Do chouriço à insuflada passando pelo milhafre e pelo nojeiras

(Major General Raúl Luís Cunha, in Facebook, 14/04/2023)

Lamento, mas agora e aproveitando a ideia e partes de um texto que encontrei algures na “net”, vou mesmo ter de escrever sobre algo que me tinha prometido evitar – é que acabei de ouvir o comentador “chouriço” a anunciar, com a maior desfaçatez, precisamente o contrário do que tinha revelado há apenas dois dias quando atribuiu aos russos a malvadez de revelar documentos secretos do Pentágono, e já quando tinha caído um míssil na Polónia, também se tinha apressado a debitar os seus habituais dislates sobre as pérfidas intenções dos russos. É natural perdoarmos um erro, mas nunca um contínuo de falsas suposições, mentiras e trapaças, com o claro objectivo de enganar o público e levá-lo a continuar a apoiar um bando de criminosos que, tal como ele, também aldrabam este mundo e o outro.

Ainda aqui há tempos, o “chouriço”, em debate com outro comentador, disse que não tinha quaisquer dúvidas que a Rússia iria sofrer uma derrota militar no campo de batalha, denotando desse modo uma de duas características, a escolher por quem o ouviu, ou de ser um profundo ignorante da ciência militar, ou então de ser um mentiroso mentecapto.

Faz já mais de um ano que aguardo a primeira ocasião em que, de alguma forma, os comentadeiros  entusiastas do Zé nazi consigam ter um mínimo de isenção e de razão – é que as certezas das suas análises deixam muito a desejar.

Por mais que tentem, o “chouriço” e os seus comparsas não acertam uma. Sejam dele, do “marmota”, da “insuflada”, da “cínica”, da “sonsa”, do “tolo”, do “milhafre”, ou do “nojeira”, todas, mas todas as análises, esboroam-se, duas ou três semanas depois, face às realidades. Se bem nos lembrarmos, pouco mais de um mês depois do início do conflito anunciavam-nos que o exército russo já não tinha, nem munições nem botas. Também já vinham, a caminho da frente, as mães russas para ir buscar os seus filhos, pois já só sobravam poucos soldados russos a combater no terreno.

Depois revelaram-nos a desorganização das forças e a sua moral de rastos. Os russos foram retratados, por esses miseráveis especialistas, como uma tropa fandanga e sem liderança, que estava a ser dizimada pelos fabulosos militares ucranianos, como, por exemplo, o “fantasma de Kiev”.

Seguiu-se o anúncio das sanções, os boicotes ao gás e ao petróleo. A garantia de que os russos iriam ficar isolados e sem capacidade de produzir qualquer armamento. A Rússia já só tinha equipamento velho que teve de ir buscar aos depósitos. Os reservistas que foram chamados estavam mal treinados e seriam trucidados pelos ucranianos. Segundo o “chouriço” – ou um dos seus cúmplices – a Rússia só tinha mísseis de longo alcance para mais dois ou três ataques. De facto, a precisão das informações difundidas foi mesmo um “fartar vilanagem”. Enquanto nos vendiam essa treta – de que a Rússia estava quase a colapsar –, os russos lá continuaram com a sua operação para atingirem os seus objectivos.

Apesar dos esforços do “chouriço” e dos demais arrivistas, para nos convencerem de que a Rússia não tem hipóteses, a verdade é que, apesar do apoio de toda a Europa e dos Estados Unidos – em dinheiro, armas e mercenários – começa a ficar óbvio que a Rússia vai sair vitoriosa desta situação. As munições, parece que afinal não vão acabar, e cada vez que o Zé drogado vai a correr fazer um discurso a pedir mais mísseis, “tanques” e aviões, os russos atiram com outra sessão de bombas e drones. Quando dizem que eles estão sem mísseis, atacam 10 cidades ao mesmo tempo. Quando afirmam que não souberam evoluir, afinal aprenderam a usar drones iranianos, baratinhos e letais.

Nada, absolutamente nada do que comentam condiz com a realidade. Se tudo isso fosse apresentado numa televisão ucraniana, compreendia-se. Há que tentar dar ânimo a quem está a combater. Mas, por que razão anda esta cambada a vender-nos uma realidade inventada e sem qualquer fundamento, uma propaganda tão asquerosa? Não será certamente por muito gritarem que aquilo que desejam passe a ser a realidade.

Pelo que se está a perceber, os russos estão a segurar firmemente a Crimeia e o Leste da Ucrânia e talvez ainda o mais que estará para vir. O discurso irresponsável da Comissão Europeia de “apoiar o tempo que for necessário” – ou até as opiniões de especialistas, como o “chouriço”, que nos garantem que a resolução do conflito passa pela derrota da Rússia – é de uma autêntica insanidade. Parecem vendedores de farturas a desejarem que a feira não chegue ao fim.

Desde que sejam os ucranianos a morrer, e eles a dizer, de bem longe e no quentinho do estúdio, que há que continuar a combater, está tudo bem para o “chouriço” e para os demais irresponsáveis. Em vez disso e por uma questão de coerência, poderiam ir dar localmente um contributo físico.

 Por exemplo, o “chouriço” e a “insuflada” e em vez dos habituais disparates, podiam ir juntar-se aos mercenários, nas frentes de combate na Ucrânia, para porem em prática as artes guerreiras que apregoam ou pensam possuir.


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Um russo e um chinês entram num bar onde já estava um americano

(Tiago Franco, in Página Um, 27/03/2023)

Ouvi, descansada e tranquilamente, a notícia de que Vladimir Putin tinha ordenado o transporte de umas quantas bombas nucleares e dez aviões para o território da Bielorrússia. Até despejei mais um bocado do Periquita Reserva que tinha ali ao lado, só para ver se não perdia o momento de descontracção….


Ler artigo completo em: Um russo e um chinês entram num bar onde já estava um americano – Página Um


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O Escorpião

(Por André Lamas Leite, in Facebook, 12/03/2023)

Nunca votei em Marcelo Rebelo de Sousa, pelo simples facto de me parecer uma pessoa em quem não se pode confiar.

Deu-me algumas aulas na Faculdade de Direito do Porto, nas quais se limitava a contar estórias, sem qualquer conteúdo programático, fazendo gala em chegar como o grande sábio com direito a todas as mordomias.

Bastava estar minimamente atento ao seu percurso como comentador para perceber que foi sempre um cata-vento e que, não duvidando que se considere católico, existe uma clara falta de sintonia entre o que prega e o que faz e nunca se importou – pelo contrário – em capitalizar alguma simpatia apenas por via da religião que professa. Deste prisma, está muito longe de Guterres, esse sim, alguém que sabe separar as águas.

Marcelo não tem amigos e inimigos, mas peças de xadrez que vai movimentando consoante as suas conveniências de poder, de popularidade, outras que desconhecemos ou simplesmente porque se diverte imenso com conversas e jogadas palacianas. Ninguém se esquecerá de episódios como o da “vichyssoise” ou do “lelé da cuca”, dirigido a Balsemão e que lhe valeu um corte de relações deste último e um gatinhar de Marcelo atrás de Balsemão para o perdoar, pois certamente lhe interessava.

Ninguém conhece verdadeiramente Marcelo, nem ele próprio, pois que, como é já um lugar-comum, o que tem de inteligência, tem de maldade. Acha que se preocupa com os interesses dos portugueses, mas, na verdade, não consegue desligar-se da paixão narcísica que sente e pelo culto da auto-personalidade. Marcelo deve beijar frequentemente a sua imagem ao espelho e considerar todos os demais como seres menores em torno de um ser de luz. Uma espécie de Nossa Sra. de Fátima cercada pelos pastorinhos.

Tanto não o conhecemos – ou melhor, conhecemos a sua interesseira volatilidade – que, esta semana, desfez o Governo a que sempre “pôs a mão por baixo” (nas suas próprias palavras). Não me recordo de ver um Presidente da República (PR) fazer comentários tão diretos à atuação de um Governo. Talvez algo só comparável ao “Portugal, que futuro?” organizado por Mário Soares contra Cavaco.

Uma clara demonstração de propositado incumprimento das competências constitucionais do Chefe de Estado, que nunca conseguiu largar o fato de comentador e que, por isso, cada vez que fala, menos gente o ouve. Quando disser algo realmente importante, todos pensarão: “lá está o Marcelo com as suas coisas”. Nada de pior pode acontecer a um PR que perder o instrumento mais importante da sua magistratura de influência.

Bastante fragilizado, o Governo já não é uma carta segura para Marcelo que, por isso, diz que este foi um ano perdido, fala no executivo como de comida requentada se tratasse ou de um cavalo cansado. Definitivamente, os sinais que se tornaram ostensivos com o inadmissível puxão de orelhas a Ana Abrunhosa ou com o simulacro recente de sintonia à porta aberta entre Belém e São Bento, pelos vistos transformada em elevada tensão quando os jornalistas desapareceram, tudo devido à fraca execução do PRR, são agora fraturantes.

Já não compensa apoiar o Governo. Mas, sobretudo, já não importa o país, ainda que Marcelo tenha achado todos estes anos que devia viver em relação simbiótica com o executivo. E isto é assustador, por demonstrar uma total falta de projecto político para o país, que também cabe ao chefe de Estado. Marcelo sempre foi muito melhor comentador calculista que executor – na verdade, nunca executou nada, e talvez ainda bem. Faz lembrar os militares que elaboram milhares de cenários, escrevem sobre a guerra, participam em exercícios, mas nunca sequer dispararam uma arma. Marcelo é, nesse ponto, a personificação perfeita dos portugueses: um eterno treinador de bancada – e talvez isso explique a simpatia de que foi gozando com os seus “bitaites” da política ao futebol, passando pela religião e culinária.

Não discordando do diagnóstico do PR, estas coisas não se dizem em público, abrem crises desnecessárias e são até caricatas com o chefe de Estado a dizer que não dispensa o poder de dissolução parlamentar. Mas por que carga de água havia de o fazer? Não se encontra o mesmo constitucionalmente previsto? Ou terá sido um acto falhado em que Marcelo se traiu a si próprio ao admitir que a sua atuação nada mais é que uma navegação populista à vista?

Quando a extrema-direita tiver assento num futuro Governo, Marcelo será tido como um dos seus principais responsáveis. E a essa acusação sempre fugirá e argumentará, pois que o voto de silêncio não é o seu forte.

Se o católico Marcelo tivesse tomado tal voto, há muito teria deixado o hábito. Pena é que o hábito de não se saber nunca o que realmente pensa sobre nada, por ser capaz de defender tudo e o seu contrário, façam dele o personagem político que, nos futuros livros de História, mais difícil será de catalogar. Marcelo é Marcelo e as suas “marcelices”. E ele adora ser assim.

Quando o país mais precisava de um Presidente com espinha dorsal, temos este ser cuja coluna vertebral é mais flexível que a interpretação abjeta de vários bispos sobre as claras orientações de Francisco.

Citando o grande filósofo luso-descendente Baruch Espinoza, “o que Paulo afirma sobre Pedro diz-nos mais sobre Paulo do que acerca de Pedro”.


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