A culpa continua a ser do PCP

(Tiago Franco, in Facebook, 03/03/2026, Revisão da Estátua)


Num painel onde estavam Martim Silva (na imagem) e Nuno Ramos de Almeida, discutia-se o tema do momento (guerra no Médio Oriente), quando o zapping me deixou ali (ontem).

Não sei por onde andava o debate, mas no momento em que os comecei a ouvir, dizia o Martim, muitíssimo indignado, que as declarações oficiais do PCP – Partido Comunista Português e do BE não tinham uma, uma só palavra, contra o regime tenebroso do Irão.

Transportei-me de imediato para o início da invasão russa em 2022 onde, o grande tema em debate, para lá dos mortos e coisas menores do género, era se o PCP condenava, ou não, a invasão.

Acho sempre extraordinário que um partido moribundo em Portugal (há pelo menos 15 anos que ouço isso), que é absolutamente ignorado nas suas propostas parlamentares (com consequências para o país como se viu, por exemplo, nas cheias do Mondego), de repente tenha uma importância extrema na análise de conflitos internacionais.

Notem, Portugal não tem política externa. Ninguém, neste planeta, com responsabilidades e peso de decisão, quer saber o que Portugal tem para dizer. Mas em Portugal, aparentemente, não há analista de direita para quem as preocupações do PCP com o mundo não sejam uma arreliação. O mesmo se aplica ao BE mas em menor escala, especialmente desde a saída de Mariana Mortágua.

O que é que (mais) um ataque ilegal, com mortes de civis, tem que ver com o regime em causa? Como é que fazemos sequer essa análise? Se for um regime bárbaro pode ser bombardeado porque não simpatizamos com os seus líderes? E quem é que decide o nível de brutalidade de um regime a partir do qual o ataque passa a ser aceitável? Sou eu? És tu? É o Martim?

É que, segundo a HRF (Human Rights Foundation), 54 a 72% da população mundial não vive em regimes democráticos. Estamos a falar de 5 mil milhões de habitantes espalhados por 95 países. Há bombas para esta gente toda? Imagino que não.

Assim sendo, resta-nos ir massacrando quem não alinha connosco, preferencialmente entre os que tenham petróleo para a viagem ficar mais barata, e olhando para o lado sempre que um aliado (Arábia Saudita, essa democracia livre) esquartejar um jornalista qualquer.

Na dúvida seguimos a tabela de “terrorista”, ou “combatente da liberdade”, fornecida pela CIA. Tem resultado muitíssimo bem ao longo dos anos e trouxe-nos até aqui. O ponto na História em que Trump, um cobarde que fugiu ao serviço militar cinco vezes, bate no peito com um exército formado pelos filhos dos outros e Melania, uma eslovena acompanhante de luxo, preside a sessões nas Nações Unidas. A verdadeira terra das oportunidades, dizem-me.

Nada disto importa, nada disto muda o mundo em que nos obrigam a viver. O que realmente importa é, com urgência, pedir ao PCP que valide o sétimo bombardeamento de um país soberano, no espaço de um ano, por parte dos autodenominados policias do mundo.

Martim e amigos, tenham juízo.

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6 pensamentos sobre “A culpa continua a ser do PCP

  1. Tázaver, xarroquinho/a querido/a, se fosses sempre assim de mim só levavas aplausos! Comprimento não mais do que o necessário, uns pozinhos de ironia, factual, objectivo e não enjoativamente repetitivo! Provavelmente sol de pouca dura, não tarda voltas a abrir a torneira da bexiga rota e a afogar a peixaria toda! Enfim, oremos!
    Beijinhos, amorzinho!

  2. A propósito desta atrocidade e dos que não a engolem já ouvi e li de tudo.
    Uma das “melhores” e que a esquerda que se diz tão defensora dos direitos das mulheres ignora agora os direitos das mulheres do Irão.
    Meus filhos de uma égua parida, as bombas que caem sobre o Irão são tão inteligentes que so matam homens? As bombas que caíram sobre o hospital Ghandi em Teerão so atingiram os doentes e pessoal que tinha picha?
    E o que dizer do ataque a uma escola feminina que matou mais de 100? Não contam porque ainda não eram mulheres?
    E e um presidente bandalho que frequentou o putedo de Epstein, foi acusado de violação e disse que as mulheres deviam ser agarradas pela c*na que está preocupado com os direitos das mulheres do Irão?
    Isso nunca foi problema na Arábia Saudita onde so há meia dúzia de anos as mulheres puderam conduzir um carro ou sair de casa sem levar alguém com picha a guarda las.
    Nos anos 80 uma tal de Betsy Mahmood conseguiu ganhar a vida e nao trabalhar mais a conta de contar o que alegadamente teria passado nas unhas do marido iraniano. Deu direito a filme e tudo. Assim todas as que levam na tromba no Ocidente pudessem ganhar a vida a contar os tormentos passados. Em vez de muitas vezes acabarem mortas pelo ex.
    Mas o que está aqui em causa é que se fosse na Arábia Saudita talvez só a nacionalidade lhe valesse. Isso se conseguisse sair de casa.
    Porque nunca lhe seria permitido sair de casa com outra mulher ou sozinha com a filha. Provavelmente teria morrido lá.
    A extrema direita também defende mulheres em casa e sem direito a protestar se levarem na tromba por isso não venha com a treta das mulheres do Irão.
    E se o Irão voltar a ter uma ditadura miserabilista como foi a do xa em que e que a vida das mulheres vai melhorar? Podem andar de cabelo ao vento?
    Se a miséria correr solta como no tempo do xa poucas serão as que poderao estudar para ter uma profissão que permita ganhar algum.
    E em todas as sociedades onde a mulher depende quase totalmente do marido as senhoras levam na tromba.
    E sera um monarca absoluto que se preocuparia com os direitos das mulheres?
    Digam de uma vez que isto e sobre pilhagem.
    Esta violação grosseira de todos os direitos humanos nada tem a ver com bombas nucleares, o porco do Netanyahu sabe que está a mentir quando diz que o Irão estava a construir bombas, e muito menos com direitos de quem quer que seja.
    Tem a ver com controle de recursos, com enfraquecer a China tirando lhe fontes de fornecimento de petróleo, com garantir poder absoluto na região ao estado nazista de Israel, com mostrar quem manda no mundo.
    Não tem nada a ver com direitos de quem quer que seja.
    Vão ver se o mar da tubarão branco faminto e queira o santo protector dos cachalotes que os encontrem.

  3. Também ouvi, na mesma Antena 1, o emigrante/imigrante David Nora, “estudante português” em IsraHell, manifestar a sua vontade de regressar. Parece que os supositórios alados do regime decapitado lhe prejudicaram a concentração para os estudos. Via Antena 1, o dito “estudante” honra os gentios do rectângulo com a importante informação de que as sirenes dos escolhidos servem para que, “na eventualidade de um MÍSSEL (sic) se aproximar, nós ESTÊJAMOS (duplo sic) em posição para nos protegermos”. Capisce?

    Aposto que sabe, de cor e salteado, o nome do jogador que, em 1969, marcou o primeiro golo do Estoril Praia contra o Clube Desportivo de Freixo de Espada à Cinta, assim como o nome do guarda-redes do Freixo! É importante não esquecer as coisas importantes, caraças! Talvez seja por isso que este “estudante” decidiu estudar a disciplina de Língua Portuguesa na prestigiada Universidade Autónoma do Burkina Faso! Trata-se de uma escolha divina! E Deus, quando escolhe, não discrimina burros nem camelos! Todos os animais são iguais, mas os animais escolhidos são mais iguais do que os outros! E quem duvidar vai para o cabrão do Inferno, à boleia de uma bomba democrática e humanitária da nação indispensável ou do seu porta-aviões nazionista! Capisce again?

  4. Ouvi há poucachinho, na Antena 1, o Grande Aiatola André Ventrulhas dizer que acabara de sugerir ao CEO da Spinumviva a “suspensão dos pedidos de imigração dos países do Médio Oriente”, concretamente “Síria, Irão, Líbano e Iraque”. Genial! Como toda a gente sabe, IsraHell é um país das Caraíbas!

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