Analisando a análise do analista

(Tiago Franco, in Facebook, 18/02/2025, Revisão da Estátua)

Saia um camuflado para a Helena! Guerra é mesmo com ela! 🙂

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Dir-me-ão que analisar é uma especialidade ao alcance de poucos iluminados. Eu acho que não. Aliás, se pensarem nisso, não fazemos outra coisa na vida. Desde que acordamos até que nos deitamos, estamos sempre a analisar qualquer coisa.

A estrada mais desimpedida para chegar ao trabalho e fugir ao trânsito. A melhor solução para o problema colocado pelo chefe. Que broca usar para não fazer uma cratera enquanto penduras aquele quadro que está no chão há cinco meses. Como explicar aos miúdos que a vida não segue um roteiro do Netflix. Em que partido votar consoante a história que nos contam. Que parangona de primeira página tem um corpo de notícia que a confirme. Até se aquela casa de banho pública onde entraste no momento de aflição reúne os mínimos olímpicos para o alívio desejado.

Analisar é, perante um conjunto de dados, pensar no seu significado. Mais ou menos elaborado, é isto. Todos conseguimos analisar, uns explicam-se melhor, outros pior. Mas desde que tentemos dizer aquilo que vemos, tudo bem.

A minha carga laboral retira-me o tempo necessário para seguir os passos da atualidade como eu gostaria. Pelas minhas contas assim continuará por mais três anos e, como tal, procuro com a ajuda dos analistas de serviço para ir percebendo o que se passa.

Funcionam, para mim, como aquele resumo dos Maias, das edições Europa-América, que todos usámos para fazer a síntese, o resumo e a ideia geral da obra. Desde que trabalho para os camaradas chineses, esta é a única forma de saber para que lado roda a terra.

O meu método é simples mas moroso. Escolho um canal qualquer e vou ouvindo o que por lá explicam. Se passado algum tempo a realidade bate certo com o que ali dizem, seguimos juntos, como se diz na margem sul. Se vejo que é sempre ao lado, passo ao próximo, seja em que canal for.

Tirando o Rogeiro, o Sousa Tavares e mais dois ou três clássicos da RTP, eu não conhecia qualquer comentador da televisão portuguesa há uns três ou quatro anos. Por exemplo, o Luís Paixão Martins, que é um catedrático da comunicação, apareceu há uns anos num programa de futebol e eu não fazia ideia quem ele era. O mesmo para todos os que aparecem na CNN (conhecia a Anabela dos anos da AR) e da SIC apenas a rapaziada do Governo Sombra ou do Eixo do Mal.

Tentei ouvir uns quantos ao longo dos anos e fui percebendo, como todos nós, quem é que resumia a atualidade e quem é que espalhava “wishful thinking” que, no fundo, acabava por me fazer perder o dobro do tempo com verificação de factos. Se alguém me diz, durante três anos, que a Rússia está quase a colapsar, eu não consigo ouvir essa pessoa mais um minuto que seja. Porque, das duas, uma: ou é profundamente incompetente ou então tenta espalhar desinformação. Nenhum caso é particularmente apelativo.

Há um ror de exemplos de pessoas que, diariamente nas nossas televisões e sob a capa da “análise”, mentem descarada e repetidamente. Em alguns casos é até possível ver que, com o passar dos anos, o discurso vai-se radicalizando e a vergonha desaparecendo. Uma e outra vez dou por mim a ouvir um caderno de intenções próprias, pensamentos ideológicos e tiros que se afastam, em muito, do quotidiano.

Esclareço: eu nada tenho contra uma opinião, uma análise especulativa ou até um pressentimento com base na história e na experiência, do que será o amanhã. Mas por favor, não apliquem a mesma lógica para o que aconteceu ontem. Sobre o passado não dá para especular ou assumir. Os dados existem. Há que, com a melhor das capacidades, tentar explicar o que se passou.

E nada tenho contra quem se engana e assume o erro mas, como saberão, em Portugal, ninguém se engana. É preferível andar anos a vender uma história alucinante do que dizer: “enganei-me”. A nossa credibilidade depende de estarmos sempre certos. Mesmo quando é a fingir.

Zelensky disse que a Ucrânia não estará na conferência de paz. O enviado americano disse o mesmo. Já todos perceberam que a Ucrânia não conta para a discussão. Pois ainda ontem, o Isidro garantia que sem a Ucrânia não haveria conversa.

Do mural do X da HFG – Muita erudição

 Da mesma maneira que, durante a pandemia, a Helena Ferro Gouveia dizia que os não vacinados estavam a colocar as vidas dos outros em perigo ou ainda, ao fim de 10 000 crianças indefesas chacinadas em Gaza, repetia que “Israel tem o direito de se defender”.

 Da mesma forma que o João Marques de Almeida normaliza o Chega sempre que pode, comparando-o ao PCP e ao BE e o Sebastião Bugalho, na versão comentador, analisava sondagens e falava de estratégias eleitorais que raramente tocavam a realidade.

O Rogeiro também caiu nisso, depois de 30 anos de serviço, para nos dizer que os russos andavam descalços e a roubar máquinas de lavar, enquanto um fantasma do ar os arrasava.

Em tempos a Helena também disse que o PCP tinha votado contra o aborto. É um vale tudo desde que largou a DW e entrou no universo Galinha.

A Diana Soller andou por estes caminhos mas, aos poucos, foi moderando o discurso para mais próximo da realidade.

Mais do mural do X da HFG

Enquanto a Helena diz que o Hamas está destruído (o Twitter/X desta senhora é todo um novelo diário de ódio e propaganda), a Diana Soller já diz que está só enfraquecido. Vemo-los em cada sábado a fazer uma prova de força. Com propaganda, é verdade, mas estão lá. Não dá para dizer que foram todos apagados do mapa, pelo menos por enquanto.

E é isto que eu espero que me digam e analisem. O resumo do que aconteceu e o que imaginam que se seguirá. Não quero fretes, agendas ou mentiras em catadupa porque, enquanto espectador, essa merda dá-me um trabalho enorme para perceber a realidade. E falta-me tempo para isso. Tempo e paciência.

Por outro lado, escapa-me o interesse das televisões, que vivem de audiências, em albergar pessoal que, no essencial, estão lá para  criar narrativas alternativas e, pelo que vou vendo, ir arranjando umas colocações nos partidos e nas subvenções públicas. Acho pobre. Uma pessoa que “siga o mundo” através desta malta, forma opinião de uma realidade que não existe e vota também. Aliás, com o mesmíssimo peso de alguém que, de facto, percebe onde acaba a mentira descarada e começa a dúvida razoável. A comunicação social tem um peso importante na nossa formação, enquanto sociedade.

Nos dias que correm, fico-me pelo Daniel Pinéu, Carlos Branco, Tiago André Lopes, entre outros cujos nomes tenho mais dificuldade em guardar. Parecem-me sérios na análise e com conhecimento histórico que ajuda ao enquadramento.

Ela até mandava as filhas para a Ucrânia…

Acabo com um pedido ao CDS do Núncio e ao Chega do Frazão: não precisam lá de uma assessora que domine a geopolítica ao nível do genocídio do bem e do racismo aplicado ao falafel? O discurso já está há muito afinado, gosta de armas e tal como o Gouveia e Melo, também quer invadir umas cenas. Vejam lá isso. Os espectadores, com mais do que três neurónios, agradecem.

Carta aberta à CNN – parem de insultar a nossa inteligência

(Estátua de Sal, 18/01/2025)

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Uma estação de televisão que almeja ser respeitável – e especializada em difundir informação e não programas de entretenimento -, tem obrigação de acautelar a veracidade das notícias que difunde e o comprometimento com a ética e com a verdade dos comentadores que alberga.

Ora, ficámos todos espantados quando Oren Rosenblat, embaixador de Israel em Portugal, garantiu à CNN que “não há fome na Faixa de Gaza”, e que “até há gordos”, embora os relatos das agências no terreno e da ONU denunciem risco iminente de fome e falta de ajuda humanitária.

Que o embaixador tenha dito o que disse, não é da responsabilidade da CNN. O embaixador é um facínora ao serviço do genocídio, um escroque entre escroques, por obediência cega, por fé supremacista ou por ambos os motivos.

Mas já é da responsabilidade da CNN ter dado voz e tempo de antena à comentadora Helena Ferro Gouveia que alinha pelo discurso de Rosenblat e desculpabiliza os crimes de Israel dizendo, entre outras pérolas que “Os relatórios [da ONU] têm de ser lidos com uma pedrinha de sal”.

Nunca vi tanta parcialidade e tamanho atentado à inteligência dos espetadores. A CNN, com a Ferro Gouveia a querer-nos convencer de que as pessoas em Gaza arrotam satisfeitas depois de lautos repastos, com o Isidro a dizer que a Ucrânia está a ganhar a guerra e com a Soller a alertar-nos para o perigo da chegada dos exércitos russos às portas de Berlim, acerca-se do grau zero da credibilidade informativa.

A continuarem assim, mudem a designação do canal, de informativo para humorístico de mau gosto. É que, os vossos comentadeiros são cada vez mais propagandistas para mentecaptos e, estou em crer, nem mesmo já aos mentecaptos conseguem convencer.

E vejam o que se está a passar no mundo. A vossa agenda globalista, bélica e unipolar ancorada nos mandamentos da “ordem internacional baseada em regras” que só o Império sabe quais são, está em acelerado declínio, o que só prova o vosso ineficiente trabalho no arrebanar das almas dos simples. Ou seja, arrepiem caminho, porque com Helenas, Isidros, Sollers, Serronhas e Botelhos, entre outros pregadores de fábulas, já não vão lá.

E, para terminar, aqui deixo o vídeo da Helena Ferro Gouveia a debitar sobre os “anafados” habitantes de Gaza e sobre as crianças que lá estão felizes, pois até devem ter tido uma prenda no sapatinho pelo Natal.

Se sofrerem do estômago previnam-se antes, porque pode correr mal. Podem ter vontade de vomitar. Comigo foi o que aconteceu.

VER VÍDEO aqui.

Esta mulher não presta

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 30/12/2024)


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A respeito da mais sórdida intervenção que me foi dado ver num plateau televisivo, ser-me-á decerto permitido neste final de ano um saudável desabafo a respeito da abominável, nefanda e inapresentável cavalheira Helena F. Gouveia.

 Acusar os pais das crianças palestinianas de inabilidade por as deixarem morrer de frio, aplaudir o assalto, as mortes e a evacuação dos hospitais pelos sicários de Netanyahu e duvidar dos números da contabilidade de crianças mortas, é algo que ultrapassa as medidas toleradas pelas narinas e pelos estômagos mais resistentes.

 Esta mulher não presta. A uma ignorância sem freio e a uma notória falta de inteligência, junta uma crueldade, uma falta de escrúpulos e uma assustadora imoralidade que a colocam na categoria de hominídea, nunca da humanidade.

Deixou-se que estes monstros entrassem e dispusessem de tribuna a que em tempos se chamou liberdade de expressão, sem que alguém lembrasse que, depois de aberto o vomitório, ninguém poderia voltar a fechar a porta que leva aos espetáculos destinados à canalha e representados pela canalha.

Fonte aqui