tiblissi. Bush respeitou as “linhas vermelhas” (Geórgia e Ucrânia), apesar da “revolução laranja”.

Mas depois veio Obama, o tal que iria libertar os sequestrados de Guantánamo e que assistia, em direto, nas caves da Casa Branca, com a Sra Clinton e companhia ao assassinato de “inimigos da América” e que, pior do que tudo isso, tinha como Vice-Presidente Joe Biden. Foi na administração de Obama que se urdiu toda a complexa teia que levou à guerra na Ucrânia. Foi um trabalho moroso, apoiado por rios de dinheiro, desenvolvido ao longo dos anos por Biden e muitos outros agentes no terreno como a diplomata Victoria Nuland que culminou com o golpe da “Praça Maidan” e a destituição do Presidente em funções.

Nos dias que levaram ao golpe valeu tudo, tendo ficado como exemplo emblemático das atrocidades. então e posteriormente cometidas, os tiros dos snipers escondidos nos telhados contra os seus próprios apoiantes para gerar um forte movimento de revolta entre os manifestantes.

O assassinato a sangue frio de dezenas de pessoas que estavam do lado dos revoltosos é uma imagem muito elucidativa, não apenas do tipo de forças que buscavam o poder na Ucrânia, mas também do que a seguir se passou desde 2014 e depois de desencadeada a guerra. Há conversas gravadas entre um ministro dos bálticos e a, à época, Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Catherine Ashton, sobre este assunto, nas quais ele lhe diz que há provas de que os snipers não eram apoiantes do presidente deposto, mas dos revoltosos. E a diplomata faz de conta que não está ouvir a conversa, o telefonema é desligado e retomado no dia seguinte, mas ela muda rapidamente de assunto. 

Trump conhece tudo isto. Sabe também o que se passou durante o mandato de Biden. Conhece as traições de Zelensky que iam levando à perda do seu mandato em 2020. Sabe, como toda a gente informada sobe, o que se passou entre 2014 e Fevereiro de 2022.

Dizer que Putin é o agressor e a Ucrânia a agredida, mesmo sem o recurso a múltiplos exemplos históricos e mesmo fazendo de conta que o mundo começou em 2014, é uma afirmação muito redutora. A guerra teria sido evitável, como foi na Geórgia, como foi em Cuba em 1962, mas houve quem não a quisesse evitar!

A guerra dura há três anos. A ocupação do território da URSS pela Alemanha nazi não durou tanto tempo. A Ucrânia, mesmo tendo perdido uma parte significativa do seu território, não teria resistido tanto tempo, se não tivesse o apoio americano. A União Europeia não teria tido condições, nem tem, para suportar, só ela, o peso da guerra na Ucrânia.

Todavia, a atual estratégia da União Europeia passa por ai. Esperar que Trump seja assassinado, esperar que haja uma reação do Congresso, esperar pelas eleições intercalares de Novembro de 2026 que alterem a correlação de forças no Congresso. O problema é que Zelensky não tem tempo para esperar nem consegue aguentar-se por mais dois anos se apenas contar com o apoio da União Europeia.

Zelensky não pode esperar. Precisa de continuar a ter o apoio militar que tem tido. E esse apoio está ameaçado pelo lado dos Estados Unidos. Mas também não pode resolver nada por si, nem render-se, nem sequer demitir-se, a menos que se demita numa qualquer viagem a um país da UE que de imediato lhe assegure asilo político.

Porque Zelensky está nas mãos dos ultranacionalistas neonazis que não aceitam qualquer rendição. Assim sendo, é muito difícil antever o futuro da Ucrânia. Como difícil é antever o que se vai passar lá dentro. E, esse sim, esse é que será um grande problema para a Europa, tanto para os que apoiam a guerra como para os que a combatem.

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