Requiem pelo Olimpismo

(José Goulão, in AbrilAbril, 29/07/2024)

Paz à sua alma, que aliás já pouco tinha de pura e virginal. Chamem-lhe o que quiserem, mas Jogos Olímpicos não. Podem ser os jogos da mesquinhez, os jogos da segregação, os jogos da guerra, os jogos da cobardia, os jogos da viciação, os jogos da exclusão, os jogos da humilhação, os jogos da negação, os jogos da ostentação, os jogos de qualquer coisa que nada tenha a ver com a nobreza do ideal pregado pelo barão Pierre de Coubertin e muito menos com o espírito dos rituais de paz e cultura da Grécia antiga; mas Jogos Olímpicos não.

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The show must go on

(Tiago Franco, in Facebook, 28/07/2024)

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Sou um grande fã de volte-faces nas lides políticas. Um dia estamos a lamentar o pior atentado da história e a ver como um velhinho debilitado ficou ainda mais irrelevante e, no dia seguinte, batemos palmas a uma renovada Kamala enquanto ela recebe uma chamada da Michelle “we got your back” Obama.

Na Europa fazem-se coisas destas e, até em Portugal, transformamos políticos falhados em senadores do comentário televisivo. Mas os americanos, na arte de dar espetáculo, não pedem lições a ninguém. Tudo é Hollywood.

Reparem na montanha russa de emoções. Primeiro Biden está perdido perante a humilhação do debate e o seu estado físico. Trump, com apenas 78 anos é um jovem enérgico. Aparece o tiro na orelha e aquela foto à Che Guevara. Trump, o mais escroque que alguma vez ocupou a Casa Branca, é elevado a revolucionário e resistente.

A corrida está perdida para os democratas. Trump está virtualmente eleito e aparece na convenção seguinte como um moderado. Alguém que quer unir a América. Eu ainda estou a processar como é que mais de 100 milhões de eleitores apreciavam aquele discurso de ódio do dia anterior e, agora, tento perceber como é que alguém acredita naquele espetáculo montado.

Trump joga golfe durante o dia sem penso, à noite coloca o penso e vai para a convenção. Há centenas de idiotas que lá vão também com um bandex na orelha, por “solidariedade” com o novo herói.

São doses cavalares de estupidez acompanhadas de luz e cor. O show nunca para. Há sempre um novo idiota para enrolar.

Biden desiste. Kamala assume o palco. Pela primeira vez na história uma mulher com 60 anos é uma jovem. Michelle liga-lhe em direto e diz que “ma girl” e “got your back”, com a câmara ligada e o telefone em alta voz. Calma, calma. Os democratas não vão apenas rebolar. Também querem dar show.

A Kamala usa o currículo de combate ao crime para se atirar a Trump. O orange man larga o discurso de união e volta à praia do ódio. Chama-lhe marxista. Trump não faz puto de ideia de quem foi Marx e metade dos que o ouvem muito menos. Metade? Bom…adiante.

O circo está montado e na Europa começam as manifestações de apoio nas eleições que de facto mexem com a nossa vida. Entre dois maus candidatos, como é normal, escolhemos o menos mau.

Ao contrário das eleições europeias, as americanas influenciam mesmo o futuro dos povos da Europa. Pelo menos enquanto as Ursulas andarem por lá.

Zelensky já percebeu que a coisa pode ficar mais difícil e abriu as discussões de paz. A Europa mais moderada quer Kamala que seguirá o business as usual de Biden (e isso implica muito dinheiro para o lobby das armas). Os chineses sabem que terão sanções com qualquer candidato mas, em princípio, seguirão no controle de tudo. Com paciência como é seu timbre e com muito pouco espetáculo, luzes e cor.

Trump é um ser abjeto que deveria estar preso. Kamala vai-me dar cabo da prestação da casa. Trump vai apoiar, ainda mais, o genocídio em Gaza. Kamala vai contribuir para a militarização da Europa.

O que eu queria, mesmo, era que as eleições nos US and A, como dizia o Borat, fossem para o ca*****. Mas para isso acontecer tinham os destinos da Europa que ter estadistas à altura e não moços de recados.

Não sendo possível, pois continuem lá com o arranca-rabo entre elites.

De uma maneira ou de outra, o povo precisa de entretenimento and the show must go on.


A destruição olímpica de Paris

(João Augusto-Silva, in VK, 26/07/2024)


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O triste Petit Roi garantiu que NÃO haverá novo primeiro-ministro francês até DEPOIS das Olimpíadas.

O Petit Roi é agora oficialmente conhecido em toda a França como um incendiário político: incendiando a nação para manter a sua carreira liberal totalitária e apoiada pelos Rothschild.

Ele ordenou a limpeza das ruas de Paris para os ricos, os convidados e diversos atletas de “elite”. O centro da cidade de Paris só pode ser acedido com códigos QR especiais – apenas para convidados. Os restaurantes foram barricados por cercas de ferro em toda a cidade, não acessíveis fora da “Zona”.

Os sem-abrigo foram removidos e levados para campos fora da cidade: limpeza social aprovada não só pelo Petit Roi mas também pela terrivelmente medíocre maire “socialista” de Paris, Anne Hidalgo.

Os estudantes também foram removidos – instruídos a sair por um tempo – pela tecnocracia.

Quarenta e cinco mil policiais e militares invadiram Paris, provando que a cidade NÃO é segura, NÃO é pública e só é habitável dentro de zonas de segurança altamente vigiadas.

Paris transformou-se numa distopia neoliberal tóxica – com o Petit Roi como o Raj local da satrapia: essa é a sua “visão” da sociedade civil.

O único aspecto positivo da ausência de um PM é que o Petit Roi está agora totalmente estabelecido como a VERDADEIRA face da Paris suja, desagradável e desfigurada.