Lembram-se?

(Carlos Esperança, 16/01/2019)

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Lembram-se de a Dr.ª Maria Luís, cuja promoção a ministra das Finanças deu origem à “demissão irrevogável” de Paulo Portas, que a considerava inadequada para o cargo, ter afirmado que a resolução do BES não custaria 1 único cêntimo aos contribuintes?

Lembram-se da mestre, que ensinou o catedrático Passos Coelho, a pedir à Dr.ª Cristas, que viria a confessar não estar informada sobre o assunto, que desconhecia e nunca fora discutido em Conselho de Ministros, que a apoiasse na resolução do BES, tendo a ora líder do CDS acedido à amiga, ao enviar-lhe o apoio por SMS, para a decisão sobre o GES/BES, num conselho de ministros por telemóvel ?

Lembram-se qual foi o fundo abutre inglês que a convidou para lhe dar conselhos, uma vez por semana, levando a experiência de quem fizera Swaps com o Estado português, pelas empresas privadas, e ficou depois a conhecer por dentro o ministério das Finanças, altura em que arranjou o lugar bem remunerado para o marido, despedido de um jornal económico?

Lembram-se da discrição da ainda deputada (a acumulação de vencimentos dá sempre jeito) do espaço mediático para aparecer agora na campanha contra Rui Rio, ao serviço de Passos Coelho, no apoio a um qualquer Montenegro?

Há pessoas de que só nos lembramos pelo mal que fizeram, e esta merece estar sempre presente. Depois de problemas com os bancos do PSD, BPN, Banif, BPP, não ponderou a gravidade da decisão em relação ao maior de todos, o grupo GES/BES, patrocinador do Bloco Central, cujas perdas em postos de trabalho e riqueza nacional são insanáveis.

Só não vendeu a CGD aos chineses porque chegou o atual governo, pois era o desejo de Passos Coelho e Maria Luís com aval garantido às quintas-feiras e outros dias.

E querem voltar. Só não trazem o escritor dos Roteiros e avalista do BES cuja garantia de solidez atestou pouco antes de os candidatos a Nobel da Economia, destruírem o que restava.

E o BES não custa 1 único cêntimo aos contribuintes.

Para que o ruidoso silêncio se transforme num contra-ataque eficaz contra quem dele reclamou

(Jorge Rocha, in Ventos Semeados, 03/05/2018)

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Ontem, logo após o almoço, recebi a mensagem de um amigo, que muito prezo, a pedir-me a opinião sobre quanto se estava a passar com o Partido Socialista e quanto às vantagens ou desvantagens de ouvir-lhe alguém pronunciar-se, quando as suspeições sobre Manuel Pinho tendem a lançar uma sombra ainda mais obscura sobre um governo que teve tanto de bom a elogiar, desde a aposta na Ciência ou nas energias renováveis, até a simplificação administrativa ou a à requalificação dos portugueses através dos programas das Novas Oportunidades (e isto só para elencar quatro argumentos justificativos do seu nunca por demais fundamentado elogio). Logo, de seguida, enquanto trabalhava para uma Associação para a qual cá em casa nos voluntariámos, uma das suas sócias, conhecida pelo seu posicionamento comunista, veio interpelar-nos exatamente no mesmo sentido: não se justificaria uma reação do Partido Socialista, cujo silêncio começava a ser tido como demasiado ruidoso?

Não sabia então que Carlos César por um lado, João Galamba por outro e, mais à noite, Augusto Santos Silva, tratavam de responder efetivamente a essa necessidade. Embora eu ainda tivesse dúvidas sobre a bondade de se sair do princípio, desde muito cedo definido por António Costa, quanto a deixar à Justiça e à Política o que lhes cabe respetivamente sem terem de coincidir na oportunidade de se expressarem. Não esqueço uma das lições fundamentais demonstradas pelo Mestre Kurosawa no seu «Kagemusha» em que, perante uma conjuntura ameaçadora, vale a pena manter as posições em vez de optar pelo contra-ataque militar.

Passado um dia sobre todo este sururu sintetizo algumas conclusões, que há a retirar do sucedido:

  1. ninguém me convence que o caso Manuel Pinho aparece nesta altura como mero acaso. Em vésperas do Congresso do Partido Socialista na Batalha, e depois de comprovadamente não terem conseguido que eventos semelhantes nos partidos das direitas os tenham beneficiado o que quer que fosse nas sondagens, os whisperblowers responsáveis pela denúncia do caso, procurarão evitar que se trate de uma enorme consagração do que se conseguiu concretizar nestes dois anos e meio e no quanto se adivinha possível no futuro imediato e a médio prazo para que os portugueses usufruam de melhores condições de vida e sintam justificadas razões para sentirem confiança no quanto possam vir a alcançar.
  2. tendo em conta que as direitas gostam bastante de pôr os governos socialistas em lume brando, procurando corroer-lhes os alicerces, ganhou novo alento a tentativa de deslegitimar alguns ministros por terem pertencido ao governo de José Sócrates, como se eventualmente fossem cúmplices, ou pelo menos coniventes, com os presumíveis crimes, que ainda estão longe de se revelarem comprovados onde o devem ser: nos tribunais. Viu-se isso mesmo no «Sem Moderação» do Canal Q, quando, no programa da noite passada, o ppd José Eduardo Martins quis fazer passar a ideia de não se compreender porque Vieira da Silva ou Augusto Santos Silva continuam a ser ministros do atual governo por se lhes assacar responsabilidades políticas, que só o proponente via. Imaginemos que, por hipótese académica, ambos os ministros se demitiam, logo as direitas exigiriam o afastamento dos que tinham sido nessa altura deputados, para, no fim dessa lógica, exigirem o próprio afastamento de António Costa.

É claro que tal exagero não tem razão de ser – e Daniel Oliveira, até mesmo mais do que João Galamba – tratou de lhe denunciar o absurdo, mas a estratégia está desenhada.

  1. Outro dos ardis revelados pelas direitas nesta matéria tem a ver com o próprio Manuel Pinho, que nunca será demais lembrar que não era, nunca foi, nem nunca será militante socialista. Mas para os que tentam cavalgar à conta do caso, a questão que se põe é esta: porque terá Sócrates convidado tal BESman para integrar o seu governo. ´

É claro que a resposta é fácil e não há por certo ninguém que, desonestamente, a formula, que a não saiba: quando um Partido dá sinais de poder vir a ser governo existem iniciativas abertas a independentes onde se conjugam duas vontades distintas, mas episodicamente conciliáveis: os dirigentes políticos quererão aproveitar a tal abertura à sociedade civil para demonstrarem ao eleitorado, que os seus apoios não se cingem aos seus próprios militantes e simpatizantes, e os «cabeças-de-cartaz», que se fazem aparecidos, ora visam cumprir deveres de cidadania (quando são bem intencionados, e quero crer que assim sucede com a maioria!), ora satisfazer narcisismos íntimos, ora cumprir objetivos lobistas.

Quando Manuel Pinho começou a aparecer em conferências e outros eventos semelhantes do PS antes das eleições de 2005, confesso ter ficado surpreendido por o ter, até aí, associado ao CDS ou ao PSD. Mas como Freitas do Amaral também viria a integrar o governo, enquadrei-o na mesma lógica. Do que dele se sabia – a ligação ao Grupo Espírito Santo – nada justificava apreensões: não tinham os governos das direitas também ministros oriundos dessa que era entidade bancária de reputação ainda intocável no nosso universo político?

Não me espanta, pois, que José Sócrates o sentisse como mais-valia num elenco governativo, sem sequer suspeitar que pudesse ter outra agenda senão a de bem governar. E a verdade é que nada se prova até agora, que Pinho tenha agido no governo para beneficiar a empresa A ou B, pois até a suspeita EDP beneficiou dos seus escandalosos subsídios antes desse governo tomar posse, devendo-se à coligação PSD/CDS  a razão e ser dos indecorosos lucros de que tem usufruído.

  1. Para concluir por ora com este assunto pode-se para já considerar que, nas últimas décadas – e se formos analisar detalhadamente a nossa História recente veremos essa realidade no próprio fascismo com a CUF de Alfredo da Silva! – o poder político tem andado a reboque dos interesses dos nossos capitalistas, cuja ganância e incompetência não têm conhecido limites. Seja por exercerem pressão insidiosa e permanente sobre quem governa (como sucede atualmente com a imprensa globalmente desfavorável ao atual governo!), seja porque a isso se presta intencionalmente, (como sucedeu com Passos Coelho, Cavaco Silva ou Durão Barroso!), os governos têm beneficiado quem quer ser dono disto tudo contra os que trabalham e pagam impostos.

Que esta seja a altura para pôr os empresários e acionistas no seu devido lugar é o que se exige ao Partido Socialista, que bem pode deixar-se de falinhas mansas e questionar porque, havendo uma atenção tão exclusiva em si, não se verificou igual preocupação com os sobreiros e os submarinos do Jacinto Leite Capelo Rego, com as Tecnoformas e os negócios de Dias Loureiro ou Miguel Relvas ou, sobretudo,  com todo esse polvo imundo que se chamou BPN.

Dos Frasquilhos não reza a História

(João Quadros, in Jornal de Negócios, 26/01/2018)

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(E O MP NÃO INVESTIGA ESTE PASSARÃO?

Recebeu 100000 euros do saco azul do BES, em contas bancárias dos pais. Diz ele que era para pagar à família. Ridículo. O que terá dado em troca ao Ricardo Salgado?. E a Joana Vidal que anda a fazer? Não há nada a investigar? É o costume. Os gajos da direita são todos “sérios” e o único presumível corrompido, em Portugal, desde os tempos do D. Afonso Henriques, é o Sócrates.

Mas este caso ainda é mais estranho. António Costa foge do Sócrates com medo do “contágio”, como o diabo foge da cruz, mas vai reconduzir este cromo como chairman da TAP?! Por receberem bilhetes para a bola, demitiu secretários de Estado e, com tantos milhares de euros no bornal por explicar, este passarão é reconduzido?!

Será que o “bloco central” já está a funcionar – pelo menos nos bastidores -, ou será que nunca deixou de funcionar?

Comentário da Estátua de Sal, 26/01/2018)


O Estado, através da Parpública, vai propor a recondução de Miguel Frasquilho como “chairman” da TAP, o que vai acontecer já a 31 de Janeiro, durante a próxima assembleia-geral da companhia aérea. Sim, é esse Frasquilho, o que está a ser investigado no Besgate e que, alegadamente, recebeu 100 mil euros do “saco azul” do BES, mas distribuídos em depósitos na conta dos pais e irmão. Tanta personalidade à rasca e a pedir dinheiro emprestado à família e eu não tenho coragem para pedir 100 euros ao meu pai.

Resumindo, o “saco azul” do BES pagou cerca de 98 mil euros a Frasquilho, “chairman” da TAP, e aos pais e irmão. Segundo se sabe, os pagamentos a familiares eram frequentes no GES. O GES parece o meu falecido tio Orlando que, no Natal, metia envelopes com dinheiro no bolso da família toda. Uma vez, pôs um no bolso da minha namorada.

Frasquilho alega que o dinheiro era para pagar dívidas que ele tinha aos familiares. Imagina se o Frasquilho estivesse a dever na padaria, no barbeiro ou na casa de artigos de circo onde compra as gravatas. Já estou a ver o contabilista do BES a ter de dividir estes pagamentos todos. Não admira que o contabilista, na altura Machado da Cruz, tenha fugido durante uns tempos. Como é que ele iria justificar ter de passar um cheque de prémio em nome de uma pessoa que nada tem que ver com a empresa? A não ser que seja por causa de a família o aturar.

Frasquilho justificou tudo isto com “acertos de contas entre familiares”. Normalmente, acertos de contas entre familiares é o que vem nos títulos das notícias que envolvem tiros e mortes. Associo “acertos de contas entre familiares” a assassinatos com enxadas e muita berraria, por causa de uma herança. Estes acertos de contas entre familiares são muito silenciosos. Aposto que nunca há discussões na ceia de Natal em casa do Frasquilho.

A verdade é que o governo da suposta transparência vai reconduzir Miguel Frasquilho como “chaiman” da TAP e parece ser, realmente, um acerto de contas de família, porque nem o PSD nem o CDS dizem nada. Não há família mais unida do que o Bloco Central. Acho que temos de mandar este caso do Frasquilho para ser julgado em Angola.

Antigamente, quando havia este tipo de suspeitas e acusações sobre alguém, era logo acautelado o risco de fuga. Neste caso, é o oposto, ele fica na empresa onde mais facilmente pode fugir. Parecendo que não, aquilo ainda tem vários aviões. Eu até já admito que ele fique na TAP, mas não devia poder aproximar-se até menos de 500 metros de um avião, como já aconteceu com o Carrilho em relação à Bárbara Guimarães.


TOP-5

Família feliz

1. Líder da Juventude Popular distinguido pela Forbes como um dos jovens mais influentes da Europa – E a banda revelação: os Beatles.

2. Espanha deixa de pagar às grandes agências de rating – Não podem ver ninguém dizer bem de nós.

3. Ao sábado, as creches dos filhos de trabalhadores da Autoeuropa passarão a ser pagas pela Segurança Social, no âmbito de um compromisso do Governo – Tudo bem, mas eu também quero ir lá almoçar na cantina à segunda.

4. Famílias que participam no “Supernanny” serão chamadas por comissões de protecção – Malta que justifica o execrável “Supernanny” com “quem não quer não vê”: embora fazer um “reality show” com escravos negros? Quem não quer não vê.

5. O presidente da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, um dos quatro jovens portugueses distinguidos pela revista Forbes, diz que: “Esta distinção comprova que podemos ter esperança no futuro” – Mas aquilo não era para malta com menos de 30? Este têm 78 anos de mentalidade.