Putin face à ditadura genocida europeia

(Nicolas Bonnal, in reseauinternational.net, 08/08/2022)

Racionamento, euros digitais e espionagem informática estão na ordem do dia; todo o acesso a contas e passes de carbono podem ser cortados através dos bancos. Sem aquecimento e sem higiene, e em colisão diária com uma administração paga para te pôr em pânico. Este é o menu para o Inverno, que começa já agora, em meados de Agosto. Porque haveremos de nos incomodar? Em Madrid os hotéis estão a esvaziar-se porque já não podem fornecer aos hóspedes uma temperatura ambiente inferior a 27°. As multas democráticas do governo socialista podem ascender a dez milhões de euros. Como disse Trotsky, se quiser obedecer ao capital americano e reduzir o europeu ao mínimo, vote socialista! Casada com o globalismo, o multiculturalismo e o feminismo mundano, a Segunda Internacional nunca esteve em melhor forma, controlando dois terços (dois terços, ou todos os terços?) do parlamento francês.

Tanta felicidade enlatada contra o pano de fundo da guerra eterna contra a China e a Rússia. Os povos zombies do Ocidente, convencidos de que são as luzes do mundo, deixar-se-ão até ao fim conduzir ao matadouro. Com duas guerras mundiais a troco de nada, é verdade que adquiriram um gosto pela guerra. Assim, vão ser privados de leite e carne este Outono e, para além do punhado de agricultores prejudicados (os outros receberão os “subsídios” e abaterão os seus rebanhos), estão todos eufóricos. O que não faremos para combater o aquecimento global?

Putin terá tentado tudo para salvar a sua população, evitando a guerra, mas nada funcionou. Veio a guerra há muito planeada pelos EUA, acarinhada e desejada, e tivemos as sanções cujo objetivo é impor o Great Reset e não enfraquecer a Rússia. 

De qualquer forma, com Donbass ou sem Donbass, eles teriam engendrado um atentado, um evento insano que tornaria possível impor essa agenda genocida, que é a de Gates, Fink, Soros, Schwab, Rothschild e outros. Uma elite bilionária, cosmopolita, supranacional e anti-humana que tomou o poder na América e na Europa, preparando-se para nos liquidar a todos.

Nunca mais teremos gás. As sanções são definitivas, a menos que a Rússia seja derrotada ou que haja uma revolta na Europa. Fale com os seus vizinhos para ver se consegue evitar que eles tenham o mesmo destino que lhe está reservado. A liquidação dos europeus através da vacina, ou este ano pelas sanções, está a tornar-se um facto evidente para todos, exceto para a massa dos idiotas e para a minoria dos bastardos que nos estão a conduzir ao matadouro. O europeu médio vê-se confinado, arruinado, liquidado, privado de tudo, mas também se mostra incapaz de reagir. Só Tocqueville, que há dois séculos atrás antecipava o tempo – não dos tiranos mas sim dos tutores (burocratas progressistas e benevolentes) -, previu isto.

E se o formos reler?

“Acima deles ergue-se um imenso poder tutelar, o único responsável por garantir a sua felicidade e zelar pelo seu destino. É absoluto, detalhado, regular, previdente e suave. Seria semelhante ao poder paterno se, como ele, o seu objetivo fosse preparar os homens para a masculinidade; mas, pelo contrário, procura apenas fixá-los irrevogavelmente na infância; ele gosta que os cidadãos se regozijem, desde que pensem apenas em regozijar-se. Ele voluntariamente trabalha para a felicidade deles; mas ele quer ser o seu único agente e único árbitro; ele providencia a segurança, prevê e assegura as suas necessidades, facilita os prazeres, dirige os negócios principais, dirige a indústria, regula as sucessões, divide as heranças; então porque não há de poder tirar-lhes completamente o problema de pensar e a dor de viver?»

Regresso a Putin que espera uma revolta europeia. Eu não, porque somos entusiastas (Céline). Mas não é por isso que o líder russo deixará que o genocídio ocorra à sua porta.

E você faça-me um favor: tente acordar as pessoas à sua volta. Verá como é fácil.


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Anatomia da “crise do gás” na UE

(Jorge Vilches, in Resistir, 08/08/2022)

Os EUA não dão liberdade à Europa para tomar decisões racionais, simplesmente porque a Europa constitui um grupo heterogéneo de estados vassalos ainda sob a ocupação militar estado-unidense. O gasoduto NS2 corre sob o Mar Báltico da Rússia para a Alemanha, junto ao agora problemático NS1. A sua construção foi completada recentemente mas foi-lhe negada certificação e comissionamento pelas autoridades alemãs antes da crise na Ucrânia. Apesar da insistência do ex-chanceler Gerhard Schroeder, o governo alemão disse reiteradamente que o lançamento do NS2 está agora fora de questão. É impossível inventar estas coisas.


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A China e o meu (e talvez o vosso) umbigo

(Tiago Franco, in Pagina Um, 07/08/2022)

Dei por mim a pensar na caldeirada que se está a montar com a China, mas numa perspectiva mais umbiguista. Sim, em determinados momentos da vida, eu sou apenas um gajo prático que tem contas para pagar.

As sanções à Rússia – vendidas como uma medida para acabar com a guerra – serviram apenas para empobrecer quem estava do lado de cá. A estas seguiram-se os aumentos das taxas de juro e a redução dos salários por cortes directos ou pela via da inflação.

Pessoalmente, já tinha levado um corte salarial de 5% durante a pandemia (nunca reposto), e agora, por causa do “aumento dos custos causados pela guerra”, levei outro. Ou seja, desde 2020 que trabalho mais mas acabo a vender o meu esforço por menos, sem que o lucro dos meus empregadores se reduza. É uma matemática peculiar que me leva a pensar que estes dois anos e meio de confinamentos e guerras serviram, essencialmente, para reduzir o valor da mão-de-obra.

Mas não devo generalizar. Aquilo que aconteceu, a mim e demais camaradas da minha área, aqui em Gotemburgo, pode não ser um mal global. Quiçá, a maioria de vós, vai-se a ver, foi aumentado para lá da inflação. Oxalá que sim.

Mas dizia, estes dois anos e meio serviram, pelo menos, para piorar a qualidade de vida e reduzir o preço a que vendemos o nosso trabalho. No meu caso, isso é particularmente preocupante, porque não tenho, nunca tive, emprego para a vida. Tenho contratos de trabalho de 6 ou 12 meses, que são renovados consoante o meu desempenho e o estado da Economia. Como eu, estão uns quantos milhares ou milhões – não serei certamente o “inventor da roda”.

Ora, em primeiro lugar, aborrece-me que lutas entre impérios me deixem a fazer contas de cabeça sobre o mês que se avizinha.

man holding box

Eu condeno a invasão russa e, de seguida, condeno as medidas cegas impostas pela União Europeia a mando dos Estados Unidos, que, essencialmente, prejudicaram os povos europeus.

A Rússia, que se financiou na União Europeia durante anos, agora vende para a Ásia; portanto, o negócio segue, e nós, que não temos nada a ver com o Donbass, ficamos a pagar a factura na energia, nos combustíveis, nos salários e na inflação.

Fosse eu um pouco mais nortenho e mandava o Putin, o Biden, o Zelensky e a von der Leyen para a puta que os pariu, mas, como tudo o que consegui foi um avô de Braga, prefiro conter-me nos impropérios.

E enquanto vamos todos fazendo uma ginástica monstruosa para compensar as decisões de uma elite milionária que nos dirige, resolvem abrir nova frente com a China, a troco de mais umas vendas aos senhores da guerra.

No caso da costa oeste sueca, do hub tecnológico que por lá se desenvolve há 10 anos, essencialmente assente em investimento chinês, isto é o prenúncio do apocalipse.

photo of assorted-color Chinese lanterns inside room

Pensando assim, de repente, nas empresas chinesas ou com capital chinês que operam em Gotemburgo, conto mais de 20 mil empregos, estando outras a chegar à região e a construir centros de desenvolvimento.

A última coisa que quero é passar os próximos anos a repetir 2020 ou 2022, porque uma cambada de velhos ricos querem brincar às cortinas de ferro com vidas humanas e abarbatar mais uns hectares de matérias-primas. Se os chineses em vez de construírem centros de engenharia e pontes em África, começarem a produzir tanques e bazucas para responder ao chamamento dos americanos, passaremos todos a ter problemas bem maiores do que ouvir o Froes a gritar por mais vacinas ou o Milhazes a ensaiar as narrativas dos 40 anos de solidão.

Reparem, aliás, no detalhe das crises. Não as vivemos todos da mesma forma. Na Alemanha, os sindicatos paralisam tudo e exigem aumentos acima da inflação – vejam a Lufthansa, por exemplo. E isto num país onde o corte de energia da Rússia está a deixar a indústria em risco. Mesmo assim, os trabalhadores são a voz mais forte. Nós, em Portugal, vamos apenas perdendo direitos, salários e condições de vida. Vamo-nos acomodando às sobras. Portanto, não estamos, nem nunca estivemos, todos no mesmo barco.

Mas se é para rebentar tudo, e largarmos os empregos e as vidas ditas normais, em nome do Apocalipse, então, se não se importam, eu gostava de decidir com quem quero ser solidário. A quem quero oferecer o esforço de ter que abdicar da vida pela qual trabalhei.

brown wooden dock on body of water during daytime

Escolheria que fôssemos bater às portas dos israelitas e mostrássemos a nossa solidariedade para com os palestinianos. Depois seguíamos a mesma estrada de pó e íamos dar uma mão aos curdos para se ver se lhes arranjávamos umas fronteiras.

Agora, para quem Taiwan fornece os chips, se a Rússia fica com a península que outrora deu como presente, ou se o gás do banho dos alemães vem pelo Nord Stream ou em barcos enviados de Boston, interessa-me muito pouco.

Em resumo, se pudessem parar de matar gente em nome dos interesses financeiros de uma elite – e, pelo caminho, arrefecer essa sede de nos irem ao bolso –, já não ficaria a faltar tudo.

Tiago Franco é engenheiro de desenvolvimento na EcarX (Suécia)

Fonte aqui


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