A contra-ofensiva

(José Preto, in VK, 12/09/2022)

O ariete da OTAN fraccionou uma área territorial não negligenciável de Balaklaia a Izium, na região de Karkov.

As forças russas lograram manter a linha geral do menor sacrifício possível dos seus homens, conseguindo organizar corredores de retirada em boa ordem, aproveitados também para a evacuação de civis. Mas infelizmente não de todos os civis.

Suponho que o estado-maior e a direcção política da Federação terão já ponderado a orientação dos tiros ucranianos a partir dos satélites da OTAN e a própria questão do manuseio de armas novas por mercenários da corja otanasca. Vinte por cento do contingente dos ukropitecus é composta por assassinos da OTAN. Não vou portanto falar disso. Os generais sabem o que fazer.

Um maremoto se levanta em matéria de recursos, de equipamento e de homens, para anular o avanço dos assassinos ukropitecus, entretanto ocupados na chacina e tortura das populações. Boas notícias chegam de Seversk e Lyman. E o bombardeamento por mísseis de alta precisão tem regularmente caído desde Karkov à região de Kerson, deixando supor que boa parte dos efectivos e equipamento da escumalha de Kiev terá já conhecido desgastes importantes, assim como é de supor que o emprego dos mísseis termobáricos a uso, na própria frente de combate, tenha produzido os costumados resultados, cada um deles derretendo tudo numa área de quatro km.

Este episódio, que se saldará noutra hecatombe militar em número de baixas, reservas dispersadas e equipamento perdido pela corja de Kiev, destina-se sobretudo e tanto quanto se percebe à “frente de combate” da opinião pública nas terras da OTAN, muito embora depois de tantos “êxitos” nos territórios que se foram libertando, os intoxicados pela presslixo tenham plausivelmente dificuldade em valorar mais um “êxito”, porque tudo têm sido “êxitos”.

Esta contra-ofensiva dos ukropitecus, saída do comando da OTAN, da espionagem da OTAN, dos satélites da OTAN, das armas da OTAN, serve o negócio da guerra. Embora não tenha ainda servido a grande obcecação otanasca: matar russos. (As vidas da corja de Kiev são indiferentes aos comandos da OTAN e à própria escumalha de Kiev).

Parece-me portanto que nada de irreversível ou permanente pôde ser atingido pelo ariete bem empregue sob comando alheio…

Mas foi um sério aviso ao Estado-Maior russo, com consequências apavorantes quanto à população civil das zonas agora manchadas pela presença dos banderistas, que vão morrer, claro, mas vão matar e torturar civis antes disso.

É possível um endurecimento russo a que seja difícil resistir. O que os USA deixaram visível que temiam, quando, há dias, recomendaram aos seus cidadãos, através da embaixada em Kiev, que abandonassem a Ucrânia.

O que me preocupa é a corja banderista espalhada por toda a Europa, com evidentes meios financeiros e de armamento e que estão a montar a estrutura para fazer como fizeram os ustashi que, como toda a gente sabe, se mantiveram em acção terrorista, assassinando iugoslavos no exterior, desde o fim da segunda grande guerra até à proclamação de independência da Croácia.

Penso que estes estão já preparados para fazer coisa parecida, ou pior. E penso que vão matar russos no exterior. Nas igrejas, nos centros culturais e nas embaixadas, como primeiros alvos.


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Coragem Bruno! Os cães ladram mas a caravana passa

(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook, 11/09/2022)

(Este é o testemunho de quem está lá, no terreno, arriscando a vida, um verdadeiro jornalista que relata o que vê e não aquilo que as agências de comunicação dos contentores da guerra escrevem como guião aos jornalistas e às televisões que controlam. Parabéns e coragem Bruno de Carvalho. E a prova é este mesmo artigo, isento, limpo e fundamentado.

Estátua de Sal, 12/09/2022)


Mafalda Anjos, directora da Visão, diz que é uma das mais espectaculares contra-ofensivas desde a Segunda Guerra Mundial. Luís Ribeiro, jornalista na mesma revista, pergunta se já fugi do Donbass e espalha a mentira de que a Ucrânia estaria já a bombardear o aeroporto de Donetsk. A ex-candidata presidencial e ex-eurodeputada do PS, Ana Gomes, diz, ironicamente, que espera que eu esteja a banhos na Crimeia e Mário Machado, líder neonazi, no mesmo tom, diz que é uma questão de tempo até eu ser apanhado. “Parabéns, vais ser o primeiro prisioneiro de guerra pró-russo de origem portuguesa”, escreveu.

Nos últimos dias, tenho estado em silêncio sobre a contra-ofensiva ucraniana na zona de Izium porque as informações que me chegavam eram muito contraditórias. Chegou a hora de fazer uma pequena análise sobre o que aconteceu partindo de diferentes elementos que fui recolhendo nos últimos dias.

Quando há importantes movimentos na linha da frente, agarramo-nos aos mapas. Localidades com nomes difíceis de pronunciar passam a fazer parte do nosso vocabulário. Nos últimos anos, a forma como as guerras são acompanhadas mudou muito. Se antes só os jornalistas e correspondentes militares faziam a cobertura dos combates, agora somam-se um elevado número de bloggers que proliferam nos canais de telegram, alguns deles com ligação directa a alguns comandantes e soldados no terreno. Há mais informação e, quando é demasiada, é difícil distinguir entre aquilo que é útil e inútil.

Parece claro que as forças ucranianas conseguiram distrair as tropas russas com uma manobra de diversão em Kherson e Zaporozhzhia. Isso fez com que a Rússia conduzisse um elevado número de unidades para aquela região da Ucrânia. Estas forças foram superadas em muito pelas tropas ucranianas na região de Kharkov. Para não perder combatentes de forma inútil, as forças russas e locais recuaram deixando para trás umas 20 localidades, cerca de 5% do território que a Rússia controla em toda a Ucrânia e Donbass.

Com a Ucrânia apoiada por combatentes estrangeiros, bem audíveis nalguns dos vídeos desta contra-ofensiva, e pelo armamento da NATO, as tropas russas sabem que já não combatem apenas contra um país. Algum do melhor material bélico, sobretudo artilharia pesada de alta precisão, é manobrado por especialistas estrangeiros. Esta tem sido, sobretudo, uma guerra de artilharia. Acresce também a especificidade do terreno na zona de Izium, mais arborizada do que noutras partes, num país praticamente despido de grandes florestas em que as estepes são a imagem de marca.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a par da manobra de distração militar em Kherson e Zaporozhzhia, somou-se uma operação de desinformação. Nunca numa guerra a propaganda se fez sentir como nesta e a Ucrânia está, sem dúvida, a ganhar essa guerra à Rússia nos meios de comunicação social ocidentais. Algumas das melhores agências de comunicação do planeta trabalham para as forças ucranianas. Por exemplo, investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, publicaram um artigo sobre a actividade de contas falsas no Twitter relacionadas com o conflito na Ucrânia (https://arxiv.org/pdf/2208.07038.pdf). Dos cerca de cinco milhões de tweets nesta rede social, entre 23 de Fevereiro e 8 de Março, entre 60 e 80% foram partilhados por contas falsas. Cerca de 90% dessas publicações eram pró-Ucrânia.

Para evitar mostrar aos jornalistas que não havia qualquer contra-ofensiva em Kherson, segundo o The Guardian, a Ucrânia insistiu num “regime de silêncio”, proibindo os órgãos de comunicação social de visitarem esta zona. Ao mesmo tempo, como afirmou Taras Berezovets, antigo conselheiro de segurança que agora faz parte do departamento de comunicação da brigada Bohun, que pertence às forças especiais, os poucos jornalistas na região foram usados como forma de espalhar essa mesma campanha de desinformação. Que as forças beligerantes usem a propaganda e a desinformação como arma de guerra é normal, que tentem manobrar jornalistas também é normal. O que não é normal é que os jornalistas o façam de forma consciente, sem qualquer autocrítica, assumindo um papel de activistas pró-Ucrânia ou pró-Rússia de bom grado.

Ainda como parte desta operação, as forças ucranianas “desmobilizaram” informadores russos que estavam em zonas controladas pela Ucrânia em Kharkov para impedir a troca de informações com as tropas russas. E o que significa “desmobilizar” informadores russos? “Os informadores foram quase todos limpos. Eram quase só civis ucranianos normais, mas havia alguns agentes russos disfarçados de civis”, explicou uma fonte do The Guardian.

A execução de civis sem recurso a julgamento parece ter passado a ser algo tão normal que este sábado as autoridades ucranianas anunciaram que vão passar a pente fino as localidades conquistadas e tratar de todos os colaboradores pró-russos. “O tempo da vingança chegou”, pode ler-se (https://t.me/DBRgovua/2747)​​. Recordemos que, apesar do desastre humanitário em que vive a população, o governo ucraniano aprovou uma lei que dá pena de prisão a qualquer civil que aceite receber ajuda russa: comida, água, roupa, etc.

Não há dúvida. O facto é que do ponto de vista militar, a Ucrânia conseguiu uma importante vitória. Ao contrário do que alguns comentadores dizem, não vai mudar o curso da guerra. Mas com o Inverno às portas e com a atenção dos europeus e dos norte-americanos a diminuir, sobretudo com as consequências das sanções sobre a Rússia no aumento do custo de vida e da energia, esta vitória permite um balão de oxigénio nas pretensões da Ucrânia de receber mais armamento dos seus aliados.

Quanto a mim, aqui continuarei mais algum tempo, para poder dar luz sobre o que acontece deste lado da guerra e para deixar nervosos aqueles que dos seus sofás em Lisboa preferem a propaganda à informação.


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A temível marxista Ursula von der Leyen e o PS dividido como nunca

(Ana Sá Lopes, in Público, 11/09/2022)

César tem razão quando adverte para o “sinal político”. Nos fóruns europeus já se discute como a crise suscitada pela guerra da Ucrânia pode fazer ressurgir os populismos na Europa e a dar uma inesperada meia-vitória a Putin.


O PS raramente se divide em público: houve há uns tempos a questão das touradas e as eleições presidenciais, com alguns a defenderem o apoio a Ana Gomes (Pedro Nuno Santos, Francisco Assis) e outro grupo, maioritário, a defender o apoio a Marcelo Rebelo de Sousa – onde se incluía o actual Presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva.

Mas, habitualmente, a linha da espécie de Comité Central socialista que começa e acaba em António Costa é seguida sem ondas. As excepções costumam ser o deputado Sérgio Sousa Pinto, a antiga candidata presidencial Ana Gomes e o presidente do Conselho Económico e Social Francisco Assis. Era assim no cavaquismo: quando queríamos ouvir qualquer opinião dissonante de Cavaco Silva himself íamos falar com Álvaro Barreto ou Ângelo Correia.

Agora, estamos num novo patamar. A veemência com que o presidente do PS, Carlos César (que nunca foi um farol da esquerda do partido e sempre foi apoiante de Jaime Gama, da ala direita) defendeu a criação da taxa sobre lucros extraordinários que o Governo rejeita mostra que o partido está dividido ao mais alto nível.

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Carlos César já tinha defendido a taxa sobre lucros extraordinários numa publicação no Facebook no meio de Agosto. Agora fê-lo num lugar mais solene: a Academia do PS, que marca a rentrée do partido. No mesmo dia – a última quarta-feira – a outrora ministra da Defesa de Angela Merkel, militante da CDU alemã, do Partido Popular Europeu (a direita europeia) veio defender exactamente o mesmo. “As companhias petrolíferas e de gás também estão a arrecadar lucros maciços, pelo que vamos propor que paguem uma contribuição solidária para ajudar a enfrentar esta crise”, disse Ursula Von der Leyen.

Subitamente, a líder da Comissão Europeia transformou-se numa perigosa marxista para o Governo socialista português que resiste até ao limite a taxar os lucros extraordinários. O ministro das Finanças e o primeiro-ministro não estão impressionados com a presidente da Comissão Europeia nem com o presidente do PS. As palavras de Carlos César esta semana foram duras: “Temos de convocar a responsabilidade social, a contribuição e a ajuda das empresas que têm beneficiado com este processo inflacionário. Não é justo que fora desse contexto possam existir empresas que lucram fabulosamente com a desgraça e a insatisfação dos outros”. César enfatizou “não só a arrecadação correspondente, mas o sinal político” de uma medida destas.

Fernando Medina respondeu, tal como já antes tinha feito António Costa, que já havia taxas a mais. “No sector energético já existe um imposto especial”, disse Medina. O eurodeputado socialista Pedro Marques veio ontem reforçar o apelo à taxa sobre os lucros extraordinários.

O Governo está preocupado com as “contas certas”, um slogan que lhe permitiu a consolidação no poder por oposição àquilo que a direita chamava o “despesismo” de José Sócrates (ignorando que foi a própria Comissão Europeia que consensualizou que o “despesismo”, ou seja, o investimento público, como primeira resposta à crise financeira de 2008 – e depois virou o bico ao prego).

Agora, César tem razão quando adverte para o “sinal político”. Nos fóruns europeus já se discute como a crise suscitada pela guerra da Ucrânia pode fazer ressurgir os populismos na Europa e a dar uma inesperada meia vitória a Putin, mesmo que venha a perder – como os sinais de ontem apontam – a guerra da Ucrânia. O governo da troika PSD/CDS fez a direita perder os votos dos pensionistas e dos funcionários públicos. Agora, começam a ser criadas condições para a situação se inverter.

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