Que se explique Passos Coelho

(Mariana Mortágua, in Jornal de Notícias, 02/05/2017)

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Ó Mariana só te desculpo porque ainda és muito jovem e os jovens tem direito a ter a esperança que os mais velhos já perderam em grande parte. Então tu acreditas que o Láparo é capaz de explicar seja lá o que for? Ele nada sabe de finanças e deve achar que as provisões do Banco de Portugal são o tesouro do Capitão Gancho. Como é que alguém que confunde provisões com reservas pode dar explicações seja lá do que for? Se lhe pedires para dar uma aula de sandice, de desfaçatez, de roubo de carteiras – por esticão ou não -, aí sim, aí terás um mestre e um explicador credenciado e de eleição. Quanto às minúcias da macroeconomia e das finanças bancárias bem podes esperar sentada.  Como diz o povo, na sua eterna sabedoria, quem não tem não pode dar.

Estátua de Sal, 02/05/2017


“Querem deitar a mão às reservas do Banco de Portugal para rapar o fundo ao tacho”. Foi assim que Passos Coelho se referiu à proposta do Grupo de Trabalho sobre a Dívida Pública para reduzir os futuros acréscimos de novas provisões do Banco de Portugal (BdP).

Pode ser que Passos não saiba do que está a falar, mas o mais provável é que esteja deliberadamente a recorrer a demagogia barata e desinformada para tirar ganhos políticos do medo que procura criar nas pessoas.

A matéria é complexa, mas vale a pena ser explicada.

O BdP tem fundos próprios: capital, reservas, contas de reavaliação e provisões para riscos gerais. Os dois primeiros estão definidos legalmente e ninguém lhes mexe, aumentam todos os anos, e as contas de reavaliação são decididas pelo BCE. Restam então as provisões para riscos gerais, cujo propósito não está definido.

A partir de 2015 o BCE decidiu pôr em prática um programa de estímulo que consiste em comprar títulos de dívida pública aos bancos, ajudando a sua situação financeira e diminuindo a pressão sobre os juros dessa dívida no mercado. Fê-lo por toda a Europa e, no caso português, comprou já 26 mil milhões. Esses títulos encontram-se no balanço do BdP.

O Estado português continua a pagar os juros dessa dívida, que são centralizados no BCE e depois distribuídos, como lucros, pelos vários bancos centrais nacionais de acordo com a sua participação no BCE. Esta regra faz com que a Alemanha ganhe relativamente mais com este programa. Mas o BdP tem recebido muito dinheiro desta forma, que retém, constituindo elevadas provisões, injustificadas, uma vez que o ativo que detém é dívida pública. Note-se que, ao contrários dos bancos comerciais, que constituem provisões para acautelar riscos de crédito, o Banco de Portugal não dá crédito de habitação ou a empresas, pelo que não tem esses riscos. Ora, ao constituir provisões tão grandes, o Banco não só deixa de distribuir dividendos ao Estado como paga menos IRC (as provisões foram de 480 milhões em 2016).

A média destas provisões na Zona Euro foi então de 1,7% e em Portugal de 4,2%. O que se propõe é que as futuras provisões possam ser menores do que as anteriores, para que estes lucros, pagos pelo Estado, possam servir para financiar políticas públicas e sejam portanto usados por Portugal.

A proposta do Grupo de Trabalho é sensata e correta. É Passos quem tem de explicar porque prefere a demagogia à informação, o medo ao esclarecimento e a austeridade, essa sim rapa-tacho, à sensatez.


Fonte aqui

Vídeo

Fuga em ré maior

(Vídeo de Luís Vargas, in Geringonca.com, 26/02/2017)

O comentário de Mariana Mortágua ao caso das offshores e outros tesourinhos de uma direita deprimente. Grande sova no Adolfo Mesquita Nunes.


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Mariana Mortágua, Líder da oposição

 (In Blog O Jumento, 28/04/2016)

via Mariana Mortágua, Líder da oposição — O JUMENTO

 

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É suposto o governo governar e a oposição procurar discutir as suas decisões apresentando alternativas. Se o critério para definir o que é ser oposição for este teremos de concluir que quem lidera a oposição em Portugal é a Mariana Mortágua.

Outro critério poderá ser o da visibilidade pois a comunicação social comportar-se-á como os espectadores de um jogo de ténis, olham alternadamente para o primeiro-ministro e para o líder da oposição, neste caso também não restarão dúvidas de que a Mariana Mortágua é mesmo a líder da oposição, a seguir ao primeiro-ministro e ao Presidente da República é o político (ai que me vão chamar nomes por causa dessa coisa do género) que mais está presente nas primeiras páginas.

Passos Coelho andou quase seis meses armado em primeiro-ministro no exílio, no congresso prometeu ser activo e agora parece o “falecido primeiro-ministro”. Homem que estuda Salazar sabe certamente do conselho que certo dia o ditador fez a um jovem político ambicioso, se queres subir na política, sugeriu-lhe, faz de morto. Desde que abandonou a pantominice do primeiro-ministro derrubado por um golpe de estado conduzido pelo capitão Costa, Passos Coelho anda a fazer de morto. Ainda se empertigou com as 35 medidas para financiar as empresas, mas como ninguém lhe prestou grande atenção terá concluído que o melhor era seguir.
Passos Coelho adoptou a posse de um monarca, está acima dos assuntos menores e o seu papel limita-se a escolher quem fala no parlamento e por aquilo que se vaio ouvindo fica-se com a impressão que cada um diz o que lhe apetece. Normalmente é o Montenegro a usar a sua cassete cheia de baboseiras e quando se pode mais originalidade varia-se a escolha, se o tema é 25 de Abril ouvimos um discurso horrível da Paula, se é preciso fazer frente ao Centeno escolhe-se essa grande economista de nome Maria Luís.
A verdade é que o PSD nada diz que mereça a pena ouvir e fica-se com a impressão de que afastado um segundo resgate e não tendo havido uma alteração da notação da DBRS Passos Coelho aposta numa calamidade natural que provoque uma crise. Até lá vai-se arrastando no cargo, pelo menos até terminar o segundo mandato.
Na Presidência da República está o homem com quem o grande estratega decidiu gozar apelidando-o de forma pouco frontal de catavento, no governo a gerigonça parece ter vindo para ficar, em Bruxelas o tema das preocupações deixou de ser a dívida soberana e o défice e discutem-se critérios de avaliação dos mesmos e nem mesmo o ministro das Finanças Alemão aparece a dizer uma das suas alarvidades.
Quem faz as críticas, quem marca a agenda com declarações, quem faz propostas nos mais diversos domínios é quem lidera a oposição e não é Passos Coelho, é a Mariana Mortágua.