A invasão do Irão – A Europa, Trump e os partidos portugueses

(Carlos Esperança, in Facebook, 04/03/2026)


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É deprimente ver programas televisivos onde se confronta a opinião dos deputados dos três únicos partidos com acesso regular aos ecrãs e compará-la com a dos principais líderes europeus.

Os países europeus têm posições para todos os gostos, desde a oposição frontal do PM de Espanha à violação do direito internacional à subserviência do chanceler alemão, que causa inveja ao lacaio de Trump, o sr. Mark Rutte. Até o RU, país que alinhou sempre a política externa pela dos EUA, teve um lampejo de dignidade e desagradou a Trump. Macron, apesar da bravata de deslocar ogivas nucleares para outros países europeus, não tem a coragem de De Gaulle ou Mitterrand. Itália, Hungria e Eslováquia são os aliados óbvios e preferidos do presidente americano que pode não acabar o mandato.

O governo português tomou a posição que o PS provavelmente tomaria, nem por isso honrosa, e que mereceria alguma benevolência se não tivesse admitido participar como observador, ao lado dos piores regimes, no Conselho da Paz de Trump, para Gaza, cuja intenção é substituir a ONU e ser aí presidente vitalício.

Apoiar Trump e Netanyahu na invasão do Irão não é ser solidário com os EUA onde a maioria da população se opõe, é apoiar a aventura criminosa que viola grosseiramente o direito internacional. Nem o facto de invocar diariamente motivos diferentes faz vacilar os apoiantes, que esquecem as funestas invasões do Iraque e do Afeganistão, sempre com dramáticas consequências para a Europa.

Nos três partidos referidos, PSD, Chega e PS, é deprimente ver o alinhamento dos dois primeiros contra o PS, acusando-o de estar, em conjunto com o BE e o PCP, ausentes do debate, na defesa de uma teocracia tenebrosa contra duas democracias, EUA e Israel. Do PS só pode lamentar-se a timidez na defesa do direito internacional e a necessidade de afirmar a sua diferença em relação à posição de Espanha.

No fundo, o PSD e o Chega preferem apoiar um criminoso condenado pelo TPI e outro cuja vitória eleitoral o livrou da condenação e sobre o qual pesam as piores suspeitas, a defender a paz e o direito internacional. Nem o trágico bombardeamento de uma escola cujo erro causou centenas de vítimas, entre mortos e feridos, os faz vacilar.

O PSD podia recordar-se do crime em que o seu antigo líder e PM de Portugal, Durão Barroso, enredou o País na invasão do Iraque, mas não se espera de Montenegro ou de Marcelo um módico de coragem para se afastarem de Trump e Netanyahu.

Da União Europeia o mínimo que deve esperar-se é a defesa do PM espanhol contra os humores e o arbítrio de Trump. Veremos se será solidário com um dos seus membros ou com o seu maior inimigo, se defende os valores civilizacionais e o direito internacional ou se pretende continuar vassala do irascível e desequilibrado PR dos EUA.

Quanto à infâmia do regime iraniano e à necessidade de remoção dos ignóbeis clérigos não pode haver duas opiniões diferentes em países civilizados, mas nunca uma ditadura caiu através de uma invasão nem uma democracia nasceu contra o direito internacional.

A coragem e a decência de Pedro Sánchez permanecerão como exemplo de estadista e patriota perante homúnculos, o único com sagacidade para ver em Trump o aventureiro de que o seu próprio país há de envergonhar-se. Merece ser recordado pela História.

A ONU e o Direito Internacional

(Carlos Esperança, in Facebook, 03/02/2026)


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O direito internacional e o multilateralismo foram, durante muitos anos, a garantia de um módico de previsibilidade e segurança nas relações internacionais, razão por que a ONU, a mais prestigiada das organizações internacionais, seja agora desprezada por quem pretende sobrepor a força ao direito e resolver pela guerra litígios entre nações.

A força moral da ONU e a capacidade de evitar conflitos estão hoje muito debilitadas por falta de financiamento e desprezo deliberado a que a votam líderes irresponsáveis e autocratas de pendor populista.

A extrema-direita internacional e aventureiros de vários matizes esforçam-se a destruir a sua autoridade e a impedir os seus esforços na defesa da paz. Não tarda que lamentemos a perda de poder e influência que deliberadamente lhe foram retirados.

Em termos simbólicos constituiu desprestígio a presidência que ontem lhe foi imposta, a da primeira-dama dos EUA, Melania Trump. Enquanto escalava o conflito que o marido e Netanyahu levaram ao Irão, Melania presidia à reunião onde se discutiram os impactos das guerras sobre crianças, tecnologia e educação em zonas de conflito. Terrível ironia!

Não se discute a qualificação da primeira-dama dos EUA para representar o país a quem coube a presidência, embora nenhum português imaginasse a D. Gertrudes Tomás em tão elevado cargo, o que podia ter sucedido quando o almirante Tomás era o homem de mão de Salazar, se acaso o regime permitisse então às mulheres serem diplomatas e Portugal a designasse como sua embaixadora.

Melania Trump pode ser uma personalidade com talento e qualificação para o cargo, mas a maioria das pessoas não lhe conhece outra formação fora da Academia Epstein.

É por isso que a sua presidência foi um ultraje à ONU, apesar da presença agradável à vista. Mas o mundo já não é o que era!

Francesca Albanese, uma voz pela justiça que o lobby israelita tenta silenciar

(Michael Lynk in Resistir, 26/02/2026)


Grupos israelitas de lobby propagaram citações adulteradas da Relatora Especial da ONU para os Direitos Humanos, Francesca Albanese, a fim de difamá-la.   Esta campanha desesperada é uma prova do seu bom trabalho e da ameaça que representa ao responsabilizar Israel pelo genocídio.


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Mark Twain e Winston Churchill teriam dito que uma mentira pode dar a volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças.

Em 7 de fevereiro, Francesca Albanese, atual Relatora Especial da ONU para os direitos humanos na Palestina, fez uma breve apresentação por videoconferência num fórum dos media em Doha, no Catar, organizado pela rede Al Jazeera. Ela participou de um painel que incluiu Fatou Bensouda, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional, falando sobre o papel do direito internacional no tratamento de graves violações dos direitos humanos.

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