Donald Trump cai na sua própria armadilha: conseguirá vencer em Cuba?

(Vijay Prashad in Resistir, 24/03/2026)


O infantilismo imperialista.


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Donald Trump gosta de vencer. Deixou isso bem claro no seu livro de 1987, The Art of the Deal, onde escreve sobre como gosta de “pensar em grande” e “vencer em grande”. O que Trump detesta é um “perdedor”, uma palavra que usa frequentemente em The Art of the Deal e que emprega nas suas conversas para caracterizar as pessoas de quem não gosta. Nos últimos anos, vencer eleições significou tudo para Trump (a sua derrota frente a Joe Biden em 2020 abalou-o tanto que se recusou a aceitar o resultado). Mas este ano, Trump concentrou a sua atenção em alcançar a vitória em algo que prometeu evitar: guerras.

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Combatendo o Sistema Epstein

(A l e x a n d r e D u g i n, in Multipolar Press, 21/03/2026, Trad. Estátua)

Alexander Dugin discute a necessidade da integração multipolar para combater a tirania tecnocrática ocidental.


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Se o novo capitalismo, segundo Kees van der Pijl, consiste em inteligência + mass media + TI, então o contra-capitalismo e a contra-hegemonia devem ser algo simétrico: a integração de um novo nível de inteligência com os mass media e o setor de TI. O termo chave aqui é “integração”. Quando esses três componentes são isolados, eles são limitados por esse mesmo isolamento. O novo capitalismo exige não apenas a sua adição, mas a sua multiplicação. É por isso que a CIA/FBI de hoje, os mass media  americanos modernos e as startups contemporâneas do Vale do Silício (Palantir, Musk, e a “República Tecnológica” de Karp) estão fortemente integradas umas nas outras. As redes de Epstein eram, na verdade, um dos módulos dessa integração.

Isso não se limita aos Estados Unidos. Inclui também a Mossad e os Cinco Olhos. Trata-se da unificação dos serviços de inteligência de toda a civilização ocidental.

O mesmo se aplica aos meios de comunicação de massa. Eles estão fortemente integrados em todo o Ocidente e muitas vezes partilham os mesmos proprietários.

O setor de TI também. Embora existam, sem dúvida, certas fronteiras entre a Europa, a América e Israel, em algum nível todos eles trocam algoritmos tecnológicos.

Que conclusões se podem concluir de tudo isso? O capitalismo russo atual é imitativo, atrasado e fraco. Tudo o que há de bom nele não provém da imitação do capitalismo, mas da soberania e do talento do povo. O resto apenas restringe o nosso crescimento. Mesmo que desejássemos seguir o Ocidente, precisaríamos, em todo caso, de desenvolver um projeto de longo prazo para integrar essas três esferas: comunidades de inteligência, mídia e TI. Deve-se dar atenção especial às parcerias com outros Estados multipolares e com as suas respetivas tríades. Algo desse tipo certamente existe na China e funciona com bastante sucesso. Deve haver algo semelhante também no Irão e no Paquistão. Noutros centros do mundo multipolar, isso precisa de ser investigado. É improvável que algo significativo exista lá, mas deveria existir. O BRICS é precisamente a zona onde se pressupõem estratégias de integração em domínios-chave. E o que poderia ser mais significativo do que esses três domínios?

Se quisermos derrotar a hegemonia — e estamos em guerra com ela — precisamos entender como ela está estruturada hoje. A divulgação dos arquivos de Epstein faz mais do que revelar o caráter criminoso e extremamente perverso das elites dominantes do Ocidente contemporâneo, cuja natureza verdadeiramente satânica confirma até mesmo as hipóteses mais ousadas e perturbadoras dos teóricos da conspiração; ela também expõe certos mecanismos pelos quais diferentes esferas-chave das sociedades ocidentais estão fundidas numa única rede. Não é coincidência que os serviços de inteligência, a mídia e os magnatas das tecnologias de informação desempenhem um papel central nesse contexto. Uma figura-chave é o criador da Palantir, Peter Thiel, que atualmente realiza uma tourné mundial de palestras sobre o Anticristo e o (tecno-)Katechon, e que, de muitas maneiras, facilitou a chegada à Casa Branca de outro frequentador assíduo dos encontros de Epstein, Donald Trump.

Estamos a lidar com um novo capitalismo. É claro que finanças, recursos e mercados ainda existem dentro dele. Mas a ênfase já se deslocou para a virtualidade — controle, informação, a criação de mundos artificiais e a transição para a tecnosfera: IA, bots, robots, drones e a substituição do ser humano pelo pós-humano.

Devemos levar em conta essa profunda mutação do capitalismo e formular-lhe uma resposta eficaz. Fingir ignorância não basta. É inútil opor-se à nova etapa simplesmente repetindo os mesmos passos da anterior. O vetor de movimento deve mudar, sem deixar de lado a compreensão clara de onde nos encontramos agora. A contra-hegemonia deve ser vanguardista. A integração de serviços de inteligência soberanos, mídia soberana e um setor de TI soberano é uma medida que se apresenta como necessária.

Fonte aqui.


O grande circo geopolítico ou Trump e a arte da destruição criativa

(Luís Rocha, in Facebook, 20/03/2026, Revisão da Estátua)


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O ano de 2026 que, saudades, não nos vai deixar.

Um ano em que a geopolítica se tornou, finalmente, o espetáculo de revista de um império que sempre prometeu ser. E no centro do palco, com a sua cabeleira dourada e o seu ego Big Mack, quem mais senão o nosso querido Donald J. Trump. O homem que, com a subtileza de um javali numa loja da Vista Alegre, decidiu redefinir as relações internacionais como quem joga bingo. A diplomacia, é uma chatice. Os tratados, guardanapos de papel usados. A ONU, de certeza um clube literário para desocupados. O que importa é a força bruta, o grito mais alto e, claro, a vitória, mesmo que seja uma vitória pírrica sobre a decência.

Assistimos, com um misto de horror e fascínio mórbido, à sua cruzada contra o Irão. Uma nação que, por mais teocrática e repressiva que seja, ousou não se curvar. O que para Trump é um insulto pessoal, uma afronta ao seu estatuto de “melhor negociador de todos os tempos”. Os ataques coordenados, a retórica estridente, tudo aponta para um desmembramento que, se concretizado, abrirá as portas do inferno.

No entanto o Irão, na sua milenar sabedoria persa, parece conter em si a teimosia de uma mula e a resiliência de um camelo. E, ironicamente, essa teimosia pode ser a nossa última esperança contra a barbárie que se avizinha. Sim, a barbárie que usa gravatas até aos joelhos e tem acesso a códigos nucleares.

Depois de Teerão, quem se segue na lista de “maus” a serem disciplinados, será Cuba, claro. A ilha que, apesar de todos os embargos e sanções, insiste em não se tornar um resort de golfe. Trump, com a sua visão estratégica de jogador com dados viciados, já prometeu “fazer algo muito em breve” com Cuba. Talvez a transforme no 51º estado, ou a venda ao México para pagar o muro que nunca irá construir. As opções são infinitas quando se tem a imaginação de um megalómano e o poder de uma superpotência.

Venezuela, México, Canadá, até a Gronelândia, todos estão na mira do homem que não aceita um “não” como resposta à sua insanidade.

E a Espanha, que ousou criticar Israel e denunciar um genocídio? Essa pagará caro a sua insolência. A vingança, para Trump, é um prato que se serve gelado, de preferência, com umas tarifas estratosféricas e absurdamente infantis.

Aquele aglomerado de nações que, na sua riqueza e fragilidade, se tornou o alvo perfeito para o predador, chamado União Europeia, que não espere pela demora. Por mais que Ursula von der Leyen e a sua comitiva se desdobrem em salamaleques e bajulações, a verdade é que a Europa é vista como uma presa fácil. Rica, mas fraca. Próspera, mas desprotegida. Um convite irrecusável para uma “operação de desmantelamento concertada”. Para quê a solidariedade e a cooperação quando se pode ter tudo à força.

 A Europa, na sua eterna ingenuidade, ainda acredita no diálogo e no bom senso. Trump, por outro lado, acredita na cultura da marreta. E a marreta, é a sua política externa demolidora.

No fim, o que nos resta é a esperança de que o Irão resista. Que o regime dos ayatollah, na sua peculiar forma de resistência, consiga atrasar o inevitável. E, confesso que nunca na vida julguei vir a escrever estas palavras. Porque se o império do capricho triunfar sem oposição, se a força bruta se tornar a única lei, então o mundo será um lugar muito menos interessante. E muito mais perigoso.

Preparem-se, pois, para a próxima temporada do Grande Circo Geopolítico. Os bilhetes já estão esgotados, e o espetáculo promete ser… Explosivo. Mas não se sentem muito à frente pois pode haver radiação…

Beijinhos e até à próxima…


Referências consultadas

https://relacoesexteriores.com.br/ataques-dos-eua-ao-ira…

https://www.aljazeera.com/…/well-be-doing-something…

https://au.finance.yahoo.com/…/spain-nchez-says-trump…

https://moderndiplomacy.eu/…/europe-draws-a-line-on…

https://energymixweekender.substack.com/…/winners-and…