O puxão de orelhas a Costa e os dois líderes sem tropas que querem controlar a guerra

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 21/06/2026, Revisão da Estátua)


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Isso exigiu muita coragem. Quando a União Europeia começa a considerar se valeria a pena dialogar com Moscovo após mais de quatro anos de guerra, Emmanuel Macron e Friedrich Merz decidiram que a diplomacia ainda é demasiado perigosa para ser permitida.

Segundo o Politico, os dois líderes criticaram duramente o presidente do Conselho Europeu, António Costa, por ter restabelecido contactos informais com o Kremlin. Numa cimeira em Bruxelas, a discussão foi tão delicada que os telemóveis foram proibidos na sala. Claramente, na Europa, falar com Vladimir Putin tornou-se mais subversivo do que falar com um traficante de cocaína.

A parte mais irónica desta história é que os dois homens que afirmam personificar a determinação europeia estão também entre os líderes politicamente mais vulneráveis ​​dos seus próprios países. Macron governa uma França fragmentada, onde a sua maioria praticamente já não existe. Merz, por sua vez, está a descobrir que ser chanceler é mais complicado do que fazer declarações belicosas diante das câmaras. No entanto, aqui estão eles, a dizer a todo o continente como conduzir uma guerra que não estão a travar e como negociar uma paz que se recusam sequer a considerar.

O problema é simples: um número crescente de líderes europeus acredita que, a dada altura, alguém terá de falar com os russos. Até o Conselho Europeu começou a reabrir canais de comunicação com Moscovo, deixando claro que ainda não se trata de negociações formais.

Mas para a dupla Macron-Merz, a lógica parece ser a seguinte: negociar agora seria um sinal de fraqueza; negociar depois seria uma vitória; e nunca negociar seria provavelmente um sucesso histórico.

O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, colocou a questão com um pragmatismo desarmante: se Putin demonstrar vontade de negociar, teremos de decidir quem falará em nome da Europa. Esta é uma linha de pensamento quase revolucionária numa União onde alguns parecem acreditar que uma guerra termina com um comunicado de imprensa e algumas sanções adicionais.

Entretanto, os contribuintes europeus financiam o esforço de guerra, os arsenais estão a esgotar-se, os orçamentos militares disparam e a indústria luta para acompanhar o ritmo. Mas isso não interessa: o principal é manter a ilusão de que a diplomacia é o verdadeiro perigo.

A história poderá muito bem recordar esta estranha era em que os líderes menos populares da Europa se convenceram de que a sua missão era impedir que outros se manifestassem. Não porque tivessem um plano para ganhar a guerra, mas porque claramente não tinham um plano para a terminar.

Ao recusarem-se a qualquer diálogo, Macron e Merz assemelham-se àqueles generais de gabinete que estão sempre a mudar bandeiras de lugar num mapa enquanto os soldados já perceberam que uma guerra acaba sempre à mesa das negociações. O problema é que, enquanto estes estrategas improvisados ​​fingem ser os Churchills do século XXI, são os europeus que estão a pagar a conta.

A diplomacia do risco assumido

(João Gomes, in Facebook, 22/12/2025)


Macron quer falar com Putin porque não há soluções sem diplomacia…

A União Europeia decidiu, finalmente, assumir riscos. Não riscos calculados, não riscos estratégicos, mas riscos no sentido mais europeu do termo: adiar decisões difíceis enquanto se transforma o adiamento numa virtude política. Chamemos-lhe, com propriedade, diplomacia do risco assumido – assumir riscos que não se controla, com dinheiro que não se tem, para um desfecho que não se consegue desenhar.

Durante quatro anos, a UE foi acumulando camadas de exceção: pandemia, inflação, energia, guerra. Cada crise foi tratada como transitória, cada solução como temporária, cada dívida como irrepetível. Hoje, descobre-se que o temporário se tornou estrutural e que a exceção virou método. O empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia é apenas o capítulo mais recente dessa narrativa.

Promete-se financiamento como quem promete estabilidade: com solenidade, comunicados bem redigidos e datas projetadas para um futuro suficientemente distante para não coincidir com eleições decisivas. O problema é que, desta vez, o futuro já começou a pedir garantias.

A UE quer emprestar, mas não quer usar os ativos russos. Quer apoiar, mas não quer assumir o custo político. Quer emitir dívida, mas espera que os mercados não façam demasiadas perguntas. E, acima de tudo, quer continuar a falar de vitória sem ter de definir o que isso significa – nem quando.

O resultado é um exercício de malabarismo financeiro digno de nota: emitir dívida conjunta baseada num orçamento pressionado, com reembolso dependente de reparações de guerra que só existirão se a guerra terminar da forma “correta”. É uma engenharia elegante, mas assente num pressuposto frágil: a História colaborar com o PowerPoint.

Entretanto, Emmanuel Macron redescobre a diplomacia. Não por súbita conversão pacifista, mas porque os agricultores franceses bloqueiam estradas, o Mercosul ameaça implodir consensos internos e a dívida europeia começa a deixar de ser um conceito abstrato. Dialogar com Putin surge, assim, menos como escolha moral e mais como instinto de sobrevivência política.

A França percebe aquilo que Bruxelas ainda evita dizer em voz alta: não há financiamento infinito para guerras sem horizonte. Cada euro prometido fora é um euro explicado dentro. Cada emissão de dívida exige coesão política. E cada adiamento torna a fatura mais pesada – financeira, social e democrática.

A diplomacia do risco assumido é isto: avançar sem mapa, financiar sem garantias, prometer sem fechar. Confiar que os mercados serão pacientes, que os cidadãos compreenderão e que o conflito, de alguma forma, se resolverá antes que o calendário político chegue à porta.

Mas a UE enfrenta agora uma saída extremamente difícil. Se cumpre a promessa, arrisca-se a transformar um empréstimo improvável numa dívida permanente, com juros pagos a instituições financeiras que não participam na retórica solidária. Se não cumpre, perde credibilidade estratégica e expõe a fragilidade do seu próprio discurso.

Durante quatro anos, os problemas foram sendo empurrados para a frente com habilidade técnica e coragem retórica. Hoje, empilharam-se ao ponto de se tornarem indivisíveis. Guerra, dívida, agricultura, comércio, legitimidade política – tudo converge no mesmo ponto.

A diplomacia europeia assumiu riscos. O problema é que, desta vez, não escolheu quais. E quando o risco deixa de ser opção e passa a ser condição, a diplomacia transforma-se apenas numa gestão elegante do inevitável.


Das mordidelas dos Pitt Bull

(Carlos Matos Gomes, 24/05/2021)

O que fazer quando não se tem princípios? Assobia-se e espera-se que os Pit Bull não nos mordam!

O terrorismo do ditador Bielorusso é o resultado do pragmatismo dos tiranos. O pragmatismo dos tiranos foi exemplarmente exposto por esse flibusteiro da política, nascido na Alemanha como Heinz Alfred Kissinger, que adotou o nome de Henry Kissinger, do Estado de que que foi um servidor sem escrúpulos.

Explicou Kissinger o apoio dos EUA aos tiranos sul-americanos e a crítica aos que serviam outros senhores: apoiamos os nossos FDP. O nosso Pit Bull obedece-nos e morde os nossos adversários. É um bom Pit Bull.

Estamos a viver os resultados da falta de princípios chamada pragmatismo.

Há 15 dias que os Estados Unidos apoiam Netanyahu, o seu Pit Bull para o Médio Oriente no ataque a Gaza. Agora com que cara criticam o Pit Bull Lukashenko, da Bielorrússia, um estado tão satélite da Rússia como Israel dos EUA e tão FDP como Netanyahu? E como criticar a prisão e sequestro de um jornalista opositor do regime da Bielorrússia, quando se tem preso e sequestrado Julien Assange?

A classificação dos FDP, ou dos Pit Bull, entre os nossos, a quem todas as mordidelas são desculpadas e os FDP dos outros conduz a estas situações. O ataque dos Pit Bull de Netanyahu a Gaza foi aqui mesmo à porta. O avião desviado pelos Pit Bull do Lukashenko pertencia a uma companhia de um estado da União e voava entre cidades da União. Mas a União está a estudar os assuntos, e tem medo dos Pit Bull.

O dito Lukashenko gozou com a situação declarando que recebera informação (julga-se que de Israel) de que fora o Hamas a colocar a colocar explosivos na aeronave da Europa. Uma habilidade que já os EUA haviam utilizado com as armas de destruição em massa no Iraque, as tais que o Portas e o Barroso viram… Uns especialistas em distinguir Pit Bull bons dos maus e até videntes!


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