A privatização das praias

(Andreia Pinto Ferreira, in Facebook, 24/09/2026, Revisão da Estátua)


Já vendemos os anéis. Estamos agora a vender os dedos.


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Figuras como os Duques de Sussex, George Clooney ou Cindy Crawford são os Ed Sheerans e as Pinks do imobiliário de luxo em Portugal, são a fachada glamorosa que valida um ecossistema predatório.

Para compreender o tamanho da hipocrisia, é preciso rasgar o véu do “investimento estrangeiro” e nomear com rigor a origem do dinheiro que está a soterrar a costa alentejana. O betão que bloqueia o acesso dos portugueses ao mar é financiado por impérios erguidos sobre exploração humana, opacidade fiscal e destruição ambiental noutras partes do globo:

Sandra Ortega, dona do projeto Na Praia em Troia, herdou a sua fortuna do império Inditex (Zara). Trata-se de uma indústria historicamente associada à pegada de carbono massiva, ao desperdício têxtil global e a denúncias crónicas de condições de trabalho precárias em países em desenvolvimento. Esse mesmo capital, gerado na engrenagem do consumo descartável, é agora reinvestido para privatizar dunas protegidas em Portugal;

Claude Berda, a força por detrás da Vanguard Properties, construiu o seu império multimilionário no setor dos média e do imobiliário, na Suíça e na França. Especializou-se em captar capitais voláteis através de esquemas de otimização fiscal e na transformação de solo natural em ativos financeiros de alto rendimento para a elite global;

O projeto Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides, controlado pela tecnológica imobiliária americana Discovery Land Company, conta com o envolvimento de fortunas mexicanas sob escrutínio. São capitais que muitas vezes operam através de paraísos fiscais e fundos de investimento cuja origem real das mais-valias permanece oculta por engenharia financeira, longe dos olhos dos reguladores ambientais portugueses.

No xadrez do marketing do ultra luxo, a presença de um príncipe Harry, de uma Meghan Markle ou de um George Clooney vale muito mais do que o valor nominal de um lote de terreno. Por isso é altamente provável que muitas destas celebridades não tenham pago um único cêntimo pelas suas propriedades. Estes famosos não são clientes, eles são o produto.

O modelo de negócio assenta em contratos de endosso disfarçados: O promotor imobiliário oferece a moradia (ou vende-a por um valor simbólico) em troca do compromisso implícito de a celebridade ser fotografada na zona. Quando a notícia “Harry e Meghan compram casa em Melides” corre o mundo, o valor de todos os outros lotes ao redor duplica instantaneamente. O milionário anónimo de Wall Street ou de Frankfurt pagará alegremente 10 ou 15 milhões de euros por uma casa, apenas pelo privilégio de ser vizinho de um membro da realeza.

Ao aceitarem esta borla dourada, os famosos tornam-se cúmplices e escudos éticos. Se o resort estivesse apenas associado ao magnata mexicano ou à herdeira da Zara, o público veria ali apenas especulação mas, com Clooney ou Crawford na fotografia, a destruição das dunas passa a ser “um estilo de vida aspiracional“.

Mas esta máquina de esquecimento não opera sozinha. Para que o crime ambiental e social funcione sem revolta popular, é necessário um exército de relações públicas: os promotores imobiliários, a imprensa cor-de-rosa, os programas de crónica social e as “Cristinas Ferreiras” deste país. Ao bajularem as ditas figuras públicas e ao tentarem, elas próprias, fazer parte desse mesmo círculo social elitista, as figuras da televisão nacional normalizam o bloqueio dos acessos públicos às praias, criando uma narrativa onde criticar o resort é visto como “inveja“, porque, afinal, “as estrelas precisam de privacidade“.

O paralelismo com o mundo da música é total. Assim como criticamos os artistas que vendem os seus valores ao melhor licitante, torna-se urgente apontar o dedo às celebridades que aceitam ser testa-de-ferro da privatização da costa atlântica.

Enquanto a Passadeira Vermelha aplaude o luxo silencioso, o país perde a sua terra, o seu mar e a sua dignidade ao sabor da tradicional passividade portuguesa.

12 pensamentos sobre “A privatização das praias”

  1. Ainda ontem deu uma reportagem sobre os vistos Gold, essa política introduzida no governo do “guru” Oassos Coelho, e que patece não incomodar os autores da lei da nacionalidade e da imigração, pois neles não tocaram.
    Sem surpresas, são os que vêm dos EUA os mais numerosos, seguidos dos chineses, depois turcos, ingleses, se não me engano, indianos e brasileiros.
    Mas como é gente de uma certa “classe”, gente de “bem” com dinheiro para comprar a nacionalidade (que está à venda como uma “marca”, lá diz o outro, ou um “produto”), não há nem “percepções” nem “alarme social”.
    É o mundo encantado das carolas direitolas.

    https://cnnportugal.iol.pt/migracao/governo/aprovados-mais-de-tres-mil-vistos-atraves-da-migracao-regulada-governo-faz-balanco-positivo/20260325/69c41ccbd34edcee7c624bd1

  2. Quais “vermelhos”? Nos últimos 50 anos só andaram no Governo os direitrolhas e o PS, que e um albergue espanhol que em muitas zonas do Sul atraia tudo quanto era “anti vermelho” primário porque parecia mal ser de partidos que endeusavam ou branqueavam o tempo da Outra Senhora como eram o PSD, o CDS e o PPM.
    Mas tu deves ser daqueles grunhos para quem quem não é direitrolha e comunista.
    Se tens 44 anos ainda vais a tempo de tentar entrar nos Estados Unidos onde floresceu essa teoria peregrina de que quem não e de direita radical e comuna e deve ser fuzilado ou “só” preso e corrido do emprego.
    Tem cuidado porque se passares pelas masmorras do ICE podes receber um duro golpe nas tuas convicções a dar se o caso de saíres de lá vivo.
    Valha te um burro aos coices. Cumprimentos ao Nobre e ao extrema direita. A ser verdade que são duas pessoas diferentes.

    • Esse(s) troglodita(s) nunca mais emitiram um pio, mais o Mr. Slime dos vídeos do sociopata degenerado Pinto Coelho (talvez por causa do cruzamento entre uma ave e um mamífero na nomenclatura)… vamos ver se caem “na rede”… pode ser que esse “mistério” ainda venha a ser revelado…

  3. Boas.
    Olha lá que são os teus “vermelhos ” que deixaram isto chegar á situação que está. Não sou daqui (alendaqui) mas já aqui ando á 44 curtos anos

    • «Durante o Estado Novo, Cascais e a linha do Estoril funcionaram como um refúgio dourado e cosmopolita para elites europeias, reis destronados, refugiados da Segunda Guerra Mundial e espiões, beneficiando da neutralidade de Portugal.

      Principais Aspetos de Cascais como Refúgio no Estado Novo

      Acolhimento na Segunda Guerra Mundial: Graças à neutralidade portuguesa, a região tornou-se um porto de abrigo para milhares de refugiados, judeus e exilados políticos que fugiam do nazismo e da ocupação na Europa, à espera de transporte para as Américas.

      Reis e Famílias Reais Exiladas: A zona abrigou monarcas destronados e figuras da realeza europeia (como a família grão-ducal do Luxemburgo, o Rei Humberto de Itália e, mais tarde, Juan Carlos de Espanha), que encontraram na Riviera Portuguesa um ambiente seguro e elegante.

      Espionagem Internacional: Os hotéis de luxo, casinos e a proximidade a Lisboa transformaram Estoril e Cascais num célebre tabuleiro de intrigas, diplomacia secreta e espionagem internacional, frequentemente comparado a um cenário estilo Casablanca.

      Poder Político Nacional: O próprio regime do Estado Novo utilizou o local; o Presidente Óscar Carmona escolheu o Palácio da Cidadela de Cascais como sua residência oficial entre 1928 e 1945, recebendo anualmente as visitas rituais de todo o governo, incluindo Salazar.

      Resistência Clandestina: Em contraste com a elite ociosa e os refugiados abastados, o concelho acolheu também uma discreta e ativa rede de casas clandestinas ligadas à oposição ao regime e ao Partido Comunista Português, documentada na rota local de resistência.

      Gostaria de saber mais sobre algum grupo específico (como os espiões e a realeza no Estoril) ou sobre os locais históricos que ainda hoje pode visitar em Cascais relacionados com este período?»

      Um breve resumo elaborado pela “Super Inteligência Artificial”.
      Eram os “vermelhos”, eram… mas os que apregoavam o tintol no Estado Novo…

      https://www.google.com/search?q=cascais+como+ref%C3%BAgio+no+Estado+Novo&oq=cascais+como+ref%C3%BAgio+no+Estado+Novo&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigATIHCAIQIRigATIHCAMQIRigAdIBCDk2ODhqMGo3qAIAsAIA&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8

  4. Outra coisa que me arrepia nestas tempos de desvalorização dos trabalhadores e do seu direito a uma remuneração justa.
    A quantidade de anúncios a pedir “voluntários” para trabalhar nisto e naquilo, tudo bem, com horários “simpáticos” de 16 a 25 horas semanais, a troco de cama e comida.
    Noutro tempo isso chamava se exploração. Hoje chama se voluntariado e espera se certamente que os voluntários se vão sucedendo.
    Os trabalhos vão desde tratar de animais, a trabalhar em quintas e até programar sites na web para divulgação de empresas.
    A um trabalho deve corresponder um salário, se trabalhamos numa empresa privada. Ponto!
    No meu tempo voluntariado era ir por conta de uma qualquer ONG alimentar ou tratar de gente assolada pela fome ou a guerra em qualquer ponto deste mundo cão. Ou ate santuários de elefantes. Não trabalhar de graça para um agricultor, criador de cavalos ou alguém que não quer pagar a técnicos informáticos.
    Alguém que ponha mão nisto pois que anuncios destes sucedem se passando por Grécia, Espanha, França e até Estados Unidos onde o desgraçado corre o risco de cair nas unhas da milícia fascista chamada ICE e acabar morto ou deportado para África.

  5. Quanto a performance do nosso Governo nada me espanta. Desde a atitude indecente que tiveram quando portugueses estavam nas unhas de uma gente com uma crueldade de há quatro mil anos atrás.
    Quando muita gente abandonou a sala deixando o porco genocida praticamente a falar sozinho podia ver se um javardo sionista a tomar notas num caderninho.
    Dizem que estava a tomar notas de quem eram os países cujos representantes tinham saído.
    Acho que daria menos trabalho apontar os poucos sem vergonha que ficaram concluído que os outros não o tinham feito.
    Provavelmente aquelas cabeças estão já a congeminar como lançar o longo braco do sionismo contra eles.
    Como aliás já o fizeram contra Espanha. Mas enquanto houver Governos que, tal como o de Espanha, culpem a Rússia de cousa que sabem muito bem que foi o criminoso, ainda mais impunidade continuará a ter gente desta para assassinar semitas e perseguir críticos em todo o mundo.
    Sionismo e nazismo. A mesma luta.

  6. Burros do curral, efeito manada, o que queiramos.
    Como e possível que depois de tantos casos envolvendo gente do Chega, desde roubos de malas a pedofilia, a casos de nepotismo nas poucas autarquias onde venceram, a eleitos do Chega nas autarquias a abandonar o barco por não terem qualquer qualificação para funcionar no jogo democrático e até por falta de capacidades técnicas e intelectuais, ainda há mais gente que nas eleições passadas a querer votar no Chega.
    Porque infelizmente neste caso há que acreditar nas sondagens pois que até agora teem pecado sempre por defeito na avaliação da tendência de muita gente para a grunhice. Porque continua a haver gente com a plena consciência de que não vota com intenção de fazer bem a ninguém e por isso não confessa ir votar em tal gente.
    No Parlamento essa gente tem uma postura arruaceira, vota contra todas as poucas propostas que possam melhorar a nossa vida, votou contra o pacote laboral apenas por ver que a oposição a tal barbaridade era geral e ainda há gente, cada vez mais, que acha que pode ser salva por tal gente.
    Salva de moléstias depois da morte que pode chegar mais cedo a muita gente se o SNS for totalmente desmantelado.
    Salva das burkas que por cá nunca ninguém usou, salva das mulheres de cara tapada que nunca assaltaram um banco, salva dos imigrantes muçulmanos que nem gastam dinheiro num tasco a beber uma jola ou um copo de três. Já para não falar em bifanas e sandes de courato.
    Enfim, grunhos e grunhas. Burros como cepos e isso não tem cura.
    Não me venham e com o discurso dos coitadinhos que se sentem abandonados pela democracia e por isso votam Chega.
    Isto não abre realmente muitas portas a esperança.
    Mas que possamos continuar por aqui. Contra cheganos e outros que tais ou até contra os guardiões do nosso radicalismo ou suposto respeito por nós próprios por nos termos esquecido de rever as asneiras do corrector.
    Vamos ficar por aqui até porque qualquer dia nem nos deixam ir lavar as banhas ao mar.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  7. 1) uma base sólida, de madeira;

    2) duas colunas altas, ligadas por uma trave horizontal a 2.5 metros de altura;

    4) um corte em forma de meia lua, com o diâmetro de um pescoço, numa tábua à altura dos joelhos;

    5) uma lâmina bem afiada com um sistema de deslizamento bem afiado entre os 2 postes altos;

    6) uma fila na praça, com todos os donos do actual regime* prestes a ver essa geringonça bem de perto, ajoelhados, e com o pescoço na meia lua;

    7) uma festa popular por cada vitória atingida sempre que uma cabeça rola pelo palco;

    Só há revolução quando há guilhotinas.
    Com cravos, apenas há ilusões.

    * oligarcas nacionais, gestores das filiais das multi-nacionais no nosso solo, directores das empresas nacionais ainda privatizadas, escumalha partidária qur passou a vida a dar o cu na embaixada dos EUA e na ditadura UE e nos jantares de convívio sionista, os “pastores” evangélicos e do “reino de deus”, apoiantes de nazis com pin da NATO nas fardas das forças armadas “portuguesas”, apoiantes do offshore da Madeira e de todos os esquemas de elisão/fraude fiscal, apoiantes do lobby nos Parlamentos, chefias policiais amigas do movimento zero/chegano, militantes partidários cujos discursos parecem cartilhas da CIA, gentinha universitária que andou a fazer favores a Pavlo Sadokha e companhia, juízes do Constitucional que são a primeira linha da violação da Constituição de Abril, associações patronais e de proprietários que mais parecem um museu vivo do Estado Novo, gente que queria ir além da troika, gentalha que foi a Damasco ou apoia os terroristas, cheerleaders de todos os golpes do império como o que foi feito na Venezuela, fans do bloqueio a Cuba e das sanções (tiro nos pés dos cidadãos europeus) contra a energia vinda da Rússia, todos os simpatizantes com as “operações defensivas” da NATO/EUA no Iraque e Líbia e Sérvia e companhia, e todas as presstitutas (acima de tudo directores de informação com canais directos na CIA, Mi6, e Mossad) que fizeram propaganda em nome de tal escumalha e de tal regime.

    Ou há um rio de sangue, ou continua o tsunami de indecência desumana.

    Para países como a China chegarem onde chegaram, foi preciso uma Longa Marcha.
    Nós em Portugal, temos a mania que basta estarmos sentados no sofá, e passear na Avenida da Liberdade uma vez por ano…
    Não.
    Assim não vamos a lado nenhum.
    Apenas garantimos que o pouco que se conquistou de 1974 até 1986 (ou 1992, dependendo do ponto de vista) continua a ser sistematicamente desmantelado, e que o que já estava mal fica ainda pior.

    Alguém aqui percebe isto, ou continua tudo em negação?

    O governo de Portugal foi dos poucos que ficou na sala da UNGA (Assembleia Geral das Nações Unidas) a ouvir as alarvidades saídas do focinho do demónio hitleriano chamado Netanyahu.
    Ou seja, Portugal fez saber que o COLONIALISMO, a LIMPEZA ÉTNICA, a AGRESSÃO MILITAR, o APARTHEID, e o GENOCÍDIO não incomodam quem representa os Portugueses.

    Nas ruas das cidades portuguesas, nem uma manifestação. Nem sequer um único protesto audível.

    Se calhar a guilhotina não resolve o problema, quando a raíz do problema está em quase todos os burros do curral…
    É uma das conclusões mais tristes da minha vida.

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