Poderá a Europa sobreviver aos seus próprios líderes?

(Michael Hudson entrevistado por Glenn Diese, in Resistir, 04/04/2025)


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GLENN DIESEN: Olá a todos e bem-vindos. Hoje é dia 26 de março de 2025 e a mim junta-se Michael Hudson, um nome conhecido no mundo da economia.

O mundo está a mudar muito rapidamente, como vemos. Os EUA parecem estar a adaptar-se à multipolaridade. Precisa de ter uma nova prioridade. A Europa parece ser menos prioritária, enquanto parece haver uma necessidade de fazer as pazes com a Rússia. E vemos que, do lado europeu, em vez de recuarem da guerra por procuração contra a Rússia, os europeus insistem agora em que vão continuar a guerra sem os Estados Unidos, o que é um pouco duvidoso, mas também é pior. [Estarão a usar dinheiro que não têm para construir armas que só serão produzidas daqui a muitos anos. E o objetivo de derrotar a Rússia não está claramente definido como é que isso vai funcionar. Portanto, muito disto não faz sentido e muitas pessoas têm tentado perceber o que se passa.

Como vê as narrativas económicas e políticas que conduziram a Europa a este caminho?

Pode ler a resposta e a entrevista completa aqui.

Mas pode ver a mesma entrevista no vídeo abaixo dobrado em português, vídeo que devia passar em horário nobre em todas as televisões para muitos dos mais ingénuos e/ou desinformados cidadãos acordarem de vez, concluindo que os líderes europeus nos estão a levar para o abismo.

O futuro e os seus inimigos

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 31/01/2025)

(A cambada lá conseguiu calar o Viriato. Andava a ser demasiado incómodo a abrir os olhos aos crentes. Eu que o diga, pois os textos dele, que aqui publicava, eram dos mais lidos e partilhados no Facebook e no X. Um dia destes calam também a Estátua e todos os que saiam da cartilha dominante. Acho que já faltou mais.

Estátua de Sal, 31/01/2025)


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O futuro já condiciona os nossos quotidianos. Da revelação mais definitiva do seu rosto depende a realização, ou o fracasso, das aventuras pessoais de todos nós, sobretudo aquelas dos mais novos, filhos ou netos, a sulcarem com os seus primeiros passos o solo agreste do presente. O principal inimigo do futuro reside no tenaz facto de a pequena minoria com poder de decisão – incrustada prioritariamente no sistema circulatório da economia mundial, e, instrumentalmente, na política -, se atarefar em negar as três sombras do futuro, ou em afirmar serem elas facilmente dissipáveis.

Não é verdade que exista qualquer solução, ou via nesse sentido, para a crise ambiental, incluindo as alterações climáticas. Temos uma montanha de palavras, impressas e ditas, apagadas por um mero sopro da realidade.

Não é sério afirmar que a tecnologia é a nossa fonte principal de esperança, quando foi o aumento do poderio tecnológico a trazer-nos a esta rota de colisão com a casa planetária. Pelo contrário, a segunda sombra do futuro reside no avanço vertiginoso e desregulado de um dos seus frutos mais recentes e poderosos: a Inteligência Artificial (IA). Os verdadeiros especialistas em IA, incluindo alguns dos que com ela mais enriquecem, são os primeiros a alertar para a sua essência não-instrumental. Através da IA, estamos a criar um agente (um concorrente!), e não um utensílio. Um Outro, com crescente autoconsciência, capaz de recorrer à mentira e ao engano para preservar a sua existência, dotado de uma capacidade de cálculo e maleabilidade estratégica para alcançar os seus objetivos, que nos apouca até à indigência. Dentro de poucos anos, todas as armas mais letais serão guiadas pela IA. Máquinas destinadas a matar, com decisão autónoma. Estaremos à espera da sua compaixão para connosco?

Não passa de perigosa ilusão, afirmar estar uma guerra nuclear fora de questão. O modo como nos últimos três anos, na Ucrânia, temos jogado uma dança de morte à beira da escalada atómica, revela que desprezar esse risco acaba por torná-lo mais provável.

Um futuro capaz de continuar a história da humanidade neste planeta implica várias condições: a lucidez, o respeito pela objetividade, a absoluta recusa da arrogância, a capacidade de colaboração entre inimigos, a prioridade da inclusão nos caminhos de futuro, além dos vivos, das gerações futuras.

PS – Termina com este texto a minha colaboração regular com o DN, iniciada em novembro de 2010. Foi um enorme privilégio, que agradeço, ter partilhado com os leitores, em mais de dois mil textos, durante 14 anos e três meses, a minha visão dos problemas nacionais e internacionais, que a todos nos afetam. Desejo as melhores felicidades aos jornalistas e funcionários do DN, bem como ao seu diretor, no imenso esforço em que se encontram empenhados na defesa deste jornal, para que o DN continue a ser um dos mais importantes espelhos onde se regista a odisseia coletiva da história portuguesa.

Professor universitário