O PR, o cardeal Clemente e os bispos que encobrem crimes

(Carlos Esperança, in Facebook, 23/10/2022)

O cardeal de Lisboa disse que só havia dois partidos (CDS e Chega) com doutrina de acordo com a da Igreja católica e, numa pulsão censória, considerou «conquistas irrecusáveis […] o direito à vida, à liberdade e ‘à responsabilidade de expressão’ […]», transformando a liberdade em responsabilidade, num lapso freudiano. (Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa – Fonte: DN, 12-01-2015, pág. 14).

Marcelo, depois de ter dito e reincidido o que pensava da pedofilia eclesiástica e de tentar branquear a ocultação do crime público pelos bispos a quem beijou a mão, face ao descrédito que o atingiu, criou um facto novo e fez esquecer o drama de crianças que a violação destruiu, moral e psicologicamente e levam a vida a sangrar por dentro.

Raramente um crime tão grave desapareceu tão rapidamente da comunicação social e, em vez de denúncias das vítimas, aparece o PR a falar do que não lhe diz respeito, já refeito do mal que fez a uma investigação em curso.

Do bispo Ximenes Belo ignora-se o paradeiro, as denúncias de violações pias pararam, e, das investigações, nem o órgão oficioso do M.P. diz se continuam.

O que é preciso é um criador de factos para embrutecer a malta.

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Quando o dramático é uma comédia de humor negro

(Por Francisco Fortunato, in Facebook, 22/10/2022)

Todos os partidos na AR apoiaram Zelensky, todos os partidos apoiaram o apoio da UE (armas e mais armas) à Ucrânia e as sanções à Rússia. Todos excepto o PCP!

Logo o Chega, a IL, o PPD, o PAN, o Livre, o BE e o PS, são co-responsáveis, queiram ou não, de todas as consequências desse apoio. Em abono da verdade diga-se, pelo menos aparentemente, foram respaldados por uma larga maioria do povo português que, em conjunto com o polaco, é o mais anti Rússia da UE.

Admira-me pois que nenhum dos partidos que apoiam a guerra e as sanções, e são todos excepto o PCP, queira agora, ao que parece, votar, ao lado do PS, no OE/23, ou seja, apoiam a guerra e as sanções, mas não as consequências. Querem uma guerra fofinha, sem maldades!

Também a larga maioria do povo que respaldou o apoio político à guerra e às sanções anda, por aí, num viranço, a dizer que a vida está cara e o governo está a dar pouco dinheiro para compensar a inflação, consequência directa da guerra e das sanções…

Tudo isto, se não fosse dramático, daria uma boa comédia de humor negro. Só que é a sobrevivência das novas gerações e daqueles que ainda têm muitos anos de trabalho pela frente que está posto em causa e, isso, não é uma comédia. Não devia ser…


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Um funeral de Londres antes de Bruxelas

(Carlos Matos Gomes, in Facebook.com, 22/10/2022)

Um funeral em Londres antes de Bruxelas. A senhora de preto que reza os responsos do velório é a primeira ministra do Reino Unido a anunciar que John Bull soltou o derradeiro suspiro. A porta que se encontra por detrás é a de uma capela mortuária.

É uma trabalhadora precária à porta do local de trabalho após ser dispensada. Uma colaboradora em linguagem neoliberal. Ou uma empresária a título individual, uma condutora de Uber que nunca soube ler o GPS, uma entregadora de pizzas ao domicílio que entornou as caixas com o molho de tomate e queijo. Ela representa o que resta do continente que já foi o centro do mundo.

Liz Truss está num velório, como uma mestre-de-cerimónias da Servilusa antes da cremação do cliente a quem serviu.

Liz Truss tem sido ridicularizada de forma impiedosa, mas ela é, tal como Ursula van der Leyen, Borrel, Boris Johnson, o secretário da Nato, a presidente do parlamento europeu, a banqueira do BCE o produto da escolha que a banca e a finança fizeram e que impuseram aos europeus através de regras e campanhas de manipulação que levaram a ser “eleitos” estas personagens obedientes, atrevidas com a sua ignorância e inconscientes, irresponsáveis e desastrosos. Há uma máquina de produzir Liz Truss e produtos semelhantes e de os fazer eleger.

As tonterias de Liz Truss traduzem-se nas políticas europeias de desde há anos, de submissão aos mercados financeiros, à especulação, de desindustrialização da Europa e de deslocalização da produção para a China e a Ásia, de cega obediência à cartilha do neoliberalismo introduzido em Inglaterra por Margareth Tatcher, à vassalagem estratégica dos Estados Unidos.

O falecimento que Liz Truss anuncia não é resultado nem do Brexit nem da guerra na Ucrânia, pelo contrário, o Brexit e a participação da Europa na guerra da Ucrânia é que são o resultado das políticas de políticos europeus ao longo de anos. O Brexit e o caos e os cacos da participação da Europa (com a Inglaterra de porta-estandarte) na guerra na Ucrânia são os resultados desejados e intencionais dessas políticas. Liz Truss é apenas, ou será apenas a última, ou uma das últimas oficiantes do processo que os antigos designavam por ars moriendi (a arte de morrer) da Europa.

Infelizmente, julgo não faltar muito para vermos Ursula van der Leyen à porta do edifício Berlaymont, em Bruxelas, neste papel de Liz Truss, com Josep Borrel no papel do cangalheiro que está no segundo plano da imagem, em Downing Street. A pergunta dos europeus será, então, o que fazer com o edifício de dois hectares, de dezasseis pisos, construído no lugar de um convento e que alberga mais de três mil funcionários? Reciclá-lo como os desesperados conservadores ingleses já pensam fazer com Boris Johnson?


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