A Ucrânia a colapsar

(Estátua de Sal, 04/07/2025)


Não há coincidências, acha a Estátua. Consumidora dos canais televisivos de notícias sempre que está acordada e vigilante, a Estátua tem vindo a notar um certo realinhamento opinativo na CNN sobre as guerras na Ucrânia e em Gaza

Para começar o general Isidro – que devia ter um beliche para pernoitar nos estúdios da estação -, nunca mais apareceu e deixou de nos vender banha da cobra, desde o dia em que publicamente se assumiu como protocandidato à Presidência da República, não desdenhando nessa condição o apoio do Chega. Boa viagem, avança ó Isidro, que tens todo o meu apoio! Se é para roubar votos ao Almirante, a Estátua até te publica aqui um cartaz de propaganda, quando chegar a campanha eleitoral… 🙂

Desse modo, as manhãs e inícios de tarde, como hoje, ficaram muito mais apelativos. Começou por intervir o Major-general Agostinho Costa e seguiu-se o Major-general Carlos Branco, o que também é inédito: nunca opinavam os dois em sequência e a solo, não estando sujeitos ao contraditório da Soller, da Ferro Gouveia ou do Serronha e quejandos.

Já estou a imaginar os comentários dos direitolas e dos belicistas da bandeirinha azul e amarela, a vomitarem raiva por entredentes: “A CNN transformou-se num antro de putinistas!” 🙂

Meus caros direitolas, nada disso. Business is business e a CNN, que deve saber mais do que aquilo que nos mostra, provavelmente só está a antecipar a mudança do vento. Trump retirou uma parte importante do apoio à Ucrânia, sobretudo em termos de defesa aérea, e os mísseis e drones russos penetram cada vez incólumes no território ucraniano. Agostinho Costa, no vídeo abaixo, explica tudo.

Trump quer uma solução política para o conflito e quer que Zelensky se sente – não à mesa das negociações mas num banquinho das negociações para não fazer muitas exigências – ou então que se afaste e convoque novas eleições que, constitucionalmente, já há muito deviam ter ocorrido.

Sem o apoio dos EUA a Ucrânia irá colapsar num prazo breve, e essa é a força de Trump para impor uma solução política.

Tempos estranhos estes, em que a paz se faz pela força das ameaças, e pela retirada das armas aos contendores e não pela razoabilidade dos argumentos. Seja na Ucrânia, seja em Gaza, a técnica de pressão de Trump sobre os belicistas ocidentais é idêntica.

A ser bem-sucedido num caso e noutro, por ironia do destino, Trump caminhará a passos largos em direção ao Nobel da Paz. Obterá o galardão pelo seu amor à humanidade a transbordar do seu vulto imponente de grande estadista? Não. Será apenas porque, para ele, business is business as usual.

Mas que querem vocês? Nestes percursos labirínticos para a paz, como em muitos outros percursos, atenho-me ao antigo provérbio popular, manda quem pode, obedece quem deve.


“Kiev sem defesa” – a situação difícil em Kiev

(Agostinho Costa, in CNN, 04/07/2025)

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O Major-general Agostinho Costa e as más companhias

(Por José Gabriel, in Facebook, 19/06/2025, Revisão da Estátua)


Senhor Major-general Agostinho Costa

Sei da improbabilidade de alguma vez V. Exa. ler estas palavras. Mas, acredite, milhares de pessoas – das que valem a pena – têm iguais preocupações às que me levam a escrevê-las.

A CNN, num dia em que se achou mais distraída, escolheu-o para comentador e analista dos duros eventos que por muitos e desvairados lugares ocorrem. No início, tínhamos o prazer de o ouvir a solo. Mas, como V. Exa. não se comportou como a quadrilha esperava e, sabendo que tinha ganho demasiado prestígio junto de muitos telespectadores interessados nos temas abordados e na qualidade das suas abordagens, decidiu, já que não podia “dispensá-lo” – grande seria a bronca -, e passar a “marcá-lo em cima”, como diz um amigo meu dado à análise futebolística.

E, para o efeito, escolheu o pior que havia lá por casa. Não se atrevendo a pô-lo em confronto com o seu camarada de armas Isidro Morais Pereira, avançou com umas senhoras que, como V. Exa. teve já oportunidade de diagnosticar, juntam a ignorância e a preguiça do estudante cábula ao fanatismo mais desbragado. Volta e meia, acrescentam mais uma ou outra personagem para mais baralhar a cena. Tinha de dar mau resultado. E deu. A alentada dona Helena Ferro Gouveia, à falta de argumentos, brindou-o com um projétil líquido constituído pelo conteúdo do copo de água que lhe atirou ao rosto, água essa que não era a substância inocente e inócua que os distraídos possam pensar, uma vez que incorria na possibilidade de toxicidade letal, posto que a dona Helena já tinha bebido por esse copo. Não por acaso, portanto, dona Helena foi excluída como sua parceira – honi soit… -, não fosse a assanhada dama, numa próxima oportunidade, atirar-lhe, não a água, mas o copo. O que constituiria crime que poderia configurar homicídio na forma tentada. A CNN excluiu, pois, a dita senhora da sua companhia para a proteger a ela, não para proteger V. Exa.

Hoje, foi – mais uma vez – uma assanhadiça valquíria que lhe estragou – e a nós – o serão. A dona Diana Soller – com dois ll, olé! – desatinou. Ela não gostou do modo como as suas desajeitadas palavras, (des)informações e ideias(?) foram refutadas e desmontadas pela análise do senhor general. Desatinou e desbundou.

Gabo, senhor general, a sua beatífica paciência e aquela última tentativa pedagógica. Felizmente, a sua excitada interlocutora estava, penso eu, fisicamente longe de V. Exa. e não se lhe lobrigava arma ou projétil com que o pudesse atingir. Segurança acima de tudo.

Devo sublinhar, em nome da justiça, que, por vezes, V. Exa. está acompanhado por um interlocutor de excelência, o Prof. Tiago André Lopes. São esses os momentos que valem a pena, os quais podemos usufruir com a inteligência desperta – por sabermos que ela não será agredida – a alma em paz e o estômago calmo. Bem hajam os dois.

Finalmente, sem duvidar da coragem e pundonor com que V. Exa. enfrenta e continuará a enfrentar quem lhe atirem ao caminho, ouso exortar V. Exa. a não mais se sujeitar a essas peixeiradas, aos/às esquisitos/as interlocutores com que o tentam rasteirar e faça como o seu camarada de armas, o brilhante e implacável Major- general Carlos Branco, que atua, as mais das vezes, a solo, em entrevistas em que os únicos trastes presentes são alguns dos entrevistadores – para os quais o entrevistado chega e sobra.

Sei bem que podemos encontrar as suas análises do noutras sedes, onde pode falar à vontade sem ter abelhudos a atrapalhar. Parece até, a quem vê aqueles vídeos no Youtube, que os sul-americanos admiram e respeitam mais a sua figura que os “jornalistas e ofícios correlativos” cá da casa.

Faço a respeitosa continência a V. Exa. e só não dou a ordem de “apresentar armas” porque sou um homem de paz. Até ver.

José Gabriel, oficial atirador de artilharia, aposentadíssimo, mas não morto.

P.S. E podem ver o vídeo da altercação, abaixo.


Contenha-se minha senhora

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Carta aberta à CNN – parem de insultar a nossa inteligência

(Estátua de Sal, 18/01/2025)

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Uma estação de televisão que almeja ser respeitável – e especializada em difundir informação e não programas de entretenimento -, tem obrigação de acautelar a veracidade das notícias que difunde e o comprometimento com a ética e com a verdade dos comentadores que alberga.

Ora, ficámos todos espantados quando Oren Rosenblat, embaixador de Israel em Portugal, garantiu à CNN que “não há fome na Faixa de Gaza”, e que “até há gordos”, embora os relatos das agências no terreno e da ONU denunciem risco iminente de fome e falta de ajuda humanitária.

Que o embaixador tenha dito o que disse, não é da responsabilidade da CNN. O embaixador é um facínora ao serviço do genocídio, um escroque entre escroques, por obediência cega, por fé supremacista ou por ambos os motivos.

Mas já é da responsabilidade da CNN ter dado voz e tempo de antena à comentadora Helena Ferro Gouveia que alinha pelo discurso de Rosenblat e desculpabiliza os crimes de Israel dizendo, entre outras pérolas que “Os relatórios [da ONU] têm de ser lidos com uma pedrinha de sal”.

Nunca vi tanta parcialidade e tamanho atentado à inteligência dos espetadores. A CNN, com a Ferro Gouveia a querer-nos convencer de que as pessoas em Gaza arrotam satisfeitas depois de lautos repastos, com o Isidro a dizer que a Ucrânia está a ganhar a guerra e com a Soller a alertar-nos para o perigo da chegada dos exércitos russos às portas de Berlim, acerca-se do grau zero da credibilidade informativa.

A continuarem assim, mudem a designação do canal, de informativo para humorístico de mau gosto. É que, os vossos comentadeiros são cada vez mais propagandistas para mentecaptos e, estou em crer, nem mesmo já aos mentecaptos conseguem convencer.

E vejam o que se está a passar no mundo. A vossa agenda globalista, bélica e unipolar ancorada nos mandamentos da “ordem internacional baseada em regras” que só o Império sabe quais são, está em acelerado declínio, o que só prova o vosso ineficiente trabalho no arrebanar das almas dos simples. Ou seja, arrepiem caminho, porque com Helenas, Isidros, Sollers, Serronhas e Botelhos, entre outros pregadores de fábulas, já não vão lá.

E, para terminar, aqui deixo o vídeo da Helena Ferro Gouveia a debitar sobre os “anafados” habitantes de Gaza e sobre as crianças que lá estão felizes, pois até devem ter tido uma prenda no sapatinho pelo Natal.

Se sofrerem do estômago previnam-se antes, porque pode correr mal. Podem ter vontade de vomitar. Comigo foi o que aconteceu.

VER VÍDEO aqui.