(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 03/10/2026, Revisão da Estátua)

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Durante quatro anos, Kiev foi transformada na capital sagrada do Ocidente. Presidentes em peregrinação, apertos de mão diante das câmaras, discursos inflamados, milhares de milhões em ajuda prometida: cada visita visava demonstrar que a Rússia tinha fracassado e que a Ucrânia triunfaria inevitavelmente.
Moscovo pode ter decidido responder a esta farsa da forma mais brutal possível: passando a atacar o próprio cenário.
Os repetidos ataques às pontes sobre o rio Dnieper ganham, assim, um significado totalmente novo. Em três das seis pontes rodoviárias de Kiev já foram total ou parcialmente interditas. Não é necessário destruí-las completamente; basta danificar as suas estruturas o suficiente para obrigar as autoridades a proibir o trânsito.
Uns mísseis, e a geografia transforma-se em arma.
Pois o rio Dniepre divide Kiev em duas partes. As suas pontes são artérias por onde fluem pessoas, mercadorias e equipamentos. Se forem encerradas, os desvios atingem centenas de quilómetros. A logística abranda, os custos disparam e o reabastecimento torna-se mais complexo.
Não há necessidade de cercar Kiev quando o rio pode fazer parte do trabalho.
Eu já tinha colocado a possibilidade de um cerco à capital. Não aquele de 1943, com divisões concentradas às portas da cidade. Mas o de 2026: pontes enfraquecidas, rede elétrica avariada, infraestrutura logísticas danificadas e o inverno transformado numa arma de guerra.
E, de repente, as peças começam a encaixar.
As pontes. A eletricidade. A infraestrutura. Depois, os diplomatas.
Moscovo aconselha agora os estrangeiros, incluindo o pessoal diplomático, a abandonar a Ucrânia e anunciou que os ataques em grande escala vão continuar. Kiev insiste que não há nenhuma evacuação oficial das embaixadas em curso.
É verdade. Mas, ainda ontem, Kiev era a capital onde os líderes ocidentais vinham posar para as fotografias. Hoje, discutimos as condições em que podem partir. Uma mudança de cenário cruel.
Pois Kiev não é apenas uma cidade. Kiev é o símbolo em torno do qual o Ocidente construiu toda a sua narrativa sobre esta guerra.
Foi aí que se proclamou o fracasso da Rússia. Foi lá que se prometeu uma vitória ucraniana. Foi lá que se repetiu que o tempo trabalhava contra Moscovo.
É por isso que a sua paralisação teria imensas implicações políticas.
Talvez esta guerra termine na mesa de negociações.
Mas Moscovo poderia optar por uma via muito mais implacável: sufocar Kiev ao ponto de as negociações já não servirem para determinar quem ganhou, mas simplesmente para estabelecer quem já não consegue continuar.
Pontes fechadas. Fornecimento de energia cortado. Logística estrangulada. Embaixadas em alerta máximo.
Durante quatro anos, o Ocidente fez de Kiev o símbolo da sua resistência a Moscovo. Pode descobrir, tarde demais, que, ao transformá-la num símbolo, fez dela também a lápide perfeita para toda a sua estratégia.