Montenegro e a Madeira

(Carlos Esperança, in Facebook, 21/07/2025)


Não me inquietam tanto as semelhanças éticas entre Montenegro e Miguel Albuquerque, como a capacidade de fugirem ao escrutínio dos seus negócios, acoitados no aparelho de Estado. E recuso as decisões eleitoralistas que lesam seriamente os interesses nacionais.

Na deslocação à Madeira, para apoiar o PSD-M nas eleições autárquicas, Montenegro prometeu mais autonomia à Região. Ignoro o que pensam os meus compatriotas, mas foram os excessos regionalistas das Regiões Autónomas, que me transformaram de entusiasta em cético da regionalização. E foram, sobretudo, a arrogância, a chantagem e os despautérios dos sátrapas da Madeira, Jardim e Albuquerque!

Hoje, face a qualquer cedência mais, exijo a autodeterminação do Continente. E insisto nas razões:

Nas Regiões Autónomas são retidas todas as receitas fiscais aí auferidas, que só cobrem 60% do seu Orçamento. Os restantes 40% são pagos pelos contribuintes do Continente (cerca de 22%) e por fundos da UE para as regiões ultraperiféricas (cerca de18%).

Não têm despesas com Tribunais, defesa nacional, segurança e representação externa do País, nem contribuem para a ONU, NATO e UE! A própria polícia e Universidades são totalmente pagas pelos contribuintes do Continente, incluindo os das zonas mais pobres.

O regime fiscal local pode, assim, ser mais benévolo o que leva ao crescente domicílio fiscal aí estabelecido por reformados de altos rendimentos.

A Madeira tem dimensão territorial e populacional semelhante ao concelho de Sintra, agregando apenas duas ilhas, e tem um aparelho de Estado faraónico onde o presidente é acolitado por Secretários Regionais remunerados como Secretários de Estado da República. Na Assembleia Regional os 47 deputados são equiparados aos da AR.

A Madeira divide-se em 11 municípios e 54 freguesias, luxo escandaloso da segunda região mais rica de Portugal, com PIB per capita de 103% (acima da média Europeia). E, paradoxalmente, com extensas bolsas de pobreza!!!!

Fui sempre partidário da solidariedade com todas as parcelas nacionais, mas basta!

E o PR, outrora tão loquaz, remeteu-se agora ao silêncio.

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Resultado das eleições na Madeira: o Miguel é inocente

(Tiago Franco, in Facebook, 24/03/2025, Revisão da Estátua)

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Não me perguntem porquê mas as eleicões na Madeira, desde que o Alberto se foi embora, trazem-me sempre à memória o Roque Santeiro. Para a garotada que passa aqui, o Roque Santeiro foi a melhor novela de sempre da vida a dois canais.

Não gosto das análises que a esquerda faz dos resultados eleitorais na ilha do Ronnie. Há 50 anos que dizemos o mesmo: “a Madeira é um caso especial, são todos primos, não se pode extrapolar para a realidade nacional, bla, bla”.

Pode, pode meus amigos. Pode e deve. Os madeirenses, podem falar de uma forma mais difícil ao ouvido destreinado mas são portugueses como todos nós. Gostam de eleger tudo o que é merda.

Miguel Albuquerque tem um camião de suspeitas em cima dele. Como estes casos se arrastam indefinidamente, confesso que não sei em que capítulo vai a série. O início foi espectacular, com 200 paraquedistas a saltarem no Funchal, computadores abafados, muito fogo-de-artifício e o bom do Miguel a encostar a espinha na prisão. Tinha tudo para ser um blockbuster mas depois foi perdendo interesse. Ficam só as suspeitas, as investigações eternas e “à Justiça o que é da Justiça”.

A decência aconselharia que um dirigente nestas condições se afastasse. Em Portugal é currículo. E camaradas, não é apenas na Madeira. É no país todo. Gente que alegadamente rouba, tem problemas com a Justiça ou acusações de violência doméstica, até rapaziada que vai presa, não voltam a concorrer e a ganhar eleições? Não aparecem nas televisões como senadores, com a nobre missão de educarem a população? Não são recompensados com mais cargos políticos de destaque? O Isaltino, a Felgueiras, o Sócrates, o Relvas, os Tutti-Frutti todos, o Valentim Loureiro, o Bugalho, os Cheganos em geral, o Montenegro daqui a dois meses.

A quantidade de gente que se elege neste país com problemas com a Justiça devia ser um caso de estudo. É o “rouba mas faz” aplicado à política portuguesa.

Há uns anos tudo isto me incomodava. Era o tempo em que me aborrecia ter nascido num país de Terceiro Mundo e, por vezes, tinha a arrogância de pensar que a evolução também podia ser uma moda lusa.

Hoje já não me chateia. Sou mais egoísta e menos paciente. Se um trabalhador por conta de outrem, que leva para casa menos de 900 euros (7 em cada 10 portugueses), acha que o futuro (dele e dos filhos) está em partidos que tentam, essencialmente, canalizar dinheiro dos impostos para o sector privado…quem sou eu para discutir essa ideia?

Se pagam impostos noruegueses e recebem salários do Ruanda, vivem em subúrbios que são atentados arquitetónicos, enchem-se de Medicares por causa das filas do SNS e, na única escola que conseguem pagar (a pública), os filhos passam semanas sem aulas mas, mesmo assim, acham que isto só lá vai com PPPs, Vistos Gold e injeções na banca, pois meus amigos, por quem sois?

Fazem muito bem em votar no Albuquerque, no Montenegro, no Ventura, nos gajos da IL, no PS e em todos os que, de uma maneira ou de outra, nos transformaram no pior exemplo de integração na UE. Não foi fácil conseguir entrar pobre e manter esse estatuto por 40 anos. Mas conseguimos.

E como estamos a gostar…continuemos.

Faz parte da democracia e por mim, tudo bem.

Se eu fosse conselheiro do Astromar dir-lhe-ia para (alegadamente) roubar um pouco mais. “Get rich or die tryin’“, como nos aconselha o poeta das rimas em camisa de alças. É isso que procuramos com estas eleições, não é? Resolver casos de Justiça nas urnas.

Descansa Miguel, és inocente. O povo decidiu, está decidido.

A Madeira, Costa e os ovos nos cús das galinhas

(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 04/06/2024, revisão da Estátua)

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A política feita por oportunistas é uma porcaria disforme porque sempre trata situações idênticas de forma diferente, conforme interessa. Não restam dúvidas que Costa foi desalojado do governo do PS em exercício numa operação ordenada pela NATO, que é o governo corrente da Europa, via vassalagem da nazi, neta de nazis e do seu gangue.

António Costa foi por isso cordato, não tugiu nem mugiu: simplesmente afastou-se e mandou o Pedro Nuno gerir a situação, sabendo que os oficiais queriam um badameco à frente do governo. Sines e o lítio assim o exigiam.

Na Madeira, sabe-se, é tudo ao contrário: a corrupção é real e não uma sugestão de um mero comunicado judicial. Mas ao chefe do Governo não é exigida a renúncia e ele, claro, nunca pensaria em tal; é que o seu espelho do WC não lhe consegue devolver a imagem de um trafulha da escola madeirense do PPD! E, sendo assim, tudo como dantes, quartel-general em Abrantes…

É que, o caso nem é explorado em uníssono pelos pasquins da capital, porque não está prevista a tal crise na qual as redacções andaram 2 anos a insistir e a fomentar, segundo o plano que vegetava no estrangeiro, escondido mas real. Era o lítio e Sines como objectivos a atingir. Costa foi resistindo até receber o telefonema do militar da NATO que geriu o assunto e que, entre outras coisas, lhe disse que o PR estava ao corrente do plano e tinha já dado o seu acordo às diligências que tomaria: Conselho de Estado, demissão do Primeiro-ministro e convocação de eleições antecipadas. Os oportunistas são para as oportunidades. E quanto mais alto estão e se movem, mais altas e gordas as oportunidades.

Quem nasceu primeiro, o ovo ou galinha? Costa vai para um cargo europeu por estar desempregado, ou aceitou o desemprego cá, para ir para um cargo lá, na Europa?

Tudo isto é uma mixórdia mas as oportunidades quando surgem devem ser aproveitadas se dão currículo e muiiiiiita massa, milhares de euros, reformas de ouro, bons apartamentos e trabalho de cá-ca-rá-cá, paleio e baias… Tudo em vassalagem.

Então esteve tudo combinado e aceite. Quem pensa que não, deve saber que, em política, o que parece é, e nada acontece por acaso, não senhor…

Muito menos os ovos nos cús das galinhas!