A LEAL contra a “DESLEAL”!

(Joaquim Vassalo Abreu, 15/03/2017)

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Não vai ser nada parecido com um “Kramer contra Kramer”, o célebre filme protagonizado por dois dos melhores actores de sempre, Meryl Streep e Dustin Hoffman, penso que ali dos finais dos setenta, nada disso, vai ser, antes sim, uma acesa disputa entre membros da mesma família política, a direita, pela Câmara de Lisboa. Ou será que já não são da mesma família?

Passo a explicar: eu ontem, naquele programa da RTP3 em que os oradores são o José Eduardo Martins, o Pedro Adão e Silva e aquele do Livre, o Rui Tavares, o José Eduardo perguntado sobre se já havia candidato ou candidata do PSD a Lisboa, disse que vai haver sim senhora e que o programa para a cidade que está a elaborar está em vias de ser apresentado.

Mas como não pode haver programa sem candidato ou candidata, embora até agora o programa não se pudesse dirigir concretamente ao perfil de qualquer candidato ou candidata, ele descaiu-se e penso, tenho a certeza mesmo, que falou de uma candidata feminina!

Ora eu, que não tenho um dedo mindinho com as capacidades daquele do Mendinhos, recorri ao meu faro. Faro sim, não porque seja de Faro, até sou quase do extremo oposto, mas porque nasci ali no sopé do Monte de Faro, em Góios, Marinhas, Esposende, ali a paredes meias com Palmeira do Faro, lá está, e Vila Chã!

Quem ali teve o sortilégio de nascer, nasceu com um faro acrescido e, fazendo uso do mesmo, antes de passar do estado de sentado para o de deitado, passei os olhos pelas capas dos jornais e o que vi? Aquilo que ninguém deve ter visto, ou então não viu como eu. O que foi, perguntarão vocês, que tu viste e mais ninguém viu? É só olhar para uma daquelas notícias de fundo de jornal “I” que diz: “Teresa Leal (esqueceram-se de acrescentar Coelho), diz não à CM de Odivelas a pensar em Lisboa”. E remete depois para as páginas 4 e 5. Eu não me remeti pois já não precisava, nem ia comprar o jornal por causa disso.

Estão a ver, portanto, o que faz ter faro. Associei logo tudo e pensei: este PSD não faz nada por acaso! Para combater uma “desleal”, que melhor escolha que uma Leal? Ainda por cima Coelho! E ainda por cima do por cima com um nome de “santa”, seja ela de Calcutá ou de Ávila!

Que ela é Leal é uma constatação. Mas quem será a “desleal”? É também óbvio que é a Maria de Assunção! Mais que desleal, uma autêntica traidora. Como é que uma Ministra, e Ministra da Agricultura e não sei se também dos Mares, de um governo superiormente dirigido por um ser tão iluminado como outro não teremos, faz o que faz e fez o que fez? Primeiro candidata-se à CM de Lisboa sem avisar sequer o seu ainda “pafiano” parceiro. Depois vem dizer que de Banca nos conselhos de ministros não se lembra de se ter falado, quanto mais no sistema financeiro. E depois, cereja em cima do bolo, que assinou de cruz a resolução do BES a pedido da Maria Luís!

Quer dizer: em plena actividade balnear, entre um mergulho, a mamada da filha mais nova e a preparação da espreguiçadeira, ela despachou um Mail de altíssima responsabilidade. Mas aqui até que não posso ser tão injusto: aqui até demonstrou lealdade. A deslealdade foi a revelação!

Mas, recorrendo novamente ao meu faro, ele cheira-me que não terá sido tão simples assim. Para mim ela primeiro telefonou ao Paulo que lhe terá dito: aguarda só um momento Maria “de”!

Entretanto o Paulo telefona, ou estava mesmo com o Coelho e pergunta-lhe: quantos lugares por esta assinatura? Ligou à Maria “de” e disse-lhe: feito, assina! Esta troca de uma assinatura por vários lugares para os seus nos mais diversos departamentos estatais. Que fique bem claro que isto não fui eu que inventei: foi o antigo ministro da economia, o Álvaro Santos Pereira, que o relatou num livro que escreveu. Verosímil, portanto…

De modos que vai ser bonita a “festa”, pá! A campanha, quero eu dizer. Os debates, direi melhor.

A Maria “de” há muito que marcou o terreno, há muito que anda em campanha prometendo reverter aquilo que tirou no seu consulado e até já reuniu com o Medina para se certificar se eram verdadeiros os boatos que diziam estar a CM de Lisboa de boa saúde financeira. E até disse: pois se assim é poderia e deveria ter feito mais, muito mais. Ela tê-lo-ia feito!

Entrementes a Leal, que vem atrasada e tem muito que recuperar, está confrontada com um dilema: gastaria mais ou pouparia mais? Mas ela vai ler o programa e vai fazer como os jogadores de futebol quando entram a substituir outros: o adjunto do Mister mostra-lhe aquelas folhas todas, com aquelas tácticas todas esquematizadas de modo que eles, quando entram, já sabem o que vão fazer, o lugar que vão ocupar, o espaço em que vão jogar e os círculos que devem vigiar. De modo a não perderem as “segundas” bolas e a ocuparem os espaços entre linhas, como dizem aqueles entendidos todos em futebolez!

Mas, como disse, vai ser bonito! Leal sou eu, dirá a Leal! Católica sou eu, dirá a Maria “de”! Traidora és tu, dirá a Leal! Traidora o “camando”, responderá a Maria “de”! Tu e a tua família trouxeram para aqui a Uber, diz a Leal! E tu andas nela, replica a Maria “de”! Eu tenho uma já longa carreira política, diz a Leal e enumera: já fui administradora da SAD do Benfica no tempo do Vale e Azevedo, já presidi a várias comissões de inquérito, fui contra o Constitucional e até combati os Maçons! E tu, desafiou ela a Maria “de”?

Mas esta não se ficou e retorquiu: eu fui Ministra e, mais que tudo, fui contra o aborto, seu “aborto”. Já agora diz-me: porque andas sempre de cachecol, mesmo no verão? Tens alguma coisa a esconder? Hummm…

O Fernando Medina, mais o João Ferreira, riam-se a bandeiras despregadas e o do Bloco, novato nessas coisas, ainda imberbe, estava amarelo e não acreditava no que ouvia.

E dizia para consigo: coisas de mulheres! Onde eu me vim meter…


Fonte aqui

Vamos ajudar a Maria de Assunção (a Cristas)!

(Joaquim Vassalo Abreu, 05/02/2017)

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Como bem notam, não “da “, mas “de”! Ora este “de” só pode querer dizer “por”! Isso mesmo: Maria por Assunção. Ou por outra: Maria antes mesmo de o ser!

Ora isto faz todo o sentido quando olhamos para os nomes dos seus filhos: dois rapazes e duas raparigas. Tudo bem e tudo normal, dir-me-ão. Sim, mas o pequeno grande pormenor, é que todos são Marias! Eles João Maria e Vicente Maria e elas Maria do Mar e Maria da Luz!

E fez-se-me luz! Eu não sei se ela tem apartamento ou vivenda (deve ter vivenda), mas se esta tiver, na entrada deverá ter aposto o óbvio e em azulejo azul e branco: “Casa dos Marias”! Porque “Da Graça” só há um: o marido! Mas este é “da” Graça e não “de” graça”, assim como a Uber! Compreendem? Claro que sim…

Portanto, depois destas minhas ingénuas observações (e já passo por cima do facto de ela ter nascido em Luanda no dia 28 de Setembro de 1974 – esta data não vos lembra nada?), o chamar-se Cristas é irrelevante.

Mas a Maria de Assunção, que também é Cristas, a catolicíssima Cristas, resolveu alcandorar-se a candidata à presidência da Câmara de Lisboa e, ouvi eu com estes olhos que a terra há-de comer, resolveu escrever aos Lisboetas a pedir-lhes ideias para Lisboa.

Embora eu de imediato tivesse ficado constrangido por não ser lisboeta e não votar em Lisboa, não pude ficar indiferente a este pungente pedido pois também, e de imediato, concluí da sua atrapalhação por ausência de ideias. Como nunca fico, aliás. E, mesmo com eles não concordando, não me eximi a dar ideias ao Seguro, quando ele me mandou um Mail a pedi-las, tratando-me mesmo por “amigo” e incentivando-me a segui-lo para ambos salvarmos Portugal, isto apesar de ele já ter, na altura, oitenta ideias, como não me excluí do pungente pedido de Passos e também lhas dei.

Como bom samaritano que sou, eu não podia, não em nome do meu, mas do seu cristianíssimo catolicismo, deixar de aceder ao seu apelo. E isto porque concluí que ela, realmente, não tem qualquer ideia sobre Lisboa.

E já que, como é por todos reconhecido, as ideias são todas propriedade do Fernando Medina, a tal ponto que nem o PSD encontra alguém com outras alternativas, eu perguntei-me: e se nenhum lisboeta lhe mandar ideias? E esta ideia começou a moer-me, a dar-me volta à carola e, não em nome da minha generosidade religiosa, mas da minha caridade humanista, eu resolvi, e gratuitamente como sempre, dar-lhe umas singelas ideias, não para a salvar, mas apenas para a aguentar, como Maria, como Maria de Assunção, para que ela não deixe de trazer mais Marias à terra, para bem de todos.

Isto porque, além dos rapazes Marias, ela já tem a do Mar e a da Luz.  Já tem, portanto, de Lisboa o Mar e a Luz, mas ainda lhe falta a do “AR”. Do “ar” de Lisboa, bem entendido. E não posso ficar indiferente. E isso até nem será difícil pois ela, por princípio, não peca: é contra o aborto, é contra o uso do preservativo (claro!) e, no fundo, contra tudo o que Deus ofenda.

Mas ela tem um pecado capital e do qual nunca se penitenciou. Mas quem não peca? Todos pecamos e até a Maria de Assunção. Mas qual o pecado, perguntará ela, dele não se lembrando?

Não se lembra, mas eu lembro-lhe: então minha cara Maria de Assunção, você não afirmou, depois daquele recuo do Paulo após a sua declaração do “Irrevogável”, que retroceder, que dar o dito por não dito, voltar com a palavra atrás, sem sequer se penitenciar, era um acto cristão e revolucionário? Eu sei que até Cristo pecou mas, minha cara Maria de Assunção, é melhor não lembrar isto, não é?

Seguindo, eu resolvi não lhe dar ideias porque, como disse, o Fernando Medina é dono delas todas e não vou então por aí. Vou-lhe, antes, dar um conselho! Cujo é uma pergunta: Você não é admiradora do Trump? Então porque não utiliza uma estratégia tipo Trump, já que a Le Pen também a vai utilizar, neste caso a de “Pôr França na Ordem”? E que tal pôr Lisboa na ordem? Ou pôr Lisboa “first”, porque não?

Isto não lhe inspira nada? Eu sei que toda a gente diz que Fernando Medina até tem cara de boa pessoa, que é afável, que não mostra qualquer resquício de maldade, mesmo que tenha nascido no Porto (mas você também nasceu em Luanda e ainda por cima no dia 28 de Setembro de 1974), mas Maria de Assunção, ele é Medina! Este nome não será suspeitoso e merecedor de atenção?

Medina é muçulmano, Maria! Ele é “Muslin”, Maria! Pode alguém chamar-se “Medina” sem ser “Muslin”, assim como qualquer Mouahmed ou Al qualquer coisa? Não é suposto ser você uma Trump de saias, ou de vestido, está bem, que é o que ele exige a todas as suas colaboradoras na Casa Branca? Então, de que está à espera Srª Drª D. Maria de Assunção Oliveira Cristas Machado da Graça e Uber?

Mande-o prá terra dele, mulher! Ponha-o na fronteira, ali pra Gaia, ao pé do Porto, para que não permaneça sacrilegamente em território alheio, Maria! Como é que um tipo chamado “Medina” é, e quer continuar a ser, Presidente de uma Câmara como Lisboa, tão plena de MAR E LUZ? E quem sabe se também de “AR”?Pegue-lhe por aí, Maria! Ainda se se chamasse Meca que, esse sim, é nome sagrado…

Vá em frente Maria de Assunção, mas vá de crista erguida, fazendo jus ao seu nome. De crista erguida e na crista da onda. Não surfa? Tem que aprender. Não basta saber nadar. Aprenda com o Marcelo. Nadar ele sabia, mas não bastou. Olhe se ele não desatou a pegar na prancha e ir todos os dias molhá-la ali na praia de Cascais? Não viu o resultado? Valeu ou não valeu a pena?

E, já agora, e para finalizar, mais um conselho, mas este para cartaz principal: “Na Crista de Lisboa com a Cristas”!

Já viu que “sainete”, Maria de Assunção?


Fonte aqui

A trapalhada

(In Blog O Jumento, 19/12/2016)

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A candidatura autárquica do PSD a Lisboa está transformada numa trapalhada digna dos tempos de Pedro Santana Lopes que acaba por ser um dos artistas principais deste espectáculo pouco digno daquele que é um grande partido autárquico e que espera que o país tenha um azar para que Passos Coelho o salvar.

Pedro Santana Lopes andou uns meses a brincar às autárquicas, testando a sua popularidade e avaliando os apoios que ainda poderá ter no partido. Começou por dizer que não era candidato a nada quando foi reconduzido na Santa Casa, seguro no tacho deu a entender que poderia ser candidato, só para avaliar as suas possibilidades de vitória. Como é melhor ter um pássaro na mão do que dois a voar Santana desistiu, demitir-se da Santa Casa era um grande prejuízo económico e associar-se  a Passos coelho era um perigo para o que pode restar da sua carreira política.
Passos está acantonado cada vez mais à direita, governou com um programa económico com ideias dignas do Chile de Pinochet e entrou em guerra aberta com Marcelo Rebelo de Sousa. Aos poucos o líder do PSD é um produto tóxico para o centro político e ninguém com bom senso se associa a um líder que começa a parecer doente.
Santana percebeu que uma derrota autárquica ao lado de Passos era o seu fim, ficava sem Santa Casa e sem cargo público, teria de viver dos seus modestos comentários na SIC Notícias, o dinheiro mal daria para suplementos alimentares e de alma.
No meio desta confusão a concelhia de Lisboa do PSD faz vídeos imbecis sobre ciclovias e convida um opositor de Passos para elaborar um programa autárquico do PSD. É óbvio que nenhum candidato autárquico se vai dar ao trabalho de ler este programa eleitoral paralelo.
É cada vez mais óbvio que ninguém no seu pleno juízo e com prestígio político se vai juntar à extrema-direita das docas para salvar Passos Coelho de um desastre político. Passos Coelho não é o político corajoso de que alguns falam e tem medo de enfrentar Medina, pondo à prova o seu direito democrático a governar, de acordo com a sua ladainha da vitória eleitoral. No sábado dizia-se que o PSD ia apoiar Assunção Cristãs, dois dias depois já só estão a negociar umas juntas de freguesia.
Nesta tabuada das contas eleitorais, em que Passos tenta encontrar uma solução para voltar a vencer perdendo as eleições o PSD multiplica os tabus, para cada hesitação de Passos Coelho surge um novo tabu.