Amanhã, em Jerusalém, enforcamos Cristo

(Alexandra Lucas Coelho, in Público, 04/04/2026

Cracked stone scales of justice monument with lightning and stormy clouds
Imagem gerada por IA

(Um grande bem-haja para a autora deste texto. Tendo sido “cancelada” no Público, parece que agora lhe levantaram a “cancela”. Apesar de já estar 3 dias desatualizado, o texto – pela assertividade e pela contundência a que a autora já nos habituou -, merece toda a nossa atenção e reflexão.

Estátua de Sal, 07/04/2026)


A pena capital de Israel é fruto do genocídio em Gaza e da inacção da Europa. A UE é o maior parceiro comercial: corte os negócios, retire embaixadores.


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1. Escrevo enquanto milhões de cristãos esperam a ressurreição de Cristo. É sábado antes do pôr do sol e há dois mil anos o corpo estava no sepulcro, depois de ser crucificado numa colina em Jerusalém. Os Evangelhos estão a ser lidos, revivendo o que aconteceu. Ano após ano é assim, e durante todo o ano é este corpo que os cristãos comem. Mas esta é a primeira Páscoa das nossas vidas em que o Estado que controla Jerusalém voltou à pena de morte. O que faz também de Israel o primeiro país no século XXI a aprovar no parlamento a execução de humanos. Por enforcamento, sem perdão e, na prática, só palestinianos. Aconteceu segunda-feira, com o ministro-colono Ben-Gvir (o proponente da lei) a abrir champanhe, gritos de alegria, abraços, aplausos e pequenas forcas na lapela.

2. Para quem não viu detalhes, resumo. Na Cisjordânia Ocupada, a pena de morte será a sentença padrão para os condenados em tribunais militares israelitas por homicídios classificados como terrorismo (atenuada para prisão perpétua em “circunstâncias especiais”). Esses tribunais podem impor a pena capital por maioria simples. As sentenças não podem ser comutadas nem perdoadas e devem ser executadas em 90 dias. Dentro de Israel, os tribunais civis podem impor a pena de morte ou prisão perpétua por homicídios cometidos com o objectivo de “negar a existência de Israel”.

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Ou seja, sem referir etnia ou nacionalidade, a lei foi feita para visar os palestinianos, e não os terroristas israelitas (como os que diariamente actuam na Cisjordânia), reforçando o sistema de apartheid. A execução será sempre por enforcamento, com acesso limitado a assistência jurídica e supervisão.

3. Falei ao telefone com Keren Saar, uma das directoras da ACRI (Associação Para os Direitos Civis em Israel, a mais antiga e influente do género), que minutos depois do voto no Knesset entregou uma petição ao Supremo Tribunal para travar a lei. “O Supremo tem sido uma constante fonte de desapontamento”, reconhece Saar, “mas, se não tivéssemos esperança, não teríamos feito a petição. Não me refiro só a argumentos morais, mas legais”. Por exemplo, sempre que a “segurança de Israel” é invocada pelo Estado, o Supremo fica paralisado, explica Saar, mas, nas audições sobre a actual lei, o Shin Bet (Segurança Interna) não demonstrou que a lei vá trazer mais segurança para Israel.

O Supremo pode responder até 24 de Maio. A lei entrará em vigor antes, no início de Maio. Como não tem efeito retroactivo, não há risco de execução entretanto, diz Saar. “Mas é urgente a pressão internacional. Esta lei não pode estar mais distante dos valores judaicos, e este governo alimenta-se de morte.”

A ACRI fez o seu papel. Entretanto, um punhado em Israel saiu à rua contra a lei, a polícia de Ben-Gvir reprimiu (ele é ministro da Segurança Nacional) e a guerra contra o Irão mantém os israelitas a correr para os abrigos (inexistentes na Cisjordânia Ocupada).

Não será fácil reverter a lei. E isso é responsabilidade também da Europa.

4. “Portugal, país pioneiro na abolição da pena de morte, condena e lamenta a decisão do Parlamento de Israel”, disse a nota do MNE português. “Um retrocesso civilizacional que põe gravemente em causa a dignidade humana.”

Sim. Mas bastante mais. Porque esta pena capital só para palestinianos de facto é o resultado da licença para matar que a Europa dá a Israel desde 1948 e até ao colapso de todas as aparências pós-7 de Outubro. Licença ou auxílio na execução, de facto. O que a Europa tem dito a Israel é que não há limites, portanto, Israel pôde e faz tudo, a cada dia mais.

Se Ben-Gvir pôde impor a pena capital agora (em troca de fazer aprovar o orçamento do governo) foi porque o mundo em geral, e a Europa em particular, permitiram esta degradação diária, esta barbárie. Penso nas palavras de Aimé Césaire em 1950: como o colonizador se degrada, barbariza. Eis Israel colonizador da Palestina, rosto derradeiro da Europa colonial. Eis o derradeiro monstro.

Esta pena capital é filha do genocídio de Gaza. E vossa filha, ministro Rangel, primeiro-ministro Montenegro, conselheiro Costa, comissária Von der Leyen, chanceler Merz & etc. Os líderes de quase toda a Europa, ao continuarem, por exemplo, os negócios que fazem da UE a maior parceira comercial de Israel.

Um terço das exportações de Israel vão para a UE. O montante das trocas Israel-UE é 42,6 mil milhões de euros. A Europa não pode fazer nada? Pode. Quer travar a pena capital pela forca? Corte os negócios com Israel. Retire embaixadores, como fez Espanha. Há duas semanas, uma cidadã portuguesa foi atacada na Cisjordânia por colonos israelitas. O Governo português exigiu explicações ao embaixador de Israel? Alguém exigiu, nos palcos para que o convidam em Portugal? Houve pressões, sanções?

A cada dia, na Cisjordânia, há pelo menos 4,7 ataques de colonos israelitas (último relatório da ONU/OCHA). A UE fala da violência dos colonos como algo marginal ou fora de controlo para não ter de assumir que eles são o sistema. São o exército, o governo, o parlamento. São Israel: um Estado comandado por supremacistas judaicos que a Europa alimentou, e só se vai deter quando for travado.

5. Imaginem um exército invadir o Algarve e explodir as pontes que o ligassem ao resto do país. Foi o que Israel fez agora no Líbano. E os colonos estão já a preparar as famílias. Enquanto escrevo, chegam-me as fotos da minha amiga libanesa de Sour (Tiro), quarta maior cidade libanesa, património mundial. Campos e casas antiquíssimas, o mar onde o pai dela, 84 anos, ainda mergulhava todos os dias até se tornar ele mesmo um deslocado em Beirute. Uma herança de milhares de anos agora controlada por Israel, e um milhão de deslocados.

Um país amputado, como a Palestina continuamente. E Israel tem já pedaços da Síria, além de mais de metade de Gaza (53%). A outra quase metade é a que foi cedida ao plano neocolonial de Trump & aliados.

Licença para matar. Barbárie racista. Porquê? Até quando?

6. Não tenho espaço para me alongar na guerra contra o Irão, que o mundo está a sofrer porque convém a Israel. Trump foi nessa, mas os cordelinhos são de Bibi. Claro que a libertação dos iranianos não virá de criminosos de guerra, nem os EUA e Israel estão a pensar na democracia e bem-estar do Irão. Claro que os iranianos não iam sair à rua, derrubar o regime e dar graças a Trump. A Israel certamente não interessaria, porque Israel não quer um Irão livre e forte, mas sim um Irão fraco e em caos.

Israel é o grande agente do caos. Além de matar gente em escolas e hospitais no Irão, além de destruir parte do património mais belo do mundo, esta guerra destrói os esforços alternativos da sociedade civil iraniana contra a tirania. E é uma guerra só possível pelo laboratório que foi Gaza: o laboratório da destruição do direito internacional.

7. A seguir à Segunda Guerra, Césaire viu no fim do beco da Europa um Hitler, dentro de cada humanista cristão, um Hitler. E não tinha visto ainda o que seria a Europa pós-7 de Outubro, o que seria Israel.

A pena capital já existia em Israel para crimes de genocídio ou contra o Estado, mas só foi aplicada duas vezes. A primeira, em 1948, um soldado condenado por traição e fuzilado. A segunda, em 1962: Adolf Eichmann, o nazi responsável pelo transporte de milhões de judeus para o extermínio, enforcado. A única vez na história de Israel em que a forca foi usada. Agora, vai mesmo haver humanos a seguir Eichmann na forca?

Depois de séculos a perseguir judeus, culminando no Holocausto, a Europa fez a Palestina pagar as culpas europeias. Limpeza étnica em 1948, ocupação com colonatos em 1967, genocídio desde 2023, pena capital na Páscoa de 2026. Jerusalém é hoje uma cidade refém de Israel, como toda a Palestina, onde nenhum cidadão do mundo pode pisar se Israel não quiser.

Que pensam os cristãos humanistas de tudo isto na Páscoa de 2026? Naquela colina de Jerusalém, agora, não se pregam cruzes. Agora partimos a cervical com uma corda sem ninguém ver.

Imagina que a Democracia tem um “final feliz”

(Luis Rocha, in Facebook, 05/03/2026, mural de António Reis, revisão Estátua )


Imagina que um homem extremamente bem relacionado te convida para almoçar. Não um almoço qualquer, claro. Um daqueles almoços onde a lista de convidados parece saída de um encontro entre a realeza, Wall Street, Hollywood e meia dúzia de políticos que juram nunca ter estado ali. Imagina que o anfitrião é educado, inteligente, simpático, daqueles que conhecem toda a gente e que, curiosamente, toda a gente parece conhecer.

Imagina que, a meio da tarde, o anfitrião te pergunta com a naturalidade de quem oferece café se queres uma massagem. Nada de estranho. Stress, agenda cheia, o mundo é duro para quem tem responsabilidades. Depois mostra-te uma sala com jovens raparigas que parecem ter saído de um catálogo de spa tropical.

Imagina que aceitas. Imagina que a massagem termina com um daqueles chamados “finais felizes” que, convenhamos, transformam rapidamente qualquer spa numa tese prática sobre hipocrisia humana. Oral, manual, talvez mais do que isso. Um momento breve de decadência privada entre adultos que, naquele instante, acreditam que ninguém está a ver.

Agora imagina que dias depois o teu anfitrião telefona. E com uma voz perfeitamente tranquila te informa que as jovens eram menores. E que, por acaso, tudo foi gravado. Parabéns. Acabaste de ser promovido a marioneta.

Agora imagina que és juiz. Estás a decidir um processo delicado do tipo pedofilia, corrupção, tráfico de influências ou evasão fiscal. O tipo de caso que aparece nos jornais, e faz os discursos sobre moralidade pública florescer como papoilas em Maio. Imagina que o telefone toca. Do outro lado está o teu antigo anfitrião. Não pede nada de forma direta, claro. Pessoas sofisticadas não fazem chantagem de forma vulgar. Limitam-se a recordar-te que a memória digital é uma coisa extraordinária. E que certos vídeos envelhecem muito mal.

Imagina agora que és político. Tens de votar legislação sobre controlo de armas, direitos laborais ou regulação ambiental. Discursos inflamados no parlamento, entrevistas televisivas, promessas de integridade. Tudo muito digno. Até te lembrares da sala de massagens. E da câmara no canto.

Imagina que és editor de um grande jornal. Um desses guardiões da verdade que escrevem editoriais sobre ética pública e civilização ocidental. E imagina que sabes que existe um ficheiro com o teu nome. Um ficheiro onde a tua dignidade aparece reduzida a meia hora de spa altamente comprometedora.

Agora imagina que o teu simpático anfitrião afinal não era apenas um milionário excêntrico com amigos influentes. Imagina que era um operador. Um ativo. Alguém financiado para recolher segredos, fragilidades e pecados de gente poderosa. Um colecionador de compromissos humanos embalados em vídeo. Um homem chamado Jeffrey Epstein.

Imagina também que a sua companheira, Ghislaine Maxwell, não era apenas uma socialite elegante, mas também filha de Robert Maxwell, figura rodeada durante décadas pela aura de colaboração com os serviços de inteligência israelitas. E imagina que, quando Robert Maxwell morreu, recebeu funeral com honras em Israel.

Mas claro, tudo isto são coincidências. A História adora coincidências. Imagina agora a dimensão da coleção. Príncipes, bilionários, senadores, governadores, jornalistas, juízes, académicos e até presidentes. Um verdadeiro museu das elites ocidentais. Alguns desses nomes surgiram publicamente. Outros ficaram convenientemente protegidos pela névoa jurídica e pelo silêncio institucional.

Depois imagina que um dia o colecionador morre numa prisão. Oficialmente suicídio. Câmaras que não funcionam. Guardas que dormem. Protocolos que falham todos ao mesmo tempo, como se a incompetência tivesse decidido fazer uma festa. E imagina que, pouco depois, desaparecem gravações. Desaparecem documentos. Desaparecem provas.

Porque revelar tudo seria… inconveniente. Não para a justiça, naturalmente, essa gosta de luz, mas para uma certa elite global que descobriria, de repente, que a moralidade pública tinha sido administrada por um clube privado de pecadores gravados em alta definição.

Imagina agora a última cena. Milhares de pessoas poderosas continuam nos seus cargos. Fazem discursos, votam leis, escrevem editoriais, tomam decisões sobre guerras, economia e liberdade. E talvez algumas delas, quando o telefone toca à noite, sintam aquele frio muito particular na espinha.

Não é culpa. Não é arrependimento. É apenas a lembrança de que algures pode existir um vídeo.

E que, no grande teatro da política mundial, a democracia pode até parecer um sistema de governo. Mas às vezes funciona mais como um espectáculo de marionetas.

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Sabíamos que isso ia acontecer – mas os sinais foram ignorados

(Elliot Kirschner, in Substack.com, 26/01/2026, Trad. Júlio Mota, Revisão Estátua)


Hoje é dia de eleições. E assim publico um texto de alguém que está a reflectir sobre a situação política nos EUA e nos diz sabiamos, sabíamos e devemos então saber bem quem são os responsáveis  diretos e indiretos pelo situação a  que chegámos e ao perigo latente que se pode ter pela frente. O autor é Elliot  Kirschner, produtor de cinema e televisão.

Iremos mudar de Presidente, e seja ele quem for,  espero que se abra agora o caminho para fazermos o que autor to texto sugere que se faça nos Estados Unidos: uma análise sobre as razões ( e sobre quem são os principais responsáveias) que nos trouxeram até aqui e nos levaram até a colocar a Democracia em perigo. 

(O último parágrafo é uma nota do tradutor).

Estátua de Sal, 08/02/2026


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Agradeço profundamente que cada vez mais pessoas se mostrem estar indignadas com o que está a acontecer em Minnesota, em todo o país e por todo o mundo.

Fico feliz que mais pessoas estejam dispostas a dizer em voz alta que o ICE deve ser abolido.

Que os democratas no Congresso estão a começar a posicionar-se com mais firmeza como um baluarte contra um regime autoritário sem limites.

Que mais meios da imprensa estejam finalmente a resistir à abordagem reflexiva de “ambos os lados”.

Com o facto de a palavra fascista estar a ser cada vez mais aceite como uma descrição precisa de uma força militarizada usada para aterrorizar a população ao serviço de um líder despótico.

Fico feliz que alguns dos que votaram nesse tirano estejam a repensar as suas decisões. Ou que até mesmo tenham começado, ainda que timidamente, a manifestar–se.

Aplaudo aqueles que se manifestaram e demonstraram que a coragem é uma estratégia eficaz, desde muitos nos tribunais federais até em algumas universidades, instituições e empresas.

Fico feliz em ver que a opinião pública está a mudar, à medida que mais americanos afirmem claramente que não é isso que desejam ser.

Mas sejamos claros. Nada disso é surpresa. Nada. Nem a crueldade. Nem a corrupção. Nem a imprudência.

Nem a ilegalidade, a escala do terror ou os danos à ordem mundial.

Não me refiro aos ataques à ciência ou à civilidade, à reescrita da história ou à destruição da nossa ordem constitucional.

Sabíamos que isso ia acontecer.

E quando digo “nós”, não me refiro a um punhado de profetas ou pessoas abençoadas com uma visão especial. O leitor sabia disso e disse isso. Assim como pessoas que você conhece e ama. Assim como candidatos a cargos públicos, ex-presidentes e líderes de toda a sociedade. Dezenas de milhões de eleitores votaram plenamente conscientes de que, provavelmente, isso aconteceria.

Quando a história desta época for escrita, não faltarão evidências sobre o que correu mal. Não haverá alegação plausível de ignorância.

Os estudiosos que procuram saber quais as razões de como chegamos a este ponto analisarão o ecossistema dos média, as longas sombras da pandemia e décadas de ruturas económicas e sociais. Mas, ao catalogarem os discursos, os processos judiciais e os protestos, verão repetidamente como o perigo foi claramente identificado e documentado em tempo real.

Esses futuros historiadores terão à disposição fontes contemporâneas praticamente infinitas alertando para a corrupção no Supremo Tribunal. Que a violenta insurreição de 6 de janeiro deveria ter forçado a uma recalibração duradoura da democracia americana. Que o atual presidente deveria ter sido impedido de concorrer à reeleição. Que a ciência estava sob ataque. Que a corrupção era desenfreada. Que este regime estava sujeito a tiranos estrangeiros e determinado a destruir a democracia no seu próprio país. E a lista continua.

Essas vozes estavam por toda a parte. E ainda estão. Mas isso é apenas metade da história.

Ao analisarmos com mais atenção, aqueles que olharem para trás encontrarão algo mais, que exige explicação. Verão que as pessoas que reconheceram o perigo com maior clareza foram frequentemente afastadas e ignoradas — não apenas pelos verdadeiros crentes do MAGA, mas também por aqueles que se encontravam em posições de poder nos media, na política e nos negócios, e que se vangloriavam da sua sobriedade e pragmatismo. Muitos que compreenderam o que estava para vir foram rotulados como histéricos, alarmistas, radicais, irresponsáveis. Disseram-lhes para se acalmarem, para respeitarem normas, que já estavam a ser destruídas. Foram repreendidos pela média convencional complacente, que priorizava o decoro em detrimento do diagnóstico e o tom em detrimento da verdade.

Agora, o que vem a seguir é crucial. Não bastará substituir este regime por uma administração que prometa um retorno às normas do passado. Essas normas ajudaram a criar as condições que nos trouxeram até aqui. A responsabilização é essencial. Mas também é fundamental uma reflexão sobre como avaliamos e compartilhamos informações, como definimos o que é responsável e aceitável, e cujas vozes são ouvidas ou silenciadas.

Este trabalho não pode esperar. Ele deve avançar em paralelo com a resistência e a reconstrução, porque tudo isso faz parte de um mesmo contexto se levarmos a sério a preservação da nossa democracia.

Sabíamos o que estava para vir. Nós dissemos isso. Agora estamos a lutar pelo nosso país. E damos as boas-vindas a novos aliados.

Mas “nunca mais” não pode aplicar-se apenas a este regime. Deve aplicar-se também àqueles que tinham o poder de impedir isso antes. Àqueles que ignoraram os que diziam a verdade. Àqueles que desrespeitaram os sinais de alerta quando ainda havia tempo para agir.

Fonte aqui