Putin e o pensamento único

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 30/06/2023)

Miguel Sousa Tavares

Vi uma reportagem de um canal de televisão americano passada recentemente na SIC e intitulada “Como Putin enganou cinco Presidentes americanos”. Era um tipo de trabalho jornalístico-político clássico da TV americana — parte-se de uma tese que se quer “provar” e vai-se procurar cuidadosamente “testemunhos” que a demonstrem: o secretário de Estado Antony Blinken, antigos embaixadores americanos na ONU, na NATO ou em Moscovo, jornalistas da estação. Depois, monta-se tudo com imagens de arquivo dos encontros bilaterais entre Putin e os Presidentes americanos, tendo o cuidado de selecio­nar imagens do Presidente russo onde surge com ar de raposa prestes a saltar sobre a presa. Sucessivamente, é-nos relatado que Clinton não teve tempo suficiente para formar uma opinião do russo, George W. Bush foi completamente enganado depois de “o ter olhado nos olhos” e ter acreditado nele, Obama não ligou ao assunto Rússia, Trump quis ser enganado e só Biden, finalmente, não se deixou enganar, a não ser no início. Mas em que é que eles todos se deixaram enganar é a pergunta que um espectador atento fará, pois que nem a pergunta e menos ainda a resposta passam ao longo dos 40 minutos do programa. OK, Putin enganou-os a todos, diz o título. Mas sobre o quê? Acerca de quê? Como não só não existia nenhum contraditório nem ninguém se deu ao trabalho de fazer um relato daquilo que esteve em cima da mesa ao longo de 20 anos de relações bilaterais entre os Estados Unidos e a Rússia, fui forçado a concluir que se tratava de um exercício jornalístico para convertidos ou iniciados ao credo: todos eles estavam carregados de boas intenções, enquanto o russo só queria enganá-los. Até que, quase a terminar o programa, uma das “testemunhas”, uma ex-embaixadora na NATO, se descaiu e finalmente revelou onde esteve o longo “engano”: “Convencemo-nos de que ele queria ocidentalizar a Rússia, mas afinal não queria.”

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ILUSTRAÇÃO HUGO PINTO

Afinal, Putin não queria ocidentalizar a Rússia… Enganou-os, enganou-nos! Não, não enganou. Há 10 anos, Putin fez um discurso de estratégia onde defendia que o futuro da Rússia estava a leste, da Sibéria até ao Pacífico: ninguém no Ocidente lhe prestou atenção, mas o discurso representava uma mudança fundamental, e não apenas do ponto de vista económico e histórico, sobre o papel da Rússia num mundo cada vez mais bipolar, entre a China e os EUA. Antes mesmo de os EUA decretarem também que a sua zona estratégica de interesses se passava a concentrar na região da Ásia-Pacífico, já Vladimir Putin estava a olhar para lá: a Ucrânia foi um acidente de percurso, que ele, forçado ou não, avaliou mal. Mas não era para o Ocidente que ele estava a olhar, ao contrário de Pedro o Grande, com quem tantas vezes é comparado. Há dois anos, também, ele fez outro discurso, uma espécie de manifesto anti-Ocidente, onde acusava os Estados Unidos e os seus aliados de quererem impor os seus valores morais e políticos ao mundo inteiro, como se o mundo inteiro os reconhecesse como os únicos legítimos e adequados aos seus povos. Putin é um conhecedor da História russa, um dado fundamental que escapa grosseiramente aos seus adversários no Ocidente, ao ponto de terem anunciado que ele seria apeado pelo povo decorridos poucos meses de guerra e de “privações”. Putin sabe que a democracia e as liberdades, tal como as conhecemos no Ocidente, são coisas alheias aos russos: não lhes fazem falta. Não obstante o heroísmo de resistentes como Navalny, o poder autocrático de Putin não é uma forma de governo estranha aos russos. Ele aprendeu com Dugin, o seu ideólogo (cuja filha os serviços secretos ucranianos mataram num atentado que visava o pai), que, desde tempos imemoriais, há três coisas em que assenta o poder na Rússia: a noção de pátria, a religião e o autocrata. Durante a monarquia, a noção de pátria estava na “Mãe Rússia”, o território sagrado pelo qual cada russo daria a vida contra as ameaças dos inimigos; a religião era a Santa Igreja Ortodoxa; e o autocrata era o Czar, investido de poder divino. A partir de 1917, com a Revolução e a paz de Brest-Litovsk, Lenine cedeu território em troca de ganhar os soldados massacrados do Czar para a Revolução, substituiu a religião da Igreja pela do comunismo e a autocracia do Imperador pela do Partido. Após o desmantelamento da URSS, um irresponsável Boris Ieltsin, totalmente na mão dos americanos e dos piores capitalistas ocidentais, foi levado a acreditar na versão maligna da democracia ocidental: a confusão entre a liberdade e a libertinagem, o salve-se quem puder. No seu livro “Os Homens de Putin”, a ex-correspondente do “Financial Times” em Moscovo Catherine Belton descreve pormenorizadamente como é que Vladimir Putin conquistou o poder e aos poucos foi substituindo a máfia e os oligarcas de Ieltsin pelos seus. Embora o livro seja um violento libelo anti-Putin, lido com atenção, percebe-se, mesmo contra a vontade da sua autora, que o que ele fez, no essencial, foi pôr fim ao saque das empresas estatais e estratégicas russas, que Ieltsin tinha entregue a estrangeiros a preços de saldo, e recuperou-as para a esfera do governo. A diferença entre os seus oligarcas e os do seu antecessor é que os seus passaram a ser controlados a partir do Kremlin e não do Texas. Depois, daí em diante, foi uma cascata: ele passou a “enganá-los” a todos. Ao contrário do esperado, não se deixou “ocidentalizar”.

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A repressão do terrorismo tchetcheno (que é suspeito de ter fomentado secretamente) ajudou-o a ganhar tranquilamente as segundas eleições e a consolidar o poder como novo senhor de “Todas as Rússias”, a antiga designação imperial. Como autocrata apoia­do pela Igreja e ex-agente do KGB, sempre que necessário, Putin lança mão de métodos desagradáveis para se livrar dos seus adversários internos: envenena-os ou fá-los “suicidarem-se” saltando do alto de prédios para a rua. Nada de muito estranho num país onde dantes os czares se livravam dos inimigos empalando-os e deixando-os a agonizar pendurados de fora dos muros do Kremlin. A barbárie dos russos e dos eslavos, em geral, é lendária. Todavia, a história das décadas da Guerra Fria está carregada de episódios semelhantes do nosso lado, uns conhecidos, outros não, e dificilmente se poderá sustentar que, em matéria de métodos de actuação, de invasões, de golpes de Estado, de massacres, de Guantánamos, nós fomos predominantemente os bons e eles os maus. A História é uma lavandaria onde todos entram sujos e só sai limpo o último a fechar a porta. Isso não impediu que, para bem da Humanidade, vivêssemos em paz durante mais de 70 anos, mesmo sob a ameaça permanente de milhares de ogivas nucleares capazes de fazerem cessar de vez todas as divergências. Claro que, para quem teve a sorte de nascer e ser educado com os valores daquilo a que chamamos “democracias liberais”, só por masoquismo experimental ou obstinação ideológica trocaríamos o nosso modo de vida pelo do país de Vladimir Putin. E, se pudéssemos, decretaríamos o mesmo, a liberdade, para todos os povos e nações do mundo. A liberdade e também a prosperidade. E também a paz — também a paz. Mas, como tal não é possível, nós, os campeões das democracias liberais e dos direitos humanos, hoje execramos Putin e perseguimos qualquer russo, de atleta olímpico a compositor, mas convivemos com ditadores e assassinos conhecidos como tal de África, do Médio Oriente, da Ásia ou da América Latina e até com alguns peculiares “democratas” europeus. Por isso, por ser menos hipócrita e guardar ainda memória de uma guerra mundial, é que, até que a URSS se desmoronasse de podre, uma sábia geração de dirigentes ocidentais de outro calibre, que nada tem que ver com os desta geração rasca que agora nos governa, soube esperar pacientemente e durante décadas que a razão se impusesse por si, preservando a todo o custo os ténues fios de diálogo que, contra todos os riscos, mantiveram a paz possível.

Mas, de então para cá, o Ocidente manteve viva a mentalidade da Guerra Fria. Não conseguiu deixar de ver a actual Rússia como uma continuação da extinta União Soviética. Não conseguiu perceber que a URSS comunista nada tinha que ver com a Rússia profunda, enquanto a Rússia de Putin é a restauração daquilo que, para o bem e para o mal, para a grandeza e para a desgraça, a Rússia foi ao longo dos séculos. E, sobretudo, não conhecendo essa História nem entendendo essa Rússia, o Ocidente insiste em avaliá-la e julgá-la por padrões éticos e políticos em que os russos não se reconhecem e que em nada contribuem para o entendimento comum. Acicatado pelos países bálticos ou pela Polónia, que têm justas razões para temer o abraço do “urso”, doutrinado por intelectuais de pensamento único como Fukuyama, Timothy Garton Ash ou o exibicionista francês Bernard-Henri Lévy, refém da doutrina NATO de não perder esta oportunidade de derrotar a Rússia a qualquer preço, o Ocidente conseguiu — com a ajuda da imponderação de Putin, é certo — fazer deste um tempo ainda mais perigoso do que o da Guerra Fria.

E, porque nada entendem além das regras de pensamento que estabeleceram, nada percebem agora do que se passa na Rússia com a revolta interna do Grupo Wagner. Mas, se tivessem estudado a História, saberiam que muitos czares recorreram também a guardas pretorianas por desconfiarem do Exército regular, que conduziram guerras com elas para evitarem a mobilização popular e que alguns acabaram assassinados por elas.

Chega a ser confrangedor ver os 27 da UE, comandados por esse patético Josep Borrell, paralisados na ignorância e na angústia, qual grupo de papagaios amestrados à espera de instruções superiores. Que seguramente virão dos generais americanos — apesar de tudo, os que melhor conseguirão perceber o que se vai passar numas Forças Armadas que cobrem 11 fusos horários de território continental e um espaço aeronaval que vai do Pacífico ao Árctico, passando pelo Mediterrâneo, o Índico, o Atlântico e o Báltico, com o maior número de ogivas nucleares de um Estado.

Ao pé disso, a escolha do chamado Mecanismo Europeu de Apoio à Paz de continuar o business as usual, apostando tudo na guerra (cabendo a Portugal contribuir com 170 milhões de euros para ajudar a comprar armas e munições para a Ucrânia), numa guerra na Europa que se espera possa durar até 2027, é certamente uma decisão visionária.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

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Sodoma ou Gomorra: a escolha é sua!

(Dmitry Orlov, Resistir, 22/06/2023)

Em 1997, voltei da Rússia para os EUA, recém-casado e, tendo acabado de observar o pós-colapso da URSS em primeira mão, uma pergunta óbvia me ocorreu: quando os vários estados [dos EUA] seguirão o exemplo da URSS e declararão sua independência do governo federal irremediavelmente corrupto e não funcional? Considerando que a principal causa por trás do colapso soviético foi o tédio – as pessoas viviam bem, mas estavam entediadas e queriam viver ainda melhor – seria preciso algo mais para derrubar os EUA. O que poderia ser?


Ler artigo integral em: Sodoma ou Gomorra: a escolha é sua!


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Putin e o que realmente importa no tabuleiro de xadrez

(Pepe Escobar, in SakerLatam.org, 19/06/2023)

Reunião do presidente Putin com um grupo de correspondentes de guerra russos e blogueiros do Telegram – incluindo Filatov, Poddubny, Pegov do War Gonzo, Podolyaka, Gazdiev da RT – foi um exercício extraordinário de liberdade de imprensa.

Havia entre eles jornalistas seriamente independentes que podem ser muito críticos da maneira como o Kremlin e o Ministério da Defesa (MoD) estão conduzindo o que pode ser definido alternativamente como uma Operação Militar Especial (SMO); uma operação antiterrorista (CTO); ou uma “quase guerra” (de acordo com alguns círculos empresariais influentes em Moscovo).

É fascinante ver como esses jornalistas patriotas/independentes estão agora desempenhando um papel semelhante ao dos ex-comissários políticos da URSS, todos eles, à sua maneira, profundamente empenhados em conduzir a sociedade russa para a drenagem do pântano, lenta mas segura.

É claro que Putin não apenas entende o papel deles, mas às vezes, “chocando o estilo do sistema”, o sistema que ele preside realmente implementa as sugestões dos jornalistas. Como correspondente estrangeiro trabalhando em todo o mundo há quase 40 anos, fiquei bastante impressionado com a maneira como os jornalistas russos podem desfrutar de um grau de liberdade inimaginável na maioria das latitudes do Ocidente coletivo.

A transcrição da reunião no Kremlin mostra que Putin definitivamente não é inclinado a rodeios.

Ele admitiu que existem “generais operetas” no Exército; que havia escassez de drones, munições de precisão e equipamentos de comunicação, agora sendo resolvidos.

Ele discutiu a legalidade das tropas mercenárias; a necessidade de, mais cedo ou mais tarde, instalar uma “zona tampão” para proteger os cidadãos russos do bombardeio sistemático do regime de Kiev; e ele enfatizou que a Rússia não responderá ao terrorismo inspirado em Bandera com terrorismo.

Depois de examinar as conversas, uma conclusão é imperativa: a mídia de guerra russa não está engajada em uma ofensiva, mesmo quando o Ocidente coletivo ataca a Rússia 24 horas por dia, 7 dias por semana, com seu enorme aparato de mídia de ONG/soft power. Moscovo não está – ainda? – totalmente engajado nas trincheiras da guerra de informação; do jeito que está, a mídia russa está apenas jogando na defesa.

Todo o caminho para Kiev?

Indiscutivelmente, a citação de ouro de todo o encontro é a avaliação concisa e arrepiante de Putin de onde estamos agora no tabuleiro de xadrez:

“Fomos forçados a tentar acabar com a guerra que o Ocidente começou em 2014 pela força das armas. E a Rússia encerrará esta guerra pela força das armas, libertando todo o território da ex-Ucrânia dos Estados Unidos e dos nazistas ucranianos. Não há outras opções. O exército ucraniano dos EUA e da OTAN será derrotado, não importa quais novos tipos de armas receba do Ocidente. Quanto mais armas houver, menos ucranianos e o que costumava ser a Ucrânia permanecerá.

A intervenção direta dos exércitos europeus da OTAN não mudará o resultado. Mas, neste caso, o fogo da guerra envolverá toda a Europa. Parece que os EUA também estão prontos para isso.”

Resumindo: isso só terminará nos termos da Rússia e somente quando Moscovo avaliar que todos os seus objetivos foram alcançados. Qualquer outra coisa é pensamento desejoso.

De volta à linha de frente, como apontado pelo indispensável Andrei Martyanov, o correspondente de guerra de primeira classe Marat Kalinin expôs conclusivamente como a atual contra-ofensiva do caixão de metal ucraniano não foi capaz de atingir nem mesmo a primeira linha de defesa russa (eles estão numa longa estrada para o inferno, a 10 km de distância). Tudo o que o principal exército substituto que a OTAN já formou foi capaz de realizar até agora foi ser massacrado impiedosamente em escala industrial.

Veja o General Armageddon em ação.

Surovikin teve oito meses para colocar sua pegada na Ucrânia e desde o início ele entendeu exatamente como transformá-la em um jogo totalmente novo. Indiscutivelmente, a estratégia é destruir completamente as forças ucranianas entre a primeira linha de defesa – supondo que eles a violem – e a segunda linha, que é bastante substancial. A terceira linha permanecerá fora dos limites.

A mídia do ocidente coletivo está previsivelmente enlouquecendo, finalmente começando a mostrar horríveis perdas ucranianas e dando evidências da total incompetência acumulada dos capangas de Kiev e seus manipuladores militares da OTAN.

E caso as coisas fiquem difíceis – por enquanto uma possibilidade remota – o próprio Putin entregou o roteiro. Suavemente, suavemente. Como em: “Precisaremos de uma marcha em Kiev? Se sim, precisamos de uma nova mobilização, se não, não precisamos. Não há necessidade de mobilização agora”.

As palavras operativas cruciais são “agora”.

O fim de todos os seus planos elaborados

Enquanto isso, longe do campo de batalha, os russos estão muito conscientes da frenética atividade geoeconômica.

Moscovo e Pequim negociam cada vez mais em yuans e rublos. Os 10 da ASEAN estão apostando em moedas regionais, ignorando o dólar americano. A Indonésia e a Coreia do Sul estão turbinando o comércio de rupias e won. O Paquistão está pagando pelo petróleo russo em yuan. Os Emirados Árabes Unidos e a Índia estão aumentando o comércio não petrolífero em rúpias.

Todos e seu vizinho estão indo direto para se juntar ao BRICS + – forçando um Hegemon desesperado a começar a se posicionar uma série de técnicas de Guerra Híbrida.

Já faz um longo caminho desde que Putin examinou o tabuleiro de xadrez no início dos anos 2000 e então lançou um programa de mísseis de ataque para mísseis defensivos e ofensivos.

Nos 23 anos seguintes, a Rússia desenvolveu mísseis hipersônicos, ICBMs avançados e os mísseis defensivos mais avançados do planeta. A Rússia venceu a corrida dos mísseis. Ponto. O Hegemon – obcecado por sua própria guerra fabricada contra o Islã – foi completamente pego de surpresa e não fez nenhum avanço material em mísseis em quase duas décadas e meia.

Agora a “estratégia” é inventar do nada uma Questão de Taiwan, que está configurando o tabuleiro de xadrez como a antecâmara da Guerra Híbrida sem limites contra a Rússia-China.

O ataque por procuração – via hienas de Kiev – contra o Donbass russófono, incitado pelos psicopatas neoconservadores straussianos encarregados da política externa dos EUA, matou pelo menos 14.000 homens, mulheres e crianças entre 2014 e 2022. Isso também foi um ataque à China. O objetivo final dessa jogada de dividir para reinar era infligir derrota ao aliado da China no Heartland, para que Pequim ficasse isolada.

De acordo com o sonho molhado dos neoconservadores, tudo o que foi dito acima teria permitido ao Hegemon, uma vez que tivesse conquistado a Rússia novamente como fez com Yeltsin, bloquear a China dos recursos naturais russos usando onze forças-tarefa de porta-aviões dos EUA e vários submarinos.

Obviamente, os neocons privados de ciência militar estão alheios ao fato de que a Rússia é agora a potência militar mais forte do planeta.

Na Ucrânia, os neoconservadores esperavam que uma provocação levasse Moscovo a implantar outras armas secretas além dos mísseis hipersônicos, para que Washington pudesse se preparar melhor para uma guerra total.

Todos esses planos elaborados podem ter fracassado miseravelmente. Mas um corolário permanece: os neoconservadores straussianos acreditam firmemente que podem instrumentalizar alguns milhões de europeus – quem são os próximos? Polacos? Estonianos? Letões? Lituanos? E por que não alemães? – como bucha de canhão como os EUA fizeram como na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial, lutaram via os corpos de europeus (incluindo russos) sacrificados pela mesma velha tomada de poder anglo-saxônica alà Mackinder.

Hordas de 5º colunistas europeus tornam muito mais fácil “confiar” nos EUA para protegê-los, enquanto apenas alguns com um QI acima da temperatura ambiente entenderam quem realmente bombardeou Nord Stream 1 e 2, com a conivência do chanceler alemão de salsicha de fígado.

O ponto principal é que o Hegemon simplesmente não pode aceitar uma Europa soberana e autossuficiente; apenas um vassalo dependente, refém dos mares que os EUA controlam.

Putin vê claramente como o tabuleiro de xadrez foi organizado. E ele também vê como a “Ucrânia” nem existe mais.

Embora ninguém estivesse prestando atenção, no mês passado a gangue de Kiev vendeu a Ucrânia para a BlackRock, avaliada em US$ 8,5 trilhões. Bem desse jeito. O acordo foi selado entre o governo da Ucrânia e o vice-presidente da BlackRock, Philipp Hildebrand.

Eles estão criando um Fundo de Desenvolvimento Ucraniano (UDF) para “reconstrução”, focado em energia, infraestrutura, agricultura, indústria e TI. Todos os ativos valiosos remanescentes no que será uma ruína da Ucrânia serão engolidos pela BlackRock: da Metinvest, DTEK (energia) e MJP (agricultura) à Naftogaz, Ucranian Railways, Ukravtodor e Ukrenergo.

Qual é o sentido de ir para Kiev então? O neoliberalismo tóxico de alto grau já está festejando no local.


Fonte:


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