Luís Montenegro – Subsídios para o perfil de um dissimulado

(Carlos Esperança, in Facebook, 15/04/2025, Revisão da Estátua)


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Ninguém dava nada por Luís Montenegro no PSD porque o conheciam e, fora do PSD, por falta de memória.

É verdade que foi um acaso da sorte que o levou a ser o beneficiário do golpe urdido no Palácio de Belém entre Marcelo e Lucília Gago e executado pelo primeiro em decisões sucessivas para derrubar o governo de maioria absoluta do PS, mas Montenegro tinha já dado provas do que era capaz como líder parlamentar, a defender o governo de Passos Coelho e Portas, o governo mais à direita da democracia portuguesa, antes do seu.

Não era a ele que Marcelo queria entregar o excedente orçamental que António Costa retinha para gerir nos anos do resto do mandato que lhe foi interrompido, mas foi ele o beneficiário que o usou para as eleições pelas quais ansiou desde o início do seu governo.

Montenegro ainda não deu provas de saber governar – é provável que venhamos a chorar a sua passagem por S. Bento -, mas já deu provas do que é capaz para preservar o poder e do que consegue fazer para dar a impressão de que qualquer outro, dentro ou fora do PSD, seria pior do que ele. Dá como garantia da sua governação na próxima legislatura, o ano de 2024, os nove meses do Orçamento do PS que lhe permitiram tamanho brilho.

Era tão hábil a defender Passos Coelho como agora a defender o seu governo cavaquista com sotaque do Norte. Levou os sócios e os negócios com ele, e é tão hábil a dissimular uns e outros como a convencer o País de que a Saúde e a Educação, estando piores, são agora melhores. Consegue sempre evitar o escrutínio e encontrar quem o defenda!

Montenegro gere a verdade como as contas bancárias: divide-a em pequenas doses para evitar o radar da imprensa, do Tribunal Constitucional e da opinião pública, e substitui-a por desculpas avulsas arrancadas a saca-rolhas.

E quando já não pode fugir refugia-se na entrega ao Ministério Público de alegadas provas cujo escrutínio cabe aos eleitores.

Não convence os portugueses da sua honradez, apesar dos esforços, seus e dos ministros que mobiliza para o defenderem, mas finge que é tão eficiente a criar riqueza para todos como para si próprio e para os filhos.

O país não é a SPINUMVIVA e Portugal não precisa tanto de lobbying como os clientes da empresa que o enriqueceu e que, de mão em mão, transferiu para os filhos.

Na campanha eleitoral faz promessas para além do que pode cumprir, mas, se ganhar as eleições, tem as empresas públicas que quer privatizar, para pagar o défice, e, se perder, deixa uma herança em que possam germinar saudades.

Entretanto, antecipa todos os pagamentos, num frenesim tal que só lhe falta antecipar o pagamento do subsídio de Natal para o início deste mês de maio.

E, em êxtase narcísico, embalado pelo efeito Miguel Albuquerque, na Madeira, que hoje toma posse, cria o neologismo montenegrização, para impor os seus desejos e valores, inclusive na ética: “não fiz nem mais nem menos do que faz qualquer português”.

Estamos montenegrizados!

As eleições federais na Alemanha (2025), o “plano de rearmamento da Europa” e o Quarto Reich alemão

(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 16/03/2025) 

Friedrich Merz, da CDU, o novo chanceler da Alemanha.

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Com o turbilhão e o rebuliço político, comercial e mediático causados pelas intervenções de Donald Trump e do seu governo no aparelho de Estado dos EUA, na Ucrânia, na UE, na OTAN (/NATO) e em Israel, corre-se o risco de deixar passar em claro outros acontecimentos importantes, mas não tão mediatizados.

As eleições federais na Alemanha são um deles. A Alemanha é o país economicamente mais industrializado e mais poderoso da Europa (exceptuando a Rússia).  Politicamente é um “estratovulcão” com um futuro cheio de ameaças com origem nele próprio. É impossível ser indiferente ao que lá se passa, porque afecta toda a Europa.

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Quanto à colonização da Roménia

(Joseph Praetorius, in Facebook, 12/03/2025, Revisão da Estátua)

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A questão das presidenciais romenas tornou-se problema comum dos povos da Europa.

A questão fundamental está perfeitamente colocada. É a de um país a quem prometeram a prosperidade e a paz, ao mesmo tempo que o encaminham para a guerra, querendo assenhorear-se dos seus recursos e compensando-o com míseras subvenções – a minhoca na ponta do anzol – o que se projeta como um negócio do outro mundo. Querem retirar tudo o que naquela terra há. O gás, o petróleo, o oiro serão evidentemente outras tantas razões para tornar, pela pilhagem, os romenos mais pobres.

Não falando já das próprias vidas, neste insulto supremo da transformação do país em fornecedor de carne barata para canhão.

Colonialismo puro e duro. De modelo arcaico. Capaz de transformar um povo antigo e nobre em novos negros-brancos. E a sua amada Pátria em colónia nova.

Em número crescente, os romenos começaram a notar mais do que o projeto, a sua execranda concretização. É tão desleal! Os romenos olhavam com evidente afeto para esta gente “ocidental”,  como ainda dizem, aí admirando a liberdade, a prosperidade, o desenvolvimento, a elegância, a arte, a música, as literaturas… E esta infecta escumalha faz-lhes isto. Transforma-lhes a Pátria em testa-de-ponte para o ataque à Rússia.

Os romenos – os contemporâneos, pelo menos – não morrem de amores pela Rússia, em razão das questões da Bessarábia e do correspondente desfecho após a Segunda Grande Guerra. Esquecem-se que a Bessarábia foi libertada pela Rússia, em guerra contra os turcos. E pelo anseio de unidade com aquele território, fizeram muitos sentirem-se como se tivessem herdado a posição turca no conflito local… E pegando nessa antipatia, acrescida pelo desfecho da guerra da Roménia com os vizinhos – sem esperança de socorro, ou sequer decência, dos simpáticos ocidentais, o que atirou a Roménia para a aliança com a Alemanha -, pegando nessa antipatia, queriam e querem, agora, atirar a Roménia contra a Rússia, consumando a sua transformação em alvo militar, na perspetiva da defesa russa.

Era o que faltava…

E os romenos reagem, dir-se-ia, inesperadamente. Votaram contra o sistema colonial já implantado. Votaram pela paz. E os cabos cipaios anularam as eleições. E vedam ao candidato qualquer nova candidatura, a quatro dias do prazo para as apresentações de candidaturas. Absoluta ignomínia.

A corja de Bruxelas assume o protagonismo de tal coisa, chegando a dizer que, sendo necessário, fariam o mesmo na Alemanha. Os embaixadores da UE em Bucareste tomam posição pública apoiando os cipaios do Tribunal Constitucional, enquanto o tribunal de Soros – o TEDH – rejeita a análise da queixa de Georgescu.

No segundo episódio, o embaixador francês reúne com os cipaios do “Tribunal Constitucional” antes da rejeição da candidatura. Ora, nem a anulação das eleições, nem a rejeição da candidatura têm qualquer fundamento legal. Georgescu não foi condenado, nem há motivo para qualquer condenação, muito embora, com o aparelho judicial neste estado, tudo pareça ao alcance de qualquer encomenda do poder colonial…

Atentas as percentagens eleitorais e a indignação dos romenos – a ampliar consideravelmente o apoio a Georgescu – o poder colonial rompeu qualquer influência dos seus cipaios entre o povo romeno. E apenas lhe resta a força. Tornaram-se odiosos e isso não se dissiparia em menos de duas gerações, se acaso pudessem estar sossegados tanto tempo. E não vão poder.

Assim sendo, é preciso esperar os três dias que faltam para o fim do prazo de apresentação de candidaturas. Há um plano B? Há assinaturas já reunidas que possam sustentar outra candidatura com o mesmo propósito de emancipação nacional? Se houver, tudo pode ser salvo e os cipaios serão remetidos ao seu lugar, preferencialmente no cárcere.

Se não houver essa possibilidade, a vida política romena entrará em fase de (muito) perigosa turbulência, quanto à qual talvez seja de relembrar a conclusão de Tomás de Aquino, no tema da insurreição contra os tiranos. “Não será desprovido de êxito, o que se comete com o favor da multidão” (devendo lembrar-se, também, que multidão é ali uma das aceções de povo, que Aquino define como “multidão racional, organizada na comunhão concorde das coisas que ama“.

Aguardemos.

Segue vídeo abaixo sobre a Roménia, a ver no Youtube.