A BBC e as demissões – a ponta do iceberg?

(João Gomes, in Facebook,10/11/2025)


As demissões do diretor-geral da BBC, Tim Davie, e da chefe de notícias, Deborah Turness, não são um mero episódio administrativo. São o reflexo visível – a ponta do iceberg – de uma crise muito mais profunda no jornalismo ocidental contemporâneo.

O pretexto imediato foi a manipulação de um discurso de Trump, proferido a 6 de janeiro de 2021, durante o cerco ao Capitólio. O programa Panorama editou passagens distintas do discurso, sugerindo que o então presidente incitara os seus apoiantes a “lutar como demónios” e marchar com ele até ao Congresso. A frase original, contudo, tinha outro contexto e outro propósito. A distorção foi suficiente para acender o rastilho de uma crise que vinha fermentando há anos dentro da BBC.

Trump foi, portanto, o ponto-chave – o gatilho que tornou público um problema sistémico: anos de decisões editoriais marcadas por enviesamento, omissões e falta de pluralismo.

Um histórico de erros e tendenciosidades

As investigações internas e externas revelaram uma sucessão de falhas desde 2019. Durante o Brexit, a BBC foi acusada de parcialidade; na pandemia, de complacência com o poder político; na cobertura da guerra da Ucrânia, de reproduzir a retórica oficial de Kiev e da NATO; e, mais recentemente, de reportar o conflito em Gaza, com omissões graves. Paralelamente, surgiram denúncias de autocensura e militância disfarçada de neutralidade nas matérias sobre identidade de género, onde a pressão ideológica dentro das redações suplantava o rigor informativo.

Tudo isto configurou um padrão: não uma sucessão de falsidades absolutas, mas uma erosão progressiva da imparcialidade, substituída por narrativas moralmente confortáveis e politicamente convenientes.

O espelho de um problema maior

Seria ingénuo pensar que esta crise é exclusiva da BBC. Na realidade, ela reflete um fenómeno mais vasto, que atravessa praticamente todo o jornalismo ocidental. CNN, NPR, The New York Times, Le Monde, Der Spiegel – todos enfrentam o mesmo dilema: a transformação do jornalismo em instrumento de virtude, onde a “causa certa” substitui a busca pela verdade, e o contraditório se torna um incómodo.

As redações, cada vez mais homogéneas do ponto de vista cultural e ideológico, criaram uma bolha onde se confunde consciência moral com objetividade. As narrativas geopolíticas alinham-se com os centros de poder ocidentais; as causas sociais são tratadas como dogmas inquestionáveis; e o jornalismo perde, aos poucos, o seu caráter de mediação plural.

O resultado é uma erosão dramática de confiança: apenas 47% dos britânicos dizem confiar hoje na BBC – menos de metade do que há dez anos.

Entre a informação e a convicção

A imprensa parece ter esquecido a diferença essencial entre informar e convencer. Informar é expor os factos, ainda que desconfortáveis. Convencer é conduzir o público a uma conclusão pré-fabricada. Quando a notícia se torna instrumento de moralismo ou de poder, o jornalismo deixa de cumprir a sua função democrática e converte-se num púlpito ideológico.

A BBC, símbolo de credibilidade durante décadas, cai agora no descrédito por ter confundido imparcialidade com conveniência. Mas talvez o seu colapso seja útil: serve de alerta para todo o ecossistema mediático que insiste em ignorar os sinais de fadiga ética e intelectual.

O iceberg que emerge

A ponta do iceberg a emergir – o caso Trump -, apenas revelou o que já estava submerso: anos de jornalismo moldado por agendas, de redações isoladas da sociedade que pretendem representar, e de uma elite mediática que perdeu o contacto com o público comum.

O que se vê hoje na BBC pode ser o prenúncio de uma transformação mais ampla – ou, se nada mudar, o prenúncio do fim de uma era em que os meios de comunicação se julgavam guardiões exclusivos da verdade.

Porque quando o jornalismo deixa de ser espelho e se torna filtro, o público acaba por procurar a verdade noutro lugar.

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As aldrabices dos comentadores têm perna curta

(Manuel Augusto Araújo, in Facebook, 09/11/2025, Revisão da Estátua)

Sergei Lavrov, o ressusscitado…

Na CNN Portugal replicando notícias dos mais bem informados órgãos de comunicação social do mundo ocidental:

Em 7 de Novembro às 17h28 um longo texto intitulado «Ausência de Lavrov em reunião com Putin faz soar os alarmes em Moscovo»

Em 9 de Novembro às 9h16, avançam com uma outra notícia «Sergei Lavrov afirma estar pronto para se reunir com Rubio»

As diferenças: enquanto o primeiro texto explica detalhadamente como Lavrov está a cair em desgraça, dando praticamente por garantido que Putin o afastou, que o antes poderoso Ministro dos Negócios Estrangeiros está talvez mesmo correndo o perigo de ser defenestrado no Kremlin. A primeira notícia foi mesmo objeto de comentários dos muitos opinadores da CNN Portugal com a clarividência que a esmagadora maioria deles ostenta e que a realidade obstinadamente os desmente e até os ridiculariza, a segunda é quase uma nota de rodapé o que não deixa de ser notável porque na prática assinala a reentrada do ressuscitado Lavrov na cena política internacional, curiosa mas não inesperadamente ecoando no ruidoso silêncio desses mesmo anotadores, uns verdadeiros comediantes.

Entre estas duas notícias, o estardalhaço que uma provocou e a mudez em que embrulharam a outra, o que se deve sublinhar é elas anteciparem e corresponderem aos desígnios da  nova organização da UE que, segundo o Guardian, se intitulará Centro de Resiliência Democrática, iniciativa atribuída à Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, que está prevista para 12 de novembro, certamente com o aplauso e ativo apoio de António Costa, Kaja Kallas e demais burocratas das estruturas da UE.

Vai esse Centro lutar contra a influência na Europa das notícias que coloquem em causa toda a panóplia de propaganda do jardim da civilização ocidental, que pela amostra inicial é uma cornucópia de notícias enviesadas, deturpadas ou mesmo falsas que uma vasta orquestra comunicacional diariamente toca a mando desses canhestros maestros estacionados em Bruxelas, vassalos e bobos na corte dos grandes interesses económicos que os contratam.

  • Não consideram suficiente o estado atual pelo que estão a preparar as ferramentas para imporem uma férrea censura que farisaicamente dizem ser inicialmente voluntária para os estados membros da UE e para os estados candidatos à adesão à União.

O Reino Unido também terá a oportunidade de se juntar ao projeto como um parceiro com ideias semelhantes. Já todos percebemos qual o tipo de voluntariado forçado que está em gestação.

Razão tinha Georges Orwell quando escreveu que «A linguagem política, destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez (…) Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre.».

É este o futuro que a União Europeia nos promete, com que nos ameaça. Há que lutar contra esta Europa connosco!

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A maior fonte de fantasia


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A maior fonte de fantasia destinada a distrair as opiniões públicas do REAL objetivo de quem controla o imperialismo norte-americano (e nunca é o Presidente) são os meios de comunicação globalizados.

Reparem por exemplo no 7 de outubro em Israel.

Mas, ALGUÉM, por mais emotivamente condicionado que seja, acredita que o MAIOR proxi dos EUA, o estado pátria da Mossad, o país com o MAIOR programa de monitoramento humano à escala mundial, o recetáculo da MAIS avançada tecnologia de controle territorial, SE DEIXOU INVADIR POR UM BANDO DE MALTRAPILHOS, SEM LEVANTAR QUALQUER OBSTÁCULO?!

Será mais fácil acreditar no Pai Natal.

Agora, se pensarem que a urgência prioritária dos EUA passava por eliminar o regime iraniano, já “devidamente desgastado” pelos mídia ocidentais relatando à náusea os tais “incidentes com burcas” que, sendo o quotidiano na Arábia Saudita e no Qatar, só aqui se tornavam horrificos, assim talvez já entendam.

Morreram mil israelitas? E depois? Quantos morreram no Iraque ou na Líbia?

Netanyahu, um corrupto a contas com a justiça, tal como Zelensky na Ucrânia, era o personagem perfeito no momento ideal, para aceitar as “contingências” do “alto propósito americano”: ELIMINAR O IRÃO.

O plano está em marcha e toda a mediatização à volta do Hamas (mais um Frankenstein norte-americano/israelita) e dos reféns, são apenas o colorido novelístico que condiciona o público a aceitá-lo. Quanto ao conflito russo/ucraniano, o proxy norte-americano, Bruxelas, tem feito todo o trabalho na perfeição.

A difusão mediática da “INVASÃO RUSSA” teve por parte das estruturas da União Europeia e dos fracos líderes que a compõem, honras quotidianas de primeira página e difusão televisiva.

Tal e qual como NUNCA tiveram os “incidentes” que levaram à dita “invasão” nem, muito menos, a aquiescência TOTAL dos europeus, quer à expansão da norte-americana NATO para a fronteira de segurança russa, quer o LOGRO que foram os acordos de Minsk, quer as tentativas frustradas de controlar a Crimeia, quer a “revolução colorida” conduzida pela neocon Nuland, quer os assassínios em massa no Donbass, quer ainda a eleição de um palhaço corrupto que se prestasse ao desempenho do mesmo papel que Netanyhu desempenha em Israel: garantir o sucesso do PLANO norte-americano custe o que custar.

E QUAL É O PLANO?! USAR a sua proxi, Bruxelas, e a NATO, agora entregue a expensas da Europa, para eliminar o regime russo.

E é tão simplesmente porque o plano está em marcha e É TOTALMENTE assumido por Bruxelas, que a guerra continuará “até ao último ucraniano” ou até ao último cêntimo destinado à saúde ou às reformas dos europeus.

Não porque queiram os EUA derrotar a Federação Russa com armas. Sabem bem que tal é uma impossibilidade. Querem sim manietá-la economicamente até sucumbir. Quer através das sanções europeias que, “PASME-SE”, 24 horas após o início do conflito já estavam a ser indicadas por Bruxelas… quer através da mudança TÃO DESEJADA de compra dos hidrocarbonetos para a América.

Após a neutralização do Irão e da Rússia, a estratégia foca-se no Indo-Pacifico, com ênfase na China de Xi, a qual, acredita o Deep State norte-americano, estará fragilizada sem o apoio dos seus maiores apoiantes em armamento.

Dizem os contadores de histórias, que Trump se encontrou com Putin no Alasca para “tentar” afastá-lo de Xi. Ridículo.

Ambos encenaram a parte da novela que melhor condicionava a emotividade popular. E ambos sabiam que a guerra iria continuar. Por sobrevivência para a Rússia, e por interesse estratégico para Trump.

Contrariamente ao que muitos enfatizam, eu penso que poderão ser os europeus, cansados de governos incapazes e de uma liderança europeia de acéfalos submissos, que poderão iniciar a revolta ao maquiavélico Plano norte-americano de controle pela hegemonia global. Paulatinamente as mudanças dão-se e as mentalidades ficam libertas da amarra sub-reptícia dos órgãos de difusão, TODOS ELES a soldo de um mesmo patrono.