As atrocidades em Gaza são “valores ocidentais”

(Caitlin Johnstone, in Resistir, 21/12/2023)

Quando o presidente israelense Isaac Herzog descreveu o ataque a Gaza como uma guerra “para salvar a civilização ocidental, para salvar os valores da civilização ocidental”, não estava a mentir. Estava a dizer a verdade – mas talvez não exatamente do modo como queria dizer.

A demolição de Gaza está, de facto, a ser levada a cabo em defesa dos valores ocidentais e é, ela própria, uma perfeita personificação dos valores ocidentais. Não os valores ocidentais que nos ensinam na escola, mas os valores ocultos que não querem que vejamos. Não a embalagem atractiva com os slogans publicitários no rótulo, mas o produto que está realmente dentro da caixa.

Durante séculos, a civilização ocidental dependeu fortemente da guerra, do genocídio, do roubo, do colonialismo e do imperialismo, que justificou através de narrativas baseadas na religião, no racismo e na supremacia étnica – tudo isto a que estamos a assistir hoje na incineração de Gaza.

O que estamos a ver em Gaza é uma representação muito melhor daquilo que é realmente a civilização ocidental do que todas as tretas sobre liberdade e democracia que aprendemos na escola.

Uma representação muito melhor da civilização ocidental do que toda a arte e literatura pelas quais nos temos orgulhosamente felicitado ao longo dos séculos.

Uma representação muito melhor da civilização ocidental do que o amor e a compaixão que gostamos de fingir que são os nossos valores judaico-cristãos.

Tem sido surreal ver a direita ocidental a balbuciar sobre o quão selvagem e bárbara é a cultura muçulmana no meio da ressurreição zombie de 2023 da islamofobia da era Bush, mesmo quando a dita civilização ocidental acumula uma montanha de 10 mil cadáveres de crianças.

Essa montanha de cadáveres de crianças é uma representação muito melhor da cultura ocidental do que qualquer coisa que Mozart, da Vinci ou Shakespeare tenham produzido.

Esta é a civilização ocidental. É assim que ela se parece.

A civilização ocidental, onde Julian Assange aguarda o seu último recurso, em fevereiro, contra a extradição para os EUA pelo jornalismo que expôs crimes de guerra dos EUA.

Onde somos alimentados por um dilúvio ininterrupto de propaganda dos media para fabricar o nosso consentimento para guerras e agressões que mataram milhões e deslocaram dezenas de milhões só no século XXI.

Onde somos distraídos por entretenimento insípido e guerras culturais artificiais para não pensarmos demasiado no que é esta civilização e em quem está a matar e mutilar, a passar fome e a explorar.

Onde os ciclos de notícias são dominados mais pelos mexericos das celebridades e pelos últimos peidos da boca de Donald Trump do que pelas atrocidades em massa que estão a ser ativamente facilitadas pelos governos ocidentais.

Onde os liberais se felicitam por terem pontos de vista progressistas sobre raça e género, enquanto os funcionários que elegem ajudam a despedaçar os corpos de crianças com explosivos militares.

Onde os judeus sionistas se centram em si próprios e nas suas emoções porque a oposição a um genocídio ativo os faz sentir que estão a ser perseguidos, e onde os apoiantes de Israel que não são judeus continuam a sentir que também estão a ser perseguidos.

Onde um império gigantesco que se estende por todo o globo, alimentado pelo militarismo, imperialismo, capitalismo e autoritarismo, devora a carne humana com um apetite insaciável, enquanto nos felicitamos por sermos muito melhores do que nações como o Irão ou a China.

Estes são os valores ocidentais. Esta é a civilização ocidental.

Peça a alguém que lhe diga quais são os seus valores e essa pessoa dir-lhe-á um monte de palavras agradáveis sobre família, amor, carinho ou o que quer que seja. Observe as suas acções para ver quais são os seus valores reais e obterá frequentemente uma história muito diferente.

Isso somos nós. Essa é a civilização ocidental. Dizemos que valorizamos a liberdade, a justiça, a verdade, a paz e a liberdade de expressão, mas as nossas acções pintam um quadro muito diferente. Os verdadeiros valores ocidentais, o produto real dentro da caixa por baixo do rótulo atrativo, são os que se vêem hoje em Gaza.

[*] Jornalista. O trabalho de Caitlin Johnstone é inteiramente apoiado pelos leitores, por isso, se gostou deste artigo, considere partilhá-lo, ou deite algum dinheiro na sua jarra de gorjetas no Patreon ou Paypal. Se quiser ler mais, pode comprar os livros dela. A melhor forma de ter a certeza de que vê o que ela publica é subscrever a lista de correio no seu sítio Web, que lhe dará uma notificação por correio eletrónico de tudo o que ela publica. Para mais informações sobre quem ela é, qual a sua posição e o que está a tentar fazer com a sua plataforma, clique aqui. Todos os trabalhos são escritos em coautoria com o seu marido americano Tim Foley.

O original encontra-se em consortiumnews.com/2023/12/21/caitlin-johnstone-gaza-atrocities-are-western-values/

Fonte aqui.


Houthis abrem a caixa de Pandora e põem em xeque o imperialismo e o sionismo

(Eduardo Vasco, in MonitordoOriente.com, 20/12/2023)

Combatentes houthis, do Iêmen, apreendem navio de carga Galaxy Leader, copropriedade de uma companhia israelense, no Mar Vermelho, em 20 de novembro de 2023

(Nota: Este artigo segue as normas do português do Brasil)


Os houthis conseguiram fazer o que Israel e Estados Unidos tentaram evitar a todo o custo até agora: transformar o genocídio em Gaza numa crise mundial. Atingiram o calcanhar de Aquiles do inimigo: a economia, ao bloquear o trânsito pelo Mar Vermelho de qualquer embarcação israelense ou com destino a Israel.

Pelo lado de Israel, os prejuízos à sua economia já contam bilhões de dólares. O jornalista libanês Khalil Harb destacou, em artigo no The Cradle, que Israel importa e exporta “quase 99% das mercadorias por via fluvial e marítima” e que mais de ⅓ do seu PIB depende do comércio de mercadorias, segundo o Banco Mundial. Esse é um duro golpe e compromete diretamente a continuidade da matança desenvolvida pelas forças sionistas em Gaza, que já custaram a vida de 20 mil pessoas.

Mas a ação houthi não é espetacular somente porque atinge a coluna vertebral da máquina genocida de Israel, e sim, sobretudo, porque está paralisando a economia mundial – isto é, o próprio funcionamento do regime capitalista, que está na raiz do problema da guerra de agressão no Oriente Médio. E quem admite isso é nada menos que o principal órgão de imprensa dos banqueiros internacionais, The Economist: “uma nova crise de Suez ameaça a economia mundial.”

Um artigo em tom preocupante destaca que o bloqueio naval imposto pelos houthis têm o potencial tanto de escalar a guerra e expandi-la para o restante da região como também prejudicar radicalmente o comércio global. A principal alternativa para Israel e Estados Unidos seria atacar militarmente o território do Iêmen que é governado pelos houthis, mas estes poderiam retaliar não apenas com ataques a Israel, como também aos aliados árabes de Washington, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, principalmente contra campos petrolíferos, o que elevaria brutalmente a crise econômica com uma nova crise do petróleo (que já se iniciou).

Por isso mesmo, enquanto os Emirados Árabes Unidos pedem uma ação contundente contra os houthis, os sauditas estão receosos. Mas isso não impede que Riad participe, junto com o Egito, de ações marítimas lideradas por Washington para tentar conter os ataques houthis, contra quem a Casa de Saud tem guerreado há quase dez anos, devastando o Iêmen e tornando o país, que já era o mais pobre do Oriente Médio, numa terra onde ocorre a maior catástrofe humanitária dos últimos cem anos, segundo os próprios organismos das Nações Unidas.

Para se ter uma ideia do estrago que os houthis estão fazendo, basta observar alguns dados. Cerca de 12% do comércio mundial anual depende da rota que passa pelo Canal de Suez e o Estreito de Bab al-Mandab. É por ali que chegam à Europa e à América as embarcações que vêm da Ásia, e vice-versa. A rota Cingapura-Roterdã tem duas alternativas: a passagem pelo Canal do Panamá ou pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Mas elas são 40% mais longas (pelo menos 10 dias a mais de viagem), o que eleva dramaticamente os custos das viagens, acarretando o aumento das tarifas e dos preços dos materiais transportados, que são transferidos para os consumidores do mundo todo. Além disso, o Canal do Panamá está secando, o que obrigou a reduzir quase pela metade o número de navios que passam por ali a cada dia. Assim, os preços de todas as mercadorias que passariam pelo Mar Vermelho e agora deverão passar pelo Cabo da Boa Esperança aumentarão significativamente, atingindo todos os países do mundo. Existe uma terceira alternativa: o Mar do Norte, cuja rota entre Ásia e Europa é mais curta que pelo Suez. A grande ironia é que o país com maior controle sobre essa rota é a… Rússia. Os neocons devem infartar!

Pelo Mar Arábico (entre a Índia e a Península Arábica) passa ⅓ do suprimento de petróleo marítimo e o bloqueio do Mar Vermelho, mesmo que os houthis tenham garantido que só vale para navios relacionados com Israel, na verdade faz com que todas as empresas temam ser atingidas, causando o aumento do preço do petróleo devido ao desvio de rota – a British Petroleum já anunciou que não passa mais por ali. Mais de 60% das linhas de navegação internacionais já suspenderam o transporte para Israel pelo Mar Vermelho e as empresas que decidiram mudar de caminho (como Maersk, MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd) representam mais da metade do transporte global de contêineres.

A hora da verdade para os regimes árabes

A ação houthi representa um divisor de águas não apenas para a guerra de agressão israelense contra os palestinos, mas também para a correlação de forças no Oriente Médio. Mohammed Abdul-Salam, porta-voz do movimento Ansar Allah (o nome oficial da organização houthi), indicou qual é o caráter da operação: “A causa palestina não está aberta para negociação e nós não podemos aceitar o que está acontecendo com o povo de Gaza.” Trata-se de uma ação inteiramente solidária e internacionalista, motivada pelos mais nobres sentimentos de irmandade com os palestinos. Os houthis, neste momento, são a expressão máxima do sentimento de todos os muçulmanos do mundo inteiro – e de milhões de não-muçulmanos humanistas, progressistas, democráticos e socialistas. Sendo assim, têm um respaldo moral inabalável e inatingível.

Todas as palavras que os demais países de maioria muçulmana têm emitido demagogicamente nos últimos dois meses estão sendo confrontadas pela ação concreta e extremamente corajosa dos houthis, que sequer controlam todo o território do pequeno e miserável Iêmen. E, embora os houthis tenham a vantagem de não dever justificativas a nenhum outro governo, exatamente pelo seu caráter excepcional de ser um governo paralelo que já está em guerra, portanto não têm nenhum rabo preso, isso não significa que não haja consequências para suas ações. A primeira delas já está valendo e passou despercebida: no início do mês, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas anunciou a suspensão do fornecimento de ajuda alimentar para as zonas controladas pelos houthis, o que significa uma sentença de morte pela fome para mais de 13 milhões de iemenitas que dependem dessa ajuda. Foi uma clara retaliação dos EUA e de Israel ao bloqueio naval no Mar Vermelho, com a marca do imperialismo, ou seja, a vingança contra os civis e os mais vulneráveis.

Agora os Estados Unidos vão patrulhar o Mar Vermelho para tentar impedir as apreensões de navios e os ataques vindos dos houthis. O secretário da Defesa americano, Lloyd Austin, anunciou, após chegar a Tel Aviv, que a operação “Guardião da Prosperidade” vai contar com a participação do Reino Unido, França, Canadá, Itália, Holanda, Espanha, Noruega, Bahrein e Seychelles. O porta-aviões nuclear Dwight D. Eisenhower já está no Golfo de Aden.

Muhammed al-Bajiti, membro do Conselho Político Supremo do governo houthi, chamou a coalizão de a “aliança mais suja da história”, que será combatida na “batalha mais honrosa da história”. O movimento palestino de Jihad Islâmica, por sua vez, destacou: “As declarações de Austin são uma descarada bênção estadunidense ao inimigo sionista, permitindo a continuidade de seus crimes bárbaros e nazistas contra nosso povo palestino. A incitação de Austin contra o irmão Iêmen é uma tradução descarada da arrogância estadunidense. É uma vergonha para os regimes árabes e os povos de nossa nação que não tomem medidas para responder à agressão estadunidense e sua inclinação a continuar essa guerra de extermínio.”

A participação do Bahrein revela que os regimes subservientes ao imperialismo no mundo árabe não apenas não tomam medidas contra Estados Unidos e Israel, mas que são seus cúmplices ativos no genocídio do povo palestino e na opressão contra todos os povos árabes. Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Egito (o quinto maior fornecedor de petróleo a Israel) são grandes parceiros comerciais do regime ocupante.

Diante do bloqueio do Mar Vermelho, Arábia Saudita, Emirados, Bahrein e Jordânia já começaram a operar em conjunto para transportar mercadorias por caminhão, do Mar Arábico a Israel, através de seu território. Participam, na prática, da coalizão imperialista anti-houthis, mas pela via terrestre. Afinal de contas, a demagogia pró-Palestina desses regimes é só perfumaria para encobrir o fétido apoio ao massacre; um apoio obrigatório, pois, não sendo assim, tais regimes desapareceriam, afinal são quase absolutamente sustentados pelos Estados Unidos e seus aliados europeus. O fechamento do Canal de Suez vai acabar com a já combalida economia egípcia e Abdel Fatah al-Sisi, para se manter na posição de poder que lhe foi entregue pelo imperialismo, tem de se mexer para romper o bloqueio, unindo-se abertamente a Israel, que já controla o regime egípcio há 50 anos. O mesmo vale para os estados artificiais do Golfo Pérsico.

Muhammed al-Bajiti levantou o grande x da questão aos países árabes: “Como serão vistos os países que correram para formar uma coalizão internacional contra o Iêmen para proteger os perpetradores do genocídio israelense? E como será visto o Iêmen, que atuou com vontade oficial e popular para deter o genocídio israelense contra o povo palestino?

Os houthis já tinham apoio popular majoritário no no Iêmen, fator determinante para manterem uma guerra de resistência à agressão saudita (com todo o imperialismo mundial por trás) durante dez anos. Seu posicionamento firme, como representante de um dos povos que mais têm realizado manifestações multitudinárias em defesa da Palestina, os coloca definitivamente no Eixo da Resistência ao imperialismo no Oriente Médio, com um destaque monstruoso. Assim como o Hamas, o movimento houthi demonstra aos milhões de árabes e ao bilhão e meio de muçulmanos (mais de 20% da população mundial) que somente um posicionamento radical e o levantamento armado das massas podem fazer frente à esmagadora opressão que sofrem das potências imperialistas.

O governo fantoche que controla a outra parte do Iêmen, apoiado pelos sauditas e americanos, se recusou publicamente a tomar parte da coalizão marítima contra os houthis, com medo de precipitar a sua queda pela rebelião popular no território onde ainda governa.

De fato, muitos iemenitas têm se voluntariado para combater ao lado da resistência palestina em Gaza. Se Israel e Estados Unidos temiam que a guerra se expandisse, isso parece ser inevitável. Confrontos com o Hezbollah são diários na frente norte, enquanto as bases militares ilegais do Pentágono na Síria e no Iraque já sofreram dezenas de ataques nos últimos dois meses. Há ainda a já mencionada possibilidade de ataque dos houthis contra a Arábia Saudita, a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos.

Já o Irã, que tem atuado como um enxadrista na atual situação, indiretamente apoiando o Hamas, o Hezbollah e o Ansar Allah, também pode ser compelido a se envolver diretamente no conflito: um agente do Mossad foi preso e executado por se infiltrar no país e, na semana passada, Teerã sofreu ataques hackers a partir de Israel. A “guerra fria” entre a nação persa e o estado colonial sionista pode se transformar em uma guerra aberta com a coalizão imperialista ameaçando a segurança nacional do Irã e escalando a guerra Israel-Gaza/Oriente Médio/comercial.

A abertura de uma crise revolucionária

“As Forças Armadas do Iêmen vão tornar o Mar Vermelho um cemitério para a coalizão dos Estados Unidos, se a aliança decidir tomar qualquer ação contra nosso país”, reiterou o ministro da Defesa do Ansar Allah, major-general Mohammad al-Atifi. Segundo a revista Newsweek, os houthis detêm grande estoque de mísseis antiblindagem e podem atacar mais barcos do que a Armada americana pode defender. Se as forças imperialistas fracassarem em liberar o Mar Vermelho, isso será uma derrota monumental e evidenciará a sua fragilidade, fortalecendo ainda mais o Eixo da Resistência e elevando o nível da crise não apenas no Oriente Médio, mas mundial.

A situação econômica da Europa se tornou extremamente difícil após o início das operações russas na Ucrânia, com as grandes massas europeias sofrendo inflação, desabastecimento, encarecimento das tarifas de energia e saindo às ruas em enormes manifestações nas principais capitais. Ninguém mais aguenta a guerra fomentada pelos Estados Unidos e a União Europeia contra a Rússia e esse sentimento, que no fundo é um sentimento anti-imperialista, se aprofundou diante das imagens de crianças sendo mortas como baratas pelas tropas israelenses em Gaza. As manifestações foram retomadas, em solidariedade aos palestinos e contra o apoio dos governos europeus ao genocídio. Agora as reivindicações econômicas serão amplificadas, devido à crise do comércio global derivada do bloqueio ao Mar Vermelho.

Não é mais segredo para toda essa massa populacional que a culpa pela crise no Oriente Médio, que se tornou uma crise mundial, é de Israel e, sobretudo, de seu patrão americano.  De acordo com uma análise realizada pela empresa Mig AI, 83% das publicações na internet sobre a situação na Palestina são contrárias a Israel, sendo também negativos para o regime sionista 28% dos mais de 370 mil artigos publicados em sites com mais de um milhão de visitas mensais. Ainda que os grandes conglomerados monopolísticos da imprensa internacional mantenham uma linha editorial pró-Israel, a realidade se impôs às manipulações. A pressão da opinião pública é um dos dois fatores que obrigaram os governos imperialistas a buscar uma solução para a carnificina executada por Israel, ao criticá-la após tanto lhe ajudar – o outro é justamente o bloqueio do Mar Vermelho.

A França entrou em um conflito diplomático com Israel após um funcionário de seu Ministério das Relações Exteriores ter sido morto por um ataque israelense em Rafah e a Itália e o Vaticano também entraram em contradição com Tel Aviv por um ataque mortal a uma igreja católica em Gaza. Washington e Londres manifestaram preocupação com o morticínio desenfreado de civis e outros países europeus decidiram sancionar colonos ilegais israelenses. A China possivelmente será obrigada a tomar uma posição mais ativa na busca pelo fim do genocídio, porque é um dos países mais afetados pelo bloqueio naval. Enquanto isso, dentro de Israel, a execução de três reféns pelas mãos das próprias “Forças de Defesa de Israel” gerou um clima insustentável para Benjamin Netanyahu. Soma-se a resistência imposta pelo Hamas e as demais forças em Gaza, que tornou o pequeno território costeiro em um atoleiro para os soldados israelenses.

Israel havia sinalizado que não haveria mais um cessar-fogo com o Hamas. Agora, declarações oficiais já indicam que essa posição mudou e Israel possivelmente vai implorar um cessar-fogo ao Hamas. Essa seria mais uma vitória monumental e estratégica da resistência. Mais do que tudo, no entanto, seria uma afirmação de que os imperialistas e sionistas foram jogados para as cordas. Ou aceitam a derrota em sua investida contra Gaza, com um cessar-fogo que pode resultar no fim da incursão atual, para liberar o Mar Vermelho, ou mantêm o genocídio arcando com as catastróficas consequências econômicas. De qualquer forma, sairia perdendo e essa demonstração de fraqueza pode ser vista como a oportunidade da vida de todo o Eixo da Resistência para pôr um fim em mais de 70 anos de ocupação israelense da Palestina.

As contradições políticas afetarão sobretudo os países do Oriente Médio, onde os governos terão de romper ao menos parcialmente com seus amos imperialistas para garantir sua manutenção ou cairão pela indignação das massas contra a traição à causa palestina. Já na Europa e nos Estados Unidos, o principal fator de desestabilização são as contradições econômicas, com a acentuação da queda brutal na qualidade de vida da maioria da população pelas consequências da insistência de seus governos em manter as guerras de agressão imperialistas.

Com um simples bloqueio marítimo, uma organização de rebeldes esfarrapados e esfomeados conseguiu sacudir os pilares de todo o sistema capitalista mundial, expondo claramente a sua extrema fragilidade. O grande barril de pólvora mundial – o Oriente Médio – está começando a explodir e a demolir todo o sistema em sua volta.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.


Estudo de caso:A espécie commentatoris vulgaris no terreno de política internacional

(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 19/12/2023)

O terreno da política internacional mostrou-se adverso para os comentadores. Contudo, a espécie conseguiu assegurar a sua sobrevivência através de mutações, contradizendo-se no que foram dizendo.

1 – Os valores ocidentais

Os ditos “valores ocidentais”, nos quais se devem incluir os crimes do colonialismo, apoio a ditaduras, etc., estão a ser flagrantemente desmascarados na dupla moral evidente na guerra na Ucrânia e na de Israel contra os palestinos.

O facto do poder em Kiev estar nas mãos de neonazis pelos vistos não choca os “valores ocidentais”, que a social-democracia proclama ufana, nem deve ser mencionado pelos comentadores. Que Zelensky, eleito com falsas promessas, tenha proibido todos os partidos políticos, exceto o seu e os de extrema-direita também não choca nem impede o estatuto de país candidato à UE.

Pelo contrário, Putin e Xi Ginping devem ser sempre ser referidos como ditadores; os territórios russófonos incorporados na Rússia por referendo, devem ser referidos como invadidos e anexados. No Kosovo, retirado à Sérvia, embora sem referendo, é diferente porque os EUA lá instalaram uma base militar.

Como disse Andre Vitchek:   aos que impedem que as “regras” ditadas de Washington se apliquem “urbi et orbi”, os comentadores devem repetir o que as centrais globais de (des)informação descubram ou inventem. Histórias positivas só podem ser destacadas se ocorrerem no ocidente. Como o sistema luta pela sua sobrevivência e já não pode oferecer otimismo ou motivar com ideais que suscitem entusiasmo, “o melhor que pode fazer” é manchar os oponentes. China, Rússia, RPDC (Coreia do Norte), Síria, Irão, Venezuela, Cuba, enfrentam negatividade, agressões e insultos. Todo êxito é menosprezado e questionado. Líderes são atacados ou ridicularizados.

Dizer o contrário apresenta riscos, Jurgen Helfricht, de 60 anos, correspondente do Bild foi demitido pela sua contribuição no livro publicado em 2018, “Aprendendo a amar a Rússia”. Vincenzo Lorusso , jornalista italiano, autor do canal (https://t.me/donbassitalia), foi suprimido do YouTube (pode ser encontrado no dzen e no RuTube), por trazer notícias e entrevistas da linha da frente na Ucrânia e no Donbass.

Apesar da denúncia do jornalista Tucker Carlson de que Gonzalo Lira foi preso e torturado na Ucrânia por criticar Zelensky, os comentadores nada disseram. Apenas Elon Musk exigiu que Zelensky explicasse a prisão de um cidadão americano na Ucrânia depois de “lhe enviarmos mais de 100 mil milhões de dólares”.

Perante a tragédia palestina – um genocídio em curso – nem numa sanção se fala para aplicar a Israel por violar o direito internacional e resoluções da ONU nem sequer a indivíduos que fizeram declarações ao nível do que os SS diziam internamente.

A semelhança entre os comentadores vulgares e papagaios falantes, existe. Repetem exclusivamente o que dizem as fontes ao serviço do império. Na guerra da Síria, por exemplo, o “Observatório Sírio para os Direitos Humanos”, em Londres, entregava as suas histórias às agências globais, seguindo daí para os media. Segundo o ex-oficial da CIA John Stockwell: “um terço da minha equipa eram propagandistas, cujo trabalho era inventar histórias e colocá-las na imprensa. (…) que continuaram durante semanas (…) mas foi tudo ficção.” Fred Bridgland, correspondente de guerra da Reuters: “Baseámos nossos relatórios em comunicações oficiais. Só anos depois soube que um especialista em desinformação da CIA estava sentado na embaixada dos EUA e compunha esses comunicados que não tinham absolutamente nenhuma relação com a verdade. (…) sendo sempre publicados no jornal.” [1] Imagens manipuladas, também fazem parte da “informação”.

Em 1999, a NATO bombardeou a Sérvia, durante 60 dias: alegadamente os sérvios praticavam um “genocídio” contra os albaneses do Kosovo, nos noticiários repetidamente apareciam “valas comuns”. Porém não foi encontrada uma única. Mais tarde, um tribunal das Nações Unidas na Jugoslávia anunciou o total de mortos no Kosovo: 2 788, incluindo sérvios e romenos assassinados pelo ELK. Os media nada corrigiram. O fraudulento ataque inseria-se na expansão da NATO, ou seja, dos “valores ocidentais”.

O mesmo se tinha já passado no incidente do Golfo de Tonkin para bombardear o Vietname do Norte, nas “armas de destruição maciça” do Iraque, no “uso de armas químicas por Assad”, etc. As prostitutas mediáticas tomam como certo que os estúpidos aceitarão tudo até à última mentira. (Paul Craig Roberts)

2 – Um regime de terror

Israel elevou o nível de repressão que pratica desde que foi formado, para o que é qualificado como genocídio. Para justificar os atos atuais foi logo posto a correr que o Hamas havia decapitado bebés. Apesar da mentira já ter sido usada contra o Iraque, comentadores assumiram-no como pura verdade, achando que os “animais humanos” que tal faziam (incluindo mulheres e crianças) estavam à margem das leis humanas. Os nazis consideraram o mesmo relativamente aos soviéticos.

A acusação era falsa, antes se aplica a Israel pelos bombardeamentos a hospitais e bebés deixados morrer em incubadoras desligadas, mas os comentadores limitaram-se ao silêncio ou a piedosos votos para que Israel cumpra o direito internacional, forma de dar luz verde ao que afirma Finniam Cunningham sobre o terror instituído pelo regime israelense e a cumplicidade dos media. Incapaz de derrotar a resistência palestina, Israel intensifica o terror matando e torturando crianças. Todos os palestinos libertados em trocas de reféns pelo regime israelense são mulheres e crianças, podendo as famílias ser punidas se expressarem emoções ao recebê-los – uma suja tática de terror. Mulheres e crianças! Por que estavam detidos? Que tipo de regime despótico faz isso? Os media são tão cúmplices deste genocídio doentio quanto os governos dos EUA e da UE/NATO.

Israel tem mais de 7 000 palestinos reféns, muitos deles mulheres e crianças, não se sabendo quando serão libertados. Os palestinos estão agora a ser encarcerados a um ritmo maior do que nunca. Por que são detidos? Como são tratados? O vazio de informação desumaniza as vítimas e branqueia os agressores. Na Cisjordânia uma onda de violência das FDI e grupos de colonos matou mais de 240 palestinos, incluindo quase 60 crianças. As últimas vítimas foram dois meninos, de 9 e 15 anos, mortos a tiros em Jenin. Em Gaza, quase metade dos mortos são crianças. Como disse o primeiro-ministro palestino acerca do criminoso bloqueio a Gaza, Israel, sendo “potência ocupante”, é responsável por fornecer eletricidade, água, alimentos e suprimentos médicos. (https://t.me/s/geopolitics_live, Telegram, 10/12)

Tudo isto mostra a barbárie do regime de ocupação sionista que os EUA apoiam com armas, cobertura diplomática e mediática. Mas apesar do terror, o regime israelense não derrotou os combatentes do Hamas e outros grupos de resistência. O facto de serem libertados quase 100 civis israelenses ilesos após semanas de bombardeios devastadores mostra que Israel, os EUA e aliados falharam perante o mundo inteiro em apresentar o Hamas como uma organização terrorista – os media escamotearam este aspeto.

A situação humanitária em Gaza é terrível, além de muitas crianças órfãs, sofrem de ferimentos graves, queimaduras, perda de membros, disse a Dra. Amjad Loubani, do Hospital Al-Shifa de Gaza. As condições são “catastróficas, nas crianças regista-se uma duplicação das taxas de deficiência e transtornos mentais, muitas estão desnutridas. A falta dos medicamentos necessários resultou na propagação de vírus, doenças e infeções nos campos de refugiados. (https://t.me/s/geopolitics_live, Telegram, 05/12)

Porém, independentemente do que Israel faça, a vice-presidente Kamala Harris afirmou afirmou que “não vão ser consideradas quaisquer condições para o apoio que damos para Israel se defender”. (?) Esta frase, duma inqualificável hipocrisia, tem expressão nos votos negativos no CS da ONU visando a paragem da guerra e do bloqueio.

Israel caminha para uma grave crise económica: o custo da guerra excede as previsões; o turismo grande fonte de receita cessou; os Houtis do Iémen obrigam os navios para Israel a irem pelo rota do Cabo; a mobilização retirou centenas de milhar de israelenses da economia, etc. É mais uma guerra que os EUA têm para financiar.

3 – A Ucrânia à venda: quem compra?

A Ucrânia tornou-se um “estudo de caso” sobre o que acontece a países que se deixam seduzir pelo imperialismo, mas também como a manipulação mediática é auto-destrutiva. O triunfalismo da sra. Nuland em 2014, as bravatas de recuperar territórios que não aceitaram o golpe nazifascista de Kiev, resultou em jogos de guerra em que os estrategas de Washington já se viam de novo a dar ordens a Moscovo, com Putin em fuga ou morto.

O resultado é um país com as infraestruturas destruídas ou em estado precário, centenas de milhares de mortes numa guerra inventada em Washington e cuja população sob o controlo de Kiev é agora menos de 20 milhões (50 milhões quando soviética).

Que fazer da Ucrânia? Nos EUA as opiniões dividem-se em acesa dissidência: continuar a financiar a guerra ou entrega-la à UE/NATO. A questão é quem paga uma ou outra. Quem vai financiar um Estado falido (quando deixou de ser soviética a dívida externa era zero), sem economia, com a mão-de.obra mais capaz emigrada, ferida ou morta. Os EUA/UE/NATO tornaram a Ucrânia um poço sem fundo, de dezenas de milhares de milhões de euros apenas para manter o país minimamente funcional, além de fornecimentos militares insistentemente pedidos.

A Ucrânia pode oferecer as suas ricas terras agrícolas, mas a BlackRock já tomou em grande parte conta disso e os agricultores desmobilizados irão perceber que o invasor não era a Rússia, mas o “amigo americano”. A Soros Jr. foram concedidos 400 quilómetros quadrados de terras férteis, para a eliminação de resíduos perigosos, das indústrias química, farmacêutica e petrolífera. (https://t.me/s/geopolitics_live, Telegram, 02/12)

A Ucrânia, sacrificada para enfraquecer a Rússia, é a verdadeira vítima, atolada num ciclo interminável de desespero. Um exemplo do aventureirismo dos neocons da NATO. A Rússia não apenas resistiu como emergiu economicamente mais forte.

Na sua pesporrência os comentadores falavam na unidade da UE e da NATO como uma derrota da Rússia. Mas já se calaram. Já ninguém diz “todos somos ucranianos”, como se ir de Kiev a Moscovo fosse um passeio. Na Polónia mais de 2 500 caminhões ficaram retidos na fronteira com a Ucrânia por uma greve de transportadoras polacas, devido à concorrência de ucranianos isentos de licenças. Na Hungria, os transportadores rodoviários vão realizar protestos na fronteira com a Ucrânia. Nos Bálticos, Suécia, Polónia, as populações contestam os subsídios que os ucranianos recebem. Os agricultores franceses protestam contra a importação de frango ucraniano. Os Países Baixos, Eslováquia, Hungria opõem-se ao dinheiro para a Ucrânia e às sanções anti russas.

A desorientação que reina na UE é escondida da opinião pública tanto quanto possível. Com a mentalidade estagnada no século XIX, queriam isolar a Rússia, do resto do mundo. Mas afinal é a UE que se esforça por não ficar isolada da China e do avanço crescente dos BRICS.

Para disfarçar a impopularidade, a recessão e desindustrialização, o fracassado governo russofóbico do PSD alemão e Verdes, Scholz, não encontrou nada melhor que culpar a Rússia por cortar à UE o gás dos gasodutos, como se os ataques Nord Stream não tivessem existido. O facto é que em consequência das sanções à Rússia, desde fevereiro de 2022, a UE terá gasto mais de 185 mil milhões de euros em gás.

Asseguravam que com as novas armas americanas – “a vitória da Ucrânia é inquestionável”, “unidades russas correm o risco de ficar isoladas e renderem-se”. Não vai longe o tempo em que no seu pedantismo, a mumia Stoltenberg garantia que a “Rússia está a ficar sem armamento”. Agora diz que as capacidades da Rússia “não deve ser subestimadas” (!) e que a sua indústria produz mais armas que o ocidente – e melhores também… Será que ele, a Leyen, o Borrel, sabem exatamente o que têm andado a dizer e a fazer?

4 – Os EUA no labirinto do poder virtual

A arrogância imperial ficou expressa nas declarações atribuídas a Karl Rove conselheiro de George W. Bush: “Somos um império e quando agimos criamos nossa própria realidade. E enquanto estiverem estudando essa realidade, nós vamos agir novamente, criando outras novas realidades. E é assim que as coisas vão funcionar e vocês só terão que estudar o que fazemos”.

Este poder que os EUA receberam da coligação anticomunista, ultrapassou as suas capacidades, tendo que sustentar militar e financeiramente várias guerras: na Ucrânia, a de Israel, a preparação contra a China. Mas há outra: a da economia que se afunda estagnação e inflação, numa dívida federal de 33,8 milhões de milhões de dólares, com juros, em 2023, de 1 milhão de milhões de dólares. Os milhões de milhões em Títulos de dívida que necessita – enquanto a China se desfaz deles – superam a procura tendo como consequência uma subida das taxas de juro dos Títulos.

A “estratégia” na Ucrânia, baseada na ilusão do mundo unipolar, falhou totalmente depois de uns 200 mil milhões de dólares perdidos pelos EUA/UE/NATO. Os EUA não sabem como sair deste labirinto com as dissidências no clã de Kiev; baixos estoques de armamento e munições na NATO, alem da impossibilidade prática de prosseguir a mobilização ucraniana e elevar o moral do exército, com unidades a renderem-se quando conseguem não ser baleadas pelas costas.

Outro labirinto financeiro onde os EUA se meteram é o do apoio a Israel. A guerra custa a Israel cerca de 270 milhões de dólares por dia, com os EUA obrigados a cobrir cerca de um terço, além do agravamento dos problemas económicos e financeiros.

O Pentágono alerta que os EUA estão com grandes dificuldades na produção, mas também no desenvolvimento de novos tipos de armamento, considerando que são incapazes de construir armas com a rapidez e qualidade suficiente, “apresentando um risco estratégico crescente”. Washington tem de apoiar operações de combate ativas “ao mesmo tempo que dissuade a ameaça maior e tecnicamente mais avançada no Indo-Pacífico”. A China tornou-se um centro industrial global “agora excedendo a capacidade não só dos Estados Unidos, mas também a produção combinada dos nossos principais aliados europeus e asiáticos.” (https://t.me/s/geopolitics_live, Telegram, 04/12)

A ineficiência do sistema liberal-oligárquico é evidente no facto de os EUA representarem cerca de 40% dos gastos militares globais em 2022, superando várias vezes a China. Por exemplo, os novos submarinos e sonares da China desafiam a supremacia das frotas dos EUA, ameaçando a estratégia de cercar a China e a supremacia naval dos EUA.

Na UE os “atlantistas” obedecem à voz do xerife e querem que se continue a dar dinheiro ao clã de Kiev (a Olena Zelinskaya, agradece…) para os defender da “agressão russa”. A Rússia que imaginavam há meses, isolada, a vir humildemente pedir para ser ouvida e eles com a Leyen e o Borrel à frente a dizerem: não, não, não falamos com vocês enquanto lá estiver o Putin.

Afinal, Putin vai ao Médio Oriente, é recebido pelos EAU, Arábia Saudita e Irão, destacando o papel da Rússia como líder geopolítico e mediador da paz. Os povos do Sul global verificam que apesar dos EUA e aliados se unirem económica e militarmente contra a Rússia, falharam. Em janeiro, o FMI previa que a economia russa cairia 2,3%. Na realidade, o crescimento vai ser de 3,5%. Trata-se de mais uma humilhação para os EUA, que face a desastres naturais, exibe perante o mundo o estado “terceiro mundista” das suas infraestruturas.

Perante o colapso da ordem unipolar, é espantoso que a confirmação da derrota venha de propagandistas da NATO, desenhando estratégias com unidades e recursos que não existem. Verificando que com Putin a Rússia não está, nem vai estar, vencida, acham que é preciso não desistir: se a União Soviética foi vencida e desmembrada, o mesmo pode ser feito com o passar do tempo à Rússia. [2] Entretanto, querem preparar nova contraofensiva na primavera e atacar a Rússia a partir de países da NATO. As consequências não são avaliadas nem explicitadas, bastando garantir que morrem 1 000 russos por dia na Ucrânia (?) e que a economia russa é inferior à de vários países da UE (!).

O sr. general, pensa como se estivesse no verão de 1941 ou na primavera de 1992. Mas… o que aconteceu depois? Será que não o entende? Claro que a vontade dos povos não conta para esta gente. Tudo se deve subordinar aos desígnios de domínio global: para quem não se submeta é a guerra.

E será isto o que é urgente os povos da UE/NATO compreenderem – o resto do mundo já o percebeu: a única coisa que os estrategas do ocidente conseguem perspetivar para o futuro é um permanente estado de guerra, crises económicas e sociais.

[1] https://resistir.info/varios/multiplicadores_1.html
[2] Dezembro de 1991, fim da União Soviética – início do século XXI e Dezembro de 1991, fim da União Soviética – Porquê?

Fonte aqui.