Uma salganhada chamada TAP

(Marco Capitão Ferreira, in Expresso Diário, 11/04/2018)

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A TAP tem vindo a cancelar voos. Muitos. Como a TAP é uma empresa privada, isso é uma questão entre ela e os seus clientes, com eventual intervenção do regulador para garantir os direitos destes? Ou, como a TAP é uma empresa pública, o bom funcionamento da empresa é uma responsabilidade política do Governo?

Pois, ninguém sabe bem. O Estado é o maior acionista da TAP, com 50%, mas quem lá manda na gestão é o acionista privado que tem 45%, sendo que os restantes 5% estão nas mãos dos trabalhadores.

A oposição, que privatizou a TAP quando pode e como se sabe, fazendo a defesa das virtudes da gestão privada, mudou de ideias, sendo público que “PSD e CDS querem explicações sobre cancelamentos de voos da TAP” o que só se compreende se entenderem que quem manda na empresa é o Estado.

O Governo, ao que parece, afina pela ideia oposta. Só assim se compreende que, em dezembro, se tenha sabido que o “Governo pressiona TAP para manter acordos de empresa e evitar greves”. O dono de uma empresa não a pressiona. Manda.

Verdade seja dita que a maior preocupação do PSD quando foi feita a reversão parcial da privatização da empresa foi se isso não era só para o Governo ter uns lugares de Administração para distribuir, mas esse ponto caiu rapidamente quando o Governo decidiu nomear para lá um alto quadro do … PSD, Miguel Frasquilho.

Sim, o mesmo Miguel Frasquilho que, enquanto alto quadro do BES e, simultaneamente, deputado da nação e alto dirigente do PSD, recebeu quase 100.000 euros, a partir de contas offshore do próprio BES, diretamente nas contas dos seus familiares (para regularizar, supostamente, dívidas, cujo montante, logo por coincidência, era no montante dos prémios anuais, embora estes fossem variando em valor) sendo que, até hoje, está por demonstrar que essas verbas tenham sido regular e atempadamente declaradas ao Fisco. Até podem ter sido, mas provas que é bom, nem vê-las. Já se tinham esquecido? Pois, é assim que normalmente acontece por cá. Muita indignação, mas só por dois dias.

Voltando à TAP. Cão com dois donos morre de fome, diz o povo. E uma empresa não pode andar ao sabor das conveniências políticas, ora sendo tratada como uma empresa privada ora como empresa pública.

Um e outro modelo de gestão têm vantagens e inconvenientes. Este não modelo de gestão tem os inconvenientes de ambos e, ao que parece, nenhuma das vantagens. A TAP é demasiado importante para viver nesta ambivalência.

O Governo que se decida, ou a empresa é pública ou não é. Mas de uma vez por todas. Escolham lá um modelo de governação. Este não serve a empresa. Não serve o País. Não serve os clientes. E não serve os trabalhadores. Serve, e mal, para o combate político sectário.

Dos Frasquilhos não reza a História

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 26/01/2018)

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(E O MP NÃO INVESTIGA ESTE PASSARÃO?

Recebeu 100000 euros do saco azul do BES, em contas bancárias dos pais. Diz ele que era para pagar à família. Ridículo. O que terá dado em troca ao Ricardo Salgado?. E a Joana Vidal que anda a fazer? Não há nada a investigar? É o costume. Os gajos da direita são todos “sérios” e o único presumível corrompido, em Portugal, desde os tempos do D. Afonso Henriques, é o Sócrates.

Mas este caso ainda é mais estranho. António Costa foge do Sócrates com medo do “contágio”, como o diabo foge da cruz, mas vai reconduzir este cromo como chairman da TAP?! Por receberem bilhetes para a bola, demitiu secretários de Estado e, com tantos milhares de euros no bornal por explicar, este passarão é reconduzido?!

Será que o “bloco central” já está a funcionar – pelo menos nos bastidores -, ou será que nunca deixou de funcionar?

Comentário da Estátua de Sal, 26/01/2018)


O Estado, através da Parpública, vai propor a recondução de Miguel Frasquilho como “chairman” da TAP, o que vai acontecer já a 31 de Janeiro, durante a próxima assembleia-geral da companhia aérea. Sim, é esse Frasquilho, o que está a ser investigado no Besgate e que, alegadamente, recebeu 100 mil euros do “saco azul” do BES, mas distribuídos em depósitos na conta dos pais e irmão. Tanta personalidade à rasca e a pedir dinheiro emprestado à família e eu não tenho coragem para pedir 100 euros ao meu pai.

Resumindo, o “saco azul” do BES pagou cerca de 98 mil euros a Frasquilho, “chairman” da TAP, e aos pais e irmão. Segundo se sabe, os pagamentos a familiares eram frequentes no GES. O GES parece o meu falecido tio Orlando que, no Natal, metia envelopes com dinheiro no bolso da família toda. Uma vez, pôs um no bolso da minha namorada.

Frasquilho alega que o dinheiro era para pagar dívidas que ele tinha aos familiares. Imagina se o Frasquilho estivesse a dever na padaria, no barbeiro ou na casa de artigos de circo onde compra as gravatas. Já estou a ver o contabilista do BES a ter de dividir estes pagamentos todos. Não admira que o contabilista, na altura Machado da Cruz, tenha fugido durante uns tempos. Como é que ele iria justificar ter de passar um cheque de prémio em nome de uma pessoa que nada tem que ver com a empresa? A não ser que seja por causa de a família o aturar.

Frasquilho justificou tudo isto com “acertos de contas entre familiares”. Normalmente, acertos de contas entre familiares é o que vem nos títulos das notícias que envolvem tiros e mortes. Associo “acertos de contas entre familiares” a assassinatos com enxadas e muita berraria, por causa de uma herança. Estes acertos de contas entre familiares são muito silenciosos. Aposto que nunca há discussões na ceia de Natal em casa do Frasquilho.

A verdade é que o governo da suposta transparência vai reconduzir Miguel Frasquilho como “chaiman” da TAP e parece ser, realmente, um acerto de contas de família, porque nem o PSD nem o CDS dizem nada. Não há família mais unida do que o Bloco Central. Acho que temos de mandar este caso do Frasquilho para ser julgado em Angola.

Antigamente, quando havia este tipo de suspeitas e acusações sobre alguém, era logo acautelado o risco de fuga. Neste caso, é o oposto, ele fica na empresa onde mais facilmente pode fugir. Parecendo que não, aquilo ainda tem vários aviões. Eu até já admito que ele fique na TAP, mas não devia poder aproximar-se até menos de 500 metros de um avião, como já aconteceu com o Carrilho em relação à Bárbara Guimarães.


TOP-5

Família feliz

1. Líder da Juventude Popular distinguido pela Forbes como um dos jovens mais influentes da Europa – E a banda revelação: os Beatles.

2. Espanha deixa de pagar às grandes agências de rating – Não podem ver ninguém dizer bem de nós.

3. Ao sábado, as creches dos filhos de trabalhadores da Autoeuropa passarão a ser pagas pela Segurança Social, no âmbito de um compromisso do Governo – Tudo bem, mas eu também quero ir lá almoçar na cantina à segunda.

4. Famílias que participam no “Supernanny” serão chamadas por comissões de protecção – Malta que justifica o execrável “Supernanny” com “quem não quer não vê”: embora fazer um “reality show” com escravos negros? Quem não quer não vê.

5. O presidente da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, um dos quatro jovens portugueses distinguidos pela revista Forbes, diz que: “Esta distinção comprova que podemos ter esperança no futuro” – Mas aquilo não era para malta com menos de 30? Este têm 78 anos de mentalidade.

Uma vergonha e casos de (muita) pouca vergonha

(In Blog O Jumento, 13/06/2017)
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Celebrava-se o Dia 10 de Junho, era feriado nacional, Marcelo e Costa multiplicavam-se em discursos e viagens, Assunção Cristas punha o seu ar mais sério. Todos celebravam o Dia de Portugal. Todos? Não. Passos Coelho precisa de recuperar os votos perdidos, o Expresso deu-lhe uma deixa, e mal se livrou do frete oficial acelerou rumo ao sul. Mas não foi para passar o resto do dia com a esposa e muito menos para celebrações, o tema era um petisco, um amigo de Costa tinha sido nomeado administrador da TAP, a mesma TAP que ele privatizou numa noite e que Costa devolveu ao país.
Era um escândalo entre os nomeados em representação do capital do Estado na transportadora estava quem tinha negociado, em nome do Estado, a reversão da privatização. Um escândalo, uma enorme falta de ética, quem defendera o Estado nas negociações com os privados ia agora defender os mesmos interesses do Estado como administrador não executivo.
O país parou de espanto, uma vergonha, Costa tinha inventado um novo “Catroga”, um amigo ia enriquecer na TAP. Como é sabido o cargo de administrador executivo numa empresa onde apenas os administradores nomeados pelos privados mandam na empresa, não só é um cargo altamente remunerado como tem um grande poder. Até a Catarina Martins juntou a sua à voz de Passos Coelho, estava indignada com tanta pouca vergonha.
Passos Coelho está de parabéns, o país anda há quatro dias a discutir um cargo da treta, remunerado com pouco mais do que gorjetas e sem qualquer poder. Foi este o grande problema nacional que levou Passos Coelho a ignorar tudo e todos e a esquecer que era Dia de Portugal. Depois dele anda meio mundo a perder tempo e até o CDS veio perguntar se a CRESAP tinha sido ouvida.
Passos Coelho tem mesmo razão, é uma vergonha que a sua grande preocupação no Dia de Portugal não tenham sido os problemas familiares ou proporcionar a sua companhia à família, mas sim aproveitar-se de uma notícia da treta para criar um fato político que só merece uma gargalhada e apenas serviu para percebermos as preocupações com que se ocupam os nossos partidos.
Em contraponto:
casos de (muita) pouca vergonha

Pouca vergonha é a Maria Luís ter empregado o seu marido na EDP, pouco depois de ter privatizado esta empresa.

Pouca vergonha é a EDP conseguir que Passos substituísse o secretário de Estado da Energia, gesto que Mexia terá celebrado com champanhe, para pouco tempo depois a EDP empregar o pai do novo secretário de Estado arranjar emprego na …. EDP.

Pouca vergonha é Passos Coelho se ter esquecido de pagar as contribuições `Segurança Social.

Pouca vergonha foi o Catroga ter negociado com a Troika que queria baixar as rendas da EDP e depois aparecer em presidente daquela empresa. Pouca vergonha foi o mesmo Catroga se ter oferecido a António Costa para lhe fazer fretes.

Pouca vergonha foi o último presidente do BES escolhido pela família Espírito Santo ter sido Mota Pinto?

Pouca vergonha foi a escolha de nomeação de Manuel Frexes, presidente dos autarcas sócias-democratas e da Câmara Municipal do Fundão, e Álvaro Castello-Branco, do CDS-PP e vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, para administradores da empresa “Águas de Portugal”