O CORRUPTO

(Por Dieter Dellinger, 30/10/2018)

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O juiz Sérgio Moro vai receber uma elevada PROPINA por ter prendido Lula sem esperar pelos recursos, o que no Brasil é permitido por haver mais de 100 mil assassinos no Brasil que mataram mais de meio milhão de pessoas nos últimos dez anos e que nada têm a ver com um ex-Presidente da Republica.

Mas, ninguém paga propina a Sérgio Moro por condenar assassinos, o que nunca lhe interessou muito, nem a muitos dos seus colegas.

Ao contrário disso, Sérgio Moro vai ser premiado com uma elevada PROPINA como é o cargo de ministro da Justiça por prender Lula.

Quem atua com o objetivo de receber uma recompensa muito elevada é, evidentemente, um CORRUPTO.

Era o que queria o juiz de instrução Carlos Alexandre, ou seja, receber uma grande recompensa por prender o ex-PM J. Sócrates logo à chega a Lisboa vindo de Paris quando tinha recebido um email de Sócrates a dizer que ia a Lisboa apresentar-se livremente para saber o que havia contra a sua pessoa.

Se o fizesse no segredo da Justiça como era suposto, Carlos Alexandre não se tornaria na estrela da extrema direita portuguesa e num futuro ministro da Justiça de um governo Cristas/Rio/Santana ou pior.

Carlos Alexandre tinha de fazer de Sócrates o ator com o papel de mau para a sua encenação teatral, a fim de subir muito na vida, até porque esperava nas eleições a seguir que o PS iria cair nos fundos do inferno devido ao seu trabalho.

Sucede que Alexandre não foi convincente e o eleitorado colocou o PS numa posição agradável com um dirigente extremamente hábil que, sem nada fazer contra o juiz, tornou-se no seu desastre, arruinou a sua carreira para as alturas, pelo menos nos próximos ano e fê-lo tornar-se um ser desprezível pela rejeição que recebe nas sondagens..

 

PROVIDENCIAL

(Virgínia da Silva Veiga, 20/10/2018)

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O Conselho Superior da Magistratura abriu um inquérito a propósito da entrevista de Carlos Alexandre à RTP mas ninguém sabe qual seja o objecto de tal inquérito. Não se sabe se se destina apenas a investigar a legalidade dos sorteios no Tribunal de Instrução Criminal, se as violações deste juiz ao Estatuto a que está obrigado, se as ligações deste a grupos políticos, se, finalmente, a própria RTP para quem, em violação das leis que regem o canal público, o contraditório, não existe.

O caso merecia, de facto, ser investigado de todos os prismas porque há muito se clama por ordem e legalidade.

Comecemos pelo fim, por uma RTP cujo trabalho é uma entrevista laudatória a terminar como começa: com uma ameaça velada, um recado aos magistrados que se atrevam a condenar o envolvido.

Alexandre preparava -se para ir este fim de semana a Portalegre, integrado num comício politico, fazer uma palestra. Era anunciado como cabeça de cartaz do acontecimento. Terá desistido, mas o episódio, real, não pode deixar de se enquadrar no perfil de um homem que admite ter uma página da mesma sensibilidade política, a mesma em que se enquadra o teor de toda a entrevista.

A entrevista não se limita a pôr em causa o sorteio que ditou Ivo Rosa como juiz de instrução. Sugere todos os sorteios do TIC, incluindo a sua própria escolha, serem ilegais, assunto que refere expressamente, bem sabendo estar a contribuir para a nulidade de actos processuais pelo próprio praticados, em instância última a levar ao arquivamento dos autos. É matéria arguida nos requerimentos de Instrução que revela conhecer. Porquê?

O que Alexandre diz é de uma gravidade extrema. Por outras palavras, obscuras mas claras, face a um sistema que entende manipulável, não apresentou nenhum requerimento ao Conselho Superior da Magistratura nem comunicou ao seu colega de trabalho, menos à presidente da comarca a quem soube solicitar folga. Porquê? Se era assim, porque não denunciou pelos meios próprios, isto é, nada fez?

Sob a pior das formas – a suspeição -, lança subrepticiamente a ideia de que os seus colegas e funcionários orquestraram, à distância de meses, um sorteio falso, escolhendo a dedo o dia em que o próprio estaria ausente, como se não legitimasse exactamente ter ele próprio perpetrado a ausência, pormenor que esperamos ver esclarecido.

Acrescenta, o processo ter sido apenas parcialmente distribuído, como se tal existisse, e, depois de afirmar não falar com Ivo Rosa – vangloriando-se de sobrarem dedos das mãos para as vezes em que com ele falou, em três anos de vizinhança de gabinetes -, anuncia-se como pessoa rigorosa e nega, “de facto” – sublinha – alguma vez ter aceitado que lhe tivesse sido distribuído um processo antes entregue a outro, como se não soubesse que Ivo Rosa não pode negar o sorteio que lhe calhou.

Alexandre vai mais longe na teoria da cabala e deixa no ar a hipótese de o “ Dr. António Luís Santos da Costa” – assim se refere ao primeiro-ministro – estar feito com estranhos propósitos do Conselheiro Henriques Gaspar, o ex-presidente do STJ, para lhe tirarem o emprego, acabando com tribunais de competência criminal especializada, não porque seja inconstitucional, mas para o afastar, a ele, para outro qualquer lugar de primeira instância.Não recorda, como devia, ter sido este mesmo conselheiro que desempatou a seu favor o incidente de que foi alvo aquando de outra entrevista de triste memória.

Isto, e a forma como se refere ao hipotético causador dos incêndios de Mação – “ gostava de saber quem são os ladrões que me tiraram as características da minha terra”, assim profere o magistrado – mostram, não um juiz preocupado com a Justiça, mas um justiceiro no mais inadequado sentido do termo.

É neste quadro, do justicialismo, que não da Justiça sensata e equidistante, que se enquadra ter admitido ir ser orador em eventos de agrupamentos políticos que se dizem apartidários, não o sendo. Iria falar este sábado a Portalegre. Terá desistido. Mas até hoje nunca se opôs a que a mesma sensibilidade política tenha criado uma página com a sua imagem.

Carlos Alexandre veio a público fazer acusações de falta de isenção aos seus colegas, que insinua terem um programa político, onde se enquadra a nebulosa tentativa do seu afastamento. Deu roda de incompetente a Ivo Rosa, deu nota de um Conselho Superior da Magistratura vendido ao poder político, anunciou que a Operação Marquês é caso condenado ao arquivamento. Porquê?

No quadro de suspeições que o próprio alimenta, uma certeza deixou: o processo a que, mais uma vez, alude publicamente, nunca devia ter-lhe sido entregue. Justicialismo é um assunto, a Justiça outro. A última não se compadece com juízes providenciais patologicamente dispostos a contar, “bem contados”, cada dia útil do trabalho que os devia honrar.

NATURALMENTE RIDÍCULOS E PERIGOSOS

(In Blog O Jumento, 18/10/2018)

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(A Justiça tem tido um protagonismo mediático, nem sempre por boas razões. Mas ontem (ver entrevista aqui), Carlos Alexandre elevou esse protagonismo até ao limite do execrável.

Quem invoca teorias da conspiração como sendo a causa do processo da Operação Marquês não lhe ter cabido em sorte, só pode ser um conspirador. Quem põe em causa a probidade do  colega de ofício a quem coube o processo só pode ser um maníaco ressabiado.  

Quando a Justiça é colocada em causa por alguém a quem compete isentamente aplicá-la, só nos resta perguntar o que faz correr Carlos Alexandre e quais as forças que na sombra o apoiam e empurram para a ribalta da insídia.

Comentário da Estátua, 18/10/2018)


Confesso que não sou um grande admirador do Dr. Carlos Alexandre; não sei bem porquê a personagem irrita-me, nada dele me parece brilhante, as suas declarações encenadas não têm grande conteúdo que ultrapasse as fronteiras do seu ego. Mas envergonha-me uma Justiça onde vejo um juiz a fazer queixinhas aos jornalistas, deixando transparecer que queria um determinado processo para ele, como se só ele estivesse à sua altura.

Parece que, de um momento para o outro, todos são defensores do juiz natural e receio que alguém se lembre de pedir que, no caso Sócrates, se volte a iniciar o processo, convidando a FIFA a realizar o sorteio com bolinhas, cabendo ao Messi tapar os olhos e recolher a bolinha. Mas, se o sorteio não resultar na escolha do Carlos Alexandre, teremos de verificar se haviam dois nomes, se as bolinhas eram rigorosamente iguais, se o vidro da tombola não tinha alguma rugosidade e se o Messi não foi trocado por algum sósia ilusionista, o que implica conferir o DNA ou mesmo os sinais na pilinha.

Tudo isto é ridículo porque, enquanto o Dr. Carlos Alexandre ia construindo a sua imagem de justiceiro da Nação – num Ticão em que era o único juiz -, ninguém se lembrou de sorteios ou do juiz natural. Por outras palavras, enquanto o juiz era naturalmente o Dr. Carlos Alexandre ninguém se preocupou com os sorteios ou com o número de processos que o juiz natural tinha. Apesar das razões de queixa de Sócrates ninguém, e muito menos a associação dos juízes, veio em defesa de Sócrates; com tal arguido os bons princípios podiam ir para as urtigas dos campos de Mação.

Mas quando o mesmo arguido teve direito ao sorteio para a escolha do juiz natural já surgiram dúvidas, o mesmo juiz natural de todos os processos foi o primeiro a vir com dúvidas logo aproveitadas pelos Diabos e diabretes da praça.

Esta justiça que se expõe na praça, discutindo de forma miserável os seus próprios truques, os mesmos truques que aliviam culpados e podem ajudar a tramar inocentes, é um motivo de vergonha para a democracia. Toda esta gente é naturalmente ridícula, mas também é naturalmente perigosa para a democracia e as suas instituições, a começar pela Justiça.


Fonte aqui