As raízes nazis da NATO

(GABRIEL ROCKHILL, in Observatoriocrisis, 28/12/2024, Trad. da Estátua)

Que a NATO seja na verdade NAFO, a Organização Fascista do Atlântico Norte, não é brincadeira. É uma realidade mortalmente séria e precisa de ser mudada. A luta contra a NAFO é uma parte essencial da luta contra o fascismo e o imperialismo.


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Os historiadores burgueses descrevem frequentemente o nascimento da NATO como uma organização de defesa do Atlântico Norte necessária para conter a chamada ameaça soviética. O que os historiadores burgueses não mencionam é que a ideia de uma aliança militar anticomunista entre a Europa Ocidental e os EUA foi fortemente apoiada por uma figura importante na política alemã e que a NATO tem sido por vezes considerada uma criação sua. Este homem era Heinrich Himmler, famoso pelo seu papel como líder das SS e um dos principais arquitetos do Holocausto nazi.

O coração da Segunda Guerra Mundial estava no Leste, onde Hitler, com o apoio financeiro dos principais capitalistas ocidentais, prometeu destruir o que catorze estados capitalistas não conseguiram erradicar na sequência de 1917: o socialismo realmente existente.

Assim que se tornou claro para Himmler que esta guerra tinha falhado, começando com a Batalha de Estalinegrado em 1943, ele começou a fazer propostas secretas ao Ocidente para formar uma aliança que lhes permitisse, coletivamente, fazer o que os nazis (bem como os fascistas japoneses) eram incapazes de fazer sozinhos.

Esta ideia atraiu sectores da elite ocidental e figuras poderosas dos principais países imperialistas partilharam a opinião de Himmler. Allen Dulles, o futuro diretor da CIA, queixou-se de que o seu país estava a combater o inimigo errado porque os nazis eram cristãos arianos pró-capitalistas, enquanto o verdadeiro adversário era o comunismo ateu.

Dulles, que trabalhava na altura na instituição antecessora da CIA, o Gabinete de Serviços Estratégicos, foi um dos interlocutores de Himmler para a planeada aliança anticomunista do Atlântico Norte. O general Karl Wolff, antigo braço direito de Himmler, ofereceu a Dulles, em troca de uma amnistia pós-guerra, o desenvolvimento, com os seus aliados nazis, de uma rede de inteligência contra Estaline.

Foi exatamente isso que aconteceu, e Dulles integrou muitos outros nazis e fascistas nas fileiras de uma internacional anticomunista. Isto incluiu o chefe dos serviços de inteligência nazis centrados na URSS, Reinhard Gehlen, que foi nomeado pela CIA para chefiar a inteligência da Alemanha Ocidental após a guerra, onde passou a contratar muitos dos seus colaboradores nazis.

Também incluiu, como parte da Operação Italian Dawn, Valerio Borghese, o homem conhecido como o Príncipe Negro e um dos principais líderes do fascismo do pós-guerra, que foi salvo de cair nas mãos soviéticas pelo OSS e mais tarde trabalhou para a CIA.

O oficial japonês que assinou a declaração de guerra contra os Estados Unidos, Nobusuke Kishi, conhecido como o “Diabo de Shōwa” pelo seu governo brutal de uma colónia japonesa no nordeste da China, também foi reabilitado pela infame Agência, que financiou a sua ascensão a Primeiro-ministro do Japão. Contudo, estes exemplos são apenas a ponta do iceberg, uma vez que um número incontável de fascistas foi reabilitado após a Segunda Guerra Mundial, sendo que, pelo menos 10.000 foram trazidos diretamente para os Estados Unidos.

Quando a NATO foi oficialmente criada em 1949, Portugal foi um dos seus membros fundadores. Naquela altura, Portugal era uma ditadura fascista, o que só prova o facto: a NATO foi, desde a sua fundação, uma aliança militar das potências imperialistas (fossem democracias burguesas ou estados fascistas) contra o comunismo, que era precisamente o que Himmler tinha em mente. .

A Grécia aderiu à NATO em 1953, depois de os comunistas, que desempenharam um papel de liderança na libertação do país dos nazis, terem perdido uma guerra brutal contra os novos ocupantes anticomunistas: o Reino Unido e os Estados Unidos. Tendo sido reintegrado o rei pró-fascista e depois estabelecido um governo fantoche de direita, as potências imperialistas ocidentais acolheram a Grécia na NATO assim que esta se tornou num Estado cliente anticomunista fiável. Estes padrões são visíveis ao longo da longa história da NATO, e a Ucrânia é apenas uma das versões mais recentes de um Estado cliente neofascista

A Alemanha Ocidental aderiu à NATO em 1955, o mesmo ano em que o rearmamento da República Federal da Alemanha foi autorizado através dos Acordos de Paris. O governo da Alemanha Ocidental selecionou os voluntários e admitiu 61 generais e almirantes nazis da Wehrmacht no seu novo exército, bem como muitos mais em escalões inferiores.

Entre os oficiais nazis de mais alta patente que se juntaram ao exército da Alemanha Ocidental estavam Hans Speidel e Adolf Heusinger, que foram empossados ​​como os seus dois primeiros tenentes-generais. Speidel tornou-se “chefe do Departamento de Forças Combinadas do Ministério da Defesa” e serviu como um dos principais conselheiros militares do Chanceler Konrad Adenauer (posição posteriormente ocupada por Heusinger). Heusinger, a quem Hitler se referiu como “meu fiel e leal colaborador”, tornou-se o oficial militar de mais alta patente da Alemanha Ocidental, o equivalente ao presidente do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos. Ele também atuou como avaliador-chefe da Organização Gehlen da CIA, desempenhando sua tarefa tão bem que a Agência o “considerou seriamente” para o cargo de Gehlen, de acordo com documentos internos. Heusinger, foi também como agente da CIA, que “continuou a consultar e a confiar nos representantes da CIA”, que relataram que “consideravam que as opiniões políticas de Heusinger favoreciam claramente os interesses dos EUA”. Estes dois líderes nazis foram promovidos e tornaram-se os primeiros generais de quatro estrelas da Alemanha Ocidental.

Ambos aqueles dois altos oficiais nazis desempenharam papéis importantes na NATO. Em 1954, Speidel foi nomeado o principal “negociador sobre a questão da entrada da Alemanha na NATO”. Supervisionou a integração das forças armadas da Alemanha Ocidental na NATO e foi nomeado chefe das Forças Terrestres Aliadas na Europa Central. Isto significava que Speidel era “o comandante operacional sénior de todas as divisões alemãs, americanas, francesas e britânicas atribuídas à Região Central da NATO”. E Heusinger, um oficial nazi de alta patente diretamente envolvido na guerra genocida contra a URSS, teria sido o principal comandante terrestre da NATO se a guerra eclodisse com os países do Pacto de Varsóvia. Esta figura tornou-se “oficial militar superior e principal conselheiro militar do secretário-geral” da NATO, servindo como presidente do Comité Militar da NATO, “o posto mais alto no ramo não civil da organização”.

Speidel e Heusinger, como muitos outros que aderiram à NATO, não eram nazis de baixa patente. Speidel foi promovido a tenente-general em janeiro de 1944 e condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro pelos seus serviços na guerra de eliminação antissoviética.

De acordo com um folheto informativo de 1961 do senador Wayne Morse, Heusinger tornou-se “chefe de operações do estado-maior de Hitler” em 1941 e foi “responsável pelo planeamento militar de todas as invasões nazis depois disso”. Ele chefiou os esquadrões especiais de extermínio (Einsatzgruppen) que tinham a tarefa de liquidar “todos os judeus e outros grupos”.

Heusinger explicou a sua opinião sobre estas questões com notável franqueza: “Sempre foi minha opinião pessoal que o tratamento da população civil e os métodos de guerra anti partidária (extermínio) apresentavam aos líderes políticos e militares uma oportunidade de levar a cabo os seus planos, nomeadamente, o extermínio sistemático do eslavismo e do judaísmo.”

Speidel e Heusinger não foram os únicos alemães a seguir o caminho dos nazis rumo à NATO, mas as suas posições de liderança revelam quão descarada tem sido a NATO no que diz respeito aos seus laços com o fascismo. Ambos também estiveram envolvidos na criação de exércitos “restantes”, que eram milícias fascistas secretas cujo suposto propósito original era servir como forças militares que permaneceriam atrás das linhas inimigas para realizar atos de sabotagem, espionagem, no caso de uma invasão soviética.

Na Alemanha, o coronel nazi Albert Schnez criou uma rede de cerca de 2.000 oficiais nazis e 10.000 soldados, alegando ser capaz de mobilizar 40.000 combatentes em caso de guerra. Eles tinham apoio financeiro do mundo dos negócios e compartilhavam regularmente informações com a Organização Gehlen. O próprio Gehlen era “o pai espiritual do Stay Behind na Alemanha”. A organização de Schnez também tinha contactos com duas outras redes nazis, ambas financiadas secretamente pelos EUA: o Technischer Dienst (Serviço Técnico) e a Liga da Juventude Alemã.

Os exércitos de retaguarda que estes líderes nazis estabeleceram na Alemanha Ocidental faziam parte de uma rede da Europa Ocidental de milícias fascistas secretas criadas pela CIA, MI6 e NATO.

Estas organizações recrutaram nazis, fascistas e outros anticomunistas de extrema-direita, forneceram-lhes armas e munições e equiparam-nos totalmente para travar a guerra. Foram ativados para cometer ataques terroristas de bandeira falsa contra a população civil, que foram atribuídos aos comunistas para justificar a repressão e obter apoio para os chamados governos da lei e da ordem.

Esta estratégia anticomunista de tensão foi extremamente letal: matou centenas de pessoas e feriu milhares. A NATO esteve por detrás destes ataques terroristas de bandeira falsa e os nazis da NATO estiveram, no mínimo, envolvidos na criação das organizações que os cometeram.

A conhecida piada de que a NATO é na verdade NAFO, a Organização Fascista do Atlântico Norte, não é brincadeira. É uma realidade mortalmente séria e precisa de ser mudada. A luta contra a NAFO é uma parte essencial da luta contra o fascismo e o imperialismo.

(*) O autor é professor de Filosofia na Universidade de Vilanova.

Fonte aqui.


 

Retrato (frontal) de um javardo fascista

(Fernando Campos, in blog O Sítio dos Desenhos, 25/10/2024)

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O Chega é um partido javardo que representa um segmento assinalável de portugueses javardos com graves problemas de auto-estima.

O partido tem um discurso a condizer, bastante raso, velhaco e javardo; mas petulante e contentinho, para compensar. O seu estilo engraçadista e desmiolado de proferir aberrações como pretensos desabafos do homem-comum em forma de graçola (a graçola é um xiste sem espírito), tem feito o seu caminho na sociedade portuguesa – dando voz, e asas, fazendo sair do armário – onde esteve dormente mas latente – uma sensibilidadesinha desprovida de espírito, alarve e acéfala, carente de amor-próprio mas ufana de estupidez malévola e de ignorância odienta, ignóbil e ressabiada.

Pedro Pinto é o líder do grupo parlamentar do partido Chega. Isto quer dizer que é ele o porta-voz autorizado desta coisa. Pinto é um estafermo feioso que se parece com uma espécie de babuíno enxertado em grunho com cara de porcalhão.

De cada vez que abre a boca, só diz merda, uma merda infame, nauseabunda e asquerosa; mas di-la com a jactância refocilante e satisfeita de um porco que pensa(!) que lança perfume – um perfume fétido e repugnante – a racismo; a machismo de capoeira; a caserna; a patriotismo de penacho, monóculo e pinguelim; a proxeneta de gravata; a puta velha e futebol rasca; a fadinho caga-cão; a touros sem morte, só com tortura; a presunção de regedor; a cagança de torcionário; a sopa-dos-pobres com água-benta, ranço e penitência; a fascismo paroquial. Um fedor a velho, a azedo, a ardido, a coirão apodrecido com ressaibos de sacristia e de todas as degenerescências do preconceito.

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Este post inaugura uma nova etiqueta neste blogue: o rosto hediondo da javardice – que é como vão passar a ser arrumados, aqui ao lado na prateleira, toda a sorte de retratos de javardos, cheganos, liberais de iniciativa e fascistas em geral. A série inclui ainda este retrato de grupo, e este, e este, ambos expoentes do nacional-engraçadismo.

Fonte aqui

O Ocidente dos “valores democráticos” ao lado do terror nazi-fascista

(Hugo Dionísio, in Strategic Culture Foundation, 14/10/2024, revisão da Estátua)

A recuperação do nazismo coloca-nos a todos, os povos ocidentais, ao lado e sob a influência nazi-fascista!


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O cerco à Rússia não se confina ao domínio militar, comercial, institucional ou financeiro. Antes destas, foi implantada uma outra barreira – melhor dizendo, “alimentada” -, no sentido de se constituir uma espécie de “cintura sanitária” agressiva e activa, constituída pelos estados cujas fronteiras comunicam, por terra ou por mar, com as da Federação Russa.

Esta “cintura sanitária”, conceptualizada a partir do que sabemos ser o enquadramento mental das classes dominantes ocidentais, tem uma natureza profundamente ideológica, visando tocar, de forma repulsiva, nos valores mais profundos e encarnados na história russa dos últimos 100 anos e, através dessa conexão, provocar uma relação antagónica caracterizada por um mútuo efeito repelente, prevenindo qualquer comunicação humana que se pudesse estabelecer entre as partes.

A força soberana que reside na cultura multinacional, multiétnica e multirreligiosa russas, responsável, desde logo, pela capacidade de agregação de forças que tornou possível a derrota do nazi-fascismo na segunda guerra mundial, é também o que separa as reservas minerais, humanas, energéticas, entre outras, das garras do capitalismo ocidental e do seu ímpeto alimentado pela fase imperialista em que se encontra.

Se a brutalidade de uma ideologia como o nazi-fascismo representou, na primeira metade do século XX, o combustível que alimentou a agressão à então pátria soviética, foi a sua preservação e recuperação históricas – num processo de revisionismo e branqueamento sem paralelo – que possibilitou, já nas primeiras décadas do século XXI, a sua utilização como combustível para a tal “cintura sanitária” em torno da Rússia. 100 anos depois, repete-se a receita, embora com as limitações claras que o desespero impõe.

O que pode ser mais antagónico e mutuamente repulsivo do que o nazismo em contacto com o que se pode considerar a “alma russa” actualizada com os acontecimentos do século XX? Que mais vívida e carnal imagem existe, na sua brutalidade e violência, para além do pesadelo sofrido, principalmente pelo povo Russo, às mãos do terror nazi?

Os primeiros a sofrerem o efeito desta “cintura sanitária” são os próprios cidadãos de origem russa que, após o colapso da URSS, se quedaram na Estónia, Lituânia ou Letónia e hoje aí residem. Para além de proibirem a comunicação social russa, violando o seu direito à opinião e à informação, com base numa suposta política de combate à “propaganda do Kremlin” (algo a que também se assiste em toda a EU e à margem das constituições nacionais dos diversos países), a Letónia promoveu mesmo a eliminação do ensino do russo dos currículos escolares, o que provocou preocupações por parte de especialistas da ONU em direitos Humanos, relativamente à protecção dos direitos nas minorias étnicas. Para quem acusa a Rússia de não as ter em conta…

Segundo a narrativa, o Kremlin usa o russo como arma, que depois utiliza como veículo para a sua propaganda, perpetrada através da designada “média estatal”, que referem como toda a comunicação social que, financiada ou não pelo executivo russo, não está alinhada com a narrativa ocidental. O que nunca referem é que, afinal, o uso do russo como veículo de propaganda não será, como dizem, um exclusivo das fontes russas, pois a própria letónia financia órgãos de comunicação como o Meduza, os quais, escrevendo em russo, apenas visam passar informação alinhada com a narrativa ocidental.

Não sendo tão radical como a Letónia na eliminação da língua russa dos currículos escolares, a Estónia é, mesmo assim, um exemplo de destruição de monumentos alusivos à vitória soviética sobre o nazismo. Principalmente sob o mandato de Kaja Kallas, o processo de remoção destes monumentos assistiu a uma aceleração, chegando mesmo a ser discutida no quadro europeu, processo que levou à remoção do Tanque Soviético nos arredores da cidade de Narva. Segundo a mesma Kaja Kallas, o tanque é uma “arma do crime” – talvez do “crime” de derrotar nazis – “estando a morrer pessoas na Ucrânia com o mesmo tipo de tanque”.

Mas esta perseguição à cultura e memória soviéticas – não apenas russa – diz-nos que a propagação de uma lógica russófoba incorpora uma dimensão que vai para além do mero confronto étnico, representado, por exemplo, na discussão de limitações da aquisição de propriedade imobiliária, por parte de cidadãos russos, na Letónia, na sequência de uma proposta feita pelas autoridades finlandesas. Para quem diz que o povo russo é oprimido, não se percebe esta generalização.

A ligação do confronto étnico com as populações russófonas e russas, ao passado soviético e à memória da vitória sobre o nazifascismo, encontra origem na vaga de colaboracionismo e simpatia com a ideologia nazi que ocorreu nesses países, por parte de uma certa camada da população e classes dominantes, antes, no início e durante a segunda guerra mundial. A responsabilização da Federação Russa, enquanto única depositária da memória histórica colectiva da vitória do multinacional exército vermelho sobre as hordas nazis, faz a ponte entre a cobiça dos vastos recursos detidos pela Rússia e a necessidade de encontrar fundamentação ideológica, teórica, psicológica e emocional que justifique a agressão.

Tal justificação teórica e ideológica, a meu ver, é fornecida pelo neonazismo e pela glorificação do passado colaboracionista com as forças de Hitler. A força dessa ideologia anticomunista, racista e supremacista branca, colocada num primeiro plano, aliada ao processo de revisão histórica e branqueamento do terror nazifascista, faz a ponte, do passado para o presente, entre o anticomunismo que justificou a agressão à URSS e a russofobia que serve de desculpa ao cerco actual.

Ora, para promover a tal “cintura sanitária” com a Federação Russa, cuja função reside em impedir o contacto saudável entre a Europa (Alemanha, principalmente), a Rússia, repúblicas euroasiáticas e China. foi preciso recuperar o activo histórico que constitui a ideologia nazi, para os EUA e para as classes dominantes do ocidente colectivo. Como sucede com todos os activos, só se recuperam os que já existem per se. A recuperação do património histórico nazi é resultado de um processo, mais longo, de preservação e revitalização desse activo.

Actualmente, quando assistimos à glorificação dos “Irmãos da Floresta”, um grupo abertamente anticomunista surgido nos países bálticos, formado por ex-membros das Waffen-SS locais e que lutaram contra o que designavam como “ocupação soviética”, mesmo depois do fim da segunda guerra, tendo sido responsáveis por horríveis crimes contra civis e polícias soviéticos, operado com informação da inteligência ocidental, ou assistimos ao branqueamento e entronização de organizações como o “Sonderkommando A”, o qual, colaborando com as forças nazis, recorrendo a letões e lituanos, assassinaram quase 250.000 judeus na Lituânia, até 1944, verificamos que o património histórico nazi está bem vivo e mais forte do que alguma vez esteve, desde o final da segunda guerra mundial.

Para possibilitar o seu ressurgimento e recuperação foi necessário implementar todo um processo de revisionismo, minimizando os danos e branqueando os seus crimes. Na Lituânia homenageou-se o general Povilas Plechavicius que combateu ao lado dos nazis; em 2008 o parlamento lituano equiparou as ideologias comunista e nazi, o que representou uma normalização e recuperação histórica do nazismo (ao contrário de uma diabolização, como muitos defendem) e, em 2010, os tribunais lituanos declararam a suástica “parte do património cultural do país”, provando que a equiparação ideológica não passa de um processo de recuperação histórica desse passado.

O facto é que, desde 1991 que milhares de comunistas foram perseguidos na Lituânia, ao passo que foram sendo permitidas manifestações com símbolos nazis e lemas racistas. Sintomático! Como disse Jean Pierre Faye no prefácio ao livro “O arquipélago de Sangue”, escrito por Chomsky e Herman, o acto de incluir o nazismo e comunismo no saco do “totalitarismo”, permitiu aos EUA apoiar as forças mais retrógradas, reaccionárias e tirânicas, contanto que não se dissessem apoiantes do “totalitarismo”.

Assim, equiparando as ideologias comunista e nazi, o facto é que as autoridades lituanas, como hoje muitas outras na União Europeia dos “valores” e da “democracia”, perseguem os comunistas, mas toleram – para não dizer algo mais – as manifestações de extrema direita. Aliás, a profusão de governos abertamente reaccionários e racistas na União europeia, comprova de forma quase irrefutável as razões que estiveram na base de equiparação. O facto é que em todos esses países, os comunistas são perseguidos, ao passo que os nazis são admitidos. Nada como a prática como critério de aferição da verdade!

No caso Português, um grupo como o 1143, alinhado com as facções mais extremistas em Portugal e com gente que tem um passado de perseguição – e assassinato – de migrantes e minorias de qualquer tipo (comunistas, homossexuais, negros, asiáticos ou muçulmanos), é caracterizado na comunicação social mainstream como sendo um simples “grupo nacionalista”. O que terá tal a ver com o apoio por parte de André Ventura, do partido Chega, contra o que referiu como “Imigração descontrolada”? E porque razão não refere o mesmo André Ventura, os órgãos de comunicação social que lhe dão voz e espaço e os poderosos interesses que o apoiam, que quem contrata os imigrantes são as empresas, que são as associações patronais quem junto aos governos pede a abertura das fronteiras, que são as UBER desta vida quem mais explora a imigração e que é a própria União Europeia, que André Ventura defende, que fomenta, causa e legitima toda a imigração a que assistimos? E porque razão não atacam o turismo descontrolado que destrói Lisboa, actividade, para a qual, trabalham grande parte dos imigrantes?

Ora, esta lógica racista que faz a ponte com o anticomunismo, visando ligar a Rússia actual, como única depositária do passado soviético e daí partir para a sua diabolização actual, de modo a justificar uma agressão, isolamento e opressão que possibilite a sua pilhagem – como sucedeu nos terríveis anos 90 do século XX sob Boris Ieltsin – encontra exemplo claro na permissão, por parte da Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp), em os seus usuários poderem exprimir mensagens de ódio contra os russos).

Esta perspectiva russófoba, absolutamente inaceitável para uma Europa que se diz “dos valores”, representa um pilar fundamental da adesão destes países à OTAN e deixa antever a que mecanismos recorrem os EUA para conseguirem que os países “eleitos” façam da adesão à aliança atlântica, não apenas uma questão de defesa contra a Rússia, mas, acima de tudo, uma necessidade existencial. E o nível de extremismo implantado é tão grande que, basta ouvirmos a forma como a elite, que compõe o regime de Kiev, fala sobre os russos, não os distinguindo, para perceber que o ódio é indiscriminado, profundo, visceral, como só algo irracional, como o racismo, pode ser. E a própria sobrevivência da OTAN depende desse ódio irracional, animal.

Para preservar no tempo, recuperar e revitalizar o património histórico nazi, há um país em especial que cumpriu esse papel como nenhum outro: o Canadá! Ainda hoje, o Canadá resiste a fornecer as identidades dos 900 nazis foragidos que aí encontraram santuário.

Já num artigo passado expus o verdadeiro museu vivo que a Universidade de Alberta, e a sociedade canadiana, são para os fugitivos dos julgamentos de Nuremberga, nomeadamente os da 14ª divisão da Galicia Waffen SS. Contudo, o legado canadiano, neste aspecto, vai muito mais longe, tendo-se constituído esse país como um refúgio pacífico para cientistas, militares e outros foragidos nazis.

Embora neste país, entre 1985 e 1986, e após muita pressão política e popular, se tenha realizado uma investigação sobre o assunto, na altura designada por Comissão Deschênes, chegando-se mesmo a uma compilação de nomes, a verdade é que o trabalho deixou muito a desejar e foi realizado para produzir resultados, no mínimo, ambíguos.

A comissão não investigou materiais mantidos na União Soviética ou em países do Bloco de Leste, potencialmente perdendo evidências cruciais que aí se encontravam; o Juiz Deschênes estabeleceu condições rigorosas para consultar evidências desses países, mas tendo a resposta soviética para a consulta chegado apenas em junho de 1986, tal foi considerado tarde demais para a comissão viajar e examinar, o que deixa antever que o levantamento da realidade material não constituía, talvez, o objectivo principal da missão.

A comissão não investigou uma lista de 38 nomes adicionais fornecida no final do inquérito, devido ao que considerou como restrições temporais; ficou incompleta a investigação de uma lista de 71 cientistas e técnicos alemães; a segunda parte do relatório final da comissão, contendo alegações contra indivíduos específicos e recomendações sobre como proceder em certos casos, permanece confidencial e não foi divulgada ao público; uma cópia não editada do relatório de Alti Rodal para a Comissão Deschênes, que contém relatos detalhados de como criminosos de guerra entraram no Canadá e a responsabilidade do governo pela sua entrada, não foi totalmente divulgada; os arquivos do Departamento de Justiça e da Polícia Montada Real Canadense sobre criminosos de guerra nazis mantidos por essas agências não foram tornados públicos; as provas das actividades anteriores dos membros da Divisão da Galiza não foram examinadas, nomeadamente as que referiam potenciais crimes de guerra cometidos em outras unidades policiais alemãs antes de se juntarem à divisão; um estudo secreto conduzido pela comissão descobriu que autoridades britânicas e americanas transportaram para o Canadá colaboradores nazis, vindos da Europa Oriental, logo após a Segunda Guerra Mundial sem informar o governo canadiano e com um escrutínio mínimo.

Ainda hoje a retenção destas provas conduz a debates contínuos sobre a precisão e a integridade do trabalho da comissão, com muitos argumentando que, ao invés, o trabalho da comissão ajudou a encobrir o registo histórico sobre criminosos de guerra nazis no Canadá. Parece que a Comissão Deschênes visou mais branquear o passado, do que avaliá-lo e julgar os crimes cometidos.

Todo este dossier foi reactivado aquando da polémica relativa à recepção de Yaroslav Hunka no parlamento canadiano. As acusações de branqueamento têm-se multiplicado, o que não admira, considerando que foi essa a comissão que declarou os membros da Divisão da Galicia Waffen SS como inocentes da prática de crimes de guerra, pois, segundo arguiu, haviam sido examinados aquando da sua admissão no país.

Actualmente, após toda esta pressão, argumenta-se que a divulgação total do trabalho da comissão para além de poder deixar marcas na credibilidade do governo canadiano, pode ainda “ajudar a Rússia”, na medida em que ajuda a reforçar a narrativa de “desnazificação” do Kremlin. Ora, não era algo que não se soubesse, o problema não é conhecer a verdade, o problema consiste em diabolizar a Rússia, descredibilizar a sua versão dos factos e justificar a continuação da guerra.

O que esta realidade demonstra, mais do que nunca e especialmente quando ouvimos Blinken referir que os EUA são um país do ártico e que quer formar com o Canadá e os países europeus bálticos, uma organização para manter aquela região “livre de conflitos” (agora seria hora de dar umas fortes gargalhadas), é que o Canadá não apenas constituiu um importante “armazém museológico” para preservação, protecção e recuperação dos activos nazis, como agora passa também a fazer parte da “cintura sanitária” que os EUA promovem à volta da Rússia. Tudo isto também demonstra que o Canadá não passa de uma república das bananas e um campo de retiro dos activos humanos importantes para o imperialismo anglo-americano.

O que nos ensina esta triste realidade é que o revisionismo histórico que visou comparar o comunismo ao nazismo não visou apenas normalizar o segundo e desabilitar historicamente o primeiro, apagando a contribuição da URSS para a vitória aliada na segunda guerra mundial. Visou muito mais do que isso. Visou criar uma barreira repulsiva entre a Rússia e os que seriam, geograficamente, os seus aliados naturais, os países europeus…

Coincidentemente, para os que acusam Putin de ser “fascista” e de “extrema direita”, é a Europa dos “valores” e da “democracia” quem fica do lado nazi… A recuperação do nazismo não coloca apenas a Rússia do outro lado…. Coloca-nos a todos, os povos ocidentais, ao lado e sob a influência nazi-fascista!

Fonte aqui.