(Por Maurício de Carvalho, in Facebook, 25/07/2024)

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Não compreendo o fascínio dos jornalistas portugueses pelo partido “democrático” americano… Deduzem que sendo “democrático” é progressista, defensor da paz e dos direitos humanos, humanista…
Em termos internos não conhecem, por certo, as imagens dos milhares de cidadãos americanos arrastando a vida, sob o efeito dos narcóticos mais perigosos, pelas ruas das mais importantes cidades americanas… milhares de cidadãos sem qualquer nível de apoio, humano, social, de saúde… nada de nada como dejetos humanos condenados á morte.
Internacionalmente o ícone máximo da governança democrática foi Obama (…até por ser preto…) que esqueceu rápido as suas origens africanas e tradições culturais para declarar guerra ou invadir sete países, em seis anos, onde largou centenas de milhares de toneladas de bombas, fazendo milhões de mortos… O seu vice-presidente era Biden que, uma vez a na Casa Branca, abandonou o Afeganistão, deixando à mercê dos talibans os seus próprios aliados, defendidos por um exército que sabia não existir, ou só existir no papel, mas a quem vendeu um verdadeiro arsenal de armas e munições… Notável.
Depois declarou guerra á Rússia, por país interposto, a Ucrânia, que em segredo armou durante anos, o que não evitou centenas de milhares de mortos e o êxodo de cerca de metade da população do país.
Segundo momento da governança “progressista” de Biden foi acreditar que os serviços secretos mais eficazes do mundo, os israelitas, foram apanhados desprevenidos e foram surpreendidos por um ataque do Hamas à fronteira de Israel em que terão morrido um milhar de cidadãos judeus.
Uma ótima oportunidade para o governo de Biden patrocinar a maior catástrofe humanitária do nosso século… a destruição de toda a estrutura urbana e de todas as infraestruturas, estradas, praças, ruas, escolas, liceus, universidades, hospitais de um território palestiniano, uma urbe de mais de dois milhões de habitantes, que foi completamente arrasada, mais de 88.000 prédios destruídos à bomba e ao míssil, mais de 186.000 mortos, a maioria soterrada sob os escombros dos prédios destruídos, mais de 38.000 mortos identificados, vítimas dos ataques do exército sionista, entre os quais mais de 16.000 crianças, 9.000 mulheres, com outros milhares de mortos por doença, falta de ajuda sanitária e medicamentosa, pela fome, doenças infeciosas ou desespero por andarem a ser escorraçados de uma ponta para a outra de um espaço urbano completamente arrasado… armas e munições fornecidas pelos americanos que incentivam, pelo seu apoio político e militar, o genocídio do povo palestiniano.
Um governo “democrático”, portanto, “progressista”, “humanista”, “defensor dos direitos humanos” que os jornalistas portugueses tanto admiram…
Já Trump o candidato republicano, líder de um partido de direita, reacionário, racista, xenófobo, não declarou guerra a qualquer país do mundo, foi o primeiro presidente americano a não o fazer em cem anos, promoveu sete tratados de paz, quis tornar a “América de novo grande”, virando-a para o seu próprio espaço, promovendo a agricultura e outras atividade primárias, a industrialização do pais, a produção interna de bens e serviços essenciais… Tudo isto sem entrar em guerra, direta ou indiretamente, com qualquer estado estrangeiro, sem promover qualquer ataque militar, sem provocar qualquer conflito… enfim, um deprimente “reacionário”.
Se a Sra. Vice-presidente chegar ao poder, se é europeu e jovem, prepare-se para ir para a guerra, senão deserte, emigre para um dos destinos onde o não possam incomodar. Boa sorte.

