O suicida de Pedrógão Grande

(In Blog O Juemento, 07/09/2017)
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(Não é Água das Pedras, é vodka da pura. Passos Coelho é perito em enganar a malta. Só assim se explica tanta palhaçada falhada e tanto tiro no pé. António Costa deve andar a esfregar as mãos de contente.
Estátua de Sal, 07/09/2017)

Desde que os incêndios de Pedrógão ocorreram que o país tem assistido a uma catadupa de acontecimentos que nada têm que ver com a resolução dos problemas. O famoso assalto a Tancos ainda deu uma ou duas semanas de descanso a Pedrógão Grande, mas m al se percebeu que ali nada havia para explorar Passos e Assunção Cristas voltaram ao ataque.
Nos primeiros dias Cristas andou desaparecida e Passos ainda ensaiou uma postura de homem de Estado, visitou a Proteção Civil e poupou nas declarações. Poucos dias depois percebeu que podia fazer render as vítimas dos incêndios em seu favor e foi a correr para Pedrógão, ao que parece o candidato a autarca do PSD e senhor da Santa Casa local tinha boas novidades para o ajudar. Surge então a declaração de que alguns cidadãos se tinham suicidado, enquanto outros ficaram feridos por tentativas falhadas de suicídios. No mesmo momento em que contava a sua “boa nova” foi desmentido por um assessor, mas insistiu nas tentativas de suicídio que terá deixado feridos.
A culpa dos suicídios foi a ausência do Estado, as vítimas dos incêndios estavam a suicidar-se porque não aparecia ninguém para os ajudar. Começou aqui a saga do argumento usado até á exaustão “o Estado falhou!”, argumento que foi promovido a estratégia política e usado em todos os domínios.
Depois da barracada dos suicídios Passos andou fugido e escondido durante uns tempos, até que surge outra oportunidade. Uma maluquinha de Lisboa andou a contar mortos e concluiu que teriam morrido quase cem pessoas nos incêndios de Pedrógão. Tal como a SIC em tempos acreditou num falso “assessor do FMI” que condenava a austeridade, Passos não hesitou em acreditar na maluquinha dos mortos. Durante dias o país suspeitou de que António Costa teria escondido mais de trinta cadáveres nos galinheiros dos perus de São Bento.
Desmontada a falsidade dos mortos, quando depois de muitos dias o MP se ter decidido a contar a verdade, apesar de todo o alarme público que tinha havido, Passos voltou para as suas ausências prolongadas dos últimos dois meses. Ainda ensaiou uma tentativa de dizer que a ajuda não estava a chegar ás populações, mas rapidamente se calou quando foi desmentido.
Agora Passos voltou a fazer surf à custa das vítimas dos incêndios, revelando uma grande irresponsabilidade e um total desconhecimento da situação pensou que o Governo estava a gerir mal os donativos dos portugueses para as vítimas dos incêndios. Deu mais um tiro no pé, pela enésima vez foi oportunista e falhou.
O que levará um líder de um grande partido a ser tão oportunista, não hesitando em aproveitar todos os boatos e mentiras de maluquinhas, revelando um total desconhecimento dos dossiers e um grande desinteresse pepa realidade, preferindo boatos e mentiras? Passos já fez tanta asneira neste dossier, apesar de todas as sondagens lhe sugerirem que tenha juízo e seja mais rigoroso, honesto e competente, que não se compreende esta fixação nos incêndios como se fossem a sua boia de salvação. Passos ainda não percebeu que não há incêndio que o salve.

PS com 43% e mais 20,1% que o PSD

(Por Dieter Dillinger in Facebook, 01/09/2017)

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Apesar dos violentos ataques ao Governo durante o verão quente dos incêndios que levou muita gente a suspeitar que foram ateados por pessoas a mando do PSD/CDS, o PS posicionou-se muito bem nas sondagens do barómetro Aximage realizadas nos dias 29 e 30 de Agosto para o Negócios e para o Correio da Manhã e publicadas no Negócios de hoje (01-09-2017) – Ver aqui

Assim, o PS regista 43% de intenções de votos, o que significou uma quebra de 1%, mas que não impediu que a distância em relação ao PSD aumentasse de 19,1 para 20,1%, que ficou nos 22,9% de bem intencionados votantes.O segundo maior partido dos três grandes foi o da Abstenção que ronda os 34%. Os restantes três partidos ficaram abaixo dos 10%. Assim, o BE com 9,1%, a CDU com 7,8% e o CDS da Cristas com 5,2% que representa uma evolução porque já andou nos 4,5%.

Por sua vez, 38,5% dos inquiridos disseram que o Governo andou mal na gestão dos fogos, o que significa que o PSD/Coelho andou bem na estratégia nacional de incendiar a PÁTRIA, já que o objetivo foi criar situações de muitos fogos próximos que impedisse o corpo de bombeiros de atuar. A tragédia de Pedrógão foi bem planeada para criar uma situação com muitas mortes. Os incendiários sabiam que havia uma estrada coberta de copas de árvores que uma vez a arderem queimariam quem por lá passasse e, principalmente, os habitantes em fuga de aldeias próximas já cercadas pelos fogos ateados pelos incendiários da terra do juiz de instrução Alexandre.

Vamos pois ver se o Ministério Público e os juízes de instrução conseguem que os incendiários denunciem os seus mandantes e pagantes ou digam porque razões incendiaram a PÁTRIA que parece não ser a dos procuradores e juízes alegadamente terroristas, isto como afirmação de caráter político e, naturalmente, deduzida a partir das consequências práticas.

Debates da treta

(In Blog O Jumento, 29/08/2017)

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Com a chuva a apagar os incêndios os jornais precisam de novos temas, de preferência algo que cheire a escândalo e que alimente suspeitas picantes. Depois das acusações de falta de coordenação no combate aos incêndios vêm as suspeitas em relação aos funcionários e dirigentes do Estado. Os jornais vendem papel e a direita tenta capitalizar, evitando os debates de que foge como o diabo da cruz.

É óbvio que as recentes notícias em relação a viagens pagas por tecnológicas já cheiram a vingança e manipulação da opinião pública. Estas viagens são uma fonte inesgotável para os jornais, durante anos estabeleceu-se uma relação entre Estado e tecnológicas em que estas viagens eram tidas e tratadas como normais.

O que se passa neste setor não difere em nada do que sucedia com os congressos de medicina, trata-se de um setor onde a informação e formação disponibilizada pelas empresas é importante para os clientes, seja o Estado ou privados, ao mesmo tempo que a coberto da formação as empresas tecnológicas disseminam o seu marketing e observam os quadros que participam nas suas ações, obtendo informação útil para contarem com uma bolsa de profissionais, que poderão contratar para viabilizar futuros negócios.

Bem mais corruptas são as viagens que as grandes empresas portuguesas pagam a jornalistas e que são retribuídas com artigos laudatórios dessas empresas, dos seus donos e administradores, senão mesmo com o silêncio de notícias incómodas. Basta analisar as notícias sobre as empresas com granes orçamentos publicitários (banca, telecomunicações, setor automóvel, distribuição alimentar, café, etc.) para percebermos que a informação relativa a essas empresas é altamente manipulada. Pior ainda, quando os patrões dessas empresas decidem intervir na política fazem-no através da comunicação social e sem terem de dar a cara.

O debate em curso não passa de um debate da treta e com as chuvas a apagarem os incêndios vem mesmo a calhar. Mesmo sabendo que as viagens em causa ocorreram quase todas durante  a anterior legislatura, a imagem que passa é a de um Estado abandalhado e incompetente, o estereótipo de que a direita se serviu para adotar medidas de austeridade brutal no sector público e que tem vindo a usar para não discutir a realidade económica do país, preferindo a imagem de um país desgraçado.

É evidente que, tal como sucedeu com as iniciativas das farmacêuticas, devem ser adotadas regras claras no sector tecnológico, o que não significa que as viagens a que a comunicação social se tem referido tenham algo de suspeito. Tanto quanto sei muitas destas viagens podem estar enquadradas nos contratos assinados no âmbito do fornecimento de equipamentos ou de prestação de serviços, tendo essas viagens sido autorizadas e as faltas justificadas por se considerar que os funcionários estavam em serviço. A reação do ministro da Saúde foi extemporânea e excessiva, daí que um dia tenha mudado de discurso perante o risco de perder quadros que dificilmente conseguirá substituir.

Pessoalmente estou mais preocupado em saber se as agências de notação nos tiram do lixo, se o governo vai eliminar o brutal aumento do IRS que me foi imposto, se um cenário de um segundo resgate está posto de lado, se este ciclo de crescimento se vai prolongar, se o desemprego vai continuar a cair, se o país vai apostar mais na formação e educação, se o governo vai desmontar o que resta da experiência falhada da desvalorização fiscal. Quero lá saber o que comeram ao pequeno-almoço os convidados da ORACLE ou que entretenimento foi proporcionado aos quadros que viajara a convite de empresas.


Fonte aqui