PS, PSD, CDS, IL e Chunga = Partido Neoliberal Europeu!

(Hugo Dionísio, in Canal Factual, 9/01/2024)

Todos se culpam uns aos outros pelos falhanços na política nacional. Todos se acusam, arranjando desculpas, falácias e mentiras para justificarem os insucessos alheios ou as incapacidades próprias. Um mero jogo de comadres que lavam roupa suja, sem qualquer valor acrescentado que não seja o da manipulação e dissimulação.

Uns acreditam viver em “socialismo” só porque existe um “Partido Socialista” no poder, esquecendo-se – ou nem sabendo sequer – que em Portugal a propriedade privada controla 98% de toda a propriedade e que quem decide sobre as formas de fruição e rentabilidade dessa propriedade, não é o Estado, mas sim os seus donos. Ou seja, não existe “propriedade ou produção socializada”, nem controlo político pelo social, sobre a propriedade privada (como na China, por exemplo). Pelo contrário, a pouca propriedade que ainda está socializada, seja no Estado ou em associações, é cada vez mais apropriada pelos privados. Veja-se o caso dos clubes de futebol, que vão “cedendo” o negócio do futebol, o mais lucrativo, a empresas, prescindindo da sua gestão democrática, associativa ou cooperativa.

Outros, acreditam que por defenderem uns pozinhos sociais-democratas, como a manutenção de um SNS para os mais pobres e cujas valências são cada vez mais transferidas para privados, defenderem um aumentozito, ou pouco superior ao da direita institucional, no salário mínimo, ou comprarem a ideologia woke, vinda do partido democrata dos EUA, que por isso, já são de “esquerda” ou até do campo democrático.

E a verdade, cientificamente comprovada e documentada, é que, para além desta pequena minoria que segue a ciência (a ciência deveria ser a bússola da democracia), a racionalidade e a prática, todos os outros estão de acordo sobre as questões essenciais, sobre os pilares deste regime podre, corrupto e afastado da democracia:

  • Submissão aos critérios orçamentais de Bruxelas (burocracia não eleita), que dificultam o investimento público e a modernização das empresas e serviços públicos – IL, PS, PSD, Chunga, Livre, PAN.
  • Submissão aos ditames do semestre europeu, que dá a cada Estado membro as recomendações específicas de governação económica e social, que têm de ser cumpridas sob pena de não recebimento dos fundos comunitários, cenoura que faz o burro andar atrás de uma carroça que nunca alcançará – IL, PS, PSD, Chunga, Livre, PAN.
  • Acordo sobre a legislação laboral, a manutenção das normas laborais da Troica, que mantêm a precariedade laboral, os horários desregulados, os baixos salários, etc. – IL, PS, PSD, Chunga, Livre, PAN.
  • Acordo sobre as guerras da EUA/NATO/EU responsáveis pela destruição de países como a Líbia, a Síria ou o Iraque, e que acabaram por canalizar para a Europa uma onda de migrantes e refugiados em massa, que fogem à miséria plantada pelo Ocidente – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Coincidência de opiniões sobre a estrutura económica do país, nomeadamente sobre as privatizações de empresas públicas com escala e monopólios naturais, que passam a servir os interesses de meia dúzia de grandes capitalistas (muitos estrangeiros) ao invés de se repercutirem e reverterem na qualidade de vida de todos os portugueses – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Apoio às parcerias público-privadas, garantindo rentabilidades monstruosas a grandes grupos económicos que depauperam o orçamento de Estado e obrigam os contribuintes a pagar biliões em compensações anuais – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Desvio de receitas do Estado através de privatizações (lembram-se de como tínhamos eletricidade, combustíveis, correios e telecomunicações baratas?), concessões de serviços públicos e PPP, retirando ao Estado importantes recursos e mecanismos de política económica, que depois têm de ser compensados com impostos (afinal quem quer impostos altos é a direita!) – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Apoio à entrada no Euro, à submissão e eliminação da nossa soberania monetária e económica e com ela a condenação do país a um crescimento anémico – IL, PS, PSD, Chunga, Livre, PAN, BE.
  • Manutenção de políticas de habitação que atiram os trabalhadores para a rua, para que outros possam viver sem trabalhar das rendas do alojamento local e das rendas imobiliárias, enquanto outros nem casa podem comprar ou arrendar – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Submissão do SNS ao privado, seja através do desinvestimento em hospitais, seja através do ataque aos salários e direitos dos profissionais, seja através da entrega da gestão a privados e concessão de serviços de saúde aos privados, que desviam recursos humanos e financeiros do serviço público universal – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Ataque aos professores, aos seus salários e à sua classe, mantendo condições precárias e inaceitáveis, obrigando-os a andar de casa às costas e tornando a profissão pouco atrativa – IL, PS, PSD, Chunga.
  • Legalização da corrupção, a que chamaram de “lobying”, que garante que os mais endinheirados tenham gente a trabalhar para eles, sem mais nada para fazer do que andar nos corredores do poder a influenciar em nome de interesses privados, subvertendo a democracia, o voto e as escolhas do povo – IL, PS, PSD, Chunga, PAN.

Poderia continuar com coincidências fundamentais para a política económica, social e laboral que influencia efetivamente a vida do povo. Não são coisitas acessórias para lançar areia para os olhos. Não se tratam de preconceitos nem achismos: são coincidências reais!

O que me leva, uma vez mais, a concluir: PS, PSD, CDS, IL, Chunga = Partido da submissão!

Cada um destes grupos não é mais do que uma mera fação do grande Partido Neoliberal Europeu!

Com mais ganza, com menos sexo, com mais género, mais cajado, menos brilhantina, mais cabelo lambido, menos fatinho azul, mais suíças, menos bigodaça, mais verdura ou menos arco-íris… Todos se submetem aos pilares fundamentais do regime burocrático de Bruxelas.

Mas o que é que a democracia tem a ver com isto? Se, no final, todos estão de acordo sobre o que é verdadeiramente essencial? Meros números de um circo que vai rodando sem acabar, mantendo prisioneiros os espectadores!


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UE regozija com o pagamento da lotaria internacional

(Hugo Dionísio, in Strategic Culture, 08/01/2024)

A partir de 2008, data em que Putin avisa para as intenções da NATO na Ucrânia, na reunião da NATO de Bucareste, inicia-se toda uma fase final de afundamento da economia europeia que tantos, tão inconsciente, como demencialmente celebram.

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Global Media: o cemitério está cheio de má e promíscua imprensa (e ainda bem!)

(Pedro Almeida Vieira, in Página Um, 07/01/2024)


Sendo eu de ‘esquerda’, aquilo que mais me irrita e faz sair do sério é quando alguém, supostamente de ‘esquerda’, se mete a culpar a ‘direita’ de algo que nada tem a ver com ideologias. Percebe-se a estratégia – criar uma clivagem, identificar um suposto inimigo ideológico, para que haja uma decisão política favorável –, mas isso é passar um atestado de indigência e sobretudo retirar a responsabilidade aos verdadeiros culpados. E não permitir uma reflexão e discussão sérias.

Hoje, a jornalista e antiga directora-adjunta do Público Ana Sá Lopes veio defender a nacionalização da Global Media. Veio tratar de fazer a ‘cama’ para deitar os desejos de políticos – e.g., Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Moreira, Carlos Moedas e Pedro Adão e Silva – em se meter dinheiro dos contribuintes (porque não há ouvintes e leitores suficientes) para assim simplesmente se salvarem empregos de jornalistas que, durante anos, contribuíram para a degradação do seu ‘produto jornalístico’ a ponto de hoje ser já um ‘produto comercial’ sem interesse nem préstimo.

Ao contrário daquilo que defende Ana Sá Lopes – que funciona aqui como ’porta-voz’, porque sei que o seu ponto de vista é comungado pela generalidade da corporativa classe jornalística –, não vivemos “um momento totalmente crítico na imprensa”. De facto, vivemos sim um momento de clarificação.

Por exemplo, um jornal como o Diário de Notícias – por mais que simpatizemos com a sua vetusta idade (foi fundado em 1864) – não pode sobreviver se atrai apenas 1.500 pessoas para comprarem a sua edição diária contando com uma equipa de três dezenas de jornalistas e sucessivas direcções editoriais (e conselhos de redacção) permeáveis a interesses políticos e mercantis.

Veja-se, aliás, que na Global Media chegámos a ter directores editoriais do Diário de Notícias (Rosália Amorim), Jornal de Notícias (Inês Cardoso) e TSF (Domingos de Andrade) no Conselho de Administração nos tempos de Marco Galinha. A promiscuidade e cumplicidade começa aqui, quando jornalistas passam de ‘geradores de notícias’ credíveis – para que, trazendo público haja interesse externo em anunciar – para gestores comerciais a vender banha da cobra, ainda por cima usando estratégias capciosas para fazer com que marketing seja perceptível como notícias baseadas em interesse editorial.

Aliás, a hipocrisia de supostas virgens inocentes do jornalismo, que se comportaram como autênticas megeras nos anos mais recentes, ficou bem patente na audição desta semana de Domingos de Andrade na Assembleia da República. 

Com a carteira profissional de jornalista activa, Domingos de Andrade assumiu durantes várias anos funções de responsável editorial de diversos órgão de comunicação social da Global Media (DN, JN e TSF), ao mesmo tempo que era administrador da holding – sendo o braço direito executivo de Marco Galinha até ao ano passado –, e era também, de acordo com o Portal da Transparência dos Media, gerente da TSF – Rádio Jornal Lisboa, da TSF – Cooperativa Rádio Jornal do Algarve, da Difusão de Ideias – Sociedade de Radiodifusão, da Pense Positivo – Radiodifusão e ainda vogal do conselho de administração executivo da Rádio Notícias – Produções e Publicidade.

Domingos de Andrade foi um jornalista meigamente multado pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) em Janeiro do ano passado por ter andado a assinar contratos comerciais com empresas que financiavam os periódicos da Global Media, e agora vem dizer que “não estamos apenas a assistir ao fim de marcas, estamos a assistir à destruição reputacional de marcas e redacções”? Está a fazer auto-crítica ou está a fazer lavagem de imagem?

Que eu saiba, “a destruição reputacional de marcas e redacções” sucede quando se fica a saber, através de um despacho do Ministério Público, que “Eduardo Vítor Rodrigues, na qualidade de autarca, solicitou a Domingos Portela de Andrade, vogal do Conselho de Administração do Grupo Global Media, que os meios de comunicação pertencentes a tal Grupo, nomeadamente o Jornal de Notícias e TSF, elaborassem notícias e cobrissem conferências promovendo a atuação da Câmara de Vila Nova de Gaia e do seu presidente”. É o jornalismo de Domingos de Andrade que queremos que o Estado financie? É a credibiliade de Domingos de Andrade que deve ser atendida quando falamos do fracasso da Global Media? 

Quando vejo, por exemplo, pessoas como Rosália Amorim, ex-directora do Diário de Notícias, manifestar “tristeza” pela situação da Global Media, sabendo como funcionavam as parcerias comerciais naquele diário, estamos não apenas perante hipocrisia; há uma desfaçatez terrível. Como pode uma “marca” ter alguma reputação se o próprio Conselho de Redacção da TSF se opôs à nomeação de Rosália Amorim – levantando “legítimas dúvidas quanto à sua real capacidade de manutenção de uma política editorial independente” – e ela mesmo assim aceitou o cargo?

De facto, vivemos um momento de clarificação.

Jornalismo mercantilista, sem qualidade, com personagens munidos de carteira profissional de jornalistas mas de ética mais do que questionável, permeáveis ao poder político e ao poder económico, que enganam os leitores e ouvintes através de contratos de prestação de serviços que resultam em supostas notícias, entrevistas e eventos independentes – esse jornalismo não pode sobreviver.

As empresas que o praticam, não podem sobreviver. Não podem ser ajudadas pelo Estado. Além de tudo, é imoral.

A ‘morte’ de projectos jornalísticos baseados na falta de ética é mesmo bem-vinda – é mesmo essencial, não apenas para que o crime não compense, não apenas para evitar o uso imoral de impostos dos contribuintes para insuflar e alimentar procedimentos errados e nefastos para uma sociedade, mas sobretudo por ser necessário dar espaço a projectos credíveis e sem vícios, que provem que os leitores, perante a credibilidade, valorizam economicamente o jornalismo.

Mais do que nunca, a pluralidade e diversidade da comunicação social, essencial como alicerce da defesa da democracia – que em Portugal está podre, em parte pelas promiscuidades sustentadas por jornalistas (sobretudo directores editoriais, os tais que vão defender no próximo Congresso dos Jornalistas formas de financiamento) com o poder político e económico – baseia-se na credibilidade de projectos, e não na sua história.

Quando o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nasceram, nos idos do século XIX, existiam largas dezenas de periódicos, alguns com largos anos, como o Açoriano Oriental, que ainda hoje se mantém a caminhar para os 200 anos. Todos viram nascer outros, muitos, quase todos foram ‘morrendo’, e sendo substituídos por outros, alguns tiveram várias vidas até sucumbirem, independentemente de terem sido, em tempos, instituições de prestígio, como os casos de O Século, o Comércio do Porto, a Capital, o Diário Popular ou o Diário de Lisboa.

Os ‘cemitérios da imprensa’ estão cheios de jornais que nasceram cheios de esperança, alguns se mostraram pujantes, mas por ‘causas naturais’, que incluíram sempre inadaptação ao mercado ou a erros próprios, claudicaram. Mas a sua ‘morte’ nunca significou a morte do jornalismo. Pelo contrário: na imprensa, a morte de um jornal permite o nascimento de outros (ainda) sem vícios.

Os jornais (ou as rádios, ou as televisões) morrem, mas o jornalismo não morre se extirparmos a tempo o mau jornalismo. Se se persiste na manutenção de um mau produto, artificializando a sua sobrevivência, ainda mais com dinheiros público, salvam-se a prazo (a curto prazo) empregos, mas traça-se uma ameaça para a credibilidade de todo o jornalismo, nega-se a possibilidade de nascerem outros projectos mais sérios, mais credíveis… e mais economicamente viáveis.

Por isso, para mim – e sem prejuízo de ser apoiante de um modelo de apoio social pelo Estado aos desempregados de empresas falidas, incluindo as do sector dos media –, nada mais saudável e natural do que a morte de (maus) órgãos de comunicação social, até porque, ao fim e ao cabo, são apenas títulos – que, aliás, anos mais tarde podem ser recuperados para novos projectos editoriais sérios.

[o próprio PÁGINA UM foi um título inicialmente fundado em 1976 por Isabel do Carmo e Carlos Antunes, de ideologia de extrema-esquerda de apoio a Otelo Saraiva de Carvalho; tornou-se mais tarde, entre 1995 e 1997, um boletim informativo da Associação Académica da Universidade do Minho, e antes de se tornar este jornal digital independente, tomou o nome de um programa da católica Rádio Renascença… ou seja, nomes leva-os o tempo, e simplesmente, no caso do PÁGINA UM, o aproveitámos por estar disponível]

Quando Fernando Alves, um histórico jornalista de rádio e fundador da TSF, afirma hoje no Público que “o departamento comercial comeu a cabeça de todas as redacções que conheço”, não se refere apenas àquela rádio da Global Media nem a outros órgãos de comunicação social deste grupo. Falará, mesmo que não queira englobar, de praticamente todos os grupos de media que, à conta de uma crise (que é muito de credibilidade), querem fazer-nos crer que os problemas são de hoje e que se salvam com a prostituição do jornalismo (através de parcerias comerciais) ou com dinheiros públicos.

O problema da Global Media – e também da Trust in News, que lhe vai seguir, em breve, as pisadas – não é de hoje. Uma empesa que desde 2017 soma prejuízos consecutivos, que já ultrapassavam os 42 milhões de euros em 2022, que tinha uma dívida ao Estado de 10 milhões no final desse ano (sem que o regulador soubesse), e que via os seus activos imobiliários serem ‘chupados’ pelos accionistas, não pode vir agora carpir pela salvação com dinheiros públicos como se lhe tivesse sucedido um terramoto imprevisível. E o mesmo se diz em relação aois actuais e antigos responsáveis editoriais e jornalistas.

E também não se mostra admissível que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tenha uma atitude de irresponsável passividade a ponto de defender, como fez há cerca de dois meses em resposta a perguntas do PÁGINA UM, que não tem capacidade para sequer pedir e analisar os relatórios e contas da Global Media. 

O fraco papel do regulador, mais a sua plataforma de Transparência dos Media, para evitar entrada de empresas e pessoas com interesses suspeitos, seria anedótico se não fosse grave. Foi o PÁGINA UM – e não o regulador – que detectou no ano passado falsas declarações de diversas empresas de media, incluindo ocultação de dívidas ao Estado (Global Media e Trust in News), de falência técnica (empresa do Tal & Qual) e de dependência financeira (empresa do Polígrafo).

Na verdade, tem sido o PÁGINA UM que, com as suas denúncias e já com uma seccção própria (pela relevância num sistema democrático), mais tem revelado as promiscuidades entre jornalismo e empresas (públicas e privadas, e até Goveno, o que, aliás, tem merecido a devida reacção corporativista dos visados, razão pela qual a generalidade dos órgãos de comunicação social mainstream ignora as nossas investigações, e os ‘órgãos reguladores’ (ERC, CCPJ e Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas) se mostram tão favoráveis a atender os nossos críticos.

Por tudo isto, e regressando ao início, se vamos para “pactos de regime”, como defende Ana Sá Lopes, para salvar empregos de más empresas jornalistas, fazendo com que passem a ser controladas pelo Estado, não vejo como isso pode ser bom para a democracia – diria antes: será péssimo para o jornalismo e para a democracia. Nacionalizar empresas de media, ou entregá-las a empresas do regime, é o ‘sonho húmido’ de quem está no poder. Não nos bastou as tentativas de Sócrates de controlar a TVI e como foram nomeados alguns directores da Lusa e da Global Media nos tempos do seu Governo?

Por tudo isto, são uma ofensa as palavras de Ana Sá Lopes – que é apenas um peão com o objectivo de colocar uma clivagem ideológica num problema meramente empresarial e de ética jornalística – a defender que quem contestar uma salvífica entrada de capitais públicos (dinheiro dos contribuintes) especificamente na Global Media é alguém de ‘direita’ a qualificar o Estado como um “diabo”, que é “mau, horrível, [que] come criancinhas ao lanche e por aí fora”, como escreve no seu artigo de opinião no Público de hoje.

Estou saturado deste tipo de paleio, sobretudo por jornalistas, sobre um assunto que exige debate sério, e sem estar contaminado por pessoas que compactuam ou compactuaram com um ‘modelo de negócio’ da imprensa que descredibilizou o jornalismo português nos últimos anos.

Melhor regulação – não necessariamente mais (acho que a ERC dedicou mais horas de trabalho a analisar queixas contra o PÁGINA UM do que a analisar a crescente e evidente degradação da Global Media) –; maior participação e independência dos jornalistas nas redacções; outra seriedade na anedótica Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (que deixa impune claríssimas incompatibilidades e promiscuidades); e um debate sério sobre a definição de critérios apolíticos (sem intervenção conjuntural dos Governos ou da Assembleia da República) para o financiamento público dos media (por constituírem um bem público, na concepção económica do termo), são temas fundamentais para definir o futuro da imprensa escrita (em papel e online), radiofónica, televisiva e multimédia.

Mas esse debate deve ser feito à margem do que está a suceder com a Global Media, que antecipa o caso similar da Trust in News, dona da Visão. Aliás, por mim, seria saudável e até útil que se discutisse o futuro da imprensa em Portugal depois da concretização da queda destes dois grupos à força das leis do mercado, da oferta e da procura e da boa gestão da res publica (dinheiros públicos), porquanto assim a análise da sua ‘morte’ constituiria ensinamentos para não se cometerem os mesmos erros e nos vermos livres de pessoas que conspurcam a nobre profissão de jornalista.

Fonte aqui.


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