O Irão não é o Iraque: Quando Washington descobre os limites do seu próprio poder

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 28/07/2026, Revisão da Estátua)


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Durante décadas, Washington habituou-se a vender cada guerra como um passeio militar: alguns ataques “cirúrgicos”, uma chuva de mísseis de cruzeiro, uma conferência de imprensa triunfante… e fim. Só que desta vez, o argumento de Hollywood está a chocar com uma realidade bem menos fotogénica.

O Irão não é o Iraque de 2003 nem a Líbia de 2011. É um vasto território montanhoso onde as infraestruturas militares são dispersas, subterrâneas e concebidas para resistir a bombardeamentos. Enquanto alguns comentadores ocidentais já declaram a vitória dos seus sofás, os estrategas americanos sabem que alcançar a verdadeira superioridade aérea será muito mais complicado do que exibir uma animação em 3D na CNN.

Sem esta superioridade, as forças armadas dos EUA estão condenadas a gastar mísseis de precisão que custam milhões de dólares cada. Armas produzidas lentamente, em quantidades limitadas, e cujos stocks já foram seriamente reduzidos pela Ucrânia. Na sua busca para ser o bombeiro de todas as guerras, Washington está a descobrir que até o maior arsenal do mundo tem um limite.

Entretanto, Teerão está a seguir uma estratégia completamente diferente. A Guarda Revolucionária segue uma doutrina simples: atacar, desaparecer, repetir. Cada confronto permitiu-lhes refinar as suas redes, preencher as suas lacunas de inteligência e reforçar a sua produção de mísseis e drones. Por outras palavras, cada ataque ocidental transforma gradualmente o adversário numa versão melhorada de si mesmo. Uma estratégia brilhante… se o objetivo fosse precisamente tornar o Irão mais resiliente.

A parte mais interessante, no entanto, é o balanço geopolítico. Quanto mais recursos os Estados Unidos investem no Médio Oriente, mais Pequim observa silenciosamente o seu principal rival a desgastar-se. Moscovo, por seu lado, beneficia de uma NATO fragilizada, da atenção americana desviada e dos preços mais elevados da energia. Uma guerra destinada a enfraquecer os adversários de Washington acaba por lhes valer uma inesperada vantagem estratégica. É preciso reconhecer-lhes a perspicácia.

O erro fundamental reside em acreditar que a tecnologia pode substituir a geografia, a indústria e o tempo. Os Estados Unidos destacam-se em campanhas aéreas de curta duração contra inimigos isolados. Uma guerra de desgaste contra um vasto Estado preparado, capaz de reconstruir as suas capacidades, é um jogo completamente diferente.

O Pentágono não carece nem de aviões nem de generais. O que está a tornar-se escasso são os mísseis, o tempo… e a ilusão de que uma guerra ainda pode ser ganha apenas com diapositivos em PowerPoint.

Enquanto os painéis de TV prometem uma vitória relâmpago, a realidade recorda-nos uma regra tão antiga como a própria guerra: é muito mais fácil começar um conflito do que escrever o seu fim.

Qual o objetivo da modernização acelerada do PLA?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 28/07/2026)


Não parece que a China se prepare ou tenha a intenção de iniciar um conflito militar em larga escala, mas indica que os dirigentes chineses consideram esse conflito muito provável e talvez inevitável, algures no final da década de 2020/início da década de 2030.


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Por ocasião da celebração dos 99 anos da fundação do Exército Popular de Libertação (PLA) da China (1 de agosto) importa perceber o motivo por detrás da sua acelerada modernização. Não falamos do processo que o fez passar de uma força de guerrilha constituída primordialmente por camponeses para uma das forças militares mais sofisticadas e tecnologicamente mais evoluídas do mundo, mas sim do modo acelerado e do ritmo sem precedentes como isso se desenrolou a partir de meados da última década.

Neste texto dedicado apenas ao PLA – as Forças Armadas chinesas não se resumem ao PLA e aos seus Ramos: Exército, Marinha e Força Aérea, incluem ainda a Polícia Armada Popular (PAP) e as milícias –, procuraremos compreender a sua evolução fundamentalmente com base nos Livros Brancos publicados por Pequim e como ela se insere nos preparativos discretos para um conflito com os EUA, que não se limita às Forças Armadas, mas envolve a sociedade chinesa na sua totalidade, tema que não desenvolveremos neste artigo, mas que se reveste de uma importância capital, e está na origem da modernização acelerada do PLA, acompanhando os desenvolvimentos em curso na China.

A curiosidade sobre o PLA surgiu-me em 2012, durante a primeira visita de uma delegação militar da NATO a Pequim, em que participei e em que estive envolvido na preparação. Essa visita inseria-se nas rondas de conversações entre o Estado-Maior Militar da NATO e o PLA (em março de 2026 teve lugar a 9.ª ronda). O diálogo militar anual (staff-to-staff) entre o Estado-Maior Militar da NATO e a China tem-se mantido de uma forma regular desde 2010, com reuniões anuais, quando uma delegação militar chinesa visitou a sede da NATO, apesar de algumas interrupções, como ocorreu durante a Covid.

Duas notas sobre esse encontro que me despertaram a atenção, entre muitas outras: já nessa altura as carreiras de tiro chinesas estavam equipadas com um LCD em cada posição de tiro para permitir aos atiradores verificarem de imediato a localização dos impactos no alvo; e a forma jocosa como os oficiais chineses se referiam ao embargo da venda de armamento da União Europeia à China, em vigor desde junho de 1989, o qual incluía tecnologia de uso exclusivamente militar. Não deixa de ser desconcertante serem os países europeus a comprarem à China, nos dias de hoje, os componentes dos drones que enviam para a Ucrânia, apesar de o embargo se encontrar ainda em vigor.

As reformas de 2015

Em 16 de abril de 2013, o Governo chinês publicou o primeiro Livro Branco dedicado às Forças Armadas («A Utilização Diversificada das Forças Armadas da China»), cinco meses apenas após Xi Jinping se ter tornado o líder máximo do Partido Comunista da China (PCC), não incorporando ainda o seu pensamento.

As grandes mudanças nas Forças Armadas chinesas, em particular no PLA, iniciaram-se em 2015, com o objetivo de as preparar para os novos desafios que se avizinham. Algo a que não se assistia desde as reestruturações dos anos 1950. Falamos de um esforço de modernização acelerada, do aumento do controlo do PCC sobre as forças armadas, da melhoria das suas capacidades para realizarem operações conjuntas (envolvendo todos os Ramos das Forças Armadas), e da preparação para guerras com recurso intensivo a tecnologias da informação.

Como principais mudanças identificamos a significativa redução de pessoal (300 mil militares, passando os efetivos de 2,3 milhões para 2 milhões) com um maior impacto no Exército de Terra (redução de oficiais e desmantelamento de unidades obsoletas); a reestruturação da liderança central (os antigos 4 grandes Departamentos Gerais (estado-maior, política, logística e armamento) foram dissolvidos e substituídos por 15 departamentos/agências diretamente subordinados à Comissão Militar Central; a criação de novas forças e comandos, em particular o Comando Geral do Exército de Terra, dotado pela primeira vez de um quartel-general próprio (anteriormente era dominado pelos departamentos gerais).

Esta restruturação incluiu ainda a criação da Força de Misseis elevando assim o estatuto e a importância da antiga “Segunda Artilharia” responsável tanto pelos mísseis nucleares como pelos convencionais; da Força de Apoio Estratégico, uma nova força dedicada à guerra espacial, cibernética, eletromagnética e apoio informacional; uma mudança dos comandos regionais (as antigas 7 Regiões Militares foram substituídas por 5 Comandos de Teatro (Leste, Sul, Oeste, Norte e Centro) orientados para operações conjuntas e ameaças específicas (por exemplo, o Comando Leste para Taiwan).

Um dos aspetos particularmente importante desta reforma foi a melhoria na integração entre os diferentes Ramos do PLA (Exército, Marinha e Força Aérea). Isto significou a transição de uma força iminentemente terrestre para uma força conjunta moderna, capaz de projetar poder e realizar operações longe das suas fronteiras, e de combater em cenários de alta intensidade (Taiwan, Mar do Sul da China, etc.). Em vez de Divisões, a estrutura de forças passou a centrar-se em brigadas (mais flexíveis e modulares). A maioria destas reformas estruturais foi implementada entre 2016 e 2018, com ajustes até 2020.

O Livro Branco de 2019

Em julho de 2019, Pequim publicou um novo Livro Branco com um título bastante sugestivo: «A Defesa Nacional da China na Nova Era», que atualizava e aprofundava os desenvolvimentos de 2013 e de 2015. O documento baseava-se no enfoque do Livro Branco de 2013 no emprego diversificado das forças armadas em tempo de paz, integrando-o em objetivos mais amplos de «forças armadas fortes» sob a liderança do PCC: defesa tradicional, outras operações militares sem serem guerra (ajuda em caso de catástrofes nacionais, estabilidade, etc.), proteção dos interesses nacionais no estrangeiro (por exemplo, missões de escolta, evacuação de não combatentes, etc.) e os designados bens públicos globais (missões de manutenção da paz da ONU, ajuda humanitária e resposta a catástrofes, combate ao terrorismo).

O documento apresentava as reformas já efetuadas como um dos pilares da modernização na “Nova Era”, mas expunha-as segundo um racional defensivo, pacífico e benéfico para a segurança global, sem deixar de ter sempre como pano de fundo o aumento das tensões com os EUA, as disputas no Mar do Sul da China, e as preocupações com Taiwan.

A linguagem utilizada era mais assertiva no que respeitava aos interesses fundamentais (especialmente Taiwan) do que a utilizada no documento de 2013, «A China deve ser e será reunificada», sem Pequim prometer renunciar ao uso da força; «O Exército Popular de Libertação derrotará resolutamente quem tente separar Taiwan da China e salvaguardará a unidade nacional a todo o custo.» E adota o conceito de “defesa ativa” («não atacaremos a menos que sejamos atacados, mas contra-atacaremos certamente se formos atacados») e estabelece uma estratégia baseada no equilíbrio entre a defesa e a ofensiva operacional/tática.

O documento identificava como objetivos principais das forças armadas chinesas: dissuadir a agressão e salvaguardar a soberania da China (incluindo Taiwan, o Mar da China Meridional e as Ilhas Diaoyu), opor-se ao separatismo (independência de Taiwan, do Tibete e do Uiguristão), proteger os interesses nacionais no estrangeiro e apoiar o desenvolvimento sustentável nacional.

O documento rejeitava a hegemonia, a expansão ou as esferas de influência: «A China nunca seguirá o caminho já trilhado pelas grandes potências que procuram a hegemonia.» Define também prazos para a modernização no que respeita à mecanização e aos desenvolvimento no domínio da informatização das forças até cerca de 2020, criando condições para a modernização da defesa nacional e das forças armadas até 2035, dando uma atenção particular à fusão civil-militar, cabendo aqui estabelecer uma diferença que adiante esclareceremos, à «inteligentização» e às reformas na estrutura, no pessoal e no equipamento, tornando a transformação num processo permanente.

Os EUA estimam que as Forças Armadas chinesas venham a dispor até 2030 de mais de 1000 ogivas nucleares operacionais, e constituam uma sólida tríade nuclear (mísseis terrestres, submarinos, bombardeiros). A marinha do PLA já é a maior marinha do mundo em número de navios.

Possui 3 porta-aviões operacionais, submarinos nucleares e mísseis antinavio. A Força Aérea possui aviões de 5.ª geração (J-20 e a família de caças J-35/J-35A) e tem projetos avançados de aviões de 6.ª geração (J-36), drones e uma significativa capacidade de projeção. A Força de misseis teve uma expansão enorme no campo dos mísseis balísticos e de cruzeiro convencionais (mais de mil mísseis capazes de atingir Taiwan e bases americanas na região), tendo efetuado avanços significativos nos chamados “Novos Domínios” (cyber, espaço e guerra eletrónica), ao que se acrescenta a liderança na criação de unidades constituídas por robôs humanoides com inteligência artificial.

Esta modernização sem precedentes do PLA em tempo de paz tem como pano de fundo a competição com os EUA e visa desenvolver capacidades que permitam dissuadir ou mesmo derrotar os EUA numa eventual guerra regional no Indo-Pacífico. A China dispõe de capacidades para derrotar uma possível intervenção militar americana em Taiwan, embora uma invasão anfíbia da ilha possa constituir ainda um desafio complexo.

O aumento de capacidades não indica necessariamente vontade para entrar efetivamente em combate. Não parece que a China se prepare ou tenha a intenção de iniciar um conflito militar em larga escala, mas indica que os dirigentes chineses consideram esse conflito muito provável e talvez inevitável, algures no final da década de 2020/início da década de 2030, nas proximidades dos seu território, preparando-se ativa e discretamente para a eventualidade de um conflito com os EUA.

A modernização rápida do PLA insere-se na construção acelerada de um sistema de resiliência nacional abrangente nos mais diversos setores da sociedade capaz de resistir a sanções, bloqueios, colapso da cadeia de abastecimento, catástrofes naturais e, potencialmente, a uma guerra de grande envergadura. O qual vai desde a relocalização da indústria estratégica para o interior do país, a grandes projetos de defesa civil e de resiliência das infraestruturas urbanas, bem como medidas para reforçar a resiliência do sistema energético nacional. Trata-se, portanto, de uma preparação para enfrentar os piores cenários. Por isso, faz todo o sentido que os decisores em Washington e em Bruxelas considerem estes desenvolvimentos nos seus cálculos estratégicos e os ponderem antes de embarcarem em aventuras militares no Indo-Pacífico.

A UE morreu. A NATO morreu. A Europa morreu. O rato morreu.

(Por Hans-Jürgen Geese , 19/07/2026, Tradução da Estátua)


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Se quer compreender a história dos últimos 81 anos, precisa de começar a sua pesquisa pelo princípio. Logicamente. Mas muito poucas pessoas realmente o fazem. Começar por que evento? Pela morte do presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt.

O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, morreu a 12 de abril de 1945, 26 dias antes do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Tinha 63 anos. A causa da morte foi uma hemorragia cerebral.

Com base na lógica dos acontecimentos subsequentes, deve presumir-se que o presidente Franklin D. Roosevelt foi assassinado. Porquê?

Roosevelt queria criar um mundo de cooperação e paz após a guerra. Isto também se aplicava à sua relação com a União Soviética, à qual tinha generosamente prometido ajuda para a reconstrução. Mas isso nunca aconteceu.

A 12 de abril de 1945, Harry S. Truman tornou-se presidente dos Estados Unidos da América. Truman, um antigo funcionário bancário que mais tarde geriu o seu próprio negócio de vestuário antes de chegar ao Senado, percebia muito pouco de política mundial.

Após o fim da guerra, Truman tomou três decisões devastadoras que influenciaram o curso da história mundial até aos dias de hoje:

Em primeiro lugar, optou por uma política de confronto contra o comunismo. O início da Guerra Fria data de 1947/48.

Em segundo lugar, a 26 de julho de 1947, Truman fundou a CIA. Anos mais tarde, admitiu que esse foi o maior erro da sua vida. Disse estar “profundamente perturbado” com o facto de a CIA se ter tornado um braço operacional e político, independente do governo. A CIA começou logo a instalar e a remover governos na Europa e noutras partes do mundo.

Terceiro: Os alemães queriam tornar-se neutros após o fim da Segunda Guerra Mundial. Truman negou aos alemães o direito à autodeterminação.

Truman rejeitou um entendimento com a União Soviética, em parte porque a União Soviética tinha proposto uma Alemanha neutra, unificada e desarmada. Os EUA, no entanto, queriam a rica Alemanha como um Estado vassalo.

O início da era das guerras intermináveis.

Truman enviou tropas norte-americanas para a Coreia em 1950 sem a aprovação formal do Congresso, como exige a Constituição. Chegou mesmo a autorizar a travessia do paralelo 38. Esta decisão provocou a entrada maciça da China no conflito. Quem provocou esta guerra? A CIA.

Em suma: desde 26 de julho de 1947, data da fundação da CIA, que a política externa dos Estados Unidos da América é controlada e decidida pela CIA. Não por Truman. E nem por Trump.

O Presidente Eisenhower revelou esta verdade no seu discurso de despedida televisionado, em 17 de janeiro de 1961.

Quando o presidente Kennedy chegou a conclusões semelhantes, disse que queria “destruir a agência de informação em mil pedaços e espalhá-los ao vento”. A CIA assassinou-o então. O diretor da CIA, Allen W. Dulles, demitido por Kennedy, foi membro da Comissão Warren, que investigou o assassinato de Kennedy. O mundo conhecia agora o poder da CIA.

Ao longo dos anos, a CIA conseguiu construir uma rede mundial, aliando-se a outras agências de inteligência e adquirindo milhares de milhões de dólares através de atividades ilegais como o tráfico de droga, o comércio de armas e a escravatura, de forma a executar os seus próprios planos independentemente do Congresso.

Em 1976, a CIA foi investigada pelo Congresso pela primeira e única vez (Comissão Church). A CIA foi apanhada a realizar atividades de espionagem doméstica. Isto foi em 1976. Ninguém no Congresso dos EUA ousaria conduzir hoje uma investigação â CIA.

Todos os presidentes dos EUA desde John F. Kennedy não passaram de idiotas úteis para a CIA. Donald J. Trump não é exceção. Sobretudo Donald J. Trump. Goza do privilégio de enriquecer à vontade, sob a supervisão da CIA.

Importante: Se trabalha para a CIA, é “imortal”. Caso contrário, o jogo com a CIA não funciona, porque todos os presidentes e outros participantes querem naturalmente colher os frutos desta relação. Isto também se aplica, por exemplo, a Volodymyr Zelenskyy.

Sim, todos os aliados da CIA são intocáveis. Pergunte a Macron, Merz ou Merkel. Os índices de aprovação pública são completamente irrelevantes. A democracia não passa de uma bela fachada. É preciso dizer que todos os cidadãos destas democracias não passam de idiotas úteis.

A União Europeia (UE)

A ironia da história da UE reside certamente no facto de a UE e as suas organizações antecessoras terem sido criadas para evitar outra guerra na Europa. E agora a UE está praticamente obcecada em travar uma guerra na Europa. Repare, a UE sempre teve uma ligação muito limitada com a economia.

Isto é também evidente pelo facto de que, quando um novo país é admitido na UE, necessita quase sempre de se tornar mais tarde membro da NATO.

O principal objetivo da UE não é, portanto, o bem-estar económico dos seus cidadãos, mas sim o controlo sobre os mesmos. É simplesmente mais fácil controlar a UE do que todos os países individualmente. Isso seria uma tarefa gigantesca. Agora, passados ​​muitos e muitos anos, conseguiram instalar idiotas intelectuais e morais como chefes de governo em todos os países da UE. Uma conquista verdadeiramente admirável. Não há um único país com um dissidente. São todos agentes impecáveis ​​da CIA.

Se a Alemanha se tivesse tornado neutra em 1945 e nunca tivesse aderido à União Europeia, seria hoje praticamente um paraíso na Terra. Claro que isso não podia acontecer. Muito provavelmente, teria levado a uma estreita cooperação com a União Soviética, para benefício de ambos os países. Uma perspetiva assustadora para Washington e Londres.

Em contrapartida, a República Federal da Alemanha é agora o tesoureiro da Europa. Hoje, a riqueza da República Federal está a ser sistematicamente explorada em benefício de outros. Restará pouco. O objetivo é uma espécie de asilo para pobres.

A abolição do marco alemão foi um erro colossal. O que raio levou Kohl a pensar isso? Que loucura! Regra número um para um Estado soberano: nunca abdique da sua soberania. Jamais. Contudo, a República Federal da Alemanha não pode abrir mão da sua soberania hoje. Porque, para começar, ela não a possui.

NATO

Ouça os discursos proferidos pelos políticos na Conferência de Segurança de Munique (13 a 15 de fevereiro de 2026) e na recente cimeira da NATO em Ancara (7 e 8 de julho de 2026). Estes políticos estão completamente desvairados. A única coisa que lhes importa é a guerra. E trata-se de desperdiçar centenas de milhares de milhões de euros na guerra planeada contra a Rússia. No final do dia, isto representará biliões de euros — dinheiro desesperadamente necessário para investimentos em infraestruturas, educação, saúde e outras áreas na Europa. Estes políticos estão obcecados com a ideia de derrotar a Rússia. O bom senso já não tem qualquer efeito  neles.

Se alguma vez quis saber como se deu a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, então está agora a viver uma projeção desses tempos no presente.

A NATO deveria ser abolida. Assim como a UE. Ambas as organizações são instrumentos do diabo. É preciso dizê-lo sem rodeios. Nada de bom pode vir destas organizações. Vejam Ursula von der Leyen. Corrupta até à medula. Ou o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, que chama “papá” a Donald Trump. Figuras tão patéticas lideram a Europa. Repito: como pode algo de bom advir disto?

É necessário reconhecer que o dinheiro governa o mundo, logicamente, direta ou indiretamente, e que todas estas organizações representam, em última análise, modelos de negócio concebidos para canalizar ainda mais dinheiro, direta ou indiretamente, para canais específicos.

A depravação, a corrupção, a pura crueldade da classe política são difíceis de discernir e compreender para nós, cidadãos. É necessária uma predisposição psicopática para cometer tais crimes. Todos os dias, centenas de pessoas morrem na guerra na Ucrânia. Todos os dias, centenas de pessoas morrem nas guerras no Médio Oriente. Os políticos podiam pôr um fim a isto. Mas não o fazem. São escravos de uma agenda obscura. A UE e a NATO não são mais do que organizações criminosas.

Europa

Vivi e trabalhei em vários países. É uma ilusão presumir que um alemão e um francês pensam e agem da mesma forma. Basta perguntar a um maestro alemão se interpreta a música da mesma forma que os seus colegas italianos. Culturas diferentes criam pessoas diferentes. Isso é simplesmente da natureza humana. Mas é precisamente esta diversidade que enriquece a Europa. É algo muito positivo.

Serão muito poucas as pessoas que se descreverão primordialmente como europeias. Nunca conheci ninguém que tenha feito tal afirmação.

Tal como a diversidade na Europa é o que a torna rica, a diversidade do povo alemão é o que torna a Alemanha rica. Um saxão não é um bávaro.

Se a Europa for inundada por estrangeiros, esta vantagem cultural desaparecerá. E é esse o objetivo desta entrada de milhões de pessoas de culturas estrangeiras que nunca poderão ser integradas.

Basta observar as taxas de natalidade dos alemães e dos imigrantes para calcular quanto tempo levará até que os alemães se tornem uma minoria no seu próprio país. Isso já é previsível. É irreversível. Isto é uma guerra contra os alemães.

“A Alemanha está a autodestruir-se”, “A Europa está a autodestruir-se” são meras conclusões, nada mais do que o resultado da aplicação do senso comum. Quem discordaria disto hoje em dia?

A Europa, enquanto instituição, foi e continua a ser um nado-morto

Após os Estados Unidos assumirem a hegemonia mundial após a Segunda Guerra Mundial, tiveram naturalmente de se livrar dos seus adversários mais próximos. Para além da União Soviética, estes incluíam a Europa Ocidental, especialmente a Alemanha.

O Plano Marshall não foi mais do que um programa de estímulo económico para a economia americana. Depois de os americanos terem bombardeado a Alemanha até a destruir completamente, sem qualquer sentido, depois de terem morto centenas de milhares de civis, também sem qualquer sentido, e lucrado enormemente com isso, ofereceram-se generosamente para reconstruir tudo. Só para lucrar com a guerra mais uma vez.

O que estes alemães adoradores dos americanos não compreenderam, e não querem compreender, é o seguinte: na América venera-se o dólar. Dinheiro.

Os alemães, no entanto, sempre viveram numa cultura diferente, onde, para além do dinheiro, existem valores muito mais importantes, especialmente o bem comum, que na América é equiparado ao socialismo ou mesmo ao comunismo.

A americanização da Europa significa o fim da Europa. Significa também, antes de mais, um completo emburrecimento da Europa, o que é praticamente o pré-requisito para alcançar a desejada americanização e, consequentemente, o seu declínio.

Nota: A educação era o bem supremo para os alemães. A educação era o bem supremo para os europeus. Os americanos nunca conseguiriam competir com isso. Então, qual foi a solução para os americanos? O abaixamento do nível educacional dos europeus. Diplomas do ensino secundário para todos.

A Europa é uma colónia dos americanos

Pode achar essa afirmação exagerada. Mas os americanos consideram-nos seus súbditos. Basta ouvir Trump ou os seus comparsas. Não nos levam a sério. E até o dizem abertamente.

Só pode negociar ou conviver com alguém se negociar em termos iguais e for visto como um parceiro em pé de igualdade. Isto aplica-se ao seu casamento. Isto aplica-se à coexistência das nações.

A saída é uma rotura radical com os Estados Unidos. A Europa precisa de se reinventar. Mandem os americanos para casa. Todos eles. De preferência hoje. E que Trump seja feliz no seu Washington. Ignorem-no.

Por isso, falem com os russos e encontrem uma solução para o conflito na Ucrânia. Sem os americanos. Porque, para os americanos, o que é a guerra? Um modelo de negócio. Sempre foi e provavelmente sempre será. Em 250 anos de história, tiveram apenas 19 anos sem um conflito militar! 19 anos em 250!

A Alemanha para os alemães. E Europa para os europeus. Que uma nova Alemanha e uma nova Europa surjam então da paz e da prosperidade. Nós, europeus, nós, alemães, devemos esperar pela ressurreição de pelo menos parte da Europa no futuro. A Europa de outrora, a Europa de hoje, nunca mais voltará a existir. Só em bolsas isoladas a cultura europeia, e consequentemente a cultura alemã, poderá sobreviver.

Atingir esta modesta meta só será possível em cooperação com a Rússia. Sem a UE, sem a NATO, sem estes políticos idiotas. A profissão de político deve ser abolida de uma vez por todas. Tal processo não funcionou. São controlados por outros. O povo precisa de aprender a autogovernar-se. 

Fonte aqui