3 X 9 = 27.º Congresso do CDS

(Por Carlos Esperança, in Facebook, 10/03/2018)

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Nascida no dia de S. Venceslau, na cidade de São Paulo de Nossa Senhora da Assunção de Luanda, e do fracassado golpe contrarrevolucionário spinolista contra o 25 de Abril, traz no nome a santidade do topónimo onde nasceu e, no espírito, a fantasia da alegada maioria silenciosa, derrotada, em Portugal, no dia do seu nascimento.

A azougada líder CDS, a hesitar entre o estilo miguelista e o de estadista, ora chamando mentiroso ao primeiro-ministro, ora mantendo a compostura civilizada, usou o vazio do poder no PSD até a chegada de Rui Rio. Este, com aura de honestidade e competência, que não assinaria a resolução do BES, ignorando o significado e as consequências, põe em causa a sua ambição.

Enquanto o PSD andou a reboque do ressabiado Passos Coelho, convencido de que era ainda PM, e, depois, graças à luta interna e à desorientação da comunicação social afeta ao PSD, a líder do CDS sonhou voos que nem o seu antecessor, mais preparado, ousou.

A Dr.ª Assunção andou por canais televisivos, emissoras de rádio, feiras, praias, jornais, revistas e romarias, sem concorrência, e, como a rã da fábula, quis ser boi, pensando que a vitória sobre o PSD, nas eleições municipais de Lisboa, era o barómetro do País.

A liderança da direita civilizada e europeia, tarefa de que Passos Coelho era incapaz por inépcia e convicção, está ainda menos ao alcance de Assunção Cristas, que não define a ideologia do seu partido, se acaso a tem, assumindo a opção do liberalismo que derrotou o Governo que integrou ou a da democracia-cristã, desaparecida com a morte de Amaro da Costa e o afastamento de Freitas do Amaral.

Deslumbrada com o vedetismo, a chegada de Rui Rio à liderança do PSD, com cuidada formação académica e experiência política fora das madrassas da JSD, fê-la ver que está condenada a muleta do maior partido da direita, agora com rosto humano e ar civilizado.

Pode continuar o frenesim mediático, dizer uma coisa e o seu contrário, apresentar «18 medidas para salvar o SNS», como se o País ignorasse que o CDS votou, assim como o PSD, contra a sua criação. É difícil exibir os inimigos do SNS como seus salvadores.

Assunção Cristas, que se declara católica praticante, julgando que é de catequistas que o País precisa, à medida que a comunicação social regressa à defesa do PSD, vai perdendo a fé e confessa-se a O Diabo: “…naturalmente, trabalhamos para ser a primeira escolha dos eleitores”, sabendo que leva o CDS de regresso ao 5.º lugar nas próximas eleições.

Por mais que grite que o seu combate é contra o que designa por Governo das esquerdas unidas, é do PSD que quer os votos que a salvem de ser substituída por Nuno Melo.

Neste fim-de-semana, em Lamego, o seu segundo Congresso será pacífico, com a moção ‘CDS – Um passo à frente’, a recordar Lenine na resposta a Rosa Luxemburgo, ‘Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás’, na certeza de que não há Kautsky que recuse publicar-lhe a moção. Em relação a Lenine, só o desejo de liderança a une.

Vade retro, Assunção!

 

RUI VERSUS CRISTAS

(In Blog O Jumento, 08/03/2018)
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Nas próximas legislativas vão haver duas disputas, uma disputa entre a direita e a esquerda e uma segunda disputa entre Rui Rio e o CDS. Se as sondagens passarem a perceção de que a esquerda ganha sem problemas, a verdadeira luta eleitoral vai ser entre os dois partidos da direita. Cristas já ganhou à candidata do PSD em Lisboa, onde nem a paragem do presidente num sinal laranja a ajudou, espera agora ganhar ao PSD no país.
Passos Coelho cometeu o erro estratégico de em vez de se assumir líder da oposição ter optado por ser devoto do mafarrico, esperando que fosse este a fazer a vida do António Costa num Inferno. Durante dois anos foi Assunção Cristas quem assumiu a liderança da oposição, muitas vezes de forma desastrada, mas a verdade é que o PSD esteve ausente.
Se Passos optou pela ausência, parece que Rui Rio preferiu desaparecer e em vez de fazer oposição opta por ir de vez em quanto tomar um chá com Marcelo Rebelo de Sousa para aparecer na televisão. Mas o pior é que só ao fim de dois meses e depois de um namoro prolongado com o primeiro-ministro é que se lembrou que tinha algumas obrigações como líder da oposição.
Parece que David Justino vai ser o primeiro-ministro sombra do Conselho Estratégico Nacional, cabendo-lhe estudar as diferenças em relação à política do governo. Curiosamente, há poucos dias eram os tais ministros na sombra que iriam negociar os consensos com os ministros. Por outras palavras, ainda não se sabe muito bem como é que Rui Rio faz oposição, se negoceia de manhã e se opõe à tarde, se faz consensos em Lisboa e oposição no Porto.
Cristas percebe que ou a direita ganha as eleições ou o PSD não resistirá a satisfazer os seus partilhando o poder com o PS, dispensando os serviços do CDS e pondo fim a uma aliança que não se percebe se ainda existe. A líder do CDS não só assume a liderança da direita, fazendo um discurso que condiciona o PSD, como não tem vergonha de fazer seu o legado do governo de Passos Coelho.
Cristas sabe que pode ficar afastada do poder durante mais uma legislatura, mas aceita esse preço se sair das eleições como líder da direita. A verdade é que neste momento Assunção Cristas já não é apenas líder do CDS, é líder de uma direita onde está mais de 40% do PSD, precisamente os apoiantes de Passos Coelho. Ao assumir o legado do anterior Governo, ao ser mais leal com o PSD de Passos do que Rui Rio e ao continuar a segurar a bandeira e o programa do PAF, é bem provável que Cristas tenha o apoio silencioso dos apoiantes de Passos Coelho.
Rio ficou preso na sua própria estratégia e depois de anos num jogo de toca e foge, de deslealdade e de pequenas falsidades não sabe se deve assumir o legado do seu partido afastando-se de consensos com o PS sob o patrocínio de Marcelo, ou se não deve assumir esse legado e assumir todas consequências eleitorais.
Com as hesitações de Rio a líder do CDS afirma-se cada vez mais como líder da direita e Rui Rio arrisca-se a ser uma Teresa Leal Coelho das legislativas. A vingança serve-se fria e da mesma forma que os seus apoiantes tiraram o tapete à candidata por Lisboa, é a agora a vez de os apoiantes de Passos verem Rio em dificuldades.

NEM SE GOVERNAM, NEM SE QUEREM GOVERNAR!

(Joaquim Vassalo Abreu, 01/03/2018)

citadorEsta frase não é a frase em que estão a pensar, mas é pensando nessa frase que esta frase como titulo eu escrevo.

Segundo reza a lenda, um general Romano destacado para a Ibéria, escreveu ao imperador dando-lhe conta da situação nesses confins do império, dizendo-lhe que por aqueles lados vivia um povo muito estranho que “Nem se governava, nem se deixava governar”.

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Eram os nossos antepassados, os Lusitanos, que liderados por Viriato, que lá pelos montes Hermínios, ofereceram rija luta à ocupação Romana ficando, através da referida frase, para sempre célebres.

Mas, se repararem bem, embora as frases sejam parecidas, o seu significado é quase o seu oposto. Os Lusitanos “Nao se deixavam governar”! Já estes a quem me refiro- e quem poderia mais ser que não o PPD/PSD- “Não querem ser governados, nem aceitam governar“!

Pois vejamos: acabaram de eleger um novo comandante, um novo general, um novo imperador, um novo chefe ou lá o que lhe queiram chamar e as tropas, vá lá saber-se porquê, continuam fiéis ao antigo líder, ou o que lhe queiram chamar, mesmo tendo ele, sem que se perguntem porquê, abdicado!

Mas, mais estranho ainda, tal se verifica não pela dedicação ao abdicante, não pela lealdade ao mesmo, pois de motu próprio abdicou, pois ninguém o empurrou borda fora ou demitiu, mas porque sendo eles a reminiscência, a emanação ou simplesmente seres por ele nomeados, sendo agora a ala perdedora, temem pelos seus mandatos!

E temem porque têm por seguras duas coisas: a primeira é que numas próximas eleições seguirão para as suas vidinhas, se por acaso as tiverem- e isso será um problema danado- e que, assim sendo, outra alternativa não lhes resta que não a de sabotarem o poder agora eleito e eleito contra as suas vontades. Mais a mais verificaram como o novo Comandante em Chefe que, tendo entrado de patas afiadas e em riste, saiu quase rastejando ao peso de uma mísera, pírrica e mais que tísica vitória! Ou, como se costuma dizer cá pelo burgo: “ousaram fazer-lhe a cama”!

Que bom serviço até seria, serviço de bons camareiros e camareiras, mas que presumindo a vontade destes, vejam cravejada de pregos a dita cama! O Huguinho, o anterior chefe parlamentar, fez birra e disse alto e bom som que não saía! Esperneou, espingardou e inclusive estremeceu, até que se cansou e saiu! Mas quem se propôs ao seu lugar? Um NEGRÃO! Mas também dizem que, para além de Fernando, ainda é MIMOSO!

Mas que aconteceu ao “Negão”? O inacreditável, o inesperado e o nunca visto: levou com uma catorzada de brancos em cima! Mas, ainda não refeito do susto, veio dizer serem esses brancos, não seguidores de um Ku Klux Klan qualquer, mas por si e seus aliados, o mesmo sucedendo com os nulos! Não houve quem de tanto rir se contivesse, mas ele lá seguiu, sonhando com um novo movimento esclavagista, mas ao contrário: os brancos e os nulos feitos escravos do “negraço”!

Mas tudo porquê? Pela inacção, pela indecisão e pela inércia de um Rio que, pensando ser um Mississipi, não passa afinal de um riacho qualquer… Mas coitado deste Rio: procura um leito e anseia desembocar. Quer correr caminho à Foz e só vê leito abaixo pedregulhos, escarpas imensas e perigosas, precipicios inultrapassáveis por humanos seres e pedras, calhaus mesmo, que o obrigam a saltitar, lançar cordas para penhascos descer, por estreitas margens e fauna amazónica.

Mas como o fará este Rio, que ainda assim não passa de um afluente, para o descer se não sabe mesmo por onde se esgueirar? É que o outro, o de grande caudal e delta imenso e fértil, mais parecendo o mítico Nilo ou mesmo o seu sósia Mississipi, até mostra estar disposto a alugar-lhe a modos que um dique, para que mantenha algum caudal, pois perante esta continua seca mais não lhe poderá oferecer, não vá a D. Cristas reclamar que a seca tão mais violenta será quanto mais caudal oferecer a esse Rio, que de afluente não passa, diz mesmo ela!

É que a D. Cristas, agora de chapéu à Portas e tão lavradeira e feirante quanto ele, reclama-se a “Bispa” de uma igreja universal qualquer da chuva, dita e decreta que só por rezas suas ela virá e que se o tal outro, o tal de largo delta, insistir nessa patética caridade para com o seu arqui-amigo, terá que se sujeitar aos seus ditames, pois senão haverá seca eterna e o culpado será sempre ele, como o foi na anterior seca, por ajuda só lhe ter pedido quando o céu já praguejava!

Eu, por acaso, tenho passado esta semana na Catalunha tenho ouvido dizer que em Portugal não tem parado de chover e que a D. Cristas tem andado a desviar as chuvas para que elas não cheguem ao tal Rio! Por esse mesmo motivo, desvio das águas, havia antigamente, pelas aldeias, imensos assassinatos…é da História, Madame!

Mas grande País somos nós que, apesar da seca e de tudo, temos ainda quem governe, quem saiba distribuir a parca água e quem ainda aceite ser governado! Ao contrario desses tais que apenas querem governar, mas que não entendem que, para poderem governar, terão que aceitar serem governados!

Estou neste momento na Catalunha, em Barcelona, e concluo que, passados estes meses todos, desde 1 de Outubro p.p., também estes Catalães, não aceitando ser governados, pois desejavam eles governar, acabam por não governar e, pior ainda, a serem governados por quem nunca quereriam que governasse! Confuso? É o que é…

Por isso eu até vou ao ponto de dar graças a Deus por viver no País em que vivo, e não naquele onde agora estou, país este onde os súbditos são obrigados a beijar a mão ao Rei ( a ADA COLAU, bendita ela seja, recusou fazê-lo), um Rapper é preso três anos e meio por fazer uma cantiga anti-Rei, como se este fosse assim como um Cavaco, políticos eleitos serem enjaulados, dizem que por tentativa de sedição, e impossibilitados de governar…e coisas mais. Ó Miguel (de Sousa Tavares): aqui não lhe chamavas tu “palhaço”!!!

Perante este autêntico “fascismo” em que se está a transformar a sociedade espanhola, perante a sua cobarde abulia, complacência e até alheamento, como se de algo normal se tratasse, eu apenas posso concluindo dizer:

Perante tudo isto, que viva a “sedição” no PPD/PSD, mais os devaneios da D.Cristas!


Fonte aqui