Morrer em Kiev ou desaparecer em Gaza

(Tiago Franco, in Facebook, 12/07/2024)

Não sei se sabem onde fica Khan Yunis e por isso recorro ao amigo Google para ilustrar. Como podem verificar, fica ali naquela zona sul de Gaza para onde a populacão foi aconselhada a procurar “refúgio”, durante o período em que o exército israelita tratava da saúde ao Hamas.

Há poucos dias uma escola em Khan Yunis foi atingida por um míssil, enquanto uns miúdos jogavam à bola e outros ocupantes (a escola estava transformada em abrigo) assistiam. Morreram 31 pessoas, entre mulheres e crianças, e outros 50 ficaram feridos.

Não houve discussão sobre o autor do ataque, dúvidas ou sequer desculpas de última hora. Israel disse, apenas, que usou um míssil de alta precisão para matar um importante alvo do Hamas. Matou 31 e feriu mais de 50, para acertar em 1. Agora imaginem se não fosse de alta precisão.

Aqui do nosso lado, no famoso Ocidente, tudo bem. Pouca discussão, nenhuma condenação e obviamente sem solidariedade que se apalpe. Como nos diz Helena Ferro Gouveia, a culpa das mortes em Gaza é exclusivamente do Hamas. E aqui entre nós, mesmo que não fosse, quem é que quer saber de árabes que andam a morrer há décadas? Aquilo é gente que só está bem a rebentar, como nos diria um gato que já foi fedorento.

É aliás caricato culpar o Hamas pelo genocídio em curso na faixa de Gaza. Foi o Hamas que construiu muros, meteu palestinianos numa prisão a céu aberto e os humilhou, durante décadas, em gaiolas e revistas, só para poderem ir trabalhar. Andamos, aqui no Oeste (selvagem), a desculpar as atrocidades contra palestinianos que se arrastam desde o século passado. Quando a resposta dos povos ocupados aparece em formato de guerrilha (não podem ter outro dada a desproporção de meios), passamos a culpá-los por não aceitarem apenas morrer em silêncio.

Não vos dá, por um segundo que seja, vergonha de serem representados por uma retórica hipócrita e desonesta?

Em Kiev um hospital foi atacado por um míssil. Morreram duas pessoas (adultos) e ficaram outros 16 feridos (7 crianças). Ao contrário da nossa Helena, eu acho aborrecido morrer e não faco esse aborrecimento depender da zona geográfica em que acontece a morte. E também não separo mortes por credos, etnias, cor da pele ou quantidade de cachos no cabelo. Lamento a morte de um homem num hospital de Kiev, de um miúdo em Gaza, de um soldado das IDF ou de um russo no Donbass. São os pobres que dão o corpo, militar ou civil, para enriquecerem as elites, os senhores da guerra e os interesses corporativos das Nações.

Depois do míssil ter aterrado no hospital, seguiram-se dias de absoluta condenação e discussões nas mais altas instâncias (ONU, por exemplo). Os representantes ucranianos mostraram a rota do míssil para provar que era russo e os russos, por seu lado, rejeitaram as acusações, dizendo que se tivesse sido um míssil deles, o hospital tinha ficado todo no chão. O alvo, segundo os russos, era uma fábrica de armamento ali ao lado e o que atingiu o hospital foi um da defesa antiaérea.

Não faço ideia quem diz a verdade e sei ainda menos se existe verdade sequer. Morreram pessoas e é esse o problema. É essa a consequência de quando queremos perpetuar uma guerra. Pessoas morrem.

Eu entendo pouco de mísseis e, como tal, fui ouvir quem sabe da coisa. Dizem os entendidos que o KH-101 (o tal míssil que afirmam ter caído no hospital) é uma coisa com quase 8 metros, tem umas asas e quando bate não pede licença. Em princípio não deveria ser muito difícil apresentar destroços de um projétil com 8 metros mas, segundo o que vou lendo, ainda não apareceu.

Ainda assim, esta discussão é, na minha opinião, estéril. Já passámos por isto na central de Zaporíjia, em Mariupol, no NordStream 2 e até no avião da Malásia Airlines. A primeira vítima de uma guerra é a verdade e eu não espero que de um lado venham as virtudes e, do outro, os defeitos. É uma guerra e, no seu curso, não existem bons e maus. Quem vê isso (ainda) assim, como diria Miguel Tiago, andou a aprender história no Rambo III.

O que realmente me importa discutir aqui são os valores do Ocidente e como a UE, que nos representa, se mete nisto. Se morrem 2 pessoas num hospital de Kiev, o discurso inflama-se e até a NATO começa a apertar com os chineses. Já se um hospital é arrasado em Gaza ou se uns putos, perto de Rafah, levam com um míssil enquanto jogam à bola…são os danos colaterais. Lembrem-se que “nós” cantámos vitória quando Israel matou 300 pessoas para libertar 4.

Eu não entendo, mas não entendo mesmo, como é que vidas podem ter valores tão diferentes e a solidariedade com povos invadidos pode ser tão distante.

Na Ucrânia enfrentam-se dois exércitos, um deles patrocinados por todos nós. Mesmo todos nós, querendo ou não. Em Gaza enfrentam-se um exército e um bando de gajos com rockets e motas Famel. No primeiro caso o mundo para e faz tudo para segurar o invasor. No segundo, bom, o invasor só se está a defender contra um exército que não existe e um povo que eles próprios prenderam.

Em Kiev morrem pessoas, gente que existe e com quem todos nos preocupamos. Em Gaza desaparecem seres humanos sem nome que, quanto muito, vão ser relembrados em forma de número, no gráfico das mortes.

Se isto não é a mais simples, básica e cristalina, definição de racismo, então não sei o que será.


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Esta senhora é perigosa

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 12/07/2024)

Esta senhora, Lucília Gago, é perigosa. É certo que se vai embora dentro de três meses, mas a cultura que deixa instalada é, em si mesma, um perigo.


Das duas, uma: ou Lucília Gago não entende a gravidade das coisas que diz ou deixa por dizer, das coisas que cala ou consente, e isso é altamente preocupante, ou, pelo contrário, entende-o muito bem mas não o considera grave, e isso é perigoso. Mas depois de seguir atentamente a sua entrevista à RTP não me restam dúvidas algumas de que a hipótese válida é a segunda. A senhora procuradora-geral da República (PGR) não apenas defende a sua dama, os seus métodos e os seus resultados, como ainda considera quaisquer críticas à actuação do organismo a que preside nada mais nada menos do que o resultado de “uma campanha orquestrada”. Segundo o seu raciocínio, vivemos num país onde todos podem ser livremente criticados, como é próprio de uma democracia, e onde o Ministério Público (MP), que ela supostamente dirige, pode instaurar por sua única iniciativa processos de averiguações criminais ao primeiro-ministro (PM), ao Presidente da República (PR) e a quem mais entender, mas o contrário — qualquer crítica ao MP ou à PGR — só pode ser resultado de uma campanha orquestrada e necessariamente de má-fé. Porque eles são infalíveis, “altamente competentes” e não devem explicações nem pedidos de desculpas a ninguém. Mesmo que escutem a troco de nada um ministro durante quatro anos, mesmo que façam cair um Governo anunciando que o PM está sob suspeita num inquérito e depois o Tribunal da Relação reduza essa suspeita a simples ridículo, ou que mantenham durante anos suspensa a vida de pessoas suspeitas de pretensos crimes gritados para a praça pública e depois deixadas a vegetar na secretária de um procurador.

Nada, ela e eles não têm nada de que se arrepender, nada que explicar, nada que reflectir. Nem a banalização das escutas telefónicas, que de meio excepcional para a descoberta da verdade degenerou no meio habitual ou único de investigação. Nem a “normalidade” da detenção prévia de pessoas para interrogatório junto de um juiz de instrução, podendo esperar presas entre três dias ou três semanas, em lugar do que seria normal, que era convocá-las para o interrogatório e depois, se o juiz assim o entendesse, ficarem então em prisão preventiva. Nem a sistemática violação do segredo de justiça como forma de pré-julgamento público favorável ao MP e tão fácil de evitar se houvesse vontade de o fazer. Nem sequer, ela que se diz avessa ao “espalhafato”, ter uma palavra de arrependimento perante as espalhafatosas operações de busca e apreensão de meios de prova junto de suspeitos, transformadas em operações militares mediáticas como se de combate ao terrorismo se tratasse. Nem ao menos os grosseiros erros na interpretação da lei processual, como no caso do parágrafo que fuzilou António Costa, em que dois telefonemas de dois intervenientes do processo que diziam ir falar com o PM é levado à conta de “notícia de um crime”, como exige a lei para abrir um processo de averiguações.

Esta senhora é perigosa
Ilustração Hugo Pinto

Diz a senhora que se não tivesse aberto um processo de averiguações a António Costa e se o não tivesse divulgado publicamente — sem mesmo saber se ele chegou, de facto, a ter o tal encontro com os outros intervenientes e de que constou ele — estaria a fazer uma “tentativa de encobrimento”. Mas encobrimento de quê, senhora Procuradora? Se fosse possível acreditar na ingenuidade de quem dirige o MP, seria de ficar estarrecido ouvir a PGR declarar que investigar criminalmente o PM em exercício “não requer nenhum cuidado acrescido”, porque “ninguém está acima da lei”. Portanto, ela pode escrever os disparates que lhe ocorrer nos comunicados da Procuradoria sem ter de se preocupar se isso derruba um Governo, porque a única coisa que lhe interessa e que deve interessar aos portugueses saber é que dois escutados no processo Influencer foram ouvidos a dizer que queriam falar com o PM. “Crime!”, concluiu ela, que, todavia, confessou não seguir de perto nem sequer os processos mais sensíveis e mediáticos do DCIAP, porque interferiria na sagrada autonomia dos magistrados do MP, além de que são muito “minuciosos”. A sério? Em que outro país do mundo é que esta rebaldaria se passará? Em que outro país do mundo é que um simples procurador do MP pode abrir investigações criminais ao PM e ao PR sem que o procurador-geral acompanhe passo a passo a investigação e esteja ciente, por exemplo, da necessidade de evitar a “coincidência” da divulgação de investigações com momentos políticos sensíveis?

Mas o pior da entrevista de Lucília Gago, para mim, foi a arrogância e o tom de ameaça que ela utilizou no lugar das explicações devidas. Arrogância quando, confrontada com a disparidade das acusações do MP face às decisões dos juízes, respondeu que “é muito difícil admitir um erro do MP, porque os magistrados do MP envolvidos são de grande competência”. Os juízes, portanto, é que são incompetentes. Pior foram as ameaças: João Galamba foi escutado quatro anos e, afinal, não foi acusado de nada e nem sequer ouvido? “As investigações prosseguem.” António Costa foi investigado, mas não constituído arguido, e a Relação arrasou os fundamentos da investigação sobre ele? “As investigações prosseguem e se o inquérito não foi ainda encerrado é porque algo a tal obsta.” Ou seja, que ninguém descanse em paz, o MP pode demorar anos, décadas, mas, tal como os agentes do FBI, nunca larga os seus Al Capones.

Esta senhora, Lucília Gago, é perigosa. Ela não apenas despreza as críticas à actuação do organismo que dirige, venham de onde vierem, como nem sequer aceita que, tendo os poderes que tem nas mãos, o MP não pode funcionar em roda livre, sendo hoje o único poder não escrutinado em Portugal, apesar de deter essa arma letal de poder privar da liberdade e da honra qualquer um, culpado ou inocente. É certo que ela se vai embora dentro de três meses, mas a cultura que deixa instalada é, em si mesma, um perigo.

2 Outra senhora que se transformou num perigo é a NATO. Os seus 75 anos, agora celebrados, não são um período homogéneo. Até ao desmantelamento da URSS e ao consequente fim do Pacto de Varsóvia, a NATO foi essencial para preservar a paz na Europa e no Ocidente, como organização de defesa face à ameaça soviética. Com um sábio jogo de contenção e firmeza, a NATO acabou por vencer em toda a linha a Guerra Fria. Porém, como algumas vezes acontece na história, os vencedores da Guerra Fria não souberam administrar a sua vitória. Assim aconteceu em Versalhes, em 1918, em que a humilhação alemã conduziu à ascensão de Hitler e à II Guerra Mundial. Ou no Iraque, em que a vaidade imbecil do Presidente George W. Bush quis “completar” a vitória exemplar do seu pai na I Guerra do Golfo, com isso conduzindo toda a região ao caos permanente. Com o fim da ameaça que justificara a sua fundação, a NATO não só optou por não se extinguir como também se lançou, sem justificação plausível, no expansionismo em direcção à Rússia — que muitos, como Henry Kissinger, logo avisaram que não poderia deixar Moscovo indiferente. Pela mesma razão, porque Kennedy não podia aceitar mísseis russos em Cuba em 1963, também Putin avisou que não poderia aceitar a Ucrânia na NATO, e eventualmente com mísseis nucleares da NATO na sua fronteira sul — isso constava, aliás, implicitamente do Acordo Minsk II, que Moscovo e Kiev tinham assinado, sob os auspícios de Paris e Berlim. Mas os Estados Unidos e a NATO responderam a Putin que qualquer país era soberano nas suas decisões e que a geopolítica não contava ali para nada. E deu-se a invasão — a qual podia ter terminado logo um mês depois, quando Moscovo e Kiev chegaram a um acordo de paz mediado por Israel e a Turquia, em Ancara, mas que Boris Johnson, primeiro, e Lloyd Austin, secretário da Defesa americano, depois, boicotaram, convencendo Zelensky a não assinar, prometendo-lhe em troca as armas necessárias para derrotar a Rússia. A chave para o fim da guerra da Ucrânia é Kiev renunciar à adesão à NATO, em contrapartida da retirada russa dos territórios ocupados. Mas a versão que nos vendem é que a única alternativa é prosseguir a guerra até à derrota total da Rússia ou Putin virá por aí fora até ao Terreiro do Paço. E por isso nesta celebração dos 75 anos da NATO, verdadeira cimeira de guerra, em cima da mesa está a adesão “irreversível” da Ucrânia à NATO, para que o facto consumado evite qualquer tentativa de pôr fim à guerra através de negociações de paz. E assim, num mundo em que o dinheiro necessário para combater as alterações climáticas foi desviado para fabricar armas para a Ucrânia, onde falta dinheiro para acorrer in loco às necessidades básicas dos imigrantes que atravessam o Mediterrâneo, vemos o Presidente dos Estados Unidos saudar os membros da NATO, que já aumentaram ou vão aumentar as suas despesas militares. E o secretário-geral cessante, Jens Stoltenberg, condecorado com a Ordem Presidencial da Liberdade, mais uma vez apontar à próxima fronteira e ao próximo inimigo da chamada aliança defensiva do Atlântico Norte: a região da Ásia-Pacífico e a China. É todo um horizonte de esperança a perder de vista. Se ainda houver próximas gerações, não lhes invejo a sorte.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

Ucrânia com a corda no pescoço: BlackRock e “privados” querem ser pagos

(João-MC Gomes, In VK, 07-07-2024)


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As conversas sobre a reestruturação da dívida da Ucrânia chegaram a um impasse. Credores como BlackRock, Amia Capital e Amundi recuaram da proposta de alívio da dívida feita por Kiev. A Ucrânia pede descontos maiores para financiar esforços de defesa contra a Rússia, visando obter recursos para sua reconstrução económica após o término da guerra. Os detentores de títulos ucranianos não receberam pagamentos desde 2022, quando concordaram com uma moratória de dois anos devido à invasão russa. A paralisação expira em 1 de agosto. Nas negociações, a Ucrânia propôs trocar os seus títulos atuais por novos papéis com vencimentos até 2040 e juros de 1% nos primeiros 18 meses, aumentando progressivamente até 6%. O grupo de credores oficiais da Ucrânia já prorrogou o congelamento do pagamento da dívida até 2027. A última proposta não incluiu a reestruturação da dívida das empresas estatais, diferentemente de 2022, quando os pagamentos desses títulos também foram congelados.

As implicações para os investidores internacionais podem ser significativas. Vou destacar alguns pontos relevantes:

– Risco de Inadimplência: A Ucrânia está em moratória desde 2022, e a falta de pagamento de títulos pode continuar. Isso representa um risco para os investidores que possuem títulos ucranianos.

– Negociações em Andamento: As negociações entre a Ucrânia e seus credores estão em curso. Se um acordo não for alcançado, os investidores podem enfrentar incertezas quanto ao pagamento futuro.

– Impacto Geopolítico: A situação na Ucrânia está ligada à tensão entre Rússia e os países ocidentais. Qualquer escalada no conflito pode afetar os mercados globais e os investidores.

– Mercado de Títulos Emergentes: Investidores que têm exposição a títulos de mercados emergentes devem monitorar de perto a situação na Ucrânia. A instabilidade pode afetar o sentimento do mercado em geral.

Ou seja, os investidores internacionais têm de estar atentos aos desenvolvimentos na Ucrânia e considerar os riscos associados à sua exposição a ativos ucranianos.

Entretanto a BlackRock e outros credores estrangeiros formaram um grupo para pressionar a Ucrânia a começar a pagar as suas dívidas já no próximo ano. Se tiverem sucesso, Kiev poderá gastar cerca de $500 milhões anualmente apenas em pagamentos de juros. Além disso, a BlackRock aconselhou a Ucrânia a criar um banco de financiamento ao desenvolvimento para atrair investimentos em setores como infraestruturas, meio ambiente e agricultura, tornando-os atraentes para os fundos de pensões e outros investidores de longo prazo. Quanto às quantias específicas de dívida, as negociações estão em andamento, mas a Ucrânia propôs reduzir sua dívida em 60% do valor atual, enquanto os credores consideram 22% mais razoável.

Dito isto, é mais do que óbvio que existem razões económicas objetivas para este “esforço de guerra ocidental” e não se trata apenas da falácia da “defesa” da Europa, como é afirmado. O que se passa é que a Ucrânia serviu, desde 2014, de base para os objetivos estratégicos de prejudicar as relações da Federação Russa com a Europa e, em especial, com a UE e os grandes financiadores mundiais abriram os seus cofres convencidos de que ia ser uma vitória fácil e que a Rússia não só não seria capaz de se defender dessas tentativas, como não criaria condições para colocar a Ucrânia num “estado de miséria” que a tornasse incapaz de pagar os empréstimos.

Um “representante” ucraniano tentou diminuir o problema, em entrevista, afirmando “tratar-se de investidores privados e que “a quantia é relativamente pequena em relação à divida. Falamos de 20 mil milhões (?) ou 20 milhões de juros (não se percebe bem o que diz), e então, porque é que os cidadãos teriam que pagar essa quantia aos investidores? Eles também têm que partilhar a divida. Portanto, é dinheiro privado. Eles querem o dinheiro de volta mas tem que esperar” – mas sem dar a perceber que, verdadeiramente a Ucrânia está falida e a sobreviver com os empréstimos ocidentais que vão alimentando a “sua” guerra, em nome da tentativa de não ceder a uma paz que lhes foi já proposta, com base na lógica de que os quatro oblasts a leste já anunciaram a sua integração na Federação Russa.

A ter continuidade esta questão, o que se poderá passar é a futura derrota total da Ucrânia, em termos militares e a sua degradação política, pelo que os investidores privados, como a BlackRock poderão estar perante um prejuízo total que quererão evitar e que só o poderão fazer de uma de duas maneiras: anulação do apoio financeiro a Kiev, com derrube dos nazis do governo e posterior renegociação da divida com os novos mandantes, ou esperar a derrota militar e politica da Ucrânia e tentar negociar com o próximo governo que sair dessa derrota e que terá todo o direito de recusar pagar a divida que os nazis ucranianos fizeram ao longo dos últimos anos ou renegociá-la em moldes ótimos para a sua nova perspetiva politica de aproximação a Moscovo.

Evidentemente que é isso que se prevê vir a acontecer, perante os dados que todos os dias vem do terreno do conflito.

Portanto, a BlackRock e os restantes investidores, podem começar a fazer contas ao prejuízo da sua tentativa de provocar os russos. Acontece!