Dos Frasquilhos não reza a História

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 26/01/2018)

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(E O MP NÃO INVESTIGA ESTE PASSARÃO?

Recebeu 100000 euros do saco azul do BES, em contas bancárias dos pais. Diz ele que era para pagar à família. Ridículo. O que terá dado em troca ao Ricardo Salgado?. E a Joana Vidal que anda a fazer? Não há nada a investigar? É o costume. Os gajos da direita são todos “sérios” e o único presumível corrompido, em Portugal, desde os tempos do D. Afonso Henriques, é o Sócrates.

Mas este caso ainda é mais estranho. António Costa foge do Sócrates com medo do “contágio”, como o diabo foge da cruz, mas vai reconduzir este cromo como chairman da TAP?! Por receberem bilhetes para a bola, demitiu secretários de Estado e, com tantos milhares de euros no bornal por explicar, este passarão é reconduzido?!

Será que o “bloco central” já está a funcionar – pelo menos nos bastidores -, ou será que nunca deixou de funcionar?

Comentário da Estátua de Sal, 26/01/2018)


O Estado, através da Parpública, vai propor a recondução de Miguel Frasquilho como “chairman” da TAP, o que vai acontecer já a 31 de Janeiro, durante a próxima assembleia-geral da companhia aérea. Sim, é esse Frasquilho, o que está a ser investigado no Besgate e que, alegadamente, recebeu 100 mil euros do “saco azul” do BES, mas distribuídos em depósitos na conta dos pais e irmão. Tanta personalidade à rasca e a pedir dinheiro emprestado à família e eu não tenho coragem para pedir 100 euros ao meu pai.

Resumindo, o “saco azul” do BES pagou cerca de 98 mil euros a Frasquilho, “chairman” da TAP, e aos pais e irmão. Segundo se sabe, os pagamentos a familiares eram frequentes no GES. O GES parece o meu falecido tio Orlando que, no Natal, metia envelopes com dinheiro no bolso da família toda. Uma vez, pôs um no bolso da minha namorada.

Frasquilho alega que o dinheiro era para pagar dívidas que ele tinha aos familiares. Imagina se o Frasquilho estivesse a dever na padaria, no barbeiro ou na casa de artigos de circo onde compra as gravatas. Já estou a ver o contabilista do BES a ter de dividir estes pagamentos todos. Não admira que o contabilista, na altura Machado da Cruz, tenha fugido durante uns tempos. Como é que ele iria justificar ter de passar um cheque de prémio em nome de uma pessoa que nada tem que ver com a empresa? A não ser que seja por causa de a família o aturar.

Frasquilho justificou tudo isto com “acertos de contas entre familiares”. Normalmente, acertos de contas entre familiares é o que vem nos títulos das notícias que envolvem tiros e mortes. Associo “acertos de contas entre familiares” a assassinatos com enxadas e muita berraria, por causa de uma herança. Estes acertos de contas entre familiares são muito silenciosos. Aposto que nunca há discussões na ceia de Natal em casa do Frasquilho.

A verdade é que o governo da suposta transparência vai reconduzir Miguel Frasquilho como “chaiman” da TAP e parece ser, realmente, um acerto de contas de família, porque nem o PSD nem o CDS dizem nada. Não há família mais unida do que o Bloco Central. Acho que temos de mandar este caso do Frasquilho para ser julgado em Angola.

Antigamente, quando havia este tipo de suspeitas e acusações sobre alguém, era logo acautelado o risco de fuga. Neste caso, é o oposto, ele fica na empresa onde mais facilmente pode fugir. Parecendo que não, aquilo ainda tem vários aviões. Eu até já admito que ele fique na TAP, mas não devia poder aproximar-se até menos de 500 metros de um avião, como já aconteceu com o Carrilho em relação à Bárbara Guimarães.


TOP-5

Família feliz

1. Líder da Juventude Popular distinguido pela Forbes como um dos jovens mais influentes da Europa – E a banda revelação: os Beatles.

2. Espanha deixa de pagar às grandes agências de rating – Não podem ver ninguém dizer bem de nós.

3. Ao sábado, as creches dos filhos de trabalhadores da Autoeuropa passarão a ser pagas pela Segurança Social, no âmbito de um compromisso do Governo – Tudo bem, mas eu também quero ir lá almoçar na cantina à segunda.

4. Famílias que participam no “Supernanny” serão chamadas por comissões de protecção – Malta que justifica o execrável “Supernanny” com “quem não quer não vê”: embora fazer um “reality show” com escravos negros? Quem não quer não vê.

5. O presidente da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, um dos quatro jovens portugueses distinguidos pela revista Forbes, diz que: “Esta distinção comprova que podemos ter esperança no futuro” – Mas aquilo não era para malta com menos de 30? Este têm 78 anos de mentalidade.

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Um pensamento sobre “Dos Frasquilhos não reza a História

  1. O ‘Bloco Central’, a meu ver, nunca deixou de estar em banho maria. É só esperar pela necessidade. E reparar na convergência quando toca a pilim. Atente-se no que passa com o futuro quadro comunitário de apoio até 2013, assunto discutido na AR na passada quinta-feira, dia 25.

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