ChatGPT

(Raquel Varela, in raquelcardeiravarela.wordpress.com, 07/02/2023)

(Para saber em pormenor o que é o ChatGPT ver aqui).


Estou tranquila com o ChatGPT. Já explicarei porquê, no fim. Primeiro o horror e o pavor. O ChatGPT é a divisão sócio-técnica do trabalho que caracteriza o capitalismo (parcelar em tarefas simples o trabalho, para aumentar a quantidade produzida) a chegar às letras e à criação artística, que deixará de ser letras e arte, passará a ser standartizada. Em vez de mais gente a saber escrever vamos ter menos gente a saber escrever e a maioria dos textos e desenhos vão ser todos iguais. Professores, jornalistas, escritores, guionistas, tradutores, designers, arquitectos, todos a serem substituídos por máquinas.

No século XIX um sapateiro tinha uma oficina com centenas (sim, podia ser mais de uma centena) de instrumentos para fazer sapatos, era um artista. Cada sapato era uma obra, de alta qualidade, feita para aquele pé. Foi substituído por um designer que faz sapatos e milhões de operários que operam: colocam solas, cosem, colam, cortam, cada um faz a sua tarefa, estupidificante, de forma repetitiva. São de má qualidade e duram pouco mas são triliões de sapatos. Porque as máquinas que os fazem nunca conseguiram fazer melhor do que uma obra de um artista/sapateiro. A maioria dos operários de sapatos hoje não faz a mais pequena ideia de como se faz um sapato. Em breve assim será com os designers, não saberão desenhar. Porque agora este rumo chegou aos textos.

Mas não foi de agora: escrever e ler, que são a mesma actividade, exige uma educação intelectual exigente, que desenvolve o nosso cérebro e uma autodisciplina muito difícil de adquirir – tem sido substituída nas ultimas 3 décadas pelo empobrecimento dos currículos na escola, substituição da leitura pelo ecrã, substituição do ensino lento e complexo da leitura pelo ensino repetitivo de pequenos textos; substituição do jornalismo porque corta e cola; temos hoje teses de mestrado que antigamente eram trabalhos de disciplina; quilos de livros vazios; séries cujos guiões se repetem ad nauseum; professores que se limitam a repetir o que está no manual, cada vez mais fácil e repetitivo; agora com os telemóveis basta mandar um emoticon. É por isso que quando lemos os textos do ChatGPT aquilo nem parece mau – aquilo repete o mau que estava a ser feito há décadas. O ChatGPT vai fazer milhões de textos iguais, como os móveis da Ikea, e a roupa made in China.

Porque não tenho grande angustia? Digamos que eu tenho com o capitalismo uma relação pacífica – é um sistema paranóico, irracional, de criar infelizes, que gera o seu antagonista, a classe trabalhadora, nós, gente com uma capacidade única de mudar o rumo da história. Ciclicamente os operários mais estupidificados, padronizados, ignorantes, se rebelam com uma grandeza tal, e a sua força, concentrada é tal, que mudam o mundo e param a marcha da desordem. Cada um destes operários – das fábricas, professores, designers – individualmente pode ser tão desinteressante como o trabalho alienado e vazio que faz, mas em conjunto a lutar fazem o que o mais brilhante dos intelectuais não é capaz de fazer. As melhores artes, direitos, vanguardas científicas nasceram das revoluções. Por isso não percebo o medo de greves e os apelos à estabilidade, quando o que a sociedade precisa é de uma rotundo Não, um divórcio urgente, uma ruptura completa com um modus operandi sociopata.

E caótico. Sim – a estabilidade é o caos. É um casamento de violência que se mantém porque se acha que o divórcio é uma desordem. Ora o divórcio é a libertação do caos.

O ChatGTP é o caminho para a completa proletarização dos sectores médios, mas também os coloca na situação objectiva de serem obrigados a fazerem parte da luta contra essa proletarização. Compreenderem finalmente que a única coisa boa em fazer parte da classe trabalhadora é a capacidade de lutar para sair da classe trabalhadora.

As revoluções nunca foram defendidas pelos revolucionários para gerar o caos e levar a classe trabalhadora ao poder, mas para acabar com as classes sociais, e com o poder, e começar a criar uma sociedade de trabalho livre, criativo, humanizado, sem classes. Marx aliás tinha esta bela ideia – a emancipação da classe trabalhadora vai emancipar a classe burguesa, que vive enredada em desejo paranóico de poder, lutas de heranças, raiva e medo, a competição torna-os cínicos, e desumanos. Libertava o oprimido e o opressor.

O ChatGPT não é nem inteligente, nem artificial, é concentração de trabalho vivo em trabalho morto num mundo de zombies. Ou seja, ele é o que os seres humanos põem lá, se os seres humanos que lá põem alguma coisa são cada vez menos, o ChatGPT vai-nos oferecer o que já temos hoje mas numa escala maior: todos os canais de TV são iguais, os jornais têm textos idênticos, os prédios são iguais, a roupa é igual, as casas são decoradas da mesma forma, a música é igual.

Por isso a grande questão revolucionária é e sempre foi a mesma – como construir uma sociedade onde o trabalho é emancipado e não padronizado? Essa é a ideia socialista (nada a ver com o PS ou com a URSS). A ideia socialista é a projecção de futuro de que o bem comum (comunismo é o comum) assegurado, em cooperação, nos liberta para o trabalho criativo. E o trabalho criativo é o único reino da liberdade e do desenvolvimento pleno do indivíduo. Nunca como hoje foi uma questão tão importante e actual.

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Defender “esta” Europa, para nosso azar!

(Hugo Dionísio, in Facebook, 10/02/2023)

Na reunião que levou este súbito multimilionário – agora 50% mais rico do que no início do conflito que opõe a NATO à Federação Russa, de acordo com os últimos Pandora Papers -, foi possível ouvi-lo afirmar que “é esta Europa que defendemos no campo de batalha”.

Perante o regozijo do batalhão composto por funcionários, capatazes e outros quadros intermédios do aparato político-corporativo que compõe a cúpula do poder da EU – encabeçado pela sua zelosa CEO Úrsula Von Der “Lata” -, o comediante sem graça proferiu o seu vulgar discurso, como sempre carregado de chavões propagandísticos, tão mais vazios quanto mais cheios estão os seus bolsos, devido ao papel execrável que desempenha.

Confrontado com a insuficiência de recursos e apoios para fazer face à sua defesa “desta” Europa, o comediante lá vai assumindo uma tónica catastrofista que não joga minimamente com o tom triunfalista de quem dizia, em Setembro passado, que não perderia mais um metro quadrado que fosse para o inimigo.

Em passo acelerado para completar a destruição do terceiro exército que a NATO lhe coloca ao dispor (o 1.º foi logo no primeiro mês; o 2.º foi no verão passado; o terceiro está a ir agora), e insistindo na chacina de centenas de milhares, às mãos de um exército que decidiu provocar e combater, o comediante promovido a presidente, pelos poderes oligárquicos pró-ocidentais, desdobra-se em reuniões pedindo tudo o que dispare qualquer coisa, velho ou novo, funcionando ou não.

Lembro que a derrota do exército privado que tem ao seu dispor, montado com o dinheiro dos impostos dos europeus e americanos, longe de ser inesperada, era há muito anunciada. Só uma avaliação arrogante, auto-indulgente, imbecil e realizada por gente seguidista sequiosa de agradar aos seus chefes, poderia levar alguém a pensar que a Federação Russa é um país susceptível de se deixar vencer no campo de batalha. Tal como os EUA ou a China, a Rússia é um daqueles colossos orgulhosos da sua pátria e história, que prefere perder milhões dos seus filhos a sucumbir a um qualquer poder estrangeiro. A história demonstra-o à saciedade.

Foram e são muitos os que o disseram desde o início, foram e são muitos, os que hoje o passaram a assumir, foram e são muitos os que disseram que a retirada de Kharkiv, não era uma derrota da Rússia, era o início do fim do exército da NATO na Ucrânia. A retirada tática de Kherson, apresentada pela Ucrânia como vitória, para além das dezenas de milhares de soldados mortos, que se esmagaram, em vagas sucessivas contra o muro defensivo então montado, representou o ponto em que, o lutador, assenta bem os pés no chão, para passar ao assalto final. Na imprensa corporativa quase ninguém o constatou…

Hoje, perante os avanços diários da Rússia em toda a frente, começa a ser indisfarçável o tom derrotista, que denuncia o desespero. Foi esse desespero que o comediante levou a Bruxelas. O que faz todo o sentido, pois ao fazê-lo, assume-se finalmente por conta de quem esta marionete mandou para guerra centenas de milhares de jovens, filhos da classe trabalhadora, enquanto os seus fugiram para “esta” Europa, que lhes franqueou as portas, entrando por elas adentro todo o tipo de representantes das estruturas sociais criminosas que são características de um dos países mais corruptos do mundo. “Esta” Europa recebeu-os de braços abertos! Os trabalhadores ficaram a combater e a morrer por “nós”! É o conto que agora nos é contado!

Mas que Europa diz o comediante defender, no campo de batalha?

Coloca-se a questão de se saber se a Europa que é defendida no campo de batalha será, sequer, uma Europa que valha a pena ser defendida. No fundo, devemos perguntar se esta Europa, não será tão indefensável, quanto o mandatário belicoso contratado será incapaz de a defender. Se não estarão, os dois, bem um para o outro.

Começamos logo pela própria escolha do campo de batalha – o território ucraniano -, como sendo o terreno escolhido para a defesa “desta” Europa. Esta escolha representa, em si mesma, a imagem da razão última, pela qual, “esta” Europa não pode, não deve, nem sequer merece ser defendida! É que não foi “esta” Europa quem escolheu esta batalha; não foi “esta” Europa quem escolheu este campo de batalha! “Esta” Europa não escolhe, decide ou produz, por vontade própria, muito menos, dos seus povos. “Esta” Europa é apenas um instrumento de vontades alheias. Merkel e Hollande bem representam “esta” Europa quando confirmaram o papel execrável que lhes foi encomendado, e que tão honrados se sentiram em cumprir, mesmo contra a vontade dos povos europeus, ucraniano e da Federação Russa.

Como defender “esta” Europa, numa batalha em que actua como mero fio condutor de um poder que não é seu? De um poder que não lhe pertence? De um poder que não controla, mas que, ao invés, por ele é controlada?

A Europa que o comediante diz defender é uma Europa sem ligação à vida real, não passando de uma superestrutura desconectada da vida dos povos que a compõem, apenas funcionando, entre ambos, uma ténue ligação unidireccional, posicionada de cima para baixo, estabelecida pelos órgãos de propaganda institucional a que chamamos imprensa. Se a imprensa transmite aos povos as pretensões dessa Europa, manipulando e construindo o consentimento social necessário (o que Noam Chomsky escreveu sobre isto!), tão pouco esta Europa admite que os povos, resistentes ao consentimento construído, possam ter uma voz no desenho e aplicação das suas ações. Não é a eles que esta Europa responde.

Esta Europa responde mais acima, como um qualquer director corporativo responde ao seu CEO, ou este, aos seus accionistas, aqui transformados na elite oligárquica que financia, emprega, enriquece e suporta, como funcionários bem qualificados – nas universidades e colégios mais caros que só o dinheiro pode comprar –, os directores que compõem “esta” Europa.

A Europa que muitos, enganadamente, pensam ver defendida nos campos de batalha do leste europeu, e que ontem o comediante disse defender, é a Europa que decidiu, sem qualquer discussão democrática, fazer todos os estados membros (com excepção da Áustria e Hungria) entrar em guerra com a Federação Russa. Num total desprezo pelas estruturas representativas nacionais, a cúpula da Comissão Europeia, um organismo sem base democrática, decide, em nome dos povos europeus, enviar biliões de euros de material bélico ofensivo que, directamente, nos coloca em guerra com os alvos finais de tais armas.

Não contente, é esta mesma Europa que decide que os nossos países, uma vez mais, sem qualquer discussão democrática, passem a ser usados como campos de treino para mercenários e emigrantes ucranianos, nesses territórios, colocando-nos como agentes directos do armamento, treino e envio de forças para o campo de batalha.

Esta Europa, sem ouvir o povo português, arrastou o nosso país para a guerra! Claro que, esta Europa é também a mesma Europa que no seu âmago tem governos que não a comprometem, que não a questionam, ou lhe impõem limites. Esta Europa é a Europa da desconsideração das soberanias, da independência e liberdade dos povos para decidirem do seu destino.

Acresce que, comportando-se como meros tentáculos “desta” Europa, como miúdos bem comportados numa escola militar com medo de umas reguadas do professor, os governos nacionais “desta” Europa são os mesmos que não dizem uma palavra sobre o facto de, principalmente, a partir 2014, sabermos que a Ucrânia é um país dominado por milícias paramilitares – agora transformadas em tropas regulares – de extrema-direita, e de se inspirar na doutrina, nos símbolos e na prática, na odiosa ideologia de Bandera, bem visível na profusão da simbologia nazi por todo o país.

E se silenciar isto tudo é extremamente complicado para gente – como Santos Silva que diz querer combater a extrema-direita -, esta Europa é a mesma que, enviando cada vez mais biliões de euros dos nossos impostos, nos diz, ao mesmo tempo, que temos de suportar o aumento das taxas de juro e a perda das nossas casas. Esta Europa, que o comediante diz defender no campo de batalha, convive optimamente com o crescente número de homens e mulheres sem-abrigo, que povoam as pontes e arcadas das nossas cidades mais ricas, enviando tanto mais dinheiro para a guerra, quanto mais o nega para o investimento público necessário, em habitação, saúde, segurança social ou educação.

E se, quando aprovam os inúmeros pacotes de “ajuda”, para uma guerra que visa proteger, não “a” Europa, mas “esta” Europa, não há défice que resista, quando se trata de responder aos graves problemas sociais que crescem de dia para dia, lá vem o Eurogrupo – mais uma estrutura oligárquica não eleita que manda nos ministérios das finanças –, dizer “cuidado com o défice”.

E não havendo défice que resista, também não há cativação ou contenção orçamental que não seja removida quando se trata de pagar biliões à Pfizer (cujos contratos se recusam a divulgar), construir altares megalómanos ou premiar os grandes grupos económicos com isenções e incentivos de toda a espécie, enquanto promovem a desregulação do trabalho, a precariedade e a manutenção dos salários em níveis inaceitáveis. É este o tipo de governo que vive “nesta” Europa.

Uma Europa que nos censura a comunicação social que não se limita a reproduzir os comunicados da NATO, Casa Branca ou G7, que persegue nas redes sociais e pratica a ideologia do cancelamento, contra todos os que têm a coragem de denunciar a sua corrupção moral, material e política.

Numa Europa em que, desde 2002, os salários cresceram em média 0,3%, mas os 1% mais ricos se apropriaram, no mesmo período, de mais de metade da riqueza produzida – enquanto assistimos a uma degradação, sem precedentes, das condições de vida -, ainda temos de assistir a uma escalada belicista, que pode acabar em nuclear, e que vem provocando a destruição e deslocalização da industria europeia, para engordar a elite de um país, que não se encontra neste continente, mas noutro.

Não, quem conhece a História e sabe que a Europa se reconstruiu, no pós-guerra, maioritariamente por ação da energia e matérias-primas baratas vindas da URSS e, mais tarde, da Federação Russa, processo iniciado na “guerra fria”, não pode acreditar que é a Rússia quem quer destruir o modo de vida europeu, quando tanto lucrava com ele. Quem destrói o modo de vida europeu é quem promove uma Europa, “esta” Europa, das divisões, dos blocos e das sanções.

E, quem promove “esta” Europa da pilhagem dos povos, dos seus próprios povos, é quem se diz português, espanhol ou italiano, mas tem o sonho de estudar nas melhores universidades americanas e inglesas, dando voz a um complexo neocolonial, de que, o que é estrangeiro, é que é bom. E fazem-no, sabendo que, só por ali, e mesmo só por ali, acedem à cúpula de poder “desta” Europa. Pois é “só por ali” que recebem os ensinamentos que os amestram como bem-comportados – e acríticos – moços de recados. O selo de qualidade dos “melhores” colégios, das mais “prestigiadas” universidades anglo-saxónicas e das mais bem-sucedidas corporações, equivale a uma mordaça, acompanhada de palas nos olhos. Faz… mas nunca questiones. E se questionares, nunca o faças acima… E, acima de tudo, nunca, mas nunca, questiones a narrativa! A narrativa constitui o fio condutor da acção… Apenas da acção. Porque o pensamento, “nesta” Europa, não existe! Uma vez mais, arrepiante a precisão de 1984 de Orwell!

A Europa que o comediante diz defender no campo de batalha, é uma Europa que só pode ser ali defendida, porque é “esta” Europa! Fosse outra Europa, a “nossa” Europa, e não haveria sequer necessidade de a defender. Porque os povos nunca querem guerra. E quanto mais vejo o regozijo daquela cúpula europeia com a revelação de que “estamos todos em guerra”, mais me convenço disto mesmo. Quem quer a guerra, nunca é quem nela morre!

Ora, por ser o que é, “esta” Europa não merece defesa possível. A “Europa” do comediante não é a Europa dos europeus, é a Europa dos grandes interesses.

Não admira, portanto, que apenas gente como ele, corrupta, vende-pátrias, traidora dos seus povos irmãos, traidor da sua língua (este traidor foi criado e cresceu a falar russo, perseguindo agora no seu país quem agora o fala), considere estar ali a defender tal Europa.

“Esta” Europa, é a Europa que nos oprime, é a Europa que nos mente, que nos censura e que nos desrespeita todos os dias. É a Europa que faz a guerra em vez da paz, que promove a discórdia ao invés da fraternidade, que divide para reinar!

O comediante está certo! É “esta” Europa que ele defende! Para azar do seu povo e do nosso!

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Como os EUA eliminaram o gasoduto Nord Stream

(Seymour Hersh, in Resistir, 09/02/2023)

(Um acto de guerra, terrorismo de Estado, são essas as credenciais do Império. O que há muito se suspeitava fica agora provado com uma abundante descrição de detalhes, qual deles o mais sórdido. E é de notar que o jornalista, agraciado em tempos com o Prémio Pulitzer, não tenha conseguido publicar o artigo em nenhum jornal de grande circulação e tenha que se ter ficado pelo seu blog. E também é de notar que a Europa, mormente a Alemanha, se tenha ajoelhado e calado perante o acto criminoso, a destruição de um ativo onde houvera investido milhões de euros. É a cobardia dos vassalos em todo o seu esplendor nauseabundo.

Estátua de Sal, 09/02/2023)


New York Times chamou-lhe “mistério”, mas foram os Estados Unidos que executaram uma operação marítima secreta mantida em segredo – até agora.


Ler artigo completo em: Como os EUA eliminaram o gasoduto Nord Stream


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