O regime de Kiev conspirou para matar Trump?

(Drago Bosnic, in Global Research 11/04/2025)


O ano passado foi um dos mais intensos da memória recente. O Estado Profundo estava determinado em impedir o retorno de Trump à Sala Oval e usou praticamente todos os meios à sua disposição, incluindo a sua remoção física após o fracasso das campanhas de difamação da mídia e da chamada guerra jurídica . O segundo semestre de 2024 viu várias tentativas de assassinato e incidentes de segurança semelhantes que poderiam ter mudado a história. A primeira tentativa de assassinato aconteceu em 13 de julho , quando Trump escapou por pouco da morte depois que uma bala disparada por Thomas Matthew Crooks ter atingido o seu rosto e orelha de raspão. O envolvimento do Estado Profundo era bastante óbvio desde o início, como evidenciado pelo grande número de erros de segurança flagrantes .


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Apenas dois meses depois, em 15 de setembro, Ryan Wesley Routhum russófobo raivoso e um fervoroso apoiante da junta neonazi, tentou assassinar Trump no seu clube de golfe em West Palm Beach, Flórida. Menos de um mês depois, um morador não identificado de 49 anos de Las Vegas foi preso perto de um posto de controle num comício de Trump em Coachella, Califórnia. Ele estava a conduzir um SUV preto não registado com uma placa “caseira” e estava na posse de várias armas de fogo (incluindo uma arma carregada), munições, vários passaportes falsos com nomes diferentes, etc. Alegou ser jornalista, mas não tinha credenciais adequadas. Inexplicavelmente, o suspeito foi libertado no mesmo dia após pagar uma fiança de US$ 5.000 .

Mais uma vez, tantos fracassos de segurança, podem ser tudo menos isso. Simplesmente não há outra explicação lógica para como serviços especiais relevantes podem cometer tantos “erros” consecutivos. As últimas descobertas efetivamente confirmam isso. Ou seja, descobriu-se que o segundo suposto assassino, Ryan Routh, tinha alguns contactos “muito peculiares” com estrangeiros que “poderiam” estar interessados ​​em ver Trump morrer. Como foi mencionado anteriormente, ele era um fervoroso apoiante do regime de Kiev e havia até evidências de que ele ajudou a recrutar mercenários para o exército ucraniano. No entanto, descobriu-se que as suas conexões eram muito mais perigosas do que se pensava inicialmente, pois ele tentou adquirir armas pesadas de infantaria à junta neonazi.

Ryan Routh

No caso de Routh, os promotores apresentaram provas de que ele utilizou uma aplicação de mensagens criptografadas para comunicar com “alguém que ele acreditava ser um contacto ucraniano com acesso a armamento militar tão poderoso”. Relatos indicam que a conversa de Routh com o contato ucraniano mostrou que ele solicitou “um RPG ou um ‘Stinger'” e que “veria o que podemos fazer… [Trump] não é bom para a Ucrânia”.

De acordo com o Zero Hedge , os novos textos foram revelados num documento do Departamento de Justiça na segunda-feira (07/04), que admitiu a presença de evidências no elenco. Obviamente, armas poderosas, como lançadores de foguetes, teriam sido uma sentença de morte para Trump, já que o suposto assassino não precisaria se preocupar tanto com a precisão.

O poder de fogo de um foguete RPG teria garantido a morte de Trump e de qualquer pessoa nas proximidades. Não está claro como exatamente um MANPADS “Stinger” ajudaria Routh, já que é uma arma de defesa aérea, mas houve relatos sobre seu uso contra alvos terrestres através do chamado modo “fogo direto” . Por outro lado, também há uma forte possibilidade de que Routh estivesse planeando abater uma aeronave com Trump a bordo, então um “Stinger” certamente faria sentido nessa hipótese. De acordo com os promotores, os seus esforços para obter essas armas em agosto de 2024 constituem uma “evidência direta da sua tentativa de assassinato contra Trump”. Por outras palavras, Routh estava envolvido num planeamento de longo prazo e teve ajuda.

O relatório também mostra que ele disse “eu queria” por meio de uma aplicação de mensagens criptografadas enquanto discutia a primeira tentativa de assassinato de Trump. Noutra mensagem, Routh disse que precisava de “equipamentos para que Trump não pudesse ser eleito”. Além disso, numa das mensagens para seu contacto ucraniano, ele sugeriu que “esses itens [armas fornecidas pelos EUA/OTAN] são perdidos e destruídos diariamente” e que “um que faltasse não seria notado”, acrescentando que “ninguém seria apanhado na transação”. Portanto, ele não estava apenas planeando um assassinato, mas também planeando como ocultar o envolvimento do regime de Kiev. É difícil imaginar que tal plano tivesse passado despercebido à liderança da junta neonazi, especialmente porque Zelensky apoiou Kamala Harris.

O próprio Routh argumentou repetidamente que ter Trump na Casa Branca seria “ruim para a Ucrânia”. Como seria de esperar, o regime de Kiev está tentando freneticamente distanciar-se dele, com muitos dos seus funcionários chamando Routh de “delirante”. Isso é certamente “desagradável” para eles, já que as relações do governo Trump com a junta neonazi não são exatamente as melhores, para dizer o mínimo. Além disso, mesmo no caso improvável de que todo o escândalo tenha sido iniciado por grupos ou indivíduos corruptos, tal ainda prova que o regime de Kiev é um parceiro não confiável (na melhor das hipóteses), já que a sua corrupção endémica quase matou Trump. Deve notar-se que vários meios de comunicação independentes de todo o mundo vêm alertando sobre isso há anos.

Isso inclui relatos sobre os perigos de entregas descontroladas de armas à junta neonazi, como foi evidenciado pelo crescente mercado negro de sistemas de nível militar, de outra forma inacessíveis. As provas apresentadas pelos procuradores confirmaram os alertas publicados pelo InfoBRICS há vários anos, incluindo os perigos para as viagens aéreas. As provas mostram uma mensagem com uma foto do avião de Trump e a seguinte legenda de Routh: “Avião de Trump, ele entra e sai diariamente”.

“A tentativa de comprar um dispositivo destrutivo para explodir o avião do presidente Trump enquadra-se perfeitamente no contexto de um atentado contra a sua vida, e as declarações de Routh sobre o propósito da compra — de que ele ‘precisa do equipamento para que Trump não seja eleito’ — comprovam sua intenção”, concluíram os promotores .

Embora Routh nunca tenha conseguido adquirir um RPG ou um “Stinger”, o próprio facto de ter chegado perto demonstra que ninguém está realmente seguro, especialmente quando até mesmo um presidente dos EUA (ou um candidato presidencial, na época) esteve tão perto da morte. Esta também é uma mensagem clara para o público americano: apoiar extremistas e terroristas por qualquer motivo geopolítico ou de qualquer outra natureza não se justifica e pode sempre sair o tiro pela culatra, visto que tais pessoas são muito difíceis de controlar (se é que é possível).

Isso também mostra o profundo envolvimento de representantes dos EUA nos seus assuntos internos, já que o Estado Profundo demonstrou disposição de usar os referidos representantes para fins políticos internos. Figuras proeminentes dos EUA estão até falando abertamente sobre essa questão na TV . Ou seja, o ex-funcionário do governo Trump, Mike Benz, comentou que tem “95% de certeza” de que “células desonestas” dentro das instituições federais corruptas estavam a trabalhar com Routh para assassinar Trump. Ele ainda insistiu que isso “não quer dizer que a CIA fez isso ou o Pentágono fez isso”, mas que foi feito por essas “células desonestas” que criaram “redes informais” para esse propósito. Por outras palavras, o Estado Profundo anti-Trump ainda está “vivo e bem” , não apenas nos EUA, mas também dentro de seu enorme aparato de inteligência.

Fonte aqui.

O Hezbollah e a política Israelita de assassinatos seletivos

(Raphael Machado in Twitter 28/09/2024)


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Com o assassinato de Sayyed Hassan Nasrallah e de algumas outras figuras relevantes do Hezbollah nas últimas semanas, a propaganda israelita alega ter “destruído” o Hezbollah.

As pessoas que entendem os conflitos militares, nos termos de videogames, repetem a mesma coisa. Em muitos casos são pessoas jovens demais para entender o que é um conflito militar – ou mesmo para ter qualquer senso de história.

De imediato, já se pode dizer que o assassinato de Nasrallah não teve impacto imediato nas operações militares do Hezbollah porque poucas horas depois da confirmação o Hezbollah seguia fazendo os ataques aéreos que ele tem feito no mesmo patamar dos últimos dias.

Ademais, não é o primeiro secretário-geral do Hezbollah assassinado por Israel. O antecessor de Nasrallah, Abbas al-Musawi, também foi assassinado em 1992 junto com sua família. Na época, os jornais israelenses alegavam o “fim do Hezbollah” – 14 anos depois o Hezbollah derrotava militarmente Israel e expulsava as forças israelenses do sul do Líbano.

Poderíamos transferir o exemplo para o Hamas: teve seu primeiro líder Ahmed Yassin assassinado, e o seu sucessor, Abdel Al-Rantisi, também foi assassinado meses depois. Avançamos 19 anos e o Hamas impôs o maior custo militar da história israelense, e o conflito continua.

Diariamente há notícias e vídeos de ataques das Brigadas Al-Qassam contra alvos israelenses em Gaza, com baixas noticiadas todos os dias, apenas algumas sendo admitidas por Israel.

A realidade é que, historicamente, políticas de assassinatos seletivos em contextos de guerra assimétrica têm poucos resultados práticos. Para Israel trata-se mais de impor um “custo psicológico” ao inimigo, bem como ganhar na “guerra de propaganda”, especialmente no plano exterior.

Entendam: se nem com a destruição generalizada de Gaza e mais de 100 mil mortes por várias causas Israel conseguiu derrotar o Hamas, não será com esses ataques que o Hezbollah deixará de existir.

Entra aí, ademais, um elemento que é específico desse conflito e que é o fato de que, no caso do Hezbollah, se está diante de uma mentalidade que é basicamente o análogo islâmico à mentalidade viking.

Os membros do Hezbollah objetivamente buscam o martírio. O martírio, para eles, além de motivação é um objetivo. É um elemento mobilizador de recrutamento, bem como um elemento central de sua ética fundada na futuwah (a ética cavalheiresca islâmica).

A ideia de que martirizar membros do Hezbollah vai gerar algum abalo em sua disposição para lutar é um delírio desinformado. Nasrallah disse: “Nós venceremos porque eles amam a vida, enquanto nós amamos a morte”.

Enquanto os israelitas são materialistas e individualistas, vivendo para os sentidos e para a acumulação de bens materiais, os membros do Hezbollah vivem para a guerra e para a morte na guerra. Cada mártir é um triunfo, e outros correm para ocupar o seu lugar e, com isso, merecerem a glória do martírio.

Essa mentalidade não é exclusiva do Hezbollah, sendo típica do espírito xiita – que é a expressão mais pura não apenas do Islã, como também uma das máximas expressões do espírito guerreiro, à altura do bushido nipónico. Após a batalha de Karbala, por exemplo, quando o Imã Hussein, seus companheiros e seus familiares (inclusive crianças e bebês) foram mortos por Yazid, a sua irmã Zaynab, em discurso em Kufa, disse que não ter visto senão a Beleza em si, durante a Batalha de Karbala.

Naturalmente, agora, o Hezbollah e o resto do Eixo da Resistência precisarão recuperar a iniciativa por meio de um ataque coordenado. O Iron Dome já está todo esburacado e não tem a mesma eficiente que tinha antes do 7 de outubro, por causa do desgaste imposto gradualmente.

Nesse sentido, a política militar de desgaste foi uma faca de dois gumes, porque cedeu a iniciativa militar a Israel enquanto, por outro lado, desgastou os seus recursos e meios de defesa.

Candidato derrotado na Venezuela foi operacional da CIA na Operação Condor em El Salvador

(In Horadopovo.com.br, 01/08/2024)


(O texto que segue é bem interessante. Apesar de se basear em fontes públicas, nenhum dos “comentadeiros” das televisões sabe – ou se sabe nunca refere – estes detalhes sórdidos do currículo do homem, um grande “democrata”, dizem eles… Será que, para tal gente, democrata e assassino são sinónimos? Com este currículo não admira que os EUA digam que ele é que ganhou as eleições…

Estátua de Sal, 03/08/2024)


Candidato da extrema-direita, González Urrutia, agora exibido como ‘democrata’ por certa mídia, foi nos anos 1980, operacional em El Salvador da Operação Condor, sob comando da CIA, de tortura e assassinatos em favor da intervenção norte-americana, denuncia a ex-deputada Nidia Díaz.


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“Não se pode esquecer do papel nefasto que Edmundo González Urrutia (candidato atual à presidência da Venezuela pela extrema direita) em El Salvador quando ele era o segundo na embaixada da Venezuela, juntamente com o embaixador Leopoldo Castillo, conhecido como El Mata Curas (O Mata Padres)”, afirmou a advogada e líder salvadorenha Nidia Díaz, em artigo reproduzido por vários sites no continente (Ver, por exemplo, aqui).

Conforme a ex-deputada da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) e integrante do Parlamento Centro-americano, “o rosto oculto de Edmundo González” precisa ser iluminado, para que se saiba quem é.

“Isto aconteceu entre 1979-1985, como parte do Plano Condor (ver detalhes aqui ) em El Salvador do projeto contrainsurgente que o republicano Ronald Reagan impulsionou contra o povo de El Salvador para impedir que as forças revolucionárias avançassem, já que o fator que prolongou a guerra civil foi a intervenção americana”.

“A missão do embaixador Castillo e Edmundo González foi ser um agente da morte. Nos documentos desclassificados da CIA em fevereiro de 2009, Castillo foi mencionado como corresponsável dos serviços de inteligência que coordenaram, financiaram e deram a ordem para a execução da Operação Centauro”, denunciou.

Nidia Díaz esclareceu que “a operação consistia em uma série de ações violentas do exército de El Salvador e dos ‘esquadrões da morte’ para eliminar fisicamente as comunidades religiosas reunidas em torno da busca coerente da teologia da Libertação de uma solução pacífica e negociada da guerra”.

“Nos anos em que a embaixada estava encarregada de Castillo e González, o exército e os esquadrões deixaram um saldo de 13.194 civis mortos, incluindo Dom Oscar Romero, quatro freiras Maryknoll, e os padres Rafael Palacios, Alirio Macias, Francisco Cosme, Jesus Cáceres e Manuel Reyes. E apesar de já não exercer a função diplomática, ainda estava desempenhando como conselheiro de estruturas de inteligência (pentagonito) quando os seis jesuítas e as duas trabalhadoras foram assassinados em 16 de novembro de 1989”, acrescentou.

“Os crimes apoiados pela gestão de Leopoldo Castillo e seus colaboradores como Edmundo González são considerados ‘crimes contra a humanidade’ e, por isso, são imprescritíveis. Chegará um dia em que terão de prestar contas à justiça espanhola e salvadorenha pela sua participação no extermínio de religiosos e religiosas e comunidades pacíficas que estiveram ao lado da paz durante o conflito bélico que assolou El Salvador. As terríveis sequelas dos seus atos ainda sobrevivem”, destacou Díaz.

A oportuna denúncia de Diáz confronta a versão cor de rosa da mídia pró-EUA, de que a chapa de González seria o suprassumo da democracia, apesar de reunir a nata dos vários partidos de extrema-direita cevados desde Washington para retomar o controle da maior reserva de petróleo do planeta, a da Venezuela, deles arrancado pelo governo de Hugo Chávez. Um esforço que começou em 2002 e nunca parou desde então, tendo se agravado nas guarimbas de 2014 e 2017, quando se recusaram a reconhecer o resultado das eleições, e chegado até à nomeação, sob Trump, do “presidente autoindicado [pela Casa Branca]”, Juan Guaidó.

BIOMBO DE CORINA MACHADO

O veterano González foi reciclado para ser o El Cid da cavalgada de María Corina Machado ao poder na Venezuela, assim que sua inelegibilidade foi confirmada em 2023 pelo Conselho Nacional Eleitoral. Apresentada por âncoras de telejornais como a ‘grande líder oposicionista venezuelana’, Machado foi um dos 300 signatários da carta do golpe de Carmona de 2002, aquele que fechou o parlamento e prendeu Chávez, até ser varrido pelo povo nas ruas.

Ela participou, desde então, destacadamente, de todas as tentativas de golpe. Mais recentemente, ela defendeu, durante a “presidência Guaidó”, uma invasão militar “cirúrgica” – norte-americana, claro – para derrubar Maduro. Também apoiou as sanções draconianas decretadas pelos EUA, incluindo o bloqueio à exportação do petróleo venezuelano, que levaram o país à maior crise em décadas, bem como o confisco das reservas de ouro venezuelanas pelo Reino Unido, e a expropriação de duas subsidiárias da PDVSA no exterior, a CITGO, rede de postos de gasolina, nos EUA, e a Monômeros, na Colômbia, enquanto a quadrilha de Guaidó se locupletava.

A bem dizer, é ela uma versão venezuelana de portentos como Javier Milei, Jair Bolsonaro e José Antonio Kast, com um “programa” ultraneoliberal de corte de direitos e gastos sociais, juros altos, favorecimento dos especuladores e desnacionalização do patrimônio público.

AS BOLAS FORA DE MADURO

É certo que Maduro, muito aquém dos voos altivos de Chávez, facilitou o serviço para os Guaidó, Leopoldo López, Corina Machado e Edmundo González da vida e, sob pressão do império, entregou o arco mineiro – a riquíssima província mineral venezuelana – ao capital estrangeiro, entre outras tantas bolas fora.

Maduro também teve imensas dificuldades diante dos ataques contra a moeda venezuelana, promovidos por esquemas mafiosos desde Miami, e que empurraram a uma brutal desvalorização, seguida por hiperinflação sob as sanções, que penalizou sobremodo a população mais pobre e desalentou a classe média.

Sob a chamada “pressão máxima” de Trump, com 900 sanções e proibição de exportação de petróleo, até a produção de petróleo despencou, as prateleiras de supermercado ficaram vazias e milhões de venezuelanos emigraram, tentando uma escapatória. Trump dizia abertamente que era favorável a roubar o petróleo venezuelano, que fica logo ali na outra margem do Caribe.

Sem manutenção e sem poder importar sobressalentes, o sistema elétrico venezuelano entrou em pane, com numerosos apagões. Também ocorreram escândalos de corrupção, deserções de ex-integrantes do governo e alguns setores progressistas se afastaram de Maduro.

Apesar de todos os avanços na sociedade venezuelana nos anos bons da alta do preço do petróleo, o não enfrentamento a tempo da questão histórica de superar a dependência quase absoluta na renda do petróleo – o que se expressou em não jogar vigorosamente pela industrialização nos anos melhores do superciclo das commodities -, acabou fazendo a Venezuela enfrentar essa confrontação com o imperialismo nas condições mais penosas.

A ajuda da Rússia, da China e do Irã foram imprescindíveis para que se abrisse um caminho de superação. Também mais recentemente Washington abrandou algumas sanções.

TRÊS VEZES PIOR QUE A GRANDE DEPRESSÃO

Recente matéria do Washington Post sobre a “guerra econômica desencadeada pelos últimos quatro presidentes norte-americanos” (Clinton, W.Bush, Obama e Biden), assinada por Jeff Stein e Federica Cocco, dimensiona o peso dessa brutal investida: “as sanções à Venezuela contribuíram para uma contração econômica cerca de três vezes maior do que a causada pela Grande Depressão nos Estados Unidos.”

Nesses anos de bloqueio, sem dólares para importar 90% dos alimentos como antes, a Venezuela agiu para atingir a autossuficiência de 97% na produção de alimentos. Agora as prateleiras novamente estão repletas, segundo os observadores que viajaram para lá para monitorar as eleições. A indústria petroleira começa a se recuperar, mas a economia em larga medidasegue dolarizada. No último trimestre, o PIB cresceu 5%.

CIDADANIA SE MOBILIZOU MACIÇA E PACIFICAMENTE NO DIA 28

O Centro Carter, que na época da criação do sistema eleitoral venezuelano sob Chávez o considerou o melhor do mundo, agora diz que não pode endossar o resultado das eleições por falta de atas e condenou a “falta de transparência do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na divulgação dos resultados”. O Centro Carter esteve em Caracas nas eleições a convite do governo venezuelano.

Apesar dessa declaração, o instituto admitiu que “a cidadania venezuelana se mobilizou maciça e pacificamente no dia 28 de julho para expressar as suas preferências. O dia da votação decorreu de forma cívica, apesar das restrições de acesso aos recintos eleitorais por parte dos observadores nacionais e, sobretudo, das testemunhas dos partidos, dos mecanismos de possível pressão sobre o eleitorado (pontos de controle dos partidos do governo perto dos recintos eleitorais para verificar a presença dos eleitores) e dos incidentes de tensão ou violência relatada em algumas localidades”.

“No número limitado de distritos eleitorais visitados, as equipes de observadores do Centro Carter verificaram a vontade dos cidadãos venezuelanos de participar num processo eleitoral democrático e demonstrar o seu compromisso cívico como membros da mesa, testemunhas do partido e observadores”.

O que não impediu o Centro de concluir que a eleição na Venezuela não se adapta aos parâmetros e padrões internacionais de integridade eleitoral e “não pode ser considerada democrática”.

No entanto, comunicado da OAB norte-americana, a National Lawyers Guild (NLG), disse que sua delegação de cinco observadores eleitorais “visitou vários locais de votação em Caracas e La Guaira e compartilhou notas e informações com os 910 observadores eleitorais presentes de 95 países”.

A presidente do NLG, Suzanne Adely, disse que as eleições de domingo “não foram apenas justas e transparentes, mas também representaram um exemplo de participação cívica popular”.

“Seu resultado bem-sucedido é um triunfo para o povo venezuelano”, acrescentou Adely, “especialmente considerando o nível de interferência dos EUA e a tentativa de sabotagem do processo democrático, particularmente por meio de sanções e medidas econômicas coercitivas destinadas a produzir ‘mudança de regime’ na Venezuela”.

LÓPEZ OBRADOR E WIKILEAKS

Por sua vez López Obrador, presidente mexicano em fim de mandato, questionou “com base a OEA sustenta que o outro candidato [González] venceu?” Ele criticou a ingerência estrangeira nos assuntos internos venezuelanos.  “Existe um governo mundial ou uma confederação de governos mundiais que decide o que é bom, o que é mau, quem é democrata e quem não é democrata?” 

Também o WikiLeaks entrou no debate sobre a suposta “fraude” nas eleições na Venezuela, afirmando que “as alegações da oposição venezuelana de extrema-direita e da mídia dos EUA de que houve fraude nas  eleições de 28 de julho têm com base uma pesquisa de boca de urna feita pela empresa ligada ao governo dos EUA Edison Research, que trabalha com organismos de propaganda dos EUA ligados à CIA e que esteve ativa na Ucrânia, Geórgia e Iraque”.

SITE DA TELESUL É HACKEADO

Além da linha privada do CNE ter sido hackeada tentando gerar um pretexto para desqualificar a eleição, conforme o manual de fraudes que a OEA usou contra a Bolívia, também a TeleSul foi hackeada, no esforço de silenciar um contraponto à mídia venal, alinhada ao candidato oposicionista.

A presidente da TeleSul, Patrícia Villegas, denunciou que na noite de segunda-feira a página do canal offline foi atacada e “inseriram informações falsas”. De acordo com Villegas, “esta situação insere-se na mesma linha de acontecimentos ocorridos contra as instituições estatais venezuelanas durante este dia”, quando “os falsos democratas mostram a cara”.

“Temos sido a janela da verdade e porta-voz da dignidade deste heroico povo. Estaremos à altura do desafio que enfrentamos e defenderemos este espaço latino-americano e caribenho que luta todos os dias pela sua soberania e integração comunicacional. TeleSul é um patrimônio do povo e como tal iremos protegê-lo”, concluiu.

(Nota: Quem tiver TV via MEO pode ver a TeleSul no canal 239. Se via NOS no canal 223).

Fonte aqui