O Grande Assalto: como a UE vendeu o petróleo dos povos antes do jackpot do século XXI

(Hugo Dionísio, in S. C. F., 12/09/2026, Revisão da Estátua)


UE privatizou petroleiras e entregou lucros ao capital privado. Preços explodem enquanto Rússia e Bielorrússia mantêm gasolina barata.


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O superpoder da dissimulação da UE na preparação do assalto

No plano dos combustíveis fósseis, como a gasolina e o gasóleo, a história da energia dispendiosa não começa com o euro, não começa com a guerra da Ucrânia e nem agora com o desastre trumpista no Golfo Pérsico. Um dos capítulos mais importantes do desastre estratégico e energético da UE começa a desenhar-se muito antes, na lógica rentista, monopolista e privada que a UE representa. O drama energético que vivemos hoje na União Europeia resulta de algo muito profundo: uma arquitetura neoliberal que cobra um preço altíssimo pela entrada no clube restrito, que dá aos Estados periféricos o direito de perderem a sua soberania, a juventude mais qualificada e o condicionamento do seu setor produtivo aos ditames ocidentalistas.

Tudo começa quando a Comissão Europeia declarou guerra aos monopólios! Mas esta guerra aos monopólios, por acaso — e só por acaso — «estatais», visava outro objetivo, mais sub-reptício: a reestruturação do setor energético, de forma a que fosse colocado ao serviço da lógica rentista. Como tal, ao invés de destruir tais monopólios, a UE descobriu que a forma mais eficaz de os «derrubar» não passava por proibi-los, mas antes por obrigar os Estados a vendê-los. Golpe de mestre! Tudo sob uma capa de promissora «liberalização», já identificada, noutros momentos históricos, como altamente perniciosa.

As diretivas de liberalização dos mercados da energia, o mercado único e a Agenda de Lisboa traçaram o algoritmo pretendido: a) separar a rede da produção; b) abrir a entrada ao capital nacional e estrangeiro; c) proibir as participações cruzadas por parte do Estado. Neste processo, a UE mostrou todo o seu horror à soberania nacional, à independência dos povos, à sua liberdade, em última instância. Em troca da liberdade coletiva, que lhes roubou, prometia-lhes a liberdade individual de comprar, pagar, escolher, o endividamento fácil e o desenraizamento social.

O resto do percurso foi simples! A partir do poder que a Comissão tem de conformar os governos nacionais às pretensões que representa — através de um conjunto cruzado e integrado de condicionalidades, recomendações, planos, agendas e estratégias, bem ancoradas em fundos comunitários e na sua conexão com a política económica exigida —, foi o trabalho das próprias governações nacionais, ansiosas por mostrar «modernidade», «ambição», «pragmatismo» e «bom comportamento» (tudo muito contraditório), que fez o caminho chegar onde nos encontramos. A Comissão Europeia tem este superpoder da dissimulação: dona e senhora da capacidade de atribuir todas as culpas aos governos eleitos, reservando para si uma burocracia totalitária, inescapável, inescrutável e autoritária.

E assim, é razão para dizer que, antes do ser, já o era! Ainda antes de a moeda única nascer e levar com ela uma fatia enorme das soberanias nacionais, especialmente dos países mais periféricos, necessitados do Fundo de Coesão, os maiores países da futura moeda única despojaram-se dos seus maiores «ativos» estratégicos: a Itália vendeu a ENI em quatro ofertas públicas entre 1995 e 1998, «libertando» o Estado de cerca de 70% da empresa.

A Espanha «abriu» o capital da Repsol e da Cepsa, e a torneira jorrou até ficar seca; o Reino Unido já nem tinha o que vender — vendera a última fatia pública da BP entre 1979 e 1987, uma década antes dos outros sequer começarem (o Estado britânico, note-se, nunca deteve a maioria da BP). Até a França, que na energia elétrica chegou a reter jóias como a EDF — hoje integralmente pública outra vez, renacionalizada em 2023 —, teve de se «libertar» da Total. A fórmula utilizada era engenhosa: o Estado recebia uns milhares de milhões de euros — regularmente a pretexto de uma qualquer crise do déficit ou da dívida impulsionada por Bruxelas — e, em troca, entregava um fluxo infinito e contínuo de lucros monopolistas a acionistas privados, prescindindo assim de propriedade, controlo, rendimento e alavanca de política energética e industrial. Sobrou um controlo parcial na Itália — onde o Estado manteve cerca de 30% da ENI, hoje 33% — e pouco mais. A Alemanha, a Bélgica, os Países Baixos e o Luxemburgo nunca contaram com estatais monopolistas neste domínio dos combustíveis.

O euro, esse acelerador da combustão dos «fardos» monopolistas estatais

A moeda única não foi só uma moeda: foi um catalisador, um aspirador de ativos estratégicos e um colete de forças. À sombra da entrada da «moeda única», a UE varreu os últimos vestígios de um mercado soberano de combustíveis fósseis. Tratou-se de um instrumento de convergência económica que incluía, nos seus pressupostos, a receita dogmática neoliberal da «redução do peso do Estado na economia». Nesses tempos, não houve noticiário televisivo, crónica económica e intervenção dos partidos do «centro moderado» que mostrassem alguma moderação na afirmação de tal princípio. O resultado foi direto: o que faltava vender, vendeu-se!

Portugal executou o modelo exemplar da privatização faseada, pois, à data, ainda havia muita força no lado soberanista da esquerda, que obrigava o «centro moderado», mas radicalmente neoliberal, a encontrar a forma mais dissimulada de dar a facada final nos combustíveis portugueses: quatro blocos de venda da Galp entre 1999 e 2006, culminando no IPO de 23% em outubro de 2006. Sob o pretexto do combate ao déficit e à dívida pública, com o executivo de Durão Barroso e de Manuela Ferreira Leite, a «Thatcher portuguesa», Portugal foi «libertado» do terrível monopólio da Galp. Grécia, Finlândia e Áustria são as únicas resistentes, com participações públicas acima dos 30%. Em 2021, a Grécia acordou a venda de 20% dos 35,5% que ainda detinha na Hellenic Petroleum — operação concluída em 2023.

A conclusão é simples: quando o euro entrou em circulação física, consagrando o sistema euro-dólar, em 2002, o mapa energético europeu já fora redesenhado: os monopólios nacionais deixaram de pertencer às nações, mas continuaram a existir, apenas tendo mudado de mãos públicas para privadas. Passaram a pertencer ao mercado. Como constataremos, ser do mercado significa ter dono, e significa que o dono tem de ganhar mais — muito mais!

Importa também não desligar esta estratégia fomentada por Bruxelas de dois outros fatores: a importância do petrodólar enquanto âncora do dólar e a necessidade de que as transações dos produtos petrolíferos passassem a ser feitas em moedas não nacionais, o que foi conseguido através do euro; e a importância da entrada do capital internacional dolarizado no capital das empresas privatizadas. Também aqui somos vítimas do dólar, do petrodólar e da subserviência do sistema euro ao dólar.

O alargamento: entregar o ativo energético como preço de entrada no clube restrito do «sonho europeu»

Se os capítulos anteriores foram uma desistência, o grande alargamento que decorreu de 2004 a 2013 foi uma rendição, uma chantagem e uma submissão. Para entrar no clube do «sonho europeu», os países do centro e leste europeu tiveram de vender as refinarias, os gasodutos e as petrolíferas. A taxa de entrada era entregar ao mercado algo de muito rentável e parte da âncora da moeda de reserva hegemónica. Tal como a unificação alemã, o alargamento a Leste deslocou o eixo do poder europeu, definitivamente, da França primeiro, e do eixo franco-alemão depois, para o outro lado do Atlântico, sob a tutela da burocracia de Bruxelas.

A cronologia é eloquente e não deixa dúvidas, valendo mais do que as palavras ocas em sentido contrário: a Roménia vendeu o controlo da Petrom à austríaca OMV em dezembro de 2004 — 669 milhões de euros pagos ao Estado romeno pelos 33,34% iniciais e mais um aumento de capital, no valor de 830 milhões de euros, que elevou a OMV a 51% e nem sequer entrava nas contas públicas. No total, a operação situava o valor da Petrom nos 2,2 mil milhões de euros. Uma oferta em nome do povo romeno!

A Chéquia vendeu cerca de 63% da Unipetrol aos polacos da PKN Orlen por uns míseros 11,3 mil milhões de coroas (cerca de 380 milhões de euros, à cotação da época). A Lituânia viu a única refinaria dos pequenos bálticos — a Mažeikių Nafta (da «pesada» herança soviética) — ser comprada pelos polacos da Orlen, em 2006, por cerca de 2,3 mil milhões de dólares no total, dos quais apenas cerca de 850 milhões reverteram para o Estado lituano, numa operação que Vilnius justificou explicitamente por razões de segurança nacional, porque os russos haviam tentado comprá-la! E que tal terem ficado com ela?

A Hungria é das únicas resistentes, mas não por acaso. Os russos da Surgutneftegaz haviam comprado em 2009 21,2% da MOL à austríaca OMV e, em 2011, o Estado húngaro readquiriu esse pacote — por 1,88 mil milhões de euros — para afastar o controlo russo. Com Orbán, talvez por isso mesmo, o Estado manteve-se acionista de referência, o que explica o ódio que lhe têm gente como Soros. Na Hungria, os combustíveis são mais baratos do que em grande parte da UE — muito mais baratos —, tão mais acessíveis que um eurocrata de Bruxelas, numa conferência em Budapeste, me disse que «o Estado húngaro subsidia os combustíveis». O eurocrata despejava ali o seu ódio, mas não contra o facto de Orbán ser da direita conservadora e reacionária; antes, culpava-o de ser um desastre na economia e na justiça. Talvez este tipo devesse olhar para cima, para a própria presidente da UE. O facto é que, na Hungria, onde vigoraram durante anos tectos de preço nos combustíveis, esses custam hoje menos do que na maioria dos países da Europa. A outra exceção é a Polónia, cuja petrolífera PKN Orlen permanece sob controlo do Estado e que, em 2022, reforçou esse controlo com a fusão Orlen–Lotos. Adivinhem que preços pratica? Pois: uns dos mais baixos da UE!

A recolha do grande prémio!

O mercado europeu estava pronto para o choque. Se o papel que hoje a UE tem na alimentação dos ganhos de energia dos EUA, na sustentação do dólar e do petrodólar e nos preços elevados dos combustíveis é resultado da arquitetura corporativista encetada por Bruxelas, ou o contrário — ou seja, se os preços elevados e o reforço dos fluxos de capital financeiro associado são resultado do papel assumido —, não sabemos. O que sabemos é que o resultado é simples: os Estados foram desapropriados de ativos importantíssimos para o desenvolvimento europeu, os povos ficaram a pagar o combustível muito mais caro, os Estados tiveram de aumentar os impostos sobre produtos petrolíferos para compensar as perdas e a economia europeia está um inferno. Com exceção das que se mantiveram públicas ou parcialmente públicas, comprar gasolina ou gasóleo é proibitivo para um trabalhador europeu médio, ou para um pequeno empresário!

O que nos é possível observar é muito simples: ao longo de todo o século XXI assistimos a um sem-fim de picos petrolíferos que resultaram em ganhos especulativos brutais e em preços dos combustíveis ainda mais brutais. As subidas abruptas e as descidas ténues passaram a constituir um instrumento para a obtenção de ganhos especulativos — não pelos Estados, mas pelos detentores privados desse capital. Aos povos europeus, à economia não especulativa, restaram os preços elevadíssimos e os impostos brutais, que visam compensar as perdas anteriores.

De 1999 — o ano do euro «em conta», quando o barril andava pelos 10–20 dólares — até hoje, o petróleo multiplicou o seu preço por vários fatores, com ciclos dos 147 dólares em 2008, da guerra da Ucrânia em 2022 e do choque de 2026.

Só em 2022, as cinco supermajors — ExxonMobil, Shell, Chevron, BP e TotalEnergies — somaram cerca de 200 mil milhões de dólares de lucros, o maior ano da sua história: a Shell bateu o recorde dos seus 115 anos, a ExxonMobil chegou aos 59,1 mil milhões de lucros. Desde o início da guerra na Ucrânia, o mesmo grupo acumulou, ao que se estima, quase meio bilião de dólares — cerca de 467 mil milhões.

O movimento do capital não mente: nos EUA, metade dos lucros extraordinários do setor fóssil de 2022 terá cabido ao 1% mais rico, enquanto os 50% mais pobres receberam 1% da riqueza produzida (dado que não foi possível confirmar em fontes públicas). Nesta montanha-russa de subidas e descidas, os EUA tornaram-se o fornecedor privilegiado da União Europeia e o maior produtor de petróleo do mundo!

A realidade fora da UE: a soberania contradiz a tendência

Não pode haver ingenuidades ou condescendências de qualquer tipo. Fora da UE, o mapa dos preços demonstra a tendência referida. Em abril de 2026, a gasolina custava na Rússia cerca de 0,80 dólares por litro e na Bielorrússia 0,90 — contra cerca de 2,50 euros na Alemanha, 2,60 na Dinamarca e 2,90 nos Países Baixos, os preços mais altos do mundo «avançado». Estes dois países recuperaram o controlo público perdido nos anos 90 e não querem saber de políticas anti-monopólio (do Estado, apenas) por parte da UE, do FMI e do Banco Mundial.

A Sérvia, candidata eterna ao clube e por isso pressionada a «reformar» o seu setor, situava-se nos 1,90 euros — bastante abaixo do preço dos Países Baixos. Contra a Sérvia temos o encravamento continental e o facto de não ter petróleo.

Daí que a explicação não seja geográfica e não interessa explicar. Onde o Estado controla a cadeia de valor — extração, refinação, importação —, pode fazer «trade-off» (compensações entre fatores diferentes) e decidir que o combustível é um bem estratégico e não uma mercadoria especulativa, transferindo, através de um preço interno mais reduzido, o rendimento que a UE entregou e decidiu obrigar outros a entregar ao mercado. Um mercado ávido de lucros, que quer vê-la crescer até ao céu, deslocando para os seus «offshores» fatias cada vez maiores de riqueza sonegada ao crescimento económico e social dos Estados.

A Noruega é talvez o caso mais instrutivo: tem dos preços mais altos da Europa na bomba, mas abriu o capital da Statoil em 2001 e nunca deixou o Estado descer dos dois terços do capital total (hoje Equinor). Então o que se passa? O que se passa é que o dinheiro dos preços altos não engorda um acionista: alimenta o fundo soberano que pertence a cada norueguês, a todos os noruegueses.

A Rússia e a Bielorrússia escolheram o preço baixo, beneficiando o consumidor; a Noruega escolheu o fundo soberano; a UE escolheu o acionista, a oligarquia. Todos escolheram. A diferença é quem recebe. Esta é a diferença, hoje, entre estar ou não estar na UE. O resto é conversa para estupidificar quem esteja excessivamente entregue à solidão reflexiva e brutalmente exposto à «informação» desconexa das redes sociais e à manipulação dos órgãos dominantes.

A UE como motor de empobrecimento: engordar uns poucos, matar de fome todos os outros

Volta-se assim ao princípio e fecha-se o círculo. Entre 1995 e 2009, a Europa — primeiro voluntariamente, depois sob coação de alargamento — transferiu para o capital privado os monopólios energéticos que as gerações anteriores construíram de forma coletiva e que foram responsáveis pela elevação incomparável dos padrões de vida e de rendimento.

A instituição de economias mistas, dotando os Estados de recursos estratégicos e fundamentais, possibilitou a socialização dos resultados da produção, elevando a educação, a saúde, o conhecimento, a tecnologia e a alimentação de todos os europeus. Entre os anos 50 e os anos 70, a Europa Ocidental viveu os seus 30 anos dourados. A presença de uma URSS dotada de padrões sociais elevados obrigou o capital a concessões antes impensáveis. Centenas de milhões de trabalhadores e suas famílias puderam beneficiar da socialização de alguns dos resultados da sua própria produção. A Europa tornou-se o continente mais desenvolvido, industrializado, democrático e avançado do ponto de vista humano.

Desaparecida a URSS e, com ela, o «perigo comunista», enfraquecidos os sindicatos e os partidos de classe que reclamam para quem trabalha a sua fatia digna de riqueza, chegámos ao tempo da desforra, da recolha dos despojos. O facto de nunca se ter ensinado o que foi realmente o fascismo, a sua ligação intrínseca ao capitalismo, o papel que a luta de classes teve na elevação dos padrões de vida da UE, a importância de partidos que sejam capazes de exigir e propor medidas radicalmente diferentes, que mudem, que criem rupturas, resultou num estado de inconsciência histórica que está a conduzir à repetição dos mesmos erros. Porque quem não conhece a sua história está fadado a repetir os mesmos dramas!

A concentração de riqueza nos países mais fragilizados pelas estratégias neoliberais encetadas pela UE, ao serviço de Washington e do seu sistema hegemónico, faz com que o cidadão comum pague a gasolina quase ao triplo do preço russo e trabalhe para a pagar com salários que não acompanham a curva do Brent. Existe alternativa, e a alternativa está no controlo público destes ativos estratégicos.

A Noruega, no topo dos índices sociais, mas fora do clube de Bruxelas, demonstra que a alternativa ao neoliberalismo não era utópica, que funcionava. Quem paga agora pelo dano causado? Quem nos compensa agora pelas perdas causadas, nas nossas vidas, nas vidas dos nossos filhos e netos, com as mentiras contadas?

E ainda há quem acredite nesta gente!

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Fontes

  1. Brookings Institution — «From chokepoint to crisis: The Strait of Hormuz and global oil markets», 8-6-2026. https://www.brookings.edu/articles/from-chokepoint-to-crisis-the-strait-of-hormuz-and-global-oil-markets/
  2. Banco Central Europeu — Blog: «Energy shock: why oil and gas prices have risen less than expected», 27-7-2026. https://www.ecb.europa.eu/press/blog/date/2026/html/ecb.blog20260727~1212bdb8f9.en.html
  3. FMI — «How the War in the Middle East Is Affecting Energy, Trade, and Finance», 30-3-2026. https://www.imf.org/en/blogs/articles/2026/03/30/how-the-war-in-the-middle-east-is-affecting-energy-trade-and-finance
  4. Wikipédia (EN) — «2026 Iran war fuel crisis» (consultado em 8-9-2026). https://en.wikipedia.org/wiki/2026_Iran_war_fuel_crisis
  5. Cargopedia — «Os preços dos combustíveis na Europa», 24-8-2026. https://www.cargopedia.pt/os-pre%C3%A7os-dos-combust%C3%ADveis-na-europa
  6. OMV — «OMV closes the acquisition of 51% of SNP Petrom SA», 14-12-2004. https://www.omvpetrom.com/en/media/latest-news/2004/omv-closes-the-acquisition-of-51-of-snp-petrom-sa-december-14-2004-10-30-am-
  7. Reuters / Ekathimerini — «OMV signs ‘historic’ Petrom buy», 24-7-2004. https://www.ekathimerini.com/economy/24477/omv-signs-historic-petrom-buy/
  8. wiiw — G. Hunya, «Privatization Disputes in Romania – the Petrom Case», 2007. https://wiiw.ac.at/privatization-disputes-in-romania–the-petrom-case-dlp-428.pdf
  9. PKN Orlen — «PKN ORLEN’s acquisition of Unipetrol» (anúncio regulamentar n.º 41/2004), 4-6-2004. https://www.orlen.pl/en/investor-relations/reports-and-publications/regulatory-announcements/2004/02/Regulatory-announcement-no-41-2004
  10. Wikipédia (EN) — «Orlen Unipetrol». https://en.wikipedia.org/wiki/Orlen_Unipetrol
  11. OSW — «Hungary will buy Russian shares in MOL», 25-5-2011. https://www.osw.waw.pl/en/publikacje/analyses/2011-05-25/hungary-will-buy-russian-shares-mol
  12. Jamestown Foundation — «Major Russian Oil Company Secretly Buys Into Hungary’s MOL», 3-4-2009. https://jamestown.org/major-russian-oil-company-secretly-buys-into-hungarys-mol/
  13. Jamestown Foundation — «Polish Company Acquires Majority Stake in Lithuania’s Oil Sector», 2006. https://jamestown.org/polish-company-acquires-majority-stake-in-lithuanias-oil-sector/
  14. The New York Times — «Poland: Oil concern buys a refinery», 15-12-2006. https://www.nytimes.com/2006/12/15/business/world-business-briefing-europe-poland-oil-concern-buys-a-refinery.html
  15. Wikipédia (EN) — «Orlen Lietuva». https://en.wikipedia.org/wiki/Orlen_Lietuva
  16. Galp — Relatório & Contas 2006. https://www.galp.com/corp/Portals/0/Recursos/Investidores/SharedResources/Relatorios/PT/2006RA/RelatorioEContas.pdf
  17. Público — «Galp encerra hoje ciclo de duas décadas de grandes privatizações», 23-10-2006. https://www.publico.pt/2006/10/23/economia/noticia/galp-encerra-hoje-ciclo-de-duas-decadas-de-grandes-privatizacoes-1274215
  18. AbrilAbril — «Galp: Estado perdeu milhões nos últimos dez anos», 24-10-2016. https://www.abrilabril.pt/nacional/galp-estado-perdeu-milhoes-nos-ultimos-dez-anos
  19. Energy Monitor — «Big Oil profits soared to nearly $200bn in 2022», 8-2-2023. https://www.energymonitor.ai/finance/big-oil-profits-soared-to-nearly-200bn-in-2022/
  20. ExxonMobil — «ExxonMobil announces full-year 2022 results», 31-1-2023. https://corporate.exxonmobil.com/news/news-releases/2023/0131_exxonmobil-announces-full-year-2022-results
  21. AIE — Políticas: «Renationalisation of EDF» (atualizado em 1-4-2025). https://www.iea.org/policies/16429-renationalisation-of-edf
  22. EDF — «The French State becomes the sole shareholder of EDF again», 15-6-2023. https://chile.edf.com/en/news/the-french-state-becomes-the-sole-shareholder-of-edf-again
  23. Eni — «Eni’s shareholders» (estrutura acionista, atualizada em junho de 2026). https://www.eni.com/en-IT/governance/shareholding-structure.html
  24. HRADF / Greek Growth Fund — «Hellenic Petroleum». https://growthfund.gr/en/project/hellenic-petroleum/
  25. Gulf News — «Statoil debuts at premium to IPO price», 19-6-2001. https://gulfnews.com/business/energy/statoil-debuts-at-premium-to-ipo-price-1.419282
  26. Statoil — Annual Report and Accounts 2001. https://www.equinor.com/content/dam/statoil/documents/annual-reports/2001/statoil-annual-report-2001.pdf
  27. Bolsa de Valores de Budapeste — perfil da MOL Nyrt. (free float de 61,56%). https://bse.hu/pages/company_profile/$security/MOL

Hugo Dionísio

Hugo Dionísio is a Lawyer, researcher and geopolitics’ analyst. He is the owner of Canal-factual.wordpress.com Blog and co-founder of MultipolarTv, a Youtube Channel targeted to geopolitical analysis. He develops activity as Human Rights and Social rights activist as board member of the Portuguese Democratic Lawyers Association. He is also a researcher at the Portuguese Workers Trade Union Confederation (CGTP-IN).

Fonte aqui

Dirigentes europeus: Internem-nos no manicómio e com camisa de forças

(Rui Loureiro, in mural de Maria Manuela, Facebook, 13/09/2026, Revisão da Estátua)


(Este texto, como se diz no boxe. deixou-me encostado às cordas. Que pagávamos a guerra à Ucrânia há muito que é sabido. Agora, que também a pagamos â Rússia, é o cúmulo da demência dos líderes europeus. Pagamos para a destruição da Ucrânia, da Rússia e de todos os outros países europeus que estão em afundamento acelerado e irreversível.

E riem-se as três bestas das malfeitorias, quais inimputáveis perigosos à solta. Urge interná.los sob pena de não sobrevivermos a tanta iniquidade.

Estátua de Sal. 13/09/2026)


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Meus amigos, estamos em guerra mas a guerra é outra.

Aqui está uma lista das importações da Europa, provenientes da Rússia, assim como a percentagem que a Rússia fornecia do todo das necessidades europeias:

Carvão: 46%

Gás Natural (via gasoduto): 45%

Níquel bruto: 41%

Alumina (Óxido de Alumínio): 35%

Paládio e Platina: 30%

Diamantes: 25%

Cobre refinado: 23%

Gás Natural Liquefeito (GNL): 21%

Urânio Enriquecido / Combustível Nuclear: 20%

Gases Nobres (Néon, Cripton e Xénon): 20%

Petróleo (cru e refinados): 27%

Fertilizantes: 28%

Alumínio bruto: 16%

Óleos de Petróleo Pesados (VGO): 15%

Ferro e Aço: 14%

Trigo: 11%

Por exemplo, o Gás Natural Liquefeito (GNL), com o qual a Rússia cobria 21% das necessidades europeias, era vendido antes das sanções a um preço entre 15 €/MWh e 20 €/MWh.

Agora compramos o gás russo através de intermediários a 75 €/MWh, ou seja, entre 4 a 5 vezes mais caro.

A maioria destes produtos, os europeus continuam a compra-los através de intermediários, 3, 4 ou 5 vezes mais caros, intermediários que os compram aos russos para os revender à Europa.

Por exemplo, titânio bruto e ligas: 45% das necessidades europeias. A Europa não tem onde os ir buscar a não ser aos russos.

Por exemplo, alumina (óxido de alumínio): 35%. Já está tão cara que grande parte das fábricas de fundição de alumínio na Europa já fecharam. O aço ficou tão caro que a última fábrica de fundição de aço do Reino Unido já fechou.

Antes de 2022, a Europa importava da Rússia 158 mil milhões de euros em matérias-primas. Essas mesmas matérias-primas, que a Europa importava diretamente da Rússia por 158 mil milhões de euros, agora a Europa importa-as de terceiros, que as compram à Rússia por 300 mil milhões e as vendem à Europa por 380 a 410 mil milhões.

Vamos ver se explico melhor: A Rússia vendia essas exportações diretamente à Europa por 158 mil milhões de euros. Agora a Rússia vende as mesmas matérias-primas à China, à Índia, à Arábia Saudita e a outros por 300 mil milhões, e estes vendem-nas à Europa por 380 a 410 mil milhões.

Assim, a Rússia está a ter um acréscimo de 150 mil milhões de euros de lucro, em relação ao que tinha antes, e os intermediários também estão a ganhar com a burrice dos europeus.

E isto significa que a Ucrânia recebe da Europa, em média, 90 mil milhões de euros por ano para a guerra, e a Rússia recebe da Europa 300 mil milhões de euros, mais 150 mil milhões do que antes, para gastar na guerra contra a Ucrânia.

A Europa, ou seja, NÓS, está a pagar as despesas da guerra à Ucrânia e está a pagar as despesas da guerra à Rússia!! Toda a guerra na Ucrânia está a ser paga pela Europa.

E enquanto nós aqui estamos a passar dificuldades, a pagar o gasóleo a 2,2 euros o litro, os russos pagam o gasóleo a 0,83 euros o litro e andam aos milhões a fazer férias na China.

A China já abriu vários aeroportos regionais a linhas aéreas russas. Nos aeroportos, estações de comboio e locais turísticos, os avisos e placares já são todos em chinês e em russo.

E todos os dias a China ganha mercados com as suas exportações, que eram mercados onde a Europa vendia, mas já não vende porque a produção europeia é cara demais.

Agora, na China, não só a eletricidade é, em média, 4 vezes mais barata do que na Europa, como as matérias-primas passam pela China antes de chegarem até nós, muito mais caras do que eram antes.

Portanto, para além da guerra da Ucrânia, que nós pagamos aos ucranianos e aos russos, estamos diariamente a perder exportações para a China, porque com matérias-primas 3 vezes mais caras e energia elétrica 4 vezes mais cara, não temos preços para concorrer com os chineses.

A guerra, portanto, é outra e essa outra, nós estamos a perdê-la.

É preciso mudar a cabeça que não pensa

(João Gomes, in Facebook, 10/09/2026)


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Há exatamente um ano escrevi que a Europa estava a transformar a defesa numa gigantesca operação financeira e que, por detrás dos números, faltava a pergunta essencial: onde está a diplomacia capaz de transformar uma guerra em paz?

Um ano depois, não tenho razões para retirar uma única palavra ao essencial daquela reflexão. Pelo contrário. Algumas das coisas que então pareciam apenas projecções ganharam entretanto forma política, financeira e institucional.

Em Março de 2025, a União Europeia apresentou o plano ReArm Europe/Readiness 2030, com a possibilidade de mobilizar até €800 mil milhões para a defesa europeia, incluindo €150 mil milhões através do instrumento SAFE. O Parlamento Europeu acompanhou esta orientação. Em Março, aprovou por 442 votos contra 98, com 126 abstenções, uma resolução que reforçava o apoio militar à Ucrânia e defendia garantias de segurança robustas. Em Novembro voltou ao mesmo caminho, aprovando por 401 votos contra 70 uma posição que associava a paz a um cessar-fogo prévio, garantias de segurança e novas formas de pressão sobre a Rússia. E, em Dezembro, aprovou por 425 votos contra 120 uma resolução sobre a preparação militar europeia que colocava em cima da mesa a possibilidade de atingir os €800 mil milhões de investimento na defesa até 2030.

Ou seja: aquilo que há um ano era anunciado como uma enorme possibilidade financeira transformou-se numa arquitectura política permanente.

E não ficou pelo papel.

Em 2026, o SAFE começou efectivamente a distribuir dinheiro. Chipre recebeu €177,2 milhões, a Lituânia €956,3 milhões, a Grécia €118,2 milhões e a Estónia €351,6 milhões nas primeiras tranches dos seus empréstimos. O mecanismo prevê €150 mil milhões em empréstimos aos Estados-membros e integra o objectivo de mobilizar mais de €800 mil milhões para a defesa europeia.

A minha pergunta de há um ano tornou-se, portanto, ainda mais simples: quanto custa esta nova Europa da prontidão permanente e quanto tempo estamos dispostos a viver dentro dela?

Mas existe uma questão ainda maior. Onde está a paz? Não se pode dizer que a palavra tenha desaparecido dos documentos europeus. Pelo contrário. Ela aparece em quase todas as conclusões, declarações e resoluções. Fala-se de “paz justa e duradoura”, de “negociações significativas”, de “cessar-fogo” e de “soluções diplomáticas”.

Mas existe uma diferença entre falar de paz e construir as condições políticas para a alcançar. E é aqui que a Europa continua prisioneira da sua própria contradição.

António Costa, enquanto presidente do Conselho Europeu, reconhece que a diplomacia é necessária. Em Junho de 2026 chegou mesmo a afirmar que a União precisa de um canal diplomático direto com Moscovo, para poder ouvir e transmitir posições. É uma constatação elementar – e talvez uma das mais importantes que ouvi de uma instituição europeia nos últimos tempos. Mas, simultaneamente, o Conselho Europeu continua a defender mais apoio militar, mais produção de armas, mais munições, mais drones, mais mísseis, mais pressão económica sobre a Rússia e mais garantias militares para a Ucrânia.

Em Junho de 2026, a própria conclusão europeia é reveladora: apoia-se a diplomacia, mas continua-se a aumentar o apoio militar e a “enfraquecer a economia de guerra russa” para obrigar Moscovo a negociar.

É uma estratégia possível. Mas não é uma estratégia de paz. É uma estratégia de pressão para obter uma negociação.

E há uma diferença enorme entre as duas coisas. Kaja Kallas, responsável pela política externa da União, tornou essa lógica particularmente clara durante 2025. Em Abril dizia que a única forma de levar a Rússia a negociar seriamente seria aumentar a pressão sobre Moscovo. Em Maio repetia que a opção era colocar mais pressão sobre a Rússia para que negociasse seriamente. Em Dezembro, quando as conversações continuavam, a prioridade continuava a ser a mesma: mais pressão sobre Moscovo e mais apoio a Kiev.

Ora, se a diplomacia é sempre apresentada como aquilo que acontecerá depois de a pressão militar produzir resultados, então a diplomacia deixa de ser uma política autónoma. Passa a ser o prémio prometido no fim da escalada. E esse é precisamente o problema.

A Europa habituou-se a pensar que para conseguir a paz é necessário primeiro tornar a guerra suficientemente cara para o adversário. Só que ninguém consegue garantir antecipadamente onde termina essa lógica. Porque Moscovo também calcula. Washington também calcula. Kiev também calcula. E cada capital interpreta a palavra “pressão” de maneira diferente.

Entretanto, a guerra continua. E a Europa paga. Paga financeiramente, paga economicamente, paga politicamente e paga através de uma crescente militarização da sua própria ideia de segurança.

Em Junho de 2026, a União já contabilizava €220,2 mil milhões de apoio à Ucrânia desde o início da guerra, dos quais €77 mil milhões em assistência militar. E a factura não terminou. O Conselho Europeu continua a preparar apoio financeiro e militar adicional, enquanto o novo sistema de empréstimos SAFE começa a materializar a enorme transformação da política europeia de defesa.

A questão é a seguinte: uma política de segurança que não consegue produzir uma saída política para a guerra é uma política de segurança incompleta. E é aqui que a Europa falha. Falha porque confundiu durante demasiado tempo capacidade militar com capacidade política.

Pode-se fabricar mais munição. Pode-se comprar mais mísseis. Pode-se aumentar os orçamentos militares. Pode-se contrair dívida. Pode-se criar fundos. Pode-se construir fábricas de armamento. Mas nenhuma fábrica produz uma coisa chamada acordo de paz. E nenhum míssil consegue fabricar confiança entre dois Estados que estão em guerra.

É por isso que o problema europeu já não é apenas militar. É político. A Europa precisa de uma política externa que seja capaz de falar com Washington sem depender de Washington, com Kiev sem se limitar a repetir Kiev e com Moscovo sem considerar que falar com Moscovo é uma concessão moral. Uma Europa verdadeiramente soberana não pode escolher os seus interlocutores em função da simpatia que sente por eles.

Diplomacia não é gostar do adversário. É falar com ele precisamente porque existe um conflito.

E aqui chegamos ao problema das cabeças. Ursula von der Leyen transformou a Comissão numa das principais impulsionadoras da nova arquitetura europeia de defesa. Kaja Kallas tornou-se a voz de uma política externa particularmente assente na pressão sobre Moscovo. António Costa, embora introduza no discurso uma preocupação maior com a diplomacia e tenha reconhecido a necessidade de um canal direto com a Rússia, continua inserido numa estrutura europeia que mantém como prioridade o reforço militar da Ucrânia e da capacidade de pressão sobre Moscovo.

Não é necessário afirmar que estas três figuras pensam exatamente da mesma maneira. Não pensam. E talvez esse seja precisamente o problema. A Europa não tem uma cabeça política única para pensar a paz. Tem várias cabeças, várias instituições, várias sensibilidades e várias estratégias que nem sempre convergem.

A Comissão pensa em instrumentos e capacidade. Kallas pensa sobretudo em pressão e segurança. O Conselho procura conciliar 27 governos e preservar a unidade. O Parlamento Europeu reflete uma maioria política que, em matéria de Ucrânia, tem reiteradamente aprovado o reforço do apoio militar. E o cidadão europeu fica a assistir a tudo isto como quem olha para uma máquina gigantesca cujo botão “acelerar” todos sabem onde está, mas cujo botão “parar e negociar” ninguém parece encontrar.

É preciso mudar esta lógica. E talvez seja aqui que a conclusão de há um ano tenha de ser ainda mais dura. Não basta mudar políticas. É preciso mudar quem pensa as políticas. Não porque uma mudança de dirigentes garanta automaticamente a paz – não garante. Mas porque uma Europa que permanece presa à mesma arquitetura mental dificilmente produzirá um resultado diferente.

Se os mesmos dirigentes continuam a interpretar a segurança quase exclusivamente através do aumento da capacidade militar, se continuam a acreditar que a paz nascerá essencialmente da pressão sobre o adversário e se continuam a colocar a diplomacia como consequência de uma futura correlação de forças, então estamos perante uma política que pode prolongar a guerra durante muito tempo sem saber exatamente como terminá-la.

E isso é demasiado perigoso para um continente que já conheceu duas guerras mundiais.

A Europa precisa de dirigentes que saibam que defender a Europa não é apenas preparar a guerra que poderá vir. É também impedir a guerra que ainda pode terminar. Precisa de gente capaz de sentar à mesma mesa quem não queremos sentar à nossa mesa. Precisa de diplomatas com autonomia. Precisa de canais diretos com Moscovo. Precisa de capacidade para ouvir Kiev sem assumir automaticamente todas as suas posições como posições europeias. Precisa de capacidade para dialogar com Washington sem aceitar que a estratégia europeia seja sempre uma extensão da estratégia americana. E precisa, sobretudo, de voltar a perguntar aos seus cidadãos uma coisa muito simples: queremos uma Europa armada para uma guerra interminável ou uma Europa suficientemente forte para poder negociar a paz?

Porque não são exatamente a mesma coisa.

Há um ano terminei o meu texto dizendo que uma Europa que gasta o seu futuro em armas corre o risco de esquecer para quem governa. Hoje acrescentaria apenas isto: uma Europa que sabe quanto custa uma guerra, mas não sabe quanto custa politicamente construir a paz, está a pensar com a cabeça errada.

Não precisamos de dirigentes que confundam firmeza com obstinação. Não precisamos de dirigentes que confundam diplomacia com fraqueza. Não precisamos de dirigentes que confundam segurança com rearmamento permanente. Precisamos de uma mudança de cabeça.

E, se as cabeças que hoje conduzem a Europa não forem capazes de fazer essa mudança, então serão os cidadãos europeus que terão de exigir outra orientação – e, quando chegar o momento democrático, outros dirigentes.

Porque a paz não se constrói apenas com armas suficientes para continuar uma guerra. Constrói-se com dirigentes suficientemente inteligentes para saber quando é preciso parar de preparar a guerra e começar verdadeiramente a preparar a paz.

Um ano depois, a conclusão é inevitável: A Europa não está mais perto da paz. Está mais armada, mais endividada, mais dividida na sua visão estratégica e ainda sem uma diplomacia europeia capaz de falar diretamente com todos os protagonistas do conflito. E enquanto Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e António Costa representarem, cada um à sua maneira, uma Europa que ainda não conseguiu transformar a força militar numa estratégia política de paz, todos os europeus correm o risco de perder. Não a guerra. Mas a paz.