O que Trump deveria fazer

(Paul Craig Roberts, in PaulCraigRoberts.org, 15/01/2025, Trad. Estátua de Sal)


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As agências de segurança americanas há muito que usam a capa da segurança nacional para evitar a responsabilização pelos seus crimes, como os assassinatos do presidente John F. Kennedy e do seu irmão, Robert F. Kennedy, e os inúmeros assassinatos de líderes estrangeiros e outros erros. 

A partir da presidência de Clinton, os presidentes e os nomeados não ligados à segurança também começaram a escapar à responsabilização. A situação agravou-se no regime de George W. Bush/Dick Cheney e explodiu na presidência de Biden, com o Procurador-Geral, o FBI e os procuradores-gerais e promotores democratas a usarem a lei como arma contra Trump, os seus advogados e os seus apoiantes. Muitas pessoas foram arruinadas financeiramente. Muitos foram erradamente presos e o próprio Trump viu a sua reeleição em 2020 ser roubada pelo mais descarado e óbvio roubo de votos da história americana. As provas são claras de que o próprio Biden é culpado de vender favores presidenciais e vice-presidenciais, sendo o seu filho, Hunter, o vendedor intermediário e partilhando as receitas.  No entanto, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos impediu qualquer investigação e acusação. A prostituta imprensa americana encobriu a história.

A prática de elevar altos funcionários ao status privilegiado de um rei ou da aristocracia acima da lei e da Constituição dos EUA não deve continuar na presidência de Trump.   Se continuar, altos funcionários terão conquistado direitos de invasores por estarem acima da lei, e a Constituição dos EUA será reduzida a um documento morto.

Neste ponto, a única maneira de evitar um colapso do estado de direito nos EUA é a presidência Trump processar implacavelmente o Departamento de Justiça, o FBI e os funcionários da Casa Branca que aplicaram seletivamente a lei na forma de lawfare contra oponentes políticos.   Se os responsáveis conseguirem ​​evitar a responsabilização, um precedente legal terá sido estabelecido, e os direitos e status diferenciados baseados na raça e no género que já estão em vigor serão acrescidos por privilégios legais especiais para altos funcionários do governo.   Isso significaria o fim de qualquer possibilidade de governo responsável. Esta deveria ser a maior prioridade da presidência Trump.   É ainda mais importante do que fechar a fronteira.

Na frente de guerra, Trump deveria simplesmente afastar-se do conflito com o Irão e a Rússia.  As guerras distraem-nos dos assuntos e problemas internos e impedirão o objetivo de tornar a América de novo grande. As guerras trarão mais propaganda sobre “terroristas” e mais violações da liberdade civil dos EUA, o que não é um caminho para tornar a América de novo grande. Não há razão alguma para derramar sangue americano, esbanjar dinheiro dos contribuintes e mais emissão de dívida dos EUA para enriquecer os cofres do complexo militar/de segurança e expandir a fronteira do Grande Israel.

Trump deveria chegar à conclusão de que Israel não tem valor para a América.   Israel é um fardo morto à volta dos nossos pescoços, e o apoio incondicional americano às guerras de Israel e ao genocídio dos palestinos abalou enormemente a reputação da América. Se a América já teve algum brilho moral, já não o tem mais.

O Irão e a Rússia não ameaçam os EUA. O Médio-Oriente está cheio de problemas para o Irão, cujo governo não precisa de mais problemas com os EUA.   A Ucrânia é um problema da Rússia, não nosso.   Washington é responsável pelo conflito. Trump deveria pedir desculpa, em nome dos EUA, e retirar-nos do conflito.

No momento em que Trump parar de enviar dinheiro e armas para a Ucrânia e Israel, a paz descerá sobre o mundo. 

Trump deveria retornar à sua posição original de que a NATO não tem valor para a América. Se a NATO não existisse, a Rússia e a Europa estariam envolvidas em empreendimentos económicos mutuamente benéficos. Esses empreendimentos criariam financiamento e oportunidades de negócios também para os americanos. Todos prosperariam. É a busca de Washington por hegemonia – o controle sobre os outros – que está a comprimir a atividade económica em todo o mundo e a  corroer o nível de vida de todos os americanos, exceto o do um por cento mais rico. A MAGA América não interessa às agendas de políticas e dos grupos de lobby dos interesses especiais que beneficiam apenas uma pequena percentagem de pessoas que, já são tão ricas, que não conseguem gastar toda a sua enorme quantidade de rendimento e riqueza.

Os problemas do mundo têm a sua origem em Washington e são institucionalizados no lobby de Israel, no complexo militar/de segurança, na Big Pharma e no seu controlo sobre a medicina americana de alto custo e ineficaz que sacrifica a saúde dos americanos e a integridade dos médicos em prol dos lucros da Big Pharma. Essas são as ameaças reais à América que, se a América quiser ser grande novamente, essas ameaças, devem ser destruídas e eliminadas, não a Rússia e o Irão,

Se a presidência Trump puder restabelecer o respeito pelo Estado de direito, indiciando e processando o Departamento de Justiça, o FBI e outras autoridades pelo seu comportamento criminoso, e se Trump puder desativar a máquina de guerra dos EUA e de Israel, ele terá salvado o mundo da guerra nuclear e restabelecido os Estados Unidos como a principal nação para a qual o mundo olha em busca de liderança.

A minha preocupação é que Trump adore o papel da guerra. Como acreditava Winston Churchill, não há nada mais excitante do que ser o líder de uma guerra, especialmente se tivermos perspetivas de vitória. Trump é extremamente suscetível de entrar em guerra com base na crença de que Putin não tem linhas vermelhas porque Putin tem demasiado medo do conflito. Com o isolamento do Irão, após a destruição da Síria e um governo reformista que pretende libertar-se das restrições religiosas e ganhar dinheiro no Ocidente, Trump está a ser aconselhado a derrubar o Irão, ver aqui.

Quando a elite dominante nos bloqueia por todo o lado, a sua agenda torna-se a nossa única escolha. Terá Trump lutado tanto apenas para ser usado pelo bem institucionalizado Establishment americano?

A terceira coisa que Trump deveria fazer imediatamente é fechar os laboratórios de guerra biológica dos EUA que Washington está a operar por todo o mundo. Esses laboratórios estão a tentar criar patógenos mortais que são altamente contagiosos. Os laboratórios estão até mesmo a tentar direcionar os patógenos para etnias específicas, coletando, por exemplo, DNA russo na esperança de encontrar algum material exclusivo dos russos para o anexar ao patógeno. Esses laboratórios americanos são todos ilegais. Washington tenta evitar a sua responsabilidade localizando os seus laboratórios de guerra biológica noutros países. Trump deveria interromper imediatamente tal atividade e processar os responsáveis, incluindo o Congresso dos EUA, se o Congresso autorizou essa atividade ilegal.

Aqueles que lucram com essa atividade maligna alegam que temos que fazer isso porque nossos inimigos fazem isso, mas eles nunca fornecem nenhuma documentação que prove a sua alegação. Independentemente disso, como a experiência do Covid prova, quando um patógeno é liberado, ele vai para todos os lugares. Usar um como arma resulta na mesma autodestruição que uma guerra nuclear.

Muita ciência está comprometida com o desenvolvimento de armas. A ciência precisa de se voltar para melhorar a saúde e a condição humana.

Se Trump conseguir lidar com os verdadeiros desafios que enfrentamos, em vez de se deixar levar por falsos desafios ao serviço de interesses particulares, será considerado como o maior presidente americano da história.

Fonte aqui.


Composição – Tema: A família (6.º Ano) – aluna: Diana

(Carlos Esperança, in Facebook, 10/01/2025, revisão da Estátua)

(O texto que segue é uma alegoria elucidativa de muitos dos lugares-comuns que povoam o quadro mental de muita gente anónima que apoia a extrema-direita em Portugal. Mas as Dianas e os seus pais, acreditem, existem mesmo por esse país fora. O autor – que conheço pessoalmente e cujas ideias se encontram nos antípodas das do pai da Diana – conseguiu retratar brilhantemente essa triste realidade. Os meus parabéns ao Carlos Esperança.

Estátua de Sal, 11/01/2025)


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A minha família é composta pelo meu pai, a minha mãe e eu. Quem manda é o meu pai que tem um táxi que não é dele. A minha mãe trabalha em casas de senhoras ricas.

O meu pai é quem fala lá em casa, e manda calar a minha mãe; diz que, quando há um galo, não cantam as galinhas. Ele veio de Coimbra aqui para a Musgueira e trata os clientes e pessoas importantes de quem gosta por doutores. Os clientes gostam – diz o meu pai –, e fala dos doutores, mas às mulheres chama-lhes gajas. Aos homens de que não gosta chama-lhes nomes que a minha mãe diz que não devo dizer nas aulas.

O meu pai diz todos os dias que os políticos são mentirosos e vivem à custa dele, que a política é uma coisa suja, mas quando a minha mãe lhe disse que ele só falava de política, deu-lhe logo uma bofetada e nunca mais foi contrariado.

O meu pai só gosta do Dr. André Ventura; gosta tanto que até diz que o André, só André, sem doutor, vai acabar com os políticos, os ciganos e as eleições. Há um estrangeiro de quem gosta muito, o Dr. Trump, e odeia outro que trata por um nome que não digo, Putin, e chama putinistas aos que não gostam do Dr. Zelenski.

Eu não percebo nada de política, mas oiço o meu pai. Ele agora também passou a gostar do Dr. Elon Musk, creio que é assim que se escreve, eu já o vi na televisão. Deixou de gostar do Dr. Marcelo e passou a chamá-lo só por “o Marcelo, aquele filho de Putin”, mas ao Putin chama-o também filho disso ou coisa parecida.

Não percebo o meu pai; ele diz que as mulheres não podem compreender, quanto mais as garotas. Diz à minha mãe para votar no Chega, e que os partidos deviam ser proibidos. Ele gosta muito do Dr. Mário Machado porque quer acabar com os pretos e os ciganos, e, por bem fazer, às vezes prendem-no. Os juízes ainda são piores do que os políticos.

O meu pai gosta muito do Dr. Trump porque quer expulsar os pretos; o meu pai também não gosta de pretos, e anda desorientado porque o Dr. Trump parece gostar do Putin. Se o Dr. Trump deixar de gostar do Dr. Zelenski o meu pai passa a gostar só do primeiro.

O meu pai anda muito contente porque o Dr. Trump vai ficar com o Canadá e o Canal do Panamá e, se não lhe venderem a Gronelândia, conquista-a. Não é como nós, que não defendemos o nosso Ultramar, infelizmente perdido, e o entregámos aos pretos e aos russos.

O meu pai não gosta da Rússia, diz que a Irmã Lúcia, que agora é santa, disse que todo o mal vem da Rússia e que foi a Senhora de Fátima que lho disse. Portanto, é verdade.

Agora o meu pai anda perdido com a Ucrânia, o Dr. Trump, o Dr. Zelensky, o Dr. Elon Musk e o Putin. Só fala do futuro presidente. Vai votar no Dr. Almirante e ele e o André vão tornar Portugal grande outra vez e acabar com políticos, ciganos, pretos e traidores.

Ele também gosta muito do Dr. Milhazes, do Dr. Rogeiro e do Dr. Botelho Moniz que odeiam o Putin, mas gosta de uma senhora, e é mulher, uma tal Diana Soller, talvez por ter o meu nome, mas como as mulheres não pensam, diz que é o marido que a ensina.

Na próxima composição, esta já vai longa, vou contar outras coisas do meu pai, e tenho de perguntar à minha mãe se as posso dizer aqui na escola da Musgueira.

Diana – 12 anos – Escola C+S da Musgueira.

Assim vai o mundo…

(Carlos Esperança, in Facebook, 08/01/2025, revisão da Estátua)


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Enquanto Trump aguarda o trepasse do alvará de Presidente dos EUA para anexar o Canadá, comprar a Gronelândia e exigir a devolução do Canal do Panamá, sem panamianos, Elon Musk – confiante no sucesso da eleição de Milei, na Argentina, e, agora, na demissão de Trudeau, no Canadá -, promete libertar o Reino Unido do governo tirânico que elegeu.

A senhora Ursula von der Leyen aguarda a convalescença da pneumonia para reiterar o apoio de todos os países da União Europeia à guerra na Ucrânia, até ao último ucraniano, enquanto Elon Musk, depois de lhe ter retirado a Hungria, a Eslováquia e a Itália(?), prossegue os seus negócios engrossando a extrema-direita na Áustria, Alemanha e restantes países da Europa, pertencentes à União Europeia ou não.   

Trump está impaciente para indultar os presos que assaltaram o Capitólio no golpe de Estado fracassado a seu favor, onde mataram polícias em benemérita intenção, enquanto Biden, depois de ter feito o mesmo ao filho condenado, se prepara para a reforma.

Durão Barroso aconselha a Europa a armar-se contra a Rússia e esquece as desculpas que, seriam devidas, pelo apoio à invasão do Iraque.

Erdogan, irmão muçulmano, invadiu a Síria, ameaça combater aí os curdos e, não lhe bastando o massacre que faz dentro de portas, diz não admitir que (outros) alterem as fronteiras, logo ele que ocupa parte do Chipre sem respeito pelas fronteiras.

E o mais enternecedor, é o apoio incondicional ao direito internacional dos órgãos da União Europeia, enquanto Israel se repoltreia nos países vizinhos e a UE aguarda ordens de Trump.

André Ventura esconde a tristeza com a morte de Jean Marie Le Pen, com tonitruantes anátemas aos imigrantes e aproveita bem o fascismo islâmico para passar à sorrelfa as mentiras em que é especialista.

O governo de Montenegro apropria-se da agenda do Chega na República enquanto repete o mantra «não é não» e, Marcelo, desiludido com o desprezo a que o Primeiro-ministro o vota, continua a gerir a instabilidade que criou.